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Este trabalho, que é publicado no último dia de aulas, foi preparado antes de a pandemia de Covid-19 ter levado ao encerramento das escolas. A questão das desigualdades na educação, porém, não só se manteve como pode ter sido amplificada pelo ensino à distância. O seu impacto na qualidade da aprendizagem e no percurso escolar dos alunos continua a ser uma das características do ensino em Portugal no retrato mais recente do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA). E voltou a ser determinante nos rankings nacionais das escolas, que serão conhecidos esta sexta-feira.

“Se eu fosse professor, tinha desistido de mim naquela altura.” As palavras de Nicomedes são duras e nem por um segundo tenta suavizar as más escolhas que fez no passado e que o levaram a chumbar mais do que uma vez. A culpa foi sua, apenas sua, assume. Antes dos 15 anos, já tinha acumulado duas retenções, mas a intervenção de um mediador foi quanto bastou para que mudasse de rumo e começasse a ter boas notas.

Hoje tem 18 anos e anda no equivalente ao 11.º ano. Os dois anos perdidos foram no 6.º e no 7.º ano, mas conta que o seu desinteresse pela escola começou cedo, logo na primária, quando tinha 7 anos. “Sempre tive um desinteresse total pela escola. Nas aulas não fazia nada, mesmo nada. Já era uma sorte eu levar um caderno ou um lápis”, conta o jovem, recordando o início da adolescência. Agora que conseguiu ter sucesso escolar, o seu objetivo é terminar o curso profissional de Comércio que está a fazer na Escola Profissional Bento Jesus Caraça, no Seixal. Sobre a ida para o ensino superior, pensará mais tarde.

Em Portugal, há várias décadas que se sabe quem são os alunos em risco de insucesso escolar: chumbos e estatuto socioeconómico têm andado sempre de mãos dadas. Quem nasce numa família carenciada tem três vezes mais hipóteses de ter um desempenho no limiar do aceitável, segundo o relatório PISA da OCDE, que traça o retrato dos alunos de 15 anos. Em contrapartida, 10% desses alunos conseguem ficar entre os 25% melhores do país — os chamados “resilientes”. Mas mesmo esses têm ambições mais baixas: 1 em cada 4 não conta acabar o curso superior, proporção que é de 1 em 30 entre os privilegiados.

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