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Portas, Melo (e a rua) na ajuda ao sonho de Cristas

Cristas fez cerca de 500 quilómetros em poucas horas, esteve com Melo e divulgou palavras e apoio a Portas. Após ação pouco conseguida no Barreiro, inventou uma arruada fora do programa em Braga.

Artigo atualizado ao longo do dia

Assunção Cristas sonha, o CDS trabalha e a sondagem não cresce. Mas a líder do CDS recusa-se a atirar a toalha ao chão e em poucas horas fez cerca de 500 quilómetros pelo país. De manhã esteve no distrito de Setúbal, onde o CDS corre o risco de não eleger o líder parlamentar (Nuno Magalhães), e à tarde já estava Braga, onde à saída de uma incubadora de startups, a GNRaction, admitiu que os centristas estão “todos os dias” a “procurar passar mais e melhor a mensagem“. E se é preciso mais, em apenas uma tarde apareceram Nuno Melo (presencialmente, como líder distrital), Paulo Portas (em comunicado, como mandatário em Aveiro) e a própria Cristas reforçou o contacto junto do povo, numa arruada em Braga inventada à última hora pela comitiva, que não estava no programa.

Cristas nem precisou de sair do alpendre do antigo quartel da GNR (daí ser GNRaction) para receber os primeiros apoios bracarenses.”Força, não queremos partidos marxistas“, ouviu, contra a esquerda. Ou até apoios em rima: “Viva a dra. Assunção, que é mais bonita que na televisão“. Ou ainda lealdade histórica: “Voto no CDS desde 1974“.

Mas os tempos da PàF ainda estão presentes entre os eleitores. “Eu não vejo só novelas, eu leio, por isso ainda estou indecisa e não sei onde vou votar”, disse uma eleitora reformada. E começou um diálogo inglório para Cristas, já que — embora perante uma indecisa — dali não levará um voto:

Assunção Cristas: “Se está indecisa, é para si que tenho de falar. Olhe que nós queremos baixar o IRS em 15%”.

– Apoiante de Cristas: “Olhe que ela não vota em si.”

Reformada: “Sou sincera, claro que não voto. Não sei em quem vou votar. CDS nunca voto, porque me lembro dessas coisas [do tempo do Governo de Passos e Portas]”.

Assunção Cristas: Mas olhe que quem trouxe a troika foi o PS.”

– Reformada: “Mas foram outros não foram estes”

– Assunção Cristas: “Não foram? Olhe o ministro Vieira da Silva, o António Costa já lá estava.”

Por mais esforço que Cristas tenha feito, dali não leva um voto. A maioria das pessoas foi simpática, mas há sempre quem se lembre aqui e ali dos tempos em que o CDS foi governo. No resto da mesa, numa esplanada no centro de Braga, estavam mais cinco mulheres e todas deram força e aplaudiram Cristas. A rua é sempre uma lotaria.

Nem nas próprias estruturas do CDS há unanimidade: o líder da concelhia de Braga, Altino Bessa, foi contra as listas de deputados. Mas para Cristas a questão está resolvida e até tinha atrás de si, enquadrado com o plano das televisões o líder distrital, Nuno Melo: “Nós temos o CDS no distrito de Braga empenhado em fazer um bom resultado. E é nisso que estamos a trabalhar, passando a essa mensagem. Não é verdade [que estruturas locais não estejam com o CDS] a distrital de Braga aprovou a nossa lista. Se há uma concelhia que não quis por razões puramente pessoais, lamento.”

Assim que acabaram as declarações aos jornalistas com as câmaras ligadas, Nuno Melo e Telmo Correia apressaram-se em explicar que a maior parte da distrital estava naquela ação e que o presidente da concelhia de Braga estava isolado neste boicote à lista às legislativas. “Estão cá todos”, dizia Melo. “Estão cá todos”, repetia Telmo Correia.

O reforço Portas, em palavras, no ataque à “atitude socialista”

E se é dia de chamar os reforços a assessoria de Cristas libertou a informação de uma contratação de peso: Paulo Portas será mandatário do CDS na candidatura de Aveiro. A informação já estava ontem nos órgãos locais, mas agora foi usado como trunfo pela nacional. O anúncio vinha com uma declaração de Portas que lembra que quando passou o “testemunho a João Almeida e António Carlos Monteiro, tinha a certeza de que defenderiam Aveiro e as suas gentes tão bem ou melhor” do que o próprio fez ao longo de seis legislaturas. Deu depois exemplos de como “foram úteis ao bem comum”: João Almeida como “autor do muito pertinente e direto relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito à CGD” e António Carlos Monteiro o “deputado que pôs o dedo na ferida contra os abusos dos partidos na devolução do seu próprio IVA” Ou seja: “trabalho sério, trabalho em profundidade, trabalho com coragem”.

