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As estruturas sísmicas somadas às estruturas arquitectónicas permitiram que telhados e paredes ondulassem como um trigal ao vento

Wikimedia Commons

As estruturas sísmicas somadas às estruturas arquitectónicas permitiram que telhados e paredes ondulassem como um trigal ao vento

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"Deus soprou e dissipou tudo": os relatos de quem viveu o terramoto de 1755 /premium

O antes, o durante e o depois da tragédia. "O Mal Sobre a Terra", da historiadora Mary del Priore, livro sobre o sismo que destruiu parte de Lisboa, tem nova edição. Aqui pré-publicamos um excerto.

Como era Lisboa antes do trágico 1 de novembro de 1755? O que aconteceu naquele dia de Todos-os-Santos em que as chamas tomaram conta da cidade, os edifícios ruíram e o Tejo ganhou corpo de gigante? E o que aconteceu à capital depois do grande desastre? A historiadora brasileira Mary Del Priore (autora de um livro sobre D. Maria I, recentemente publicado) procurou responder a estas perguntas com o livro “O Mal Sobre a Terra: história do grande terramoto de Lisboa” (Objectiva), numa nova edição que chega às livrarias a 7 de outubro.

O Observador faz a pré-publicação, revelando um excerto em que, através de diários e outros registos da altura, a autora reconstitui o que aconteceu durante o terramoto e como foi vivido por quem habitava a cidade.

A capa de “O Mal Sobre a Terra”, de Mary Del Priore (Objectiva)

Asflavit Deus et dissipatur — Deus soprou e dissipou tudo

Jacome Ratton costumava assistir à missa na Igreja do Carmo, cujo tecto ou dorso de animal correspondia à pesada abóbada de pedra. «Na manhã desse dia fatal», ele não foi. Nas águas-furtadas da sua casa, via da janela que «achava-se o céu risonho como quase sempre é nas felizes regiões da Europa do Sul; nem o ar se agitava lentamente». Aguardava tranquilamente um comprador para certa partida de papel avariado que ali se tinha posto a enxugar.

Não percebeu a agitação dos animais de tracção, os cães que corriam disparados pelas ruas, os ratos que abandonavam as suas tocas, os pássaros em louca revoada. «Três minutos, porém, antes das dez horas ouviu-se um ruído como se corressem por elas numerosas carroças; ao mesmo tempo estremecia a terra com um movimento violento, ondulante. Estremece a terra e em menos de um minuto ela sorve o cais (da alfândega)… Na cidade levantavam-se enormes colunas de poeira ao pé das ruas que caíam das ruínas.» A poeira, «à maneira de denso nevoeiro que impedia a vista a duas braças de distância», era intensa também na casa de Ratton, ou no que dela sobrara. «Ao sentir o primeiro abalo», diz ele, «me ocorreram muitas reflexões a salvar a minha vida e não ficar sepultado debaixo das ruínas da própria casa ou das vizinhas, se descendo as escadas fugisse para a rua; mas tomei o partido de subir ao telhado nas vistas de que, abatendo a casa, eu ficasse superior às ruínas.»

Ratton era jovem; tinha 19 anos, razão suficiente para ter suportado ser lançado contra os molhos de papel húmido antes de cair, ao mesmo tempo que o tecto e as paredes que sustentavam a casa. Arrastando-se por onde podia, afastando com as mãos os obstáculos que o detinham, pulou para o jardim vizinho, fugindo em corrida cega. Evitou a tempo uma rachadura que engoliu uma carroça e respectivos cavalos aos relinchos, até que o cheiro fétido de enxofre, vindo do Tejo, o paralisou. O rio, «um mato confuso de mastros entrelaçados, e um horroroso cemitério de cadáveres», ululava. Gania. Foi assim, com a garganta sufocada pelo fumo, cheio de arranhões e magoado, com as roupas em farrapos, que discerniu, por entre nuvens de fumo e poeira, os rostos ensanguentados dos familiares. Aos seus pés, uma jovem mulher soluçava, empurrando contra o seio sujo uma criança morta.

