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Na Azambuja visitou o centro social paroquial, mas só pôde contactar mais de perto com crianças. E pouco.

JOÃO PEDRO MORAIS/OBSERVADOR

Na Azambuja visitou o centro social paroquial, mas só pôde contactar mais de perto com crianças. E pouco.

JOÃO PEDRO MORAIS/OBSERVADOR

Como o teflon, Marcelo descola de tudo o que é negativo /premium

É o verdadeiro candidato teflon, não há crítica ou ataque que não sacuda, nem responsabilidade que assuma sem logo dar a entender que domingo está tudo relegitimado outra vez.

Não há nada que consiga ficar colado à pele de Marcelo Rebelo de Sousa por muito tempo nesta campanha, é como o composto químico teflon a que nada se agarra ou sequer se queima. Nem mesmo quando se trata do peso mais pesado dos tempos mais recentes, os trágicos números da pandemia que começaram após uma decisão pela qual já se responsabilizou publicamente: o Natal desconfinado. “Por definição a culpa é do Presidente”, diz quando também já lembrou estar sujeito aos “escrutínio dos portugueses” no domingo. Como aí espera, confortável, a reeleição, fica relegitimado até na gestão da pandemia. O candidato que vem de Belém vai-se desviando das balas dos adversários e também de compromissos para o futuro à velocidade que eles lhe chegam.

Esta segunda-feira, numa breve ida à Azambuja para visitar o centro social paroquial e manter o seu périplo pelas instituições sociais e o papel que têm tido no apoio ao setor público na pandemia, o candidato-Presidente prestou declarações durante quase meia-hora (é raro que fale menos de 20 minutos) e falou da pandemia, claro, e do “cansaço dos portugueses” com as medidas restritivas. São a mais, são a menos? A pouco tempo de o Governo vir apertar restrições (o que aconteceu nessa mesma tarde), Marcelo deixava tudo em aberto e apenas dizia que se pronunciaria se tivesse de o fazer, ou seja, se houvesse alterações que tivessem de passar por Belém.

JOÃO PEDRO MORAIS/OBSERVADOR

Falharam no Natal? “Admito que seja um ponto de vista, mas acreditou-se, eu acreditei e o Governo também, na confiança dos portugueses”. Marcelo lembra, mais uma vez colocando o ónus no lado dos portugueses, que “no fim de ano havia restrições e infelizmente não foram acatadas”. Então nem com regras mais duras? “O discurso político pode ser mais ou menos dramatizado mas as pessoas ao fim de 11 meses já perceberam tudo. Ou aderem ou não”, ia respondendo ao mesmo tempo que descrevia  haver “ainda muita gente, os mais jovens, com idades inferiores a 60 anos, que pensam que isto é grave, mas que não é tão grave assim”. E deve haver mais policiamento? “Vivemos numa sociedade democrática, não é possível ter um polícia atrás ou fechar as pessoas em casa”. Vários chutos para canto.

Parece sempre que vai dizer mais do que um político naturalmente recatado, mas acaba por se comprometer muito pouco na mesma, ainda que fale meia hora de uma vez até ser ele mesmo a dar por terminada a conversa com qualquer muleta quando vê que já não há perguntas: “E é isto que vos tenho a dizer hoje”. E nesta fase ultra sensível da pandemia — que o primeiro-ministro não classifica de nada menos do que a “mais grave” até aqui — ainda vai dividindo responsabilidades com o seu parceiro do momento, o Governo.

A dias das eleições, consegue esgueirar-se entre medidas e restrições e afasta-se até de quem o ataca por estar na rua. “Se eu estivesse confinado no Palácio de Belém diziam ‘lá está ele convencido que já ganhou, ou porque acha que não é importante a campanha”. Preso por ter campanha, preso por não ter, mas foi Marcelo quem decidiu — e assumiu-o esta segunda-feira — ir para a rua, sensível às acusações de “arrogância”. Está ali porque os adversários se queixaram, como podia não estar por causa da pandemia. Não há decisão que se lhe cole.

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O colorido de campanha vai escasseando nesta campanha-de-uma-ação-por-dia-em-pleno-confinamento e só a sorte fez com que à janela de uma esquina estivessem Aurora e Sebastião. “Adoro este professor”, atirava a senhora de 77 anos que contava entusiasmada a Marcelo que ela e o marido já tinham estado na televisão há uns anos por se terem juntado quando ambos ficaram viúvos. “Mas enviuvaram naturalmente? Ao mesmo tempo? É que é uma coincidência muito curiosa. Isto estava preparado há muito tempo”, gracejava Marcelo da rua depois de ouvir Sebastião tocar o seu acordeão. Quem disse que não há concertos em confinamento?

JOÃO PEDRO MORAIS/OBSERVADOR

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No debate da rádios, durante a manhã, Marcelo assumiu com pinças o que fará se às mãos do Presidente chegar, no próximo mandato, uma solução de Governo apoiada no Chega. “É evidente que a nível nacional, havendo dúvidas sobre o comportamento, aí faz sentido haver acordos escritos”. O “comportamento” do Chega, entenda-se, porque Marcelo diz que o representante da República nos Açores só aceitou o acordo de governação à direita e com o partido de André Ventura porque o viu antes. Para quem se vangloria de não estar aqui para atacar pela negativa os seus adversários, provocou reações profundas no candidato Ventura. E não terá ficado muito surpreendido.

Quem atacou quem: Marcelo, o alvo de todos, atirou Açores contra o ausente Ventura

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