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Da sardinha ao marisco, com fruta e sopa da pedra pelo meio: 10 festas e feiras de verão para devorar /premium

De norte a sul do país, durante os meses quentes, festivais que juntam artesanato, música, cultura e comida (principalmente) aparecem como cogumelos. Siga a lista do que vai querer visitar.

Verão é sinónimo de férias, praia e descanso mas também é a época do ano em que Portugal inteiro — do interior ao litoral e de norte a sul –, cidades e vilas vestem a sua melhor farpela par receber as festas que tanto fazem mexer. Ao longo dos meses mais quentes multiplicam-se os eventos que reúnem muita música (a qualidade da mesma fica para o leitor decidir) mas também são ótimas desculpas para conhecer pratos, receitas e produtos novos. Na lista que se segue estão algumas sugestões de festas que tanto podem pô-lo a dar à cintura como a dar ao garfo. É escolher.

Feira de Santiago

Setúbal; até 4 de agosto; entrada livre

Há quatro décadas que Setúbal se enche de (ainda mais) cor para receber a Feira de Santiago, evento que todos os anos ocupa a última semana de julho e a primeira de agosto. Há concertos, workshops, comércio e muita comida — não fosse o tema deste ano a gastronomia.

Entre o Pátio dos Sabores, uma espécie de food court com sabores regionais, e a Rua dos Produtos Regionais, duas das secções desta Feira, vai poder provar clássicos como o incontornável choco frito ou até as históricas bolachas Piedade, que até à recente abertura da pastelaria homónima, na Avenida Luísa Todi, só se encontravam precisamente nesta Feira de Santiago.

Jogos tradicionais e muitas bancas com atrações: Porque não pode ser só comer ou dançar. ©David Pereira

David Pereira

A par destes clássicos tem ainda as sempre concorridas Farturas da Luisinha e os pregos do Séninho. Se estiver disposto a experimentar algo diferente, que fique na mesma região mas fora do âmbito da festa, experimente O Batareo, poiso modesto de aparência mas irrepreensível no que toca a peixe e marisco na grelha.

Ruas Floridas

Redondo; até 4 de agosto; entrada livre

Em 1838, na freguesia de Redondo, não haveria certamente oportunidade de assistir a um concerto de Anselmo Ralph e Toy, como vai acontecer este ano na festa Ruas Floridas. Contudo, já era possível ver a forma como as ruas desta localidade alentejana ficam totalmente decoradas com flores de papel nos meses do verão, já que há relatos de nesta data já haver celebridades deste género.

Esse tipo de artesanato, as tais flores em papel, está na base da festa bianual que continua a decorrer desde então e que em 2019 acontece entre o final de julho e inicio de agosto, sendo já motivo de romaria para pessoas de todo o lado do país e arredores. Nesta edição das Ruas Floridas vai haver muita animação, como seria de esperar, mas também haverá muito para comer, não estivéssemos numa das várias zonas onde a gastronomia é ponto chave.

Durante todos os dias do evento vão estar à sua disposição todos os restaurantes e tabernas “habituais” desta localidade  (como o A Torre, por exemplo) mas também vai haver uma zona grande, coberta, onde será montada uma zona de tasquinhas com de produtos típicos da região — enchidos, queijos, pão, petiscos e vinho. Perto da zona da Câmara Municipal também haverá um poiso grande mais dedicado a pratos rápidos regionais —  como os cozidos de grão, as açordas, migas, borrego e muito mais. É aproveitar e resistir à inevitabilidade de deixar pingar uma ou outra nódoa nas flores decorativas que forrarão todas as ruas.

Festival da Sardinha

Portimão; de 7 a 11 de agosto; entrada livre

A cidade de Portimão vai voltar a inundar-se de cheiro a sardinha assada pelo 25º ano consecutivo, com mais uma edição do já famoso Festival da Sardinha. A icónica espécie marinha vai ser o centro das atenções deste certame que se vai desdobrar ao longo da zona ribeirinha da cidade, durante cinco noites quentes do mês de agosto.

Milhares de pessoas vão poder provar o melhor da gastronomia local, divertir-se com a animação de rua e até comprar ou simplesmente ficar a conhecer alguns exemplos do artesanato local. Para ter uma noção, só dedicados às áreas do artesanato, petiscos (uma solução para quem não gostar de sardinha mas não quiser faltar à festa) e doçaria regional pode contar com trinta expositores.

