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O outono já está instalado. Daqui até ao Natal é apenas uns piscar de olhos com o Halloween e uns feriados pelo meio. Entretanto as temperaturas baixam e está na altura de adaptar os programas de tempos livres. As exposições são uma boa sugestão, um programa cultural no aconchego do museu é uma ideia válida a dois, em família, com um pequeno grupo de amigos ou até sem companhia. Neste regresso à normalidade no pós-pandemia há muito para recuperar dos últimos meses e, não só os museus estão recheados de boas exposições, como o mercado das viagens está a tentar recuperar o seu ritmo habitual. Juntámos duas boas categorias — cultura e viagens — e reunimos 12 exposições, para visitar agora ou nos próximos meses, espalhadas por várias cidades da Europa e que valem bem uma escapadinha de alguns dias, para passear e conhecer novos espaços.

Moda, pintura, escultura ou performance… Paris, Bruxelas, Roma ou Basileia.  Veja as sugestões em baixo, faça a sua escolha e não se esqueça do certificado digital.

Moda em Paris: o aniversário da Vogue francesa

Nem só de novas coleções se faz a Semana da Moda de Paris, que entretanto ficou lá atrás. Além do calendário oficial de desfiles, há também um calendário oficial de eventos onde se encontram apresentações, entrevistas ou previews de exposições, entre outros acontecimentos. O regresso em peso da imprensa de moda e de ilustres convidados à capital francesa na mais recente Semana da Moda de Paris foi a altura perfeita para abrir, pelo menos, três exposições dedicadas à moda, e que se prolongam para lá dos desfiles. No Palais Galliera (o museu da moda de Paris) celebra-se o centésimo aniversário da Vogue francesa. A data já leva um ano de atraso por culpa da pandemia, mas há que recuperar o tempo perdido e até 30 de janeiro de 2022 a exposição Vogue Paris: 1920-2020 celebra o papel desta publicação não só na moda, como também na sociedade. A mostra segue uma narrativa cronológica e conta com ilustrações, fotografias, revistas e vídeos do arquivo da revista, bem como com 15 peças de alta-costura e prêt-à-porter.

Fotografia de Mario Sorrenti, “Paris mon amour”, Aymeline Valade com vestido Alexander McQueen no telhado do Grand Palais, em Paris, produzida por Emmanuelle Alt para a Vogue Paris de Agosto de 2012. © Mario Sorrenti / Paris Musées, Palais Galliera

Encontro entre cinema e moda

Na Cinémathèque (cinemateca de Paris) a exposição CinéMode, com curadoria de Jean Paul Gaultier, apresenta uma mistura entre figurinos de cinema e peças de moda para ver até 16 de janeiro. Apaixonado por cinema e conhecido por não ter medo de tabus ou diferenças, o designer reúne estrelas de cinema e criadores de moda, nesta exposição dividida em cinco secções. É possível ver figurinos de filmes bem conhecidos e peças de moda memoráveis numa mostra que é também uma viagem pela história do cinema e da moda.

Imagem do interior da exposição CinéMode com curadoria de Jean Paul Gaultier, na Cinemathéque, em Paris.

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O regresso de Mugler

No Musée des Arts Décoratifs, junto ao Louvre, está patente desde 30 de setembro e até 24 de abril de 2022 a exposição Thierry Mugler, Couturissime. Antes de chegar a Paris, esta exposição esteve no Museu de Belas Artes de Montreal (MMFA, Canadá) onde foi um sucesso. Esta grande mostra convida a uma visita pela obra do designer e artista Thierry Mugler, um verdadeiro revolucionário da moda, em variadas áreas, na década de 1980. Em exibição estão peças de Alta-Costura, prêt-à-porter, fotografias que quase tornam esta exposição uma experiência imersiva pela variedade de inspirações e materiais com que Mugler desafiou a moda ao longo de quase cinco décadas de trabalho.

