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Danny, número 10 de Portugal no Mundial-2010 e basquetebolista nota 10 nas horas vagas

Danny, número 10 de Portugal no Mundial-2010 e basquetebolista nota 10 nas horas vagas

Danny. "Devo ter umas 200 fotos com o João Pinto"

Com um sotaque sui generis, Danny abre-nos literalmente a porta da sua casa e fala de tudo, até de basquetebol e basebol. Pelo meio, toda uma incrível história de vida desde Caracas até Praga.

Gatafunho um, gatafunho dois, gatafunho três. À saída do aeroporto, há uma palavra incompreensível em checo, por baixo em russo e depois em chinês. Só depois, muito depois, é que leio exit em letras garrafais, por cima de todas aqueles caracteres impercetíveis, capazes de ferir os olhos de qualquer comum mortal.

Praga, estamos em Praga, a quinta cidade europeia mais visitada dos últimos tempos, só atrás de Londres, Paris, Istambul e Roma, e onde vivem ilustres como Mozart, Einstein, Kafka, Kundera, Navratilova e, agora, Danny. O número 10 da seleção portuguesa no Mundial-2010 é a mais recente atração da capital checa. É o 7 do Slavia, um número sem dono há oito anos. “Por acaso, não vou à bola com o 7, só que eles pediram-me muito para honrar um antigo jogador chamado Vlcek. Aceite, claro.” Sempre com Danny, a mulher Petra, os gémeos Bernardo e Francisco (craques do Slavia, ainda vestidos com os calções do Zenit) mais a filha de quatro meses, Emily. Vivem ligeiramente fora do belíssimo centro, numa vivenda de dois andares, com um relvado em tratado, de fazer inveja a muitos campos de futebol, uma piscina e um cesto de basquetebol.

Hum? É verdade, Danny recebe-nos de havaianas, com a bola de basquetebol colada ao corpo. Cumprimenta-nos e começa a falar sobre Michael Jordan, o maior. Segue-se o tema Oklahoma Thunder e a troca Kyrie Irving-Isiah Thomas. Pelo meio, encesta uma vez. Duas. Três. Quatro. Cinco. Seis. “Epá, hoy estou imparável”. Sim senhor, Danny mistura português, espanhol e ainda italiano no seu acento sui generis. A origem do espanhol é óbvia, a do português também. E a do italiano, da dove? Do amigo Criscito, defesa do Zenit. “Sou muito amigo dele e passamos férias juntos. Em Itália, claro. Uso essa amizade para ir à terra dele, comer bem e falar melhor.” Começa a rir-se que nem um perdido. Danny falha aí o primeiro cesto. “Sabes que a minha mulher ganha-me neste jogo dos lançamentos? Ela jogou basquetebol no CAB Madeira e, depois, Spartak São Petersburgo. É capaz de ficar aqui uma hora só a fazer lançamentos, é tramada.” Preparem-se, Danny é um prato. E leva-nos para a mesa de madeira junto ao churrasco. O sol é forte, o calor aperta. “Que maravilha, ligeiramente diferente da Rússia.” Vai daí.

Lembras-te da tua ida para o Dínamo Moscovo?
Janeiro 2005, dia 4. Jogo com o Pampilhosa em Alvalade e viajo para Antalya, na Turquia, onde estava o Dínamo Moscovo a fazer a pré-época. Apanho lá Tiago Silva, agora do PSG, Cícero, Jorge Ribeiro e Frechaut. Eu chego a 4 e o Derlei no dia 5.

No primeiro Verão no Dínamo Moscovo, chega o barco cheio de portugueses e jogadores relacionados com Portugal: Enakarhire, Seitaridis, Jorge Luiz, Luís Loureiro, Custódio, Maniche, Costinha, Nuno. Epá, tantos, tantos.

E ainda faltam mais uns quantos, como o Nuno.
Ahhh, isso já foi no Verão, quando chega o barco cheio de portugueses e jogadores relacionados com Portugal [solta a primeira gargalhada durante os 92 minutos de conversa]. Lembro-me de Enakarhire, Seitaridis, Jorge Luiz, Luís Loureiro, Custódio, Maniche, Costinha, Nuno. Epá, tantos, tantos.

Moravam todos na mesma rua, não?
Quase [Danny deixa escapar um sorriso, depois mais uma gargalhada, enquanto bate com a mão na mesa de madeira]. Estávamos separados por 15 minutos ou nem isso. Morávamos na mesma zona, sim. Era um espetáculo, fazíamos churrascos e convivíamos muito.