Na zona do recinto do festival — onde vão atuar nomes como C4 Pedro, Amor Electro ou Marco Rodrigues — vão concentrar-se grande parte dos grelhadores que debitam sardinhas assadas servidas no pão todos os dias, sem descanso. Tirando este segmento do festival há ainda que ter em conta os vários restaurantes tradicionais que serão parceiros do evento e boa alternativa para quem quiser comer sardinhas mas não gostar de confusão. Se estiver por estes lados e não quiser ter nada a ver com este festival — o que certamente será difícil de acontecer — pode sempre optar por outro restaurante, como a Taberna da Maré.

Festival do Marisco

Olhão; de 9 a 14 de agosto; preços entre 3,50€ e 42€

Todos os anos metade de Portugal, quase, segue país abaixo rumo ao Algarve em busca de sol, mar, descanso e comida. Ora para todos estes veraneantes há uma bela forma de saciar pelo menos um desses requisitos, o último, no Festival do Marisco em Olhão. Já com mais de vinte anos de história, esta verdadeira festa de verão — não faltam concertos e muita animação — é uma ótima oportunidade para aproveitar ao máximo as famosas águas algarvias, através das criaturas que a habitam, neste caso. Falamos em águas porque esta região do país não só tem a sorte de ser banhada pelo generoso Atlântico mas também porque há toda uma Ria Formosa plena de vida e coisas saborosas.

Do espadarte ao marisco, de Olhão a Vila Praia de Âncora, encha o prato nas próximas semanas © DR

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O certame deste ano decorre entre os dias 9 e 14 de agosto, no sítio do costume (o Jardim Pescador Olhanense), e a organização propõe um cartaz com nomes como Matias Damásio, Resistência, HMB e Ludmilla. No capítulo da comida tem tudo aquilo que imagina quando pensa em marisco — dos camarões às ostras, passando pelas santolas e as lagostas –, que lhe são servidos nas formas mais tradicionais, seja num arroz de marisco, por exemplo, ou simplesmente sobre o carvão em brasa. Doçaria regional também não vai faltar, bem como os já habituais stands de venda de artesanato.

Se quiser fugir da confusão e optar por uma sugestão olhanense que envolva comer mas não esteja diretamente associada a este festival pode sempre reservar uma mesa n’O Cascas, esse clássico da comida regional que é famoso pelos seus pratos… de marisco.

Frutos 2019

Caldas da Rainha; de 16 a 26 de agosto; preço diário 5€, passe geral a 20€

Nunca a expressão “é muita fruta” fez tanto sentido de aplicar como no caso desta celebração anual organizada pela Câmara Municipal das Caldas da Rainha, que aposta na divulgação e valorização dos hortofrutícolas nacionais. Como é que faz isso? Fácil: primeiro há os concertos, que são vários e têm como protagonistas nomes como Jorge Palma, Blaya, Tantanka ou Rui Veloso; depois há a já habitual zona de expositores e venda onde todos terão oportunidade de provar e comprar alguns dos (literais) frutos da terra.

A juntar a tudo isto temos a zona de showcooking, as barraquinhas de venda de artesanato, workshops, aulas de yoga, eco-terapia e, claro, uma zona de street food com ofertas mais modernas do que aquelas que se podem encontrar noutros restaurantes típicos das redondezas que não fazem parte do certame mas que não é por isso que ficam a perder — se puder vá ao Solar dos Amigos, um clássico absoluto desta zona e paragem imperdível para quem gosta de boa comida portuguesa e doses (muito) generosas.

A edição deste ano do Frutos, contudo, traz algumas novidades, sendo a principal a enorme aposta na promoção da sustentabilidade ambiental. Um dos exemplos desta aposta surge logo no momento de compra dos bilhetes: quem optar pela versão eletrónica do mesmo recebe de oferta uma Ecobox, um vaso biodegradável com sementes de árvore e substrato florestal fertilizado que, se cuidados como deve ser, vão gerar uma nova árvore (é fabricado com 100% de fibras vegetais e tem elevada permeabilidade para possibilitar o crescimento das raízes). Outro exemplo desta consciência “verde” é a oferta de eco-cinzeiros para que seja reduzida ao máximo a quantidade de beatas atiradas ao chão.

Produtos regionais nunca faltam neste género de eventos. ©David Pereira

David Pereira

Festival Gastronómico do Bife de Espadarte

Vila Praia de Âncora; de 8 a 18 de agosto; entrada livre

Sabia que é na zona de Vila Praia de Âncora que mora o maior armador da pesca de espadarte do país? António Cunha é o homem responsável por essa empresa e é também o grande mentor deste festival que já dura há uns bons anos e que tem vindo a promover esta espécie que pode atingir dimensões de 4,5 metros e pesar quase 540 quilos.

