O significado de “telefone” está rapidamente a evoluir de “instrumento que permite reproduzir a voz à distância” para “computador de bolso com capacidades de comunicação”.

As estatísticas comprovam-no: há mais utilizadores de serviço de internet móvel (4,6 milhões) do que clientes de telefone ou internet fixa (3,8 e 2,8 milhões, respetivamente), informa a Anacom. Além disso, 60% dos que usam telemóvel têm um telefone inteligente, estima a Marktest. São mais de cinco milhões os que usam os chamados smartphones.

Há, no entanto, outra tendência no setor que está a facilitar a escolha do fornecedor de telecomunicações móveis: os portugueses estão a aderir às comunicações por pacote.

Junte o telemóvel ao pacote

No primeiro trimestre de 2015, o número de subscritores de serviços em pacote – televisão, telefone e internet, por exemplo – ultrapassou, pela primeira vez, os três milhões. Isto quer dizer que três em quatro famílias clássicas combinam mais do que um serviço de telecomunicações. Meo, Nos, Vodafone e Cabovisão são marcas largamente conhecidas dos portugueses.

Se está incluído numa das 2,5 milhões de famílias que tem um pacote da Meo ou da Nos, é provável que o melhor negócio para os cartões de telemóveis do agregado familiar seja adicioná-los ao pacote. Os primeiros dois telemóveis deverão acrescentar cerca de dez euros cada um à fatura mensal (outros cartões adicionais podem custar menos de oito euros por mês) em troca de mais de uma hora diária de chamadas para as redes nacionais, mais de 60 mensagens escritas (vulgo SMS) por dia e 200 megabytes mensais de internet móvel.

Acrescentar ao pacote: é fácil e barato
Para muitos consumidores, a opção de adicionar o serviço móvel ao pacote de telecomunicações de casa é a solução mais económica. Há tradicionalmente um período obrigatório de fidelização de dois anos.
Meo Nos Vodafone
Pacote-base sem telemóvel Total 30 Especial
TV 145 canais, internet fixa 30 Mbps, telefone fixo.
Custo mensal: 41,49€
Iris 30 Megas
TV 129 canais, internet fixa 30 Mbps, telefone fixo.
Custo mensal: 41,49€
Tv + Net + Voz
TV 100 canais, internet fixa 50 Mbps, telefone fixo.
Custo mensal: 25,90€
Pacote-base com telemóvel M4O Light
TV 145 canais, internet fixa 30 Mbps, telefone fixo das 21h às 9h.
+
Telemóvel: 2.000 minutos e 2.000 SMS para todas as redes e 200 MB de internet móvel.
Custo mensal: 51,99€
Quatro
Iris 30 Megas
+
Telemóvel: 2.000 minutos e 2.000 SMS para todas as redes e 200 MB de internet móvel.
Custo mensal: 51,80€
Tv + Net + Voz + Móvel
TV 150 canais, internet fixa 100 Mbps, telefone fixo.
+
Telemóvel: 5.000 minutos ou SMS para a rede Vodafone e 2.000 minutos ou SMS para outras redes nacionais e 200 MB de internet móvel.
Custo mensal: 51,80€
Diferença no custo mensal 10,50€
10,31€  25,90€
Segundo cartão de telemóvel Custo mensal: 10€
Inclui: 2.000 minutos e 2.000 SMS para todas as redes e 200 MB de internet móvel.
Custo mensal: 10€
Inclui: 2.000 minutos e 2.000 SMS para todas as redes e 200 MB de internet móvel e mais 200 MB para distribuir pelos 2 cartões.
Custo mensal: 9,90€
Inclui 5.000 minutos ou SMS para a rede Vodafone e 2.000 minutos ou SMS para outras redes nacionais e 200 MB de internet móvel.
Mbps = megabits por segundo. MB = megabytes. SMS = mensagens escritas. Fonte: operadoras, 3 de agosto de 2015.

Devido à campanha de captação de novos clientes (25,90 euros por mês por televisão, internet e telefone fixo), as contas não são tão económicas na Vodafone. A Cabovisão não oferece soluções móveis. Juntas, Vodafone e Cabovisão têm 17,8% dos subscritores de cabazes de telecomunicações, isto é, pouco mais de meio milhão de famílias.

A adesão a pacotes de telecomunicações é um dos motores que está a conduzir à descida dos gastos das famílias portuguesas. Em dezembro de 2014, a despesa mensal média foi de 12,54 euros, menos de metade do registado dez anos antes, segundo a Marktest.

Gasto mensal com conta de telemóvel (valor médio em dezembro).

Os pacotes de telecomunicações com serviços móveis colocaram a fasquia da despesa mensal nos dez euros. Se está a gastar mais, é possível que consiga cortar nos seus custos.

A morte anunciada dos SMS

Os serviços móveis de chamadas e mensagens incluídos nos pacotes de telecomunicações são generosos: a Meo e a Nos concedem dois mil minutos de voz e duas mil mensagens escritas por mês; a Vodafone dá um total de sete mil minutos ou mensagens escritas.