Sobre o facto de ser mandatário em Aveiro, Paulo Portas classifica-o como “um gesto coerente, justo e pela positiva”. O ex-líder do CDS diz ser coerente porque Aveiro sempre o recebeu “de braços abertos” e isso é algo que não esquece “mesmo estando fora da vida política”. Para Portas este é também um “gesto pela positiva de quem acredita que Aveiro se destaca em progresso no nosso país, precisamente pela sua tradição na defesa das liberdades políticas e económicas – que dão mais à sociedade e tiram menos ao cidadão do que a atitude socialista.”

O sonho americano de Cristas adiado no Barreiro

Com poucas horas de sono, Assunção Cristas arrancou a campanha na manhã desta terça-feira no Barreiro para defender a versão portuguesa do sonho americano: abrir ao privado o que é só público, para melhorar a qualidade serviço. Cristas tem repetido que quer os portugueses a realizar os sonhos e ambições — limitados pelas “esquerdas” — e partiu de barco para a margem sul (“sítio onde são feitos os sonhos”, na paródia de Rui Unas). Chegou quase a horas, mas quer mais qualidade no serviço: “Entendemos que deve ser aberta a travessia do Tejo a mais operadores e, portanto, aberto à concorrência“.

Foi uma aventura em “terra do inimigo”, como classificava um membro da comitiva centrista. “Há dez anos era impossível fazer isto: era só malta a passar e a dizer submarinos para aqui, submarinos para ali, Portas isto, Portas aquilo“, complementava o mesmo elemento do grupo. Nas urnas não está muito melhor. O CDS teve 2,12% no Barreiro nas Europeias, mas Cristas insistiu em esperar as pessoas no terminal fluvial daquela cidade. Não teve muito sucesso. De flyers na mão, a líder do CDS foi ignorada como qualquer jovem que distribui panfletos à porta do metro. A pressa para apanhar o barco era mais importante. Cristas ainda teve direito a um insulto, com direito a imprecisão enquanto falava aos jornalistas: “Estiveste em quatro ministérios e não fizeste nada. Vai trabalhar!”

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Não muito longe dali, a um “dedinho esticado” de distância, mesmo no centro do Barreiro, estava António Costa. Mas se Cristas quer um modelo mais americano para os transportes, não enfiou a carapuça de estar isolada com Donald Trump na defesa da redução de impostos sobre os combustíveis, como tinha acusado na noite anterior o líder do PS. Se assim fosse, também dois terços da “geringonça” são como o presidente norte-americano: “Não estou nada preocupada com essas acusações e, aliás, devolvo-as aos parceiros do governo, BE e PCP, e que aprovaram na generalidade a proposta do CDS para retirar a sobretaxa do imposto sobre o gasóleo e a gasolina. Portanto, acho que é uma crítica aos seus parceiros de governação”.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Voltando ao sonho americano adiado para quem vive limitado ao transporte público para atravessar o Tejo, Cristas contou a história de uma pessoa que conhece, do Barreiro, que “perdeu uma oportunidade de trabalho porque o empregador lhe disse que não podia correr o risco de ter faltas ao trabalho.”

Assunção Cristas falou ainda sobre as reduções dos passes sociais implementados pelo governo PS, que o CDS não contesta. Porém, a líder centrista destaca que “além do passe, as pessoas têm de ter transportes para poder usar” e tem ouvido “críticas de pessoas que, apesar de terem o passe,  não têm transporte, não têm o comboio, não tem o barco ou de repente teve a diminuição da qualidade de serviço, com a retirada de bancos do comboio”.

O flyer entregue por Cristas, além da abertura da travessia do Tejo a novos operadores, tinha uma segunda proposta: “Metro até Almada”. Isso é algo que a líder do CDS diz que “é preciso estudar”, já que “faz sentido ligar as duas margens do rio por meio ligeiro.

A ação acabou com uma espécie de análise pós debate de Cristas, que voltou a dizer que há um país para além de Lisboa e Porto “que António Costa desconhece, que vive do seu trabalho, que todos os dias se esforça para no final do mês poder receber algo mais e que todos os meses vê uma parte do seu dinheiro a ser transferida para os bolsos de Mário Centeno.” Cristas insiste que o ISP já “tirou das famílias e empresas portuguesas mil milhões de euros” e lembra a António Costa (perto, mas longe de mais para a poder ouvir) que “há muito país e muitas pessoas que, para trabalhar no país, têm de usar o seu transporte individual, não o usam para passear.”

Cristas admitiu ainda que “muito terá ficado por dizer” e que o objetivo do CDS era demonstrar que “há outras alternativas” à governação do PS. Há escolhas que se podem fazer. Cristas foi do Terreiro do Paço ao Barreiro, mas o objetivo do partido é fazer o percurso inverso e voltar um dia ao governo. A estreia não foi de sonho e ao fim de meia hora já Cristas seguia para Setúbal.

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