Durante os dez dias de festival todos os que o visitarem vão ter à sua espera uma tenda enorme que vai ser o epicentro da comezaina. Segundo contas da organização estima-se que serão consumidas cerca de cinco toneladas (!) de espadarte (costuma ser proveniente das águas da Terra Nova) que será apresentado na forma de pratos tão específicos como a famosa sopa “chorinha”, o tradicional prato de caldo de peixe que os pescadores dos bacalhoeiros criaram; grelhado com uma simples vinagrette, em filetes, de cebolada ou até em formato de hambúrguer.

Este festival faz justiça às raízes humildes dos pescadores que, de certa forma, acabam por homenagear. Prova disso é o facto de tudo ser feito entre amigos e familiares, veja-se a constituição da equipa de cozinha, por exemplo, que é composta por cerca de 40 pessoas e é liderada pela mulher de António Cunha. Se preferir uma refeição mais sofisticada pode sempre optar pelo restaurante Vitória Mar, que fica virado para a praia e, claro, é especialista em peixe, marisco e derivados.

Feira de Agosto

Grândola; de 22 a 26 de agosto; entrada livre

É uma feira e realiza-se no mês de agosto: o maior evento de verão na zona de Grândola e arredores está aí mesmo à porta e os vários anos de história que já leva são motivo mais que suficiente para incentivar a que o venha descobrir ou revisitar. Por entre uma roda gigante, carrinhos de choque, bancas de artesanato e  muito mais brilham os nomes dos convidados musicais. Este ano figuram nomes como os Xutos & Pontapés, Miguel Ângelo (num espetáculo especial com a banda da Sociedade Musical Grandolense), Blaya, David Carreira e Mastiksoul.

Terá mais nomes a dar música a estas noites, contudo, não dá para passar ao lado da generosa oferta gastronómica que oscila ora entre os doces regionais — de onde se destacam os famosos bolos das rosas, receita que junta a uma base de leite e manteiga, um recheio de amêndoas trituradas e a cobertura de uma calda de açúcar com aroma a baunilha — ora entre aquelas referências mais comuns neste género de festividades, como as farturas, churros, pipocas e afins. Seguramente não faltarão também recantos para provar petiscos mais simples como grelhados, bifanas e talvez até algum peixe ou marisco. Afinal, o melhor desta região é que consegue conciliar uma boa quota parte da tradição gastronómica do interior alentejano com o melhor que a linha de costa também tem para oferecer.

Para uma opção gastronómica fora da festa não perca o lendário Tia Rosa, em Melides, e faça questão de pedir o famoso pato assado. Terá sempre como alternativa, por exemplo, a marisqueira O Tobias, famosa pelo seu arroz de marisco e a massada de cherne.

Vai um gelado? D.R.

Feira de São Mateus

Viseu; de 8 de agosto a 15 de setembro; bilhete diário a 5€ e passe geral a 40€

Outro colosso das festas de verão em Portugal e um autêntico ponto alto do ano para toda a zona centro do país. Historicamente, esta Feira de São Mateus começou por ser conhecida apenas como Feira Franca de Viseu, tendo sido oficialmente registada em 1392 através de uma carta de feira assinada pelo rei D. João I. Nesta fase tinha um propósito utilitário e servia de ponto comercial para as gentes da região que podiam contar com ela durante um mês inteiro. Desde então foi mudando, o seu objetivo passou a ser mais lúdico mas não foi por isso que perdeu impacto ou importância.

Este mega-evento (em 2016 recebeu mais de um milhão de visitantes) conjuga o melhor da música nacional e internacional — este ano sobem ao palco artistas como Ludmilla, Mariza, Carolina Deslandes, Natiruts, Xutos e Pontapés ou Gipsy Kings — como também tudo aquilo que imaginamos quando pensamos em festas de verão: diversões, doçaria, artesanato e muitos outros motivos para se aproveitar ao máximo esta altura do ano.

A oferta de comes e bebes já costuma ser forte nestes 75 mil metros quadrados de Feira, havendo mais que muitos sítios onde pode provar os petiscos típicos da zona, que vão dos belos queijos e enchidos às típicas bifanas e farturas — sem nunca esquecer de regar a comida com um vinho do Dão, obviamente. Como neste ano de 2019 a cidade de Viseu foi escolhida como Capital Nacional da Gastronomia, certamente encontrará ofertas mais caprichadas.