A geografia local amplificava o desastre. Os sopés rochosos sobre os quais repousava o casario da cidade, os meandros estreitos a recortar, aqui e acolá, as colinas, em cujas dobras e cimos se intercalavam igrejas e conventos, aguçavam a vulnerabilidade sísmica de Lisboa.

Ratton não foi o único a entender o que estava a acontecer. Houve vários observadores do fenómeno entre os membros da próspera comunidade britânica. Existiam cerca de 102 escritórios de comércio, cujos associados e caixeiros eram igualmente ingleses. Havia médicos e cirurgiões, boticários e pequenos lojistas, suficientemente numerosos para garantir o sustento independente da comunidade, transformando-a numa cronista avisada do que ocorreu. Com a tradicional fleuma que os caracteriza, um deles relatou desta forma os furores da terra, narrando numa torrente de palavras a história de um horror, passado ao vivo e em cores:

Eu vivia numa casa próxima ao centro da cidade, numa pequena elevação ao sopé da colina para o seu lado oriental. A casa tinha quatro andares, contando com o piso térreo, dos quais os dois mais altos, como é habitual nesta cidade, serviam para a acomodação de nossa família, estando os inferiores destinados ao negócio, estábulo etc. O meu quarto ficava no terceiro andar e era um dos mais exteriores, junto à rua, dos sete quartos que existiam nesse andar. Aí estava sentado no primeiro dia do corrente mês, por volta das dez horas da manhã (fazia um tempo sereno e o céu não tinha uma nuvem) quando senti a casa começar a tremer com suavidade, aumentando gradualmente com um barulho precipitado, como o som de carruagens conduzidas com violência a alguma distância; e foi isso o que eu de início imaginei ser a causa do barulho e tremor que ouvia e sentia. Mas ao aumentarem ambos gradualmente, e ao observar os quadros no meu quarto a bater contra as paredes, levantei-me e percebi logo que era um terramoto; e nunca tendo antes sentido o seu tremor, fiquei um bocado a observar as suas convulsões com muita serenidade; até que, por causa do tremer, julguei que o quarto começasse a ondular, o que me fez correr para outro interior, mais para o centro da casa; mas, nessa altura, o movimento era tão violento que eu me mantinha em pé com dificuldade.

Toda a casa rachava a minha volta, as telhas chocalhavam lá no cimo; as paredes despedaçavam-se por todos os lados; as portas de uma estante bastante grande que havia no meu quarto, e que estavam fechadas a chave, abriram-se violentamente e os livros caíram das prateleiras, mas eu já estava no quarto contíguo; e ouvi aterrorizado os gritos e choros de pessoas vindos de todos os lados. Finalmente, começando tudo a retornar a acalmia, entrei em três ou quatro quartos do piso em que me encontrava à procura de criados, mas não encontrando nenhum, conclui que todos eles tinham abandonado a casa. Então, voltando ao meu quarto, resolvi mudar de roupa (pois estava de roupão, de barrete e de chinelos) e sair também. Tinha me vestido até a cintura e estava a enfiar o casaco e o colete (tendo primeiro colocado os meus livros na estante e fechado as portas a chave) quando senti começar o segundo abalo; por isso, agarrei o meu chapéu e tirando a minha cabeleira de um suporte, desci dois lanços e meio de escadas, mas parei de repente ao ouvir cair telhas e grandes pedras do cimo da nossa casa e de outra para um pequeno pátio por onde eu deveria passar. Isto fez-me reflectir que, ao fugir de uma casa a cair, corria o risco de ficar sepultado sob as ruínas de muitas outras nas ruas estreitas por onde era obrigado a passar até conseguir chegar a algum local de maior segurança; por isso, resolvi ficar onde estava, numa escadaria de pedra em caracol, na qual cada degrau era uma pedra inteira com cerca de uma jarda e meia de comprimento; e escolhi este sítio preferivelmente a qualquer outro porque, se a casa caísse, as pedras por sobre a minha cabeça poriam um fim imediato à minha vida e impediriam o destino mais miserável de ser sepultado vivo sob as ruínas.