Imagem do interior da exposição Thierry Mugler. Couturrissime, no Museu das Artes Decorativas, em Paris. Foto: Christophe Dellière

Um surrealista aqui ao lado, em Madrid

Para os fãs do estilo artístico surrealista é possível visitar uma grande retrospetiva de René Magritte, a maior na capital espanhola desde 1989, no Museu Thyssen-Bornemisza. São mais de 90 quadros reunidos na exposição La máquina Magritte,  que está dividida em sete secções com os temas: Os poderes do mago, Imagem e palavra, Figura e fundo, Quadro e janela, Rosto e máscara, Mimetismo e Megalomania. Além das pinturas, a exposição apresenta também uma instalação que reúne uma seleção de fotografias e filmes domésticos da autoria do próprio Magritte. Depois de Madrid, esta exposição vai para o Caixaforum em Barcelona. Pode ser visitada até 30 de janeiro de 2022.

A visitor observes the works of the exhibition "The Magritte

Interior da exposição La máquina Magritte, no Museu Thyssen-Bornemisza, em Madrid.

Uma homenagem a Goya em Basileia

A Fundação Beyeler, em Basileia, apresenta a exposição Goya como uma das maiores exposições dedicadas ao pintor espanhol. A sua organização resulta de uma parceria com o Museu do Prado e a inauguração contou com a própria rainha Letizia de Espanha. Estão reunidos cerca de 70 quadros e mais de uma centena de desenhos, numa seleção de peças que provêm de museus europeus e americanos, assim como de coleções privadas, incluindo algumas obras raramente vistas em público. A exposição, que está aberta ao público desde 10 de outubro e até 23 de janeiro de 2022, conta ainda com uma instalação do artista contemporâneo Philippe Parreno, um vídeo sobre a obra de Goya e a sua influência nas gerações seguintes, uma vez que a carreira de cerca de seis décadas do artista atravessou não só períodos artísticos, como também diferentes fases da sociedade espanhola, e tudo isso se refletiu na sua obra.

Ainda na Fundação Beyeler há mais duas exposições que merecem destaque. A exposição Close-up (de 19 de setembro a 2 de janeiro de 2022) conta apenas com obras de nove mulheres artistas que se destacam na História da Arte num intervalo temporal entre as últimas décadas do século XIX até ao presente. A temática que traça a narrativa da exposição é a interpretação da figura humana. E ainda a exposição Mondrian (até 9 de outubro de 2022) marca os 150 anos do nascimento do pintor dos países baixos.

Queen Letizia of Spain Inaugurates Goya Exhibition In Basel

A exposição Goya na Fundação Beyeler, em Basileia, contou com a presença da rainha Letizia de Espanha na inauguração.

Jeff Koons num palácio italiano, em Florença

O Palazzo Strozzi, no centro histórico da cidade de Florença, é palco da exposição Jeff Koons. Shine. O tema desta exposição é a dualidade entre o “ser” e o “parecer” e estão presentes nesta mostra algumas das obras mais famosas de Koons, empréstimos de coleções e museus — está aberta ao público até 30 de janeiro de 2022. O reflexo, em que o espetador se vê na obra completando-a, é um dos conceitos mais recorrentes nas criações do americano, um dos artistas contemporâneos mais relevantes das últimas décadas, assim como temas da cultura popular. Além desta exposição de arte contemporânea, Florença está recheada de boas sugestões para explorar arte de séculos passados, seja em pintura, escultura ou arquitetura.

Imagem do interior do Palazzo Strozzi e da obra Balloon Monkey (Blue) na exposição Jeff Koons. Shine. ©Ela Bialkowska OKNO studio

O legado de Helmut Newton em Berlim

A Fundação Helmut Newton, no museu da Fotografia em Berlim, prepara uma grande exposição retrospetiva da obra do fotógrafo, Helmut Newton. Legacy. A ideia inicial era que esta mostra coincidisse com a data do que seria o centésimo aniversário de Newton, mas a pandemia fez com a exposição abra a 31 de outubro e se mantenha patente ao público até 22 de maio de 2022. O site da Fundação Helmut Newton promete muito mais surpresas além das famosas imagens do fotógrafo de origem alemã. Uma parte da exposição será dedicada a uma cronologia da vida de Newton e do legado que este deixou, mais de 300 obras vão estar expostas, metade das quais podem ser vistas pelo público pela primeira vez, assim como outro material (polaroids, publicações especiais, material de arquivo).

