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Pessoas não usavam máscara nem cumpriam distanciamento de 2 metros
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Pessoas não usavam máscara nem cumpriam distanciamento de 2 metros

Pessoas não usavam máscara nem cumpriam distanciamento de 2 metros

Concerto de 5 horas na Altice Arena sem máscaras nem distanciamento teve after party com chamada para a GNR e um teste positivo

Sem máscaras nem distanciamento, o concerto BC Best, na Altice Arena, parecia um regresso a 2019. After party na Venda do Pinheiro também não cumpriu regras — e um dos testes à porta foi positivo.

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A edição de 2021 do concerto BC Best prometia um “cartaz de luxo”. Desde as 19h30 do final da tarde deste domingo até às 2h00 da manhã desta segunda-feira, os “melhores DJs dos últimos anos” iam tocar na Altice Arena, em Lisboa, num concerto em que seriam cumpridas “todas as medidas de segurança exigidas pela Direção-Geral da Saúde (DGS)”, lê-se no site da sala de espectáculos.

Ao concerto, e como evento separado, seguiu-se uma after party na Venda do Pinheiro, em Mafra, marcada para as  3h00 da manhã até ao meio-dia desta segunda-feira, também organizada pelo mesmo promotor do evento na Altice Arena — a Bad Company. Shimza, um dj sul-africano, Carlos Manaça e l’Raphael foram novamente convidados para tocar numa quinta onde normalmente se realizam casamentos e batizados.

Ao todo, foram mais de doze horas de festa, num cenário que, pelo que mostram os vários vídeos publicados entretanto nas redes sociais, fazia lembrar aquele que se vivia antes pandemia. Sem máscaras e sem o cumprimento do distanciamento físico de 2 metros, milhares de pessoas vibraram ao som da música que os DJs tocaram na Altice Arena e no evento que se seguiu. A grande diferença face a 2019, além da lotação mais reduzida, terá sido, sobretudo, a apresentação obrigatória do certificado digital de vacinação contra a Covid-19 ou de teste negativo antes da entrada da sala de espetáculos.

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O que as imagens do evento deste domingo mostram contrasta de forma clara com a norma 028/2020 da DGS, que define as regras que têm de ser cumpridas nos eventos culturais. A alínea 19, por exemplo, que refere o uso “de forma adequada e permanente da máscara por todos os utilizadores e colaboradores, excetuando-se os membros dos corpos artísticos durante a sua atuação em cena”, não foi cumprida (pelo menos pela esmagadora maioria dos presentes). Tal como a alínea 39, que indica que “nas salas de espetáculos os lugares de galeria só podem ser utilizados com lugares sentados, observando as regras do distanciamento físico entre espetadores não coabitantes e ocupação de lugares desencontrado”.

Ao Observador, fonte oficial da DGS indicou que, à luz da legislação atual, a utilização de máscara seria obrigatório e sublinhou que uma eventual norma ‘especial’ nunca daria autorização a que não se utilizasse máscara dentro de um espaço fechado. E esclareceu que não recebeu qualquer pedido por parte da Bad Company para a organização do evento, ainda que tenha destacado que também uma eventual autorização poderia ter sido atribuída pela Administração Regional da Saúde Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), contactada entretanto pelo Observador, mas que ainda não deu respondeu às perguntas do Observador.

Fonte da Altice Arena assegura, no entanto, que foram cumpridas medidas “como a apresentação à entrada de certificado digital Covid-19, o teste à Covid-19 negativo, a circulação pela direita, a medição de temperatura, a higienização das mãos, a marcação de lugares não utilizáveis e respeito pelas regras de lotação definidas”. Mas a Altice Arena nada diz sobre a não utilização de máscaras, a falta de distanciamento entre os espectadores ou o facto de todos estarem de pé, apesar das perguntas do Observador sobre essas questões. Pelo contrário, no final da resposta enviada, atira as responsabilidades finais para os próprios espectadores e para os promotores do concerto — a empresa Bad Company –, argumentando que cabe ao organizador do evento garantir “o cumprimento de todas as normas e do próprio público em qualquer espaço em que se encontre”.

No caso das máscaras, que praticamente não se veem nos vídeos do evento, é a própria Altice Arena a garantir que são utilizadas nos seus espectáculos — aliás, é a primeira informação que aparece quando se entra no site do antigo Pavilhão Atlântico: “Use sempre a máscara”. Nesse quadro em que se garante “o escrupuloso cumprimento das indicações da DGS e da OMS”, também se fala no “distanciamento físico de 2 metros” e pede-se que o espectador se mantenha “no seu lugar sempre que possível”.

Imagem que aparece no site da Altice Arena

Na resposta enviada ao Observador, a mesma fonte oficial revela que o evento de domingo contou com 2.500 pessoas, o que corresponde a 20% da capacidade máxima para a configuração com lugares sentados e marcados, e que o espaço tem em vigor “um plano operacional de contingência”. Para o cumprir terão estado envolvidas 100 pessoas, incluindo seguranças e elementos da PSP, que têm “presença obrigatória em todos os eventos por regulamento do espaço”. Isso significa que, no local, estavam vários agentes, que, aparentemente, não detetaram qualquer ilegalidade. O Observador questionou o Comando Metropolitano de Lisboa sobre o que aconteceu, mas não obteve resposta até à data da publicação deste artigo.