No Verão e no Inverno?
No Verão, sempre. Passei bons Verões em Moscovo, a ir com a família à piscina e tudo. O Inverno é que era mais complicado, com 20 graus negativos, aquela obrigação de ficar em casa e o tempo mais fechado, sempre escuro. Não havia piscina que resistisse, pá. Escolhemos Praga também por tudo isso. Aqui o Verão é isto, sol e quente, enquanto o Inverno é tranquilo com o mínimo de 10 graus positivos e, disseram-nos, é preciso ser um Inverno mau. Além disso, estamos no centro da Europa e é fácil ir de um lado para o outro. Seja de carro para a Alemanha como de avião direto para Lisboa. E não há aquela burocracia de preencher papéis para receber amigos e familiares. Se tu quiseres visitar-nos, basta dizer e aparecer. Desportivamente, o Slavia está agora na Liga Europa e, se for campeão, como na época passada, entra diretamente na Liga dos Campeões. Foi uma boa escolha.

É verdade que também havia o Marítimo interessado no Danny?
Siiiim, cheguei a falar com o presidente e tudo, só que houve outras coisas familiares que me desviaram para aqui.

O presidente é o Carlos Pereira?
O Carlos, sim.

Que também é o presidente do Marítimo na tua primeira época, em 90-e-tal?
Carlos Pereira, sim. Sempre ele.

Agora explica-me como é que chegas ao Marítimo? Desconheço o teu passado.
Nasci em Caracas.

De pais portugueses?
Os meus pais mais a minha irmã foram da Madeira para Caracas. O meu pai abriu lá um restaurante, com um sócio, e o negócio expandiu-se. Nasci em 1983 e, aos 14 anos, tive a oportunidade de jogar pelo Marítimo num torneio chamado Mundialito, organizado em Caracas. As coisas correram-me muuuuuito bem e, dois dias depois, estava a assinar pelo Marítimo.

Mas espera lá, dessa vez jogaste pelo Marítimo?
Disseram ao treinador que havia um rapaz do Centro-Português que jogava bem e podia ter uma oportunidade.

"Chico Fernandes é conhecido na Madeira como treinador das camadas jovens. Ele e um dirigente do Marítimo chamado Duarte falaram com o meu pai no hotel e disseram-lhe que queriam que eu fosse com eles para jogar no Marítimo. Passados dez dias, viajei para a Madeira. Lá, tive de esperar pelo passaporte português e, além disso, já havia um venezuelano. Como só podia jogar um estrangeiro nas camadas jovens, esperei uns cinco/seis meses. Mal recebi o passaporte, joguei sempre nos juvenis, juniores, sempre a subir até à equipa principal.

Quem era o treinador desse Marítimo?
Francisco Fernandes, Chico Fernandes. É conhecido na Madeira como treinador das camadas jovens, não só no Marítimo como também no Camacha. Acabou o jogo e o Chico Fernandes, juntamente com um dirigente chamado Duarte, quis logo falar com o meu pai. Encontraram-se no hotel e disseram-lhe que queriam que eu fosse com eles para jogar no Marítimo. Passados dez dias, viajei para a Madeira.

Pela primeira vez?
Tinha ido só uma vez, com uns 10/11 meses de vida para ser apresentado aos meus avós, tios, primos e amigos da família.

Onde?
Em Santo António, bem perto dos Barreiros.

Jogaste logo?
Não, tive de esperar pelo passaporte português e, além disso, já havia um venezuelano. Como só podia jogar um estrangeiro nas camadas jovens, esperei uns cinco/seis meses. Mal recebi o passaporte, joguei sempre nos juvenis, juniores, sempre a subir até à equipa principal.

Essa subida durou quanto tempo?
Dois anos e meio, com 17 já estava na primeira equipa.

Nunca voltaste à Venezuela?
Só no primeiro ano de Marítimo. Até porque os meus pais voltaram à Madeira quando assinei pelo Sporting, em 2002. Só a minha irmã é que ainda continua lá, com marido e filhos.

Ainda está lá, em que condições?
Ela foi passar férias à Madeira e está a pensar em voltar definitivamente, porque aquilo não está nada fácil.

Toda a gente me pergunta como é e digo-te que a Venezuela é um país espetacular para se viver, não só em Caracas. Tem paisagens lindas, só que agora aquilo está mal. O que têm poder não podem comprar, os que não têm dinheiro não podem fazer nada simplesmente

E como era a tua vida na Venezuela?
Espetacular [Danny abana a cabeça e sorri como quem já responde a essa pergunta pela enésima vez]. Toda a gente me pergunta como é e digo-te que a Venezuela é um país espetacular para se viver, não só em Caracas. Tem paisagens lindas, só que agora aquilo está mal. O que têm poder não podem comprar, os que não têm dinheiro não podem fazer nada simplesmente

Qual é o desporto de eleição na Venezuela?
Todo o venezuelano que é venezuelano segue basebol e basquetebol.

Tu também?
Eu também, tenho ali um cesto de basquetebol e tudo. Como os meus pais são portugueses, também ganhei o gosto pelo futebol, porque víamos sempre o Domingo Desportivo na RTP1 e os jogos de Benfica, Sporting e Porto. Na escola, o futebol era um dos desportos e tudo aconteceu com naturalidade, embora estivesse indeciso entre futebol, basquetebol e basebol no momento da decisão final.