Helmut Newton. 100 anos de um mestre fetichista

Newton é um dos nomes mais proeminentes da fotografia do século XX e deixa um vasto legado, tanto na moda como na cultura popular, através das imagens que criou e de personalidades que fotografou para publicações de referência, assim como em livros que compilam a sua obra. O olhar atrevido para criar imagens sensuais e uma capacidade única para desafiar os limites da fotografia a preto e branco são apenas referências para descrever a importância de Helmut Newton no panorama cultural do século XX.

Vernissage Exposition d'Helmut Newton A Paris 1988

Helmut Newton com Catherine Deneuve na abertura de exposição do fotógrafo em Paris, em 1988.

Hockney a duplicar em Bruxelas

O Centro de Belas Artes de Bruxelas, popularmente conhecido como Bozar, é palco de uma grande exposição dupla dedicada a David Hockney. O artista inglês regressa a este espaço com duas mostras que abordam de diferentes maneiras o seu trabalho. Uma das exposições chama-se Works from the Tate Collection, 1954 – 2017, e, como o próprio nome indica, reúne uma seleção de obras da coleção da Tate que percorrem toda a carreira de Hockney. A outra exposição chama-se The Arrival of Spring, Normandy, 2020. Resulta de uma parceria com a Royal Academy of Arts e consiste numa série de pinturas feitas com iPad durante o primeiro confinamento na casa do próprio na Normandia. A sua mestria no uso da cor na captação de momentos do dia a dia continua a cativar público de todas as idades, contudo Hockney, atualmente com 84 anos, continua a surpreender, seja a desafiar as novas tecnologias como ferramenta de trabalho ou a transformar um confinamento em produção artística. Das suas paisagens coloridas em grande escala, que parecem portas para mundos imaginários, aos retratos, uma exposição de Hockney vale sempre a pena. E duas ainda mais. Ambas as exposições estão patentes até 23 de janeiro de 2022.

My Parents, 1977 (Os meus pais), de David Hockney. Tate: adquirido em 1981. © David Hockney. Obra na exposição Works from the Tate Collection, 1954 – 2017, no Bozar em Bruxelas.

Marina Abramović em roteiro por Londres

A artista contemporânea mais famosa na arte da performance tinha prevista a sua primeira exposição retrospetiva no Reino Unido, na Royal Academy of Arts, mas a pandemia fez com que fosse adiada para 2023. Fica a referência e o convite a um momento artístico que muito dará que falar, mas por enquanto a artista não deixou de espalhar a sua magia por Londres, neste outono. Primeiro a experiência imersiva Traces em parceria com a We Present, a plataforma de artes digitais do We Transfer, que aconteceu entre 10 e 12 de setembro mas ainda é possível visitar através do site.

A Lisson Gallery recebe por estes dias duas exposições de Abramović, em localizações diferentes de Londres. Em Lisson Street, Marina Abramovic: Seven Deaths encontra uma experiência imersiva e cinemática em que a artista explora no écran sete formas de morrer ao som de solos de Maria Callas, a musa inspiradora desta obra. Pode ser visto até 30 de outubro. Em Cork Street a temática continua, mas aqui as mortes da experiência anterior inspiram esculturas que são autoretratos da artista nas diferentes personagens. Esta exposição termina a 17 de outubro, mas as obras podem ser vistas no site da galeria.

