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Como fica a União Europeia sem o Reino Unido em 6 gráficos /premium

Uma população mais envelhecida e com uma taxa de desemprego mais alta, mas com contas públicas e uma balança comercial mais equilibradas. Assim será a UE se o Reino Unido sair.

Foi a decisão tomada pela maioria dos britânicos a 23 de junho de 2016, mas, quase três anos depois, ainda ninguém sabe se o Reino Unido vai mesmo abandonar a União Europeia, quando ou em que moldes. De lá para cá, já foram traçados dezenas de cenários, planos de contingência, estratégias de reação e estimativas do que poderá acontecer. Números certos só os estatísticos, que permitem estabelecer uma relação direta entre o presente na União Europeia a 28 e o futuro — se vier a acontecer — sem os britânicos.

Os dados reunidos e tratados pela Pordata, a base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos, mostram vantagens e desvantagens do Brexit para os outros Estados-membros, enquanto grupo, em áreas como a população, o emprego e a economia. Sem o Reino Unido, a UE será um bloco mais envelhecido, com um saldo natural ainda mais negativo e com menos consumo privado, por exemplo. Em contrapartida, passará a ter, de forma global, uma taxa de desemprego mais baixa, um défice das contas públicas inferior ao atual e uma balança comercial mais positiva.

População. Menos jovens e saldo natural mais negativo

Sendo um dos países menos envelhecidos da União Europeia, o Reino Unido serve, entre os 28, como elemento compensador dos Estados em que as classes mais velhas têm um peso maior na população. Tem aliás números muito semelhantes entre as duas faixas etárias: 11 milhões e 800 mil jovens, o que representa 15% de todo o bloco europeu; quase 12 milhões de idosos (com idades até aos 14 anos), 12% da UE. Com isto, consegue um índice de envelhecimento quase equilibrado: 102 idosos para cada 100 jovens.

A sua saída terá, por isso, uma consequência óbvia: fará subir o índice de envelhecimento da UE (passa de 126 para 130), aumentando a distância entre a faixa etária até aos 14 anos e a dos acima de 65 anos.

Em termos absolutos, e tendo em conta dos dados de 2017, o Reino Unido é o 3.º país mais populoso da UE, depois da Alemanha e de França, tendo também a 4.ª maior densidade populacional (mais do dobro da média da União). Perdendo dos 66 milhões de britânicos, a população residente da UE cairá dos quase 512 milhões de habitantes para cerca de 446 milhões.

A União perderá também um fator importante: os britânicos têm sido os que mais têm contribuído, nos últimos anos, para o crescimento populacional do bloco europeu. Um dos reflexos é evidente no saldo natural. Atualmente, a diferença entre nados vivos e óbitos na UE está nos -188 mil, com o número de mortes a superar o dos nascimentos. Sem o Reino Unido (que tem um saldo natural positivo, de mais de 147 mil), o valor tornar-se-á ainda mais negativo: -335 mil pessoas, reforçando os problemas de natalidade no espaço europeu.

Emprego. Médias fazem subir a taxa de desemprego

O Brexit, a acontecer, trará também alterações nas estatísticas do mercado de trabalho europeu. Com 32 milhões de empregados e 1,5 milhões de desempregados, deixar de contar com os números dos britânicos significará agravar as médias da União. Nesse cenário, tendo em conta os dados de 2017, a taxa de emprego descerá dos 52,7% para os 51,8%. A de desemprego subirá de 7,6% para 8,1%.

O Reino Unido tem a 3.ª taxa de emprego mais elevada da UE. No outro extremo, tem também uma das taxas de desemprego mais baixas entre os 28 (ocupa o 5.º lugar, com 4,3%). Com a sua saída, também descerá a média dos salários pagos aos trabalhadores dentro da União.

Economia. Défice mais baixo e balança comercial mais equilibrada

Apesar de estar a crescer, nos últimos anos, a um ritmo inferior ao da União Europeia, o Reino Unido tem, ainda assim, um Produto Interno Bruto per capita 5% superior à média, sendo a 3.ª economia mais forte do bloco europeu. Em contrapartida, tem também o 2.º maior défice das contas públicas — e o 7.º face ao seu PIB.

Com o Brexit, a UE perderá 14% da riqueza produzida internamente, mas melhora o défice público: de 0,95% para 0,78%. Isto porque deixa de contar com as contas britânicas, deficitárias em 1,92%.

Entre importações e exportações, o Reino Unido é um dos países da UE com maior défice da balança comercial, prejudicando a média europeia, que tem uma tendência positiva (com as exportações a serem superiores às importações). É por isso que, sem os britânicos, os números da UE também melhoram neste capítulo: o saldo da balança comercial passa de 2,1% para 2,7% do PIB.

Dados negativos, neste campo, apenas no que diz respeito ao consumo privado: cairá 16%, fixando-se nos 54,1%. Isto porque os britânicos tinham, em 2017, o 3.º maior consumo privado, em percentagem do PIB — quase 66%, 10 pontos acima do 56% da UE a 28.

Claro que estas contas da Pordata são feitas apenas pela subtração dos números do Reino Unido, em 2017, aos dados estatísticos da UE no mesmo ano. De fora ficam os eventuais efeitos sistémicos ou indiretos que o Brexit terá para a economia do bloco europeu — muito difíceis, senão impossíveis, de prever com exatidão.

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