Ainda segues basebol e basquetebol?
Sempre, tenho uma aplicação que me dá os resultados e o comportamento dos venezuelanos nas melhores ligas da América. Alguns desses venezuelanos até são meus amigos.

E a seleção venezuelana de futebol?
Sigo-a para todo o lado.

O problema é o fuso horário, não?
Bora, sem problema. Deito-me cedo e acordo às quatro da manhã. Agora com a menina pequena é que não dá mesmo [e solta uma gargalhada bem sonora]: adormeço à hora do jogo e já só vejo o resumo [outra gargalhada].

E como está a Venezuela?
Jogámos bem a Copa América e a qualificação para o Mundial-2014, só que depois entrou assim [Danny fez o gesto de declínio]. Simplesmente não jogava. Agora com o novo selecionador Rafael Dudamel, ex-guarda-redes, a equipa subiu de nível e está bem outra vez. Já não tem hipótese de chegar ao Mundial da Rússia, mas está a construir-se uma base boa, com a equipa principal e os jogadores sub-20, que chegaram à final do último Mundial.

Eisch, pois foi. Perderam com a Inglaterra?
Foi, Inglaterra, 1-0. Tudo podia ser diferente se o Peñarada não falhasse aquele penálti. Era o 1-1. Paciência. A verdade é que fizeram um Mundial muito bom e esses jogadores vão ajudar os Rondóns e Rincóns da seleção principal.

Essa dupla já andava na seleção durante a Copa América 2011.
Aí chegaram às meias-finais [é engraçado notar o entusiasmo crescente de Danny]. Eliminaram o Chile nos ¼ final e perderam com o Paraguai nas meias, por penáltis. Esse jogo com o Paraguai foi tão imerecido, jogámos muito melhor. Depois, no terceiro e quarto lugar, com o Peru, houve tanta porrada no final do jogo. É costume nesses países.

Uyyyyyy.
É como a Libertadores, há sempre cenas assim.

É costume acordarmos na manhã seguinte e sabermos das novidades mais calientes.
Isso, isso [Danny parte-se a rir]. Epá, não sei se é o calor ou que é, só sei que o nosso sangue ferve muito rápido.

Ainda por cima, foste para a Madeira, onde o clima continua quente.
Jajajajaja, é verdade. No Marítimo, havia jogadores experientes como Zeca, Bruno, Albertino e Van der Gaag que me partiam a cabeça: ‘porra, miúdo, tem calma; que personalidade tão forte, tens de relaxar’.

Os juniores jogavam na 6.ª feira, os bês no domingo e a equipa principal na 2.ª feira. Como fui expulso no jogo dos juniores, não pude ir aos bês por causa de uma lei das 48 horas. O Nelo Vingada chegou-se ao pé de mim, com um ar triste, e disse-me 'devias ajudar os juniores e os bês, mas fizeste merda, como é possível? Bem, vais treinar com a equipa principal no domingo e depois segues para estágio'. Nessa 2.ª feira, fiz 15 minutos.

O teu currículo de cartões amarelos é apreciável.
Jajaja, discutia muito com os árbitros, nossa senhora.

Muito mesmo?
Estreei-me pelo Marítimo, sabes como?

No idea.
Os juniores jogavam na 6.ª feira, os bês no domingo e a equipa principal na 2.ª feira. Como fui expulso no jogo dos juniores, não pude ir aos bês por causa de uma lei das 48 horas. O Nelo Vingada chegou-se ao pé de mim, com um ar triste, e disse-me ‘devias ajudar os juniores e os bês, mas fizeste merda, como é possível? Bem, vais treinar com a equipa principal no domingo e depois segues para estágio’. Nessa 2.ª feira, fiz 15 minutos.

Foi?
Já viste? Uma coisa que fiz de errado acabou por resultar. Obviamente que trabalhei para isso, com bons jogos nos juniores e nos bês.

Olha lá esta foto.
Olhò Jorge Soares lá ao fundo. O meu capitão. Espera lá, isto é Salgueiros?

Exactamente.
Isso foi no, como se chama o estádio deles, Vi Vi.

Vidal Pinheiro.
Isso, Vidal Pinheiro. Se foi lá, fui expulso.

Então?
Marquei um golo e tirei a camisola, cartão amarelo. Depois, boca para o árbitro. Os árbitros, sempre os árbitros pá [Danny abana a cabeça e ri-se imenso]. Foi a minha primeira expulsão.

Num total de quantas?
Três. Essa no Marítimo, outra no Dínamo Moscovo em que cuspi no árbitro.