E ainda, nas galerias Conalghi, pode ser vista a exposição Humble Works, até 22 de novembro. Este é um trabalho conjunto entre Marina Abramović, Nico Vascellari e Fyodor Pavlov-Andreevich que colocam obras suas em diálogo com obras primas de épocas passadas. A Conalghi é uma antiga e prestigiada negociante de arte com galerias em diferentes capitais.

Preview of 'Traces' by Marina Abramovic and WePresent by WeTransfer

Marina Abramović em Londres, na apresentação da experiência imersiva Traces, em parceria com a We Present, a plataforma de artes digitais do We Transfer.

Ainda por Londres, a arte de Fabergé

Anunciada e muito antecipada, a exposição Fabergé in London: Romance and Revolution no Museu Victoria & Albert, abre ao público a 20 de novembro e poderá visitar-se até 8 de maio de 2022. Esta mostra conta com peças de referência da obra de Carl Fabergé, como por exemplos alguns ovos de Páscoa da família imperial russa, assim como também explora a ligação da marca entre a Rússia e o Reino Unido, que até levou à abertura de uma filial em 1903. A marca Fabergé continua a existir, mas é nas obras que Carl Fabergé criou enquanto joalheiro dos Czares que está o fascínio que deu prestígio à marca. Com a revolução muitas peças (joias e objetos) seguiram caminhos diferentes e algumas até se perderam, como é o caso do terceiro ovo imperial, datado de 1887, que foi redescoberto em 2011 e vai integrar esta exposição.

Peça em exibição na exposição Fabergé in London: Romance and Revolution no Museu Victoria & Albert. Ovo Alexander Palace, de Fabergé, 1908. Em ouro, prata, diamantes, rubis, esmalte, nefrita, cristal de rocha, vidro, madeira, veludo e osso. © The Moscow Kremlin Museums

Damien Hirst em Roma e a dobrar

Damien Hirst é um dos artistas contemporâneos mais polémicos da atualidade, com uma obra tão variada quanto controversa. Só em Roma estão duas exposições em nome próprio onde podem ser apreciadas muitas peças do artista inglês. Na Gagosian Gallery de Roma está a exposição Forgiving and Forgetting, até 23 de outubro. Consiste numa seleção de esculturas e novas pinturas onde se destacam as figuras Disney, esculpidas em mármore rosa de Portugal e mármore branco de Carrara, materiais clássicos da história da arte.

Na Galleria Borghese encontra a exposição Archaeology Now, até 7 de novembro. Aqui é possível ver uma seleção de mais de 80 quadros e esculturas de Hirst entre as peças de arte da galeria e o próprio espaço, num diálogo de contraste entre contemporâneo e clássico.

Damien Hirst Archaeology now exhibition at Villa Borghese, Rome. Sponsored by Prada.

Uma imagem do interior da exposição Archaeology Now de Damien Hirst, na Galleria Borghese, em Roma. Uma obra do artista inglês ao centro.

Guggenheim celebra as mulheres, em Bilbao

Como em tantas outras áreas, o papel das mulheres na Arte foi consistentemente desvalorizado. Com a exposição Women in Abstraction, o Museu Guggenheim de Bilbao pretende recontar a história da arte abstrata e dar ao contributo feminino o seu devido valor. Segundo o museu, o objetivo é contar uma história com muitas vozes, por isso estão reunidas obras de 100 mulheres artistas que se dedicaram ao abstracionismo nos séculos XX e XXI através de variadas áreas artísticas (como dança, fotografia, cinema, performance) e de várias áreas geográficas. Esta exposição resulta de uma parceria com o Centro Pompidou, de Paris e pode ser visitada entre 22 de outubro e 27 de fevereiro.

Uma das artistas e obras presentes na exposição Women in Abstraction, no Guggenheim de Bilbao. Smoke Bodies, from Women in Smoke, California, 1971-72, de Judy Chicago. Cortesia da artista, Salon 94 (Nova Iorque), Through the Flower Archives, The Center for Art + Environment at the Nevada Museum of Art e Artist Rights Society. © Judy Chicago, VEGAP, Bilbao, 2021