Quer fugir das confusões? Então opte por uma de duas opções: num registo mais tradicional tem o incontornável Retiro da Manhosa e o seu delicioso cabrito assado e num outro mais sofisticado tem o Mesa de Lemos, do chef Diogo Rocha.

Os carinhos de choque são presença assídua da grande maioria de festas de verão. D.R.

Feira da Luz/Expomor 2019

Montemor-o-Novo; de 28 de agosto a 2 de setembro; entrada livre

Uma feira agrícola em todo o sentido da palavra. Neste evento que certamente já se tornou hábito para quem visita Montemor-o-Novo nesta altura do ano há uma zona especial, que fica no Parque de Leilões de Gado da cidade, onde decorrem exposições e concursos de gado ovino e bovino — é um dos poucos sítios onde esta tradição ainda se realiza. Mas é só um pormenor, há muito mais para descobrir e aproveitar.

Como não podia deixar de ser, anuncia-se uma vasta oferta musical para todos os que procuram dar um pezinho de dança, sendo os eventuais responsáveis por isso nomes como Gisela João, Boss AC, Branko ou até os The Gift. Como dançar incentiva o apetite recarregue baterias na vasta área de stands, tasquinhas, restaurantes e bares onde vai poder provar o melhor da gastronomia e produtos regionais, com destaque, claro está, para os enchidos, queijos e bifanas, por exemplo. Comida é mesmo caso sério nesta festa e prova disso é o espaço “Pequenos Agricultores”, por exemplo, que organiza esta venda de produtos hortifrutícolas provenientes de agricultores locais, e há ainda a 21° edição do Concurso do Mel.

A vida não pode ser só comer e por isso mesmo há uma grande mostra e mercado de artesanato e ainda uma Feira do Livro. As famílias não foram esquecidas e é com elas em mente que se criou a Oficina da Criança, um espaço para pais e filhos brincarem e aproveitarem várias oficinas e workshops.

Quer outra sugestão de boa mesa à margem do festival? Experimente ir comer umas migas ao O Cortiço.

A famosa Sopa da Pedra de Almeirim. D.R.

Festival da Sopa da Pedra

Almeirim; de 28 de agosto a 1 de setembro; entrada livre

Associar sopa (ainda por cima da pedra), ao calor do verão pode não parece uma ligação muito imediata mas os milhares de pessoas que visitam o Festival da Sopa da Pedra em Almeirim de há seis anos para cá são capazes de discordar. Esta criação conjunta da Confraria Gastronómica de Almeirim e da Câmara Municipal da região tornou-se um caso sério e vai crescendo consideravelmente de ano para ano. Em 2018, por exemplo, apostaram forte num cabeça de cartaz musical mais conhecido (foi a cantora popular Rosinha, neste caso), e o sucesso foi tal que este ano voltaram a investir num nome grande para fazer o povo dançar: nem mais nem menos do que o rei das festas de verão, Quim Barreiros.

Como o próprio nome do certame indica, aqui quem manda é o famoso caldo que está a caminho de se tornar uma especialidade regional certificada, juntamente com outros dois ex-libris desta zona, a chamada “caralhota“, um pequeno pão cozido a forno de lenha, e o já famoso melão. No recinto desta festa encontrará várias tasquinhas dedicadas apenas a esta sopa que na sua receita mais tradicional leva feijão encarnado, cebola, alho, louro, carne de porco, tomate, coentros, batata, chouriça, alheira e morcela de Almeirim. Em anos anteriores os tempos de espera foram um problema mas este ano a organização precaveu-se a dobrar e aumentou o número de pontos de venda de comida, para que todos possam comer sem ter de esperar em longas filas.

A juntar a este petisco há ainda outras especialidade locais (e nacionais) que vão surgir em todos os recantos. Falamos de pratos de moelas, dobrada com feijão branco, carne de alguidar, bifanas, chouriço assado, carne da matança, pica-pau e muito mais, tudo iguarias que podem e devem ser empurradas com um belo copo de vinho da região do Tejo, área vínica que tem crescido e melhorado consideravelmente nos últimos anos.

Para experimentar algo diferente, visite o restaurante Cisco, que também fica na zona e por não estar ligado ao festival pode ser uma boa alternativa para quem queira comer bem na mesma mas num registo diferente.

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