Adiado desde 2020, concerto foi promovido nas redes sociais (mas um post foi apagado esta segunda-feira)

O BC Best foi também promovido nos últimos dias nas redes sociais da Altice Arena (como já tinha sido feito em julho — e que ainda está visível) com um vídeo que apresentava os DJs presentes no concerto e no qual se garantiam “cinco horas de festa”. A acompanhar lia-se uma descrição na qual a Altice Arena dizia que “estava tudo pronto” para receber o BC Best 21, referindo que a “abertura das portas está prevista para as 19h30”. O post era, ao início da tarde desta segunda-feira, o mais recente da página, mas, após as perguntas do Observador, já não se encontra disponível nas redes sociais da Altice Arena. 

Post publicado a 28 de agosto

O Observador tentou também contactar elementos da empresa organizadora, a Bad Company, mas sem sucesso. O concerto tinha sido adiado no ano passado, por causa da pandemia. Em comunicado, os promotores diziam que iam “aguardar pelo levantamento do estado de emergência para partilhar outras informações dirigidas aos portadores de bilhetes”, lembrando também o impacto das restrições no setor da cultura: “Foi-nos negada a liberdade de podermos fazer o que mais amamos e, pouco a pouco, presentearam-nos com a destruição de milhares de vidas que dependem deste setor.Voltaremos mais fortes e com a convicção de que 2021 será o ano mais festivo dos últimos tempos”, escreveram na altura.

After party em quinta de casamentos da Venda do Pinheiro detetou um caso positivo

Após o evento na Altice Arena, a Bad Company organizou também uma after party a partir das 3h00 com três dos DJs que estiveram no concerto. Esse segundo evento decorreu na Quinta Fonte do Paraíso, na Venda do Pinheiro, em Mafra. A novidade foi dada através das redes sociais, numa imagem que, no canto superior esquerdo, tem um pequeno símbolo com a indicação “Entidade Autorizada DGS”. Ao Observador, a DGS diz desconhecer este símbolo, e que não é sua responsabilidade passar este tipo de credencial.

Informações sobre a after party publicadas no Instagram da Bad Company

Ao Observador, o gerente da quinta, Gabriel Custódio, confirmou o evento e assegurou que “foram cumpridas todas as medidas de segurança”. Diz, porém, que a lotação do espaço permitia que se reunissem ali 350 pessoas, mas a GNR tem outro número: apenas 100.

E mesmo com as diferentes versões, muito mais pessoas terão aparecido. O responsável da quinta conta que se dirigiram ao local várias pessoas, o que obrigou a que “tivessem de fechar o portão” para não entrar mais gente dentro da quinta. “Não tínhamos capacidade para mais.”

Partilhados em stories das redes sociais, vários vídeos deste segundo evento mostram centenas de pessoas dentro de um espaço fechado, sem máscara, a dançarem. Gabriel Custódio argumenta que o espaço funciona como restaurante e, portanto, as pessoas podem não utilizar máscara. Sobre o distanciamento, o responsável justifica-se com o facto de que “todos os presentes na after party tiveram teste negativo ou tinham o certificado digital”.

Aliás, segundo o responsável, “quase todos tinham teste”, mas alguns tiveram de fazer um autoteste no local, auxiliados por enfermeiras que trabalham na quinta. Gabriel Custódio revela que houve um positivo, não sabendo, contudo, se essa pessoa esteve presente na Altice Arena, nas horas antes. O gestor do espaço garante ao Observador que a pessoa em causa não pôde entrar na quinta — ainda que, antes da testagem, tivesse estado em contacto com outras pessoas que entraram.

GNR foi chamada ao local e diz que a festa só estava permitida a partir das 06h00, mas o evento prosseguiu

Por volta das 3h00 da manhã, hora do início anunciado do evento nas redes sociais, a Guarda Nacional Republicana (GNR) foi chamada à Quinta da Fonte do Paraíso, por causa do barulho que os presentes na festa estavam a fazer e que incomodou alguns vizinhos.

Ao Observador, a GNR diz que os militares pediram cuidado com o ruído e, não tendo havido resistência por parte dos presentes à entrada, a patrulha foi-se embora do local e não voltou a ser chamada. Mas sobram dúvidas sobre que intervenção deveria ter sido feita. A GNR também diz, por exemplo, que havia, efetivamente, uma festa permitida na Quinta da Fonte do Paraíso, mas só a partir das 6h00 e não das 3h00 — aliás, o espaço encontra-se licenciado para funcionamento no horário 6h00-2h00. Ainda assim, a patrulha que lá esteve a essa hora não travou o evento, pediu apenas menos barulho, garantindo ainda que “as pessoas presentes não se encontravam aglomeradas e faziam uso correto da máscara”. E, como vimos, também só poderiam estar no local 100 pessoas, segundo informação da própria GNR, e não as 350 que lá estariam, mas a Guarda também não terá atuado sobre esta questão.

Confrontado com a hora de início da festa, Gabriel Custódio, responsável da quinta, confirma que os participantes na after party chegaram ao espaço às 3h00, mas garante que apenas entraram no recinto fechado às 6h00. Durante essas três horas, terão ficado todos na zona exterior do espaço. Esta versão é, porém, desmentida pelos vídeos publicados na redes sociais, nos quais é possível ver pessoas a dançar no recinto interior da Quinta da Fonte do Paraíso por volta das 4h30 — muito antes da autorização comunicada pela GNR.

Artigo atualizado às 11h17 com as declarações da DGS

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