Cuspiste?
Epá, foi uma merda que se passou a meio de um jogo. Fui dar a bola ao guarda-redes para bater o pontapé de baliza o mais rápido possível e ele atira a bola para longe. Disse-lhe de tudo e o árbitro chega lá para me dar o amarelo. Passei-me mais ainda e discuti com o árbitro. Depois, cuspi. Só que não lhe acertou, passou-lhe assim [Danny passa a mão perto do ombro]. Segundo amarelo, vermelho e seis jogos de suspensão. No jogo seguinte, o Dínamo joga em casa com o Torpedo e o Derlei apanha também seis jogos por empurrar o árbitro e ainda um adversário. Ò Jesus, eu e o Derlei a ver os jogos na bancada nos quatro jogos seguintes. A outra expulsão é pelo Zenit, num jogo em casa à porta fechada. Disse um palavrão daqueles mesmo feios, que se ouviu até em minha casa. O árbitro veio logo ter comigo com o vermelho na mão. Nada a dizer, só que é aquele palavrão que dizes sempre durante os jogos para o ar e o ruído do público abafa, sabes? Num jogo à porta fechada, é diferente, claro, e o árbitro tem de ser mais autoritário. Apanhei dois jogos. É este o meu registo de expulsões. Tudo começou nesse Salgueiros-Marítimo, jajajajaja.

E o Nelo Vingada, que tal?
Nesse dia do Salgueiros, atirou-se a mim. Ele e o Van der Gaag. “Este miúdo é isto, aquilo e tal, tens de ter calma.” O Nelo era impecável. Sabes, apanhei uma fase muito boa do Marítimo: bué da madeirenses no onze titular, uns quatro ou cinco, e bué da brasileiros bons de bolas. Com um bom treinador, a equipa funcionava que era uma maravilha.

E depois da estreia como suplente?
Fiz mais dois jogos como suplente, 25 e 30 minutos. Ao quarto jogo, titular contra o Sporting, nos Barreiros. A partir daí, fui sempre titular.

E assinas pelo Sporting?
Exacto, o Sporting do Bölöni.

Foste com o Pepe ou…?
Siiiim, o Pepe. Tem a mesma idade que eu e fomos companheiros nos juniores e nos bês. Cheguei uma semana antes dele ao Sporting.

Só que o Pepe não ficou.
Eu já viajei com contrato assinado, o Pepe foi à experiência. Estava tudo bem encaminhado até que alguma coisa deu errado e o Pepe voltou ao Marítimo.

Os juniores jogavam na 6.ª feira, os bês no domingo e a equipa principal na 2.ª feira. Como fui expulso no jogo dos juniores, não pude ir aos bês por causa de uma lei das 48 horas. O Nelo Vingada chegou-se ao pé de mim, com um ar triste, e disse-me 'devias ajudar os juniores e os bês, mas fizeste merda, como é possível? Bem, vais treinar com a equipa principal no domingo e depois segues para estágio'. Nessa 2.ª feira, fiz 15 minutos.

E tu no Sporting?
Pffffff, espetacular. Só de pensar que ia treinar com o meu ídolo.

Quem?
João Pinto.

Uauuu.
Um jogador que não precisava de apresentações e uma pessoa fabulosa. Era o meu ídolo e ali estava eu no mesmo balneário que ele. Devo ter umas 200 fotos com ele, quando o Benfica ia jogar aos Barreiros e havia aquela emoção de subir a rampa do estádio para estar à porta do autocarro para vê-los sair ou entrar.

Imagino.
Na altura da minha chegada, em 2002, ele estava castigado por tudo aquilo que se passou no Mundial da Coreia mas só de vê-lo a movimentar-se em campo era uma maravilha.

Esse lance da Coreia, o que achaste como adepto incondicional do João Pinto?
São coisas que não deviam acontecer, só que acontecem. Eu também aqueço muito rápido, sabes? Ele mal tocou no árbitro e apanhou muitos jogos. Ou melhor, já vi pior com menos tempo de suspensão. Se o João fizesse isso mais dez vezes, ele continuaria a ser o meu ídolo. Desde que me conheço como Danny, é ele o maior. Como jogador do Sporting, como dirigente da federação e como pessoa. Cinco estrelas.

Começaste bem no Sporting e ganhaste uma Supertaça.
Entrei na segunda parte e ganhámos 5-1 ao Leixões. Só que esperava mais oportunidades, porque o Bölöni foi-me buscar para compensar a saída do Hugo Viana para o Newcastle e porque o próprio João Pinto estava suspenso. Esperava mais oportunidades e as coisas não correram como eu esperava.

Ainda marcaste um golo, ao Estarreja.
De cabeça, vê bem.

És bom de cabeça?
Pfffff, não é o meu forte. De todo. Salvo erro, cruzamento do Rui Jorge. Nessa noite, jogaram os mais novos: eu, Quaresma, Ronaldo, Toñito, Carlos Martins.

O que aconteceu depois?
Em Dezembro, sem jogar muito, pedi para me emprestarem ao Marítimo.

Pediste?
Sim, falei com os presidentes Carlos Pereira e Dias da Cunha.

E eles?
Acertaram o empréstimo e joguei mais seis meses no Marítimo, com o Nelo Vingada.