Enquanto aqui permaneci, os degraus sobre os quais eu estava, bem como aqueles que ficavam por cima da minha cabeça, ergueram-se a um nível impressionante e eu esperava morrer esmagado a todo o momento. […] Ao juntar agora todos esses pormenores de observação e ocupação, deixo ao vosso julgamento se eles podiam ter ocorrido em menos de um quarto de hora; e, na verdade, ao comparar o meu cálculo com alguns outros, vejo a minha opinião confirmada em relação ao tempo que duraram os abalos do terramoto e ao intervalo entre eles. Também tem havido aqui outra disputa acerca da hora exacta a que o primeiro tremor começou. Alguns pensam que foi antes, outros depois das dez horas, mas a maior parte afirma que a hora não havia soado.

O carácter rigoroso e implacável da fúria do dragão gerara «uma horrível catástrofe»

O sismo: um arrepio que percorrera a terra. Eis o que viveram os observadores estrangeiros entre tantos habitantes de Lisboa. Os suaves tremores que «aumentavam gradativamente», na descrição do britânico, correspondiam às vibrações que se propagavam pelo solo tal como uma pedra que, lançada à água, dá origem às vagas que se distanciam do ponto de impacto. O furor da terra tivera origem num deslocamento brusco entre dois blocos rochosos adjacentes, gerando ruptura e um emissor de ondas. O carácter rigoroso e implacável da fúria do dragão gerara «uma horrível catástrofe», revirando toda a costa marítima e reduzindo a opulenta cidade a um monte de destroços. Sob os destroços, o cataclismo paria eloquentes narradores, como o jovem aniversariante Thomas Chase:

Cerca de três quartos depois das nove horas da manhã, no sábado, dia em que fiz 26 anos de idade e na própria casa em que nasci, no 1.º de Novembro de 1755, estava eu sozinho no meu quarto, quatro andares acima do solo, ao abrir uma escrivaninha, quando uma agitação ou tremor de terra, que eu soube imediatamente ser um terramoto, suave a princípio, mas aumentando gradualmente, para maior violência, me alarmou tanto que, voltando-me para olhar as janelas, os vidros pareciam estar a cair. Surpreendido ante a sua continuação e lembrando-me imediatamente do destino miserável de Callao, nas Índias Ocidentais espanholas, supus que o mesmo fosse acontecer então; e lembrando-me, também, de que a nossa casa era tão velha e frágil que qualquer carruagem a passar a fazia tremer toda, corri imediatamente para o eirado. Este local, conforme o costume em muitas casas, era um quarto único no cimo da casa com janelas a toda a volta; pilares de pedra suportavam o telhado. Ficava apenas um andar acima do meu quarto e oferecia um panorama de parte da cidade desde o palácio do rei até ao castelo, e eu estava ansioso por ver se as casas vizinhas se agitavam com a mesma violência.

Mal cheguei ao cimo das escadas apareceu ante aos meus olhos o mais horrível panorama que a imaginação pode conceber. A casa começou a erguer-se ao ponto de, para não ser atirado ao chão, ser obrigado a pôr o meu braço fora de uma janela e apoiar-me à parede. Cada pedra das paredes a separar-se e a ranger, como todas as paredes das outras casas, umas contra as outras com uma variedade de diferentes movimentos, provocava a mais terrível confusão de sons que os ouvidos jamais escutaram. A parede adjacente ao quarto do senhor Goddard caiu primeiro; seguiu-se, então, toda a parte superior da sua casa e de todas as outras, até onde eu podia ver em direcção ao castelo; quando olhando de repente para a frente do quarto — pois eu pensava que toda a cidade estava a fundar na terra — vi o cimo de dois pilares tocar-se; e nada mais vi. Tinha decidido atirar-me ao chão, mas creio que não o fiz, pois senti-me imediatamente a cair, e então, não sei quanto tempo depois, mas como que a acordar de um sonho, percebi que tinha a boca cheia de qualquer coisa, que tentei tirar com a mão esquerda; e não conseguindo respirar livremente, lutei até a minha cabeça estar totalmente desembaraçada dos destroços.