Depois voltaste ao Sporting, certo?
Este aqui atrás é o Tinga? É o Tinga, não é? Eisch, é o Tinga, é. Tiiiinga, que personagem, jajajaja. E o meu cabelo, que saudades pá. Bem tento deixá-lo crescer e nada. Ainda me lembro da primeira vez que o rapei, quando me lesionei a sério no Zenit. Seis meses depois, o cabelo voltou ao que era. Agora, olha, tenho-o assim e não mexe mais. Paciência, jajajajaja.

E o jogo da fotografia?
É um jogo-treino com uma equipa inglesa. Será o Bolton? Aí já era o Fernando Santos. Ele tinhas as suas ideias, os seus jogadores e não me incluiu. Ainda fiz a pré-época em Portugal, mas já não fui para o estrangeiro. O Fernando Santos falou-me de ir para uma equipa da zona de Lisboa, só que eu queria voltar para o Marítimo, até porque ia ao encontro dos desejos do presidente Carlos Pereira e do novo treinador Manuel Cajuda.

E o Fernando Santos?
Disse-me que a equipa de Lisboa era boa porque o Sporting seguia-me de perto.

E tu?
Disse-lhe que que o Marítimo era melhor porque era uma equipa da 1.ª divisão. Argumentei que ia jogar com Sporting, Benfica, Porto e ele concordou. Lá voltei para o Marítimo e foi a melhor coisa que podia ter feito, porque fizemos uma época espetacular e chegámos à Europa. Depois, o Cajuda ensinou-me um monte de coisas e deixou-me à vontade para jogar ali a número 10.

Já eras selecionado para a seleção nacional?
Já, já. Em 2003, ganhámos o Torneio Toulon. O ponta-de-lança era o Lourenço. E que ponta-de-lança.

Ganharam a quem?
Na fase de grupos, 3-0 à Inglaterra e 3-0 à Argentina. Na final, 3-1 à Itália. Marquei um golo. Sabes como?

No idea.
De cabeça.

Maravilha.
Mesmo. No ano seguinte, em 2004, joguei o Euro sub-21 e os Jogos Olímpicos.

Eisch, já me lembro.
No Euro sub-21, fomos eliminados pela Itália do Gilardino nas meias-finais. Para definir qual era a quarta seleção europeia nos Jogos Olímpicos [além da anfitriã Grécia e das finalistas Itália mais Sérvia], houve um play-off com a Suécia e fui eleito o Man of the Match pela UEFA. Fiz o penálti para o Hugo Viana marcar e assisti o Carlitos para o 3-2, já no prolongamento. Ganhámos e fomos aos Jogos Olímpicos.

Em Atenas, certo?
Aí mesmo.

Quem foram os jogadores?
Nós, os do Euro sub-21, mais o Ronaldo dos AA e três com mais de 23 anos: Meira, Frechaut e Boa Morte.

O que se passou aí?
Vimos o grupo muito fácil, com Iraque, Costa Rica e Marrocos, e sofremos as consequências. Perdemos com Iraque e Costa Rica, foi um descalabro. Devíamos ter feito muuuuito mais.

Nesse ano, só não jogas o Euro-2004.
Sabes, quando assino pelo Sporting em 2002, tenho esse objetivo em mente.

A sério?
Quem não tinha? Qualquer um deseja chegar ao topo.

Falaste alguma vez com o Scolari?
Nunca. Nem antes do Euro-2004 nem depois. Antes, tudo bem. Depois, é que…

Então?
No Dínamo Moscovo, jogavam Costinha, Maniche, Frechaut e Jorge Ribeiro. Todos eles iam à seleção, menos eu. Epá, e eu era considerado o melhor estrangeiro ou o segundo melhor pela imprensa russa. Alguma coisa se passava para não ser convocado. Fiquei magoado, claro. Mas, pronto, veio o Carlos Queiroz.

Foste convocado por ele?
Na primeira convocatória dele, lá estou eu. Estreio-me com as Ilhas Faroé, em Agosto 2008, volto para o Dínamo Moscovo e assino pelo Zenit. Tudo na mesma semana.

Grande volta.
Se o Queiroz não me tivesse convocado, eu já estava com tudo pronto para tirar o passaporte russo.

Quê?
Ia jogar na seleção russa.

Ao lado do Arshavin.
Boa dupla, quem sabe? Já nos demos bem no Zenit. Se calhar, ainda estava a jogar pela Rússia. São coisas da vida. Um momento é o suficiente para mudar tudo. Só que jogar por Portugal é mais difícil, há jogadores a singrar por todo o lado e ser internacional é uma honra.

Na primeira internacional, ainda és do Dínamo. Como é que vais para lá?
Saio em Janeiro, a meio da época em quase toda a Europa, menos na Rússia. Lá, Janeiro é a época dos primeiros treinos e os campeonatos jogam-se durante o ano civil. Estou no Sporting, sem jogar muito e a um ano de acabar o contrato. Tinha de me decidir rapidamente e recebo algumas propostas.

De quais clubes?
Dínamo Moscovo, Dínamo Kiev, Marítimo, claro, e ainda o Beira-Mar do Cajuda. Só que a proposta do Dínamo Moscovo era muito boa. Para mim e para a minha família.

E é fácil a adaptação?
Sair de Portugal, um país quentinho, para a Rússia, onde há 15 graus negativos em Março, é tramado. Os primeiros seis, sete meses não foi fácil. Com a ajuda dos portugueses, brasileiros e argentinos do plantel do Dínamo Moscovo, tornámo-nos uma grande família. O primeiro ano passou muito rápido.

E sair de Moscovo para São Petersburgo?
Aí pesou a força crescente do Zenit, sobretudo na Europa. Era um clube que tinha acabado de ganhar a Taça UEFA e ia jogar a Supertaça Europeia com o Manchester United. No momento em que falo com o treinador holandês Dick Advocaat, pergunto-lhe se posso jogar essa final. Se fecharmos o contrato a tempo de jogar com o Manchester United, assino já o pré-acordo. E assim foi. Assinei o pré-acordo e o Zenit ficou de enviar a proposta dos 30 milhões para o Dínamo Moscovo.

Que movida.
Fui jogar o Portugal-Ilhas Faroé e, quando regresso a Moscovo, a proposta do Zenit já está em cima da mesa do presidente do Dínamo. O Dmitry Ivanov chama-me ao gabinete e trocamos umas bolas. Ele quer que fique, mas entende que saia. Falo-lhe dos prós da saída, porque o Zenit vai jogar a Supertaça europeia e depois a Liga dos Campeões. Era um Zenit com mais projeção que o Dínamo, nessa altura só a jogar pelos lugares a meio da tabela do campeonato russo. Vê lá a loucura desse Agosto: saio de Moscovo no dia 26 e treino pela primeira vez com o Zenit, a minha mulher faz anos a 27, treino no Monaco a 28 e ganhámos a Supertaça a 29. Foi de sonho.

Marcaste e tudo.
Agarrei a bola no meio-campo e ninguém veio ter comigo. Olha, avancei, avancei, avancei, chutei e marquei.

Era o Vidic, o central do United à tua frente?
Não, era o Ferdinand. Foi de sonho. Fui eleito o Man of the Match pela UEFA, recebei sei lá quantas mensagens e calei muitas bocas.

Então?
Esses dias foram muito difíceis. Porque foram 30 milhões, porque é dinheiro sujo da Gazprom, porque o dinheiro da Gazprom é dinheiro do povo, porque o povo é que paga o gás. Falou-se muita coisa, só que, a partir daí, nunca mais se falou disso.

Foste bem recebido no Zenit?
Muito bem. Conhecia o capitão Radimov, porque falava espanhol, e já trocava mensagens com o argentino ‘Chori’ Domínguez. Depois parti à descoberta do resto da malta e, claro, trouxe mais uns portugueses comigo. Não sei como, mas trazia sempre uma banda comigo [Danny parte-se a rir]. Joguei lá com Bruno Alves, Fernando Meira, Neto.

O Zenit correspondeu às tuas expectativas?
Claramente. Ganhei tudo a nível interno e joguei sempre na Liga dos Campeões.

Até foste modelo.
Jajajaja, que foto, que modelo. Lembro-me perfeitamente dessa passarelle, eu e o guarda-redes Lodygin. Foi uma experiência interessante, com modelos a sério. O Zenit era assim, um clube para a frente. Tal como São Petersburgo, uma das cidades mais bonitas do mundo. Acreditem, São Petersburgo merece ser visitada, tem tudo, tudo, tudo. Eu e a minha família aproveitámos bem.

Como é jogar na liga russa, em matéria das distâncias?
Tsssss, isso é tramado. Para já, o Zenit é o único clube de São Petersburgo. Logo aí, uma grande desvantagem. Ou seja, tínhamos sempre de viajar. Para Moscovo, onde jogam Spartak, Dínamo e Lokomotiv, uma hora. Ainda vá, não é? Agora, havia cidades em que a viagem de avião era de três horas para Kazan, e outras de quatro, cinco horas. Havia um clube na ponta da Rússia, colada à China, que a viagem era de 11 horas para Vladivostok. Chegávamos às seis da manhã no dia do jogo, dormíamos um pouco, jogávamos e voltávamos para casa logo a seguir. Era de loucos. Essa equipa já desceu de divisão.

E tu jogaste lá?
Jajajajaja. Pelo Dínamo, deixa-me ver: na primeira vez, levei o quinto amarelo e não fui; na segunda, levei outra vez o quinto amarelo e falhei; na terceira, tive a sorte do calendário desse jogo estar programado para a 2.ª jornada. Ou era expulso na primeira jornada ou viajava.

E?
Viajei, claro. E marquei o golo da vitória, 1-0.

Também marcaste a outros grandes clubes: Benfica, Porto.
Quem não gosta disso? Também marquei a Real Madrid e Milan.