"Tomou-me o pensamento imediato de que era a perdição geral, ou talvez o último dia; mas a haver segurança seria sob o arco de pedra… Eu corri, eles seguiam-me, casas e ruas como que a dançar sobre nós… telhas e pedras etc., caindo abundantemente."

A geografia local amplificava o desastre. Os sopés rochosos sobre os quais repousava o casario da cidade, os meandros estreitos a recortar, aqui e acolá, as colinas, em cujas dobras e cimos se intercalavam igrejas e conventos, aguçavam a vulnerabilidade sísmica de Lisboa. Não foi só a energia do cataclismo que se abateu sobre a cidade. As estruturas sísmicas somadas às estruturas arquitectónicas permitiram que telhados e paredes ondulassem como um trigal ao vento. O pavor do primeiro choque do terramoto marcava a lembrança de todos. Nos documentos das memórias de vários sobreviventes pode ler-se como se sentiram, física e moralmente, as pessoas, os sentimentos que as percorreram: primeiro, o diagnóstico da situação; a seguir, uma tentativa de autocontrolo; depois, o pânico animal, numa multidão de odores e gritos que os empurrava para «os movimentos cegos do medo e de seu horror», fazendo-os «temer a morte, desejando a morte». O irmão de Joseph Fowke conversava com dois amigos portugueses no seu escritório na Rua das Mudas, entre a Rua do Selvagem e a Rua da Pichelaria, na freguesia de São Nicolau, na mesma «bela manhã calma» já descortinada por Ratton.

De repente demos pela casa a tremer e por um grande barulho como uma carruagem a seis cavalos a passar por nós; olhávamos uns para os outros: eles disseram que era uma carruagem: eu respondi que não vinha nenhuma pela nossa rua; que estávamos todos perdidos: era certamente um violento terramoto e pedi-lhes que me seguissem. Tomou-me o pensamento imediato de que era a perdição geral, ou talvez o último dia; mas a haver segurança seria sob o arco de pedra… Eu corri, eles seguiam-me, casas e ruas como que a dançar sobre nós… telhas e pedras etc., caindo abundantemente; mas Deus quis transportar-me e a José Alves a salvo até o arco; o pobre Francisco, todavia, sendo o último, pereceu no terramoto.

O gentil-homem francês, certo G. Rapin, dizia não ter perdido nenhum segundo a detectar o terramoto ao ver sua chávena de chá elevar-se, bem como o seu conteúdo dourado, a alguns centímetros da mesa onde o serviço de louça fora colocado. O seu único pensamento foi para a mulher, grávida de sete meses, que encontrou, desmaiada, a alguns metros, na rua.

De toda a parte escapavam «continuados gritos de desolação, e não havia peito que não sentisse os horrores de uma morte cruel, cuja imagem se representava por mil formas»

As casas derrubadas, os muros amputados, as ruas interrompidas, os buracos e valas profundas escavados no chão por mão demoníaca, montes de poeira, lama e terra acumuladas, prédios abalados, sustentados, como equilibristas, em vigas de madeira, fragmentos de parede e arcos inacabados. As línguas de fogo, contudo, ainda não rugiam. O céu, antes azul e sem nuvens, fechara-se em negrume:

«estava mais escuro do que a noite mais escura que jamais vi e assim continuou por cerca de um minuto, devido às nuvens de pó provocadas pela queda de casas de todos os lados». Havia, como disse o poeta, som e fúria: «um estranho e terrível ruído subterrâneo, semelhante a um estrondo profundo e distante de trovoada»; ou «lembrei-me instintivamente que o ruído poderia ser precursor de um tremor de terra… Nessa altura larguei a pena e levantei-me, mantendo-me uns momentos hesitante se deveria ficar no apartamento ou fugir para a rua… mas de repente acordei do sonho ao ficar, de súbito, atordoado com um terrível estrondo, como se todos os edifícios tivessem ruído de repente». De toda a parte escapavam «continuados gritos de desolação, e não havia peito que não sentisse os horrores de uma morte cruel, cuja imagem se representava por mil formas e debaixo de mil aspectos medonhos».

O embaixador da Corte de Fernando VI de Espanha, o conde de Peralada, também se assustara com os rugidos da terra e do rio. Acabado de despertar, vira os seus pensamentos interrompidos pelo anúncio da chegada do barbeiro, com as suas bacias e toalhas, a única personagem capaz de o arrancar ao mau humor em que se encontrava. Crítico da Corte portuguesa, tinha horror ao ambiente em que servia: as intrigas dos velhos cortesãos do tempo de D. João V, o excesso de afectação e beatice, as insolências de D. José e do seu homem de confiança, Carvalho e Melo, que estaria, na sua opinião, a soldo dos ingleses. A intimidade com o rei e os grandes de Espanha contrastava com a vida piegas e modesta a que estava obrigado na corte josefina. Touradas de má qualidade, poucas festas e sociabilidade reduzida às missas ao som de castrati e novenas no palácio, que detestava. Com tantas igrejas em Lisboa, transtornava-o a obrigação de ouvir a missa de Todos os Santos em Belém.

Com mais sorte do que o colega, o enviado britânico, conde de Drumlanrig, ouviu uma última e fleumática frase do seu médico antes do estrondoso desabamento das paredes do quarto: «Meu caro lord, siga-me, é um terramoto!»

Contudo, ao ver pela janela a cidade virada do avesso, gritou pela sua bengala e uma capa com que cobrir as vergonhas e saiu em direcção à porta da rua, onde se cruzou com o barbeiro caído por terra, junto aos bustos tombados dos seus nichos. Quando ultrapassou o pórtico da entrada, o maciço brasão de pedra dos Meneses que ornamentava a fachada despregou-se. A lama quente e pestilenta que fluía das calçadas cobriu Peralada, agora uma massa sangrenta de carne e ossos. Morreram, também, o seu capelão e nove criados. Graças à acção do embaixador francês Baschi, salvou-se o seu filho, posteriormente premiado com o cargo de gentil-homem da Câmara e uma pensão de 500 dobrões anuais por Sua Majestade Católica. Baschi conseguiu fugir com a mulher e os filhos para uma casa nos arredores de Lisboa, onde abrigou, além do pequeno Peralada, os restantes espanhóis sobreviventes. Outro membro do Corpo Diplomático, vítima fatal dos tremores, foi o cônsul sueco Arvid Arvidson. Com mais sorte do que o colega, o enviado britânico, conde de Drumlanrig, ouviu uma última e fleumática frase do seu médico antes do estrondoso desabamento das paredes do quarto: «Meu caro lord, siga-me, é um terramoto!»

A obscura personagem Bosc de la Calmette, embaixador das Províncias Unidas, preferiu esconder-se «com resignação» na «parte mais baixa da casa», de onde, impotente, assistiu ao ruir da sua casa e ao desaparecimento de todos os seus bens. O italiano Fernando Aniceto Viganego, filho do antigo correspondente de D. João V, viu-se reduzido, com os seus três «filhinhos à mais extrema pobreza e sem nenhum recurso»; nem as camisas conseguiu salvar! Sobre a comunidade italiana, registava desolado: «A nossa Igreja de São Loreto foi também incendiada, assim como as casas de todos os nossos nacionais.» Já o cônsul de Hamburgo, Stoqueler, escapou de ser engolido pela terra, pois tinha saído para a sua quinta perto de Lisboa.

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