Isso é o 1-0 em Milão, não é?
Ganhámos lá no Giuseppe Meazza. Tudo ganha um outro encanto se dissermos o nome do estádio e o do guarda-redes. Um gajo que nasce na Venezuela, lá no fim deeeeee, e chega aqui é muito bom, muito bom, muito bom.

E ainda jogaste um Mundial.
Mais essa. O meu primeiro Mundial é o de 1994. Lembro-me tão bem da festa dos brasileiros, todos mascarados, a gozar com os italianos.

Eras pelo Brasil?
Como no? Romário e Bebeto, craques. Se Portugal não estava, puxava pelo Brasil. Na Venezuela, há três colónias fortes: a portuguesa, a italiana e a espanhola. A rivalidade era enorme e, nesse dia da final do Mundial 1994, pobres italianos, jajajajaja.

Imagino então o pulo de 1994 como telespectador para 2010 como jogador.
Que salto, que orgulho vestir a camisola de Portugal, ainda por cima num Mundial. E, olha, só sofremos um golo e fomos eliminados.

Costa do Marfim 0-0, Coreia do Norte 7-0, Brasil 0-0, Espanha 0-1. Bate certo.
Esse jogo com a Espanha foi uma coisa, fogo. Tínhamos o jogo controlado. Saiu o Fernando Torres, entrou o Fernando Llorente e rebentou-nos a todos. Ele ganhava todas, de cabeça, pelo chão. E sofremos um golo do Villa após um movimento do Llorente. Que merda.

Qual é o sentimento na viagem de volta para casa?
Uma desilusão imensa, uma amargura intensa, sabes? Podíamos ter ido mais longe, mas apanhámos a seleção campeã europeia e futura campeã mundial. Tivemos azar nisso e também nesse jogo com a Espanha. São coisas do futebol, mas claro que é pena um jogador como o Deco, por exemplo, sair da seleção sem ganhar nada.

E esta situação engraçada?
Vermelho? Mas não é para mim, porraaaaa.

Foi a expulsão do Ricardo Costa no Portugal-Espanha.
Aaaah, dois amarelos, não foi? Aqui até parece que estou a tocar no gajo, mas é uma ilusão de óptica. Se calhar estou a dizer-lhe ‘pára lá de roubar a gente pá’, jajajajajaja. Mais uma vez, que grande cabelo pá. Estas tranças.

Fizeste-as onde?
Lá na África do Sul. O nosso hotel era afastado do centro da cidade e cheio de animais, com muitos macacos, e havia uma equipa que ia lá fazer as tranças mesmo bem. Aproveitei, jajajaja. Eu e mais alguém, só que não me lembro quem.

Raúl Meireles?
Nãããão. Mas, olha, acertaste no meu companheiro de quarto. Era o quarto dos tatuados.

Foste titular com a Costa do Marfim.
Depois, suplente com a Coreia, titular com o Brasil e entrei a 25 minutos do fim com a Espanha.

Titular com o Brasil. Uma honra ou…?
Claro, e marquei ao Brasil num 6-2 ou lá o que foi, no ano anterior.

O 1-0 é teu, não é?
Ao Júlio César, e de calcanhar.

De calcanhar?
O Maniche, ou o Tiago, passa-me a bola e eu dou de calcanhar. Começámos bem, hein? Ainda estivemos a ganhar 2-1, mas depois olha.

O que é que se passou?
Foi uma viagem estranha. O jogo era quarta e viajámos na terça. Ao intervalo, o Queiroz mudou a equipa porque havia jogadores com jogos importantes no fim-de-semana seguinte, eu pelo Zenit, o Tiago pelo Atlético e por aí adiante, e os gajos, com Robinho, Kaká e Neymar, mataram-nos. Também tiveram uma sorte porque cada remate era golo.

A seguir ao Mundial-2010, há este incrível 4-4 vs Chipre com um golo teu.
Em Guimarães, não é? Dominámos por completo, com bolas ao poste e tudo, e eles marcaram nas quatro vezes que foram à baliza. E todos os golos deles foram da mesma maneira: lançamento longo para as costas dos defesas e golo. Olha, número 10. Porra, fui o número de Portugal. Que orgulho.

Depois, entra o Paulo Bento na seleção. Que diferenças para o Queiroz?
O Queiroz era um homem do futebol, com mais experiência no campo do treino, até porque foi adjunto de um dos melhores de sempre: Alex Ferguson no Manchester United. O Paulo Bento tinha sido jogador de futebol, numa posição em que a leitura do jogo era importante e constante. Nos treinos, metia-se sempre no meio das jogadas para nos dar a sua visão das coisas, do que é que ele faria se estivesse na nossa posição.

Vou andar para a frente e passar para aqui.
Xiiiii. Se não me engano, é um Porto 0 Zenit 0. Passámos à segunda fase com o pior registo de sempre da Liga dos Campeões, com cinco pontos. Uma vitória e dois empates, acho. Na última jornada, empatámos 0-0 no Dragão com o Malafeev a fazer uma defesa impressionante a um remate do Djalma. Meu Deus, fui tão assobiado nessa noite. Fui chamado de bobby e tinha cartazes no estádio a dizer que os meus filhos faziam chichi como os cachorros. Aliás, no aeroporto do Porto, os adeptos estalavam os dedos e mandavam-me beijos a chamar pelo bobby.

Eisch, porquê?
No jogo em São Petersburgo, fiz golo e fui celebrar à bandeirola de canto como um cão a fazer chichi. Tudo isto para os meus filhos, que estavam no camarote e tinham recebido um cãozinho como presente no dia anterior. Estás a vê-lo ali? [aponta para as imediações da piscina] É aquele cão, que era pequenino e agora está um gordo porque come tudo o que lhe aparece à frente. Pronto, ofereci o cão aos meus filhos e eles pediram-me para fazer o cãozinho. Podia ter sido com o Barcelona, só que foi com o Porto. No Dragão, chamaram-me de tudo filho da puta, cabrão, questionaram a minha nacionalidade, se era português ou não. E fui assobiado durante os 90 minutos.

Sempre que tocavas na bola?
Sempre. Só não gostei porque meteram os meus filhos numa confusão que nem sequer deveria ser confusão. De resto, foi bom demais: empatámos e passámos aos oitavos-de-final.

Depois perdem com o Benfica?
Isso, ganhámos 3-2 em casa e perdemos 2-0 na Luz. Não joguei nenhum dos jogos, porque estava lesionado. Aliás, lesionei-me com gravidade e falhei o Euro-2012. Perdi aquele play-off com a Bósnia e tudo.

Isso da Bósnia foi bonito, foi.
Ouvi dizer que fomos recebidos cá de uma maneira, pffff. E a relva estava num estado do pior. Esta aqui de casa é melhor. A sério que é. Vi pela televisão e foi chocante.

Foi como voltar atrás no tempo, não?
Podes crer, a relva que não é relva mais a curta distância entre adeptos e jogadores. Pareciam os jogos de juvenis e juniores do Marítimo em algumas zonas da Madeira, como Câmara de Lobos. Lá é que era, pfffff. Uma vez, o jogo acabou à batatada entre dois jogadores e ficámos fechados uma hora e meia no balneário. Olha, eu, o Pepe e o resto da equipa. Agora, o futebol é diferente.

Bem vejo, olha lá aqui um capitão a receber a taça de campeão em tronco nu.
Jajajajajaja. É o meu último jogo pelo Zenit, a minha despedida. Com Garay, Arshavin, Kerzhakov, Witsel, Criscito ali ao meu lado. E é uma imagem ainda mais bonita porque estão ali os meus filhos e tenho a bandeira da Madeira mais a de Portugal. E a braçadeira, claro. Além disso, estou de tronco nu, porque entreguei a camisola aos meus filhos, e sou o primeiro capitão do Zenit a receber a taça de campeão nacional sem camisola.

Ias sair do Zenit em 2014?
Faltava um mês para acabar o contrato e perguntei ao clube se queria renovar. Eles não disseram que sim e decidi sair. Até organizei uma conferência de imprensa para anunciar o adeus. Tudo sem problema nenhum. Estou muito bem a treinar na seleção, a um dia de assinar pelo Al Nasr, do Dubai. Aliás, já tínhamos reservado um corredor no Hospital da Luz para os exames médicos. Bom, estou muito bem na seleção e, de repente, peço autorização ao Fernando Santos para viajar até São Petersburgo.

Então?
Fui renovar o contrato com o Zenit.

Reencontraste o Fernando Santos?
Nunca pensei, sabes? Depois do que se passou no Sporting em 2004 e depois de nunca mais ser convocado pelo Paulo Bento.

Por que não?
Opção técnica do Paulo Bento, nada de mais. Não houve nenhum caso nem nada parecido, como aconteceu com Ricardo Carvalho, Bosingwa e sei lá mais quem. Eu apenas lesionei-me e avisei a federação da minha indisponibilidade para um determinado jogo. A partir daí, nunca mais me chamaram. Tudo bem, sem problema. Normal. Quando se dá a transição Paulo Bento-Fernando Santos, recebo uma chamada do mister. ‘Estás preparado para voltar?’. Fiquei surpreso e agradado. ‘Claro que sim, mister, estou a trabalhar no Zenit para isso mesmo.’

Voltaste e?
Fiz a qualificação toda até me lesionar com gravidade, de novo. Pela terceira vez. Só que agora reagi ao tratamento com mais tranquilidade e só fazia recuperação da parte da manhã. À tarde, queria estar com a minha família, queria passear, sentir a água da piscina, a areia da praia e esses prazeres da vida. Deu para fazer mais coisas em casa e, jajajajaja, nasceu a Emily. Fez ontem quatro meses e está feliz em Praga. Como nós todos. Check, czech.

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