Os efeitos do sucesso da oferta de pacotes é claro: crescimento do número de chamadas – fazem-se diariamente 26 milhões de telefonemas – e aumento da duração – a média por chamada ultrapassou, pela primeira vez, os dois minutos e meio em 2014, mostram as estatísticas da Anacom, a entidade que supervisiona os setores das comunicações eletrónicas e dos serviços postais em Portugal.

Houve, todavia, um efeito perverso da oferta de pacotes: a diminuição do número de mensagens escritas. Os tradicionais SMS estão a ser trocados por mensagens via internet.

“O decréscimo do tráfego de mensagens escritas que se tem vindo a registar nos últimos anos deve-se, sobretudo, ao aparecimento de formas de comunicação alternativas”, explica o relatório do primeiro trimestre da Anacom referente aos serviços móveis. A autoridade de telecomunicações acrescenta que, de acordo com a Marktest, mais de 30% dos utilizadores de telemóvel envia ou recebe mensagens pela internet, através de serviços como WhatsApp, Viber, iMessages e Messenger do Facebook.

Entre abril de 2014 e março de 2015, os portugueses enviaram 23,2 mil milhões de mensagens escritas, menos 11% do que nos 12 meses anteriores. Mesmo assim, quem envia SMS, fá-lo, em média, 229 vezes por mês.

Tarifários para poupar no telemóvel

Nem todos podem ou querem aderir a um pacote da Meo ou da Nos. Há quem tenha tarifários antigos mais económicos e não esteja disposto a alterá-lo para um mais caro, mesmo que isso permita adicionar telemóveis. Os clientes da Cabovisão e da Vodafone e os consumidores cujo único serviço de telecomunicações está no telemóvel também têm soluções económicas ao seu alcance.

Reclamações no serviço de telecomunicações móveis por 10 mil clientes, em 2014.

O Observador analisou todos os tarifários propostos pela Meo (incluindo Moche e Uzo), pela Nos (incluindo WTF) e pela Vodafone (incluindo Yorn), bem como os operadores virtuais CTT (através da marca phone-ix), Lycamobile e Mundio Mobile (que trabalha como Vectone Mobile). Em baixo estão as melhores propostas.

Para os mais jovens: WTF ou Moche
Desde 7,80 euros por mês

É, sem dúvida, o melhor tarifário do mercado português. No entanto, está reservado a menores de 26 anos. O WTF, uma marca da Nos, e o Moche, da Meo, oferecem 500 minutos de chamadas e mensagens escritas ilimitadas para as redes nacionais e 500 megabytes de internet móvel pelo equivalente a 7,80 euros por mês (o Moche cobra 1,80 euros por semana). Para esses 500 megabytes não conta o tráfego de dados usado em várias aplicações populares entre os mais novos, como o Messenger do Facebook, o WhatsApp e o SnapChat.

Há duas opções com mais internet. Para o tráfego incluído subir para um gigabyte, o custo mensal fica em cerca de dez euros e, por cerca de 15,50 euros, a internet móvel sobe para dois gigabytes.

Para o consumidor mais comum: Nos Tudo
Desde 9,90 euros por mês

Normalmente, as soluções mais simples são as mais económicas. O tarifário Nos Tudo é realmente simples: inclui 500 minutos de chamadas ou mensagens escritas ou multimédia. O preço depende do tráfego de internet desejado: com 200 megabytes, o custo mensal fica em 9,90 euros; com um 500 megabytes, cobra 12,90 euros por mês; e, com um gigabyte, exige 16,90 euros.

É esta última solução que é a indicada para o consumidor tradicional. Segundo as estatísticas da Anacom, os 16,90 euros seriam suficientes para satisfazer os consumos médios nacionais de cerca de 65 telefonemas por mês com menos de três minutos de duração (42 para a própria rede), 100 SMS mensais (84 para a própria rede) e um gigabyte de tráfego de internet.

Para quem raramente mexe no telemóvel: Nos Livres Base, Vodafone Directo, Uzo
8,5 cêntimos por minuto ou SMS

Quem usa pouco o seu telemóvel não quer carregamentos mínimos nem obrigatórios. Quer é que cada chamada ou mensagem escrita seja o mais barata possível. Para estes consumidores, os tarifários Nos Livres Base, Vodafone Directo e Uzo são a melhor opção: cada minuto ou SMS custa 8,5 cêntimos. Por este preço, dez euros mensais são suficientes para quase quatro minutos ou mensagens por dia.

Se desejarem ter internet móvel, então devem descartar o Vodafone Directo, porque os pacotes são mais caros. O Uzo cobra adicionalmente 2,90 euros por mês por 200 megabytes, enquanto a Nos leva 2,99 euros por 250 megabytes, 4,99 euros por 500 megabytes ou 7,99 euros por um gigabyte.

Para quem quer muita internet: Yorn X 5GB
3,90 euros por semana

Os 200 megabytes oferecidos pelos tarifários mais económicos são poucos para muita gente. Podem ser suficientes para consultar pontualmente o correio eletrónico ou uma rede social, mas não chegam para muito mais.

O melhor negócio para ter muita internet no telemóvel é o tarifário Yorn X 5GB: por 3,90 euros por semana (o equivalente a 16,90 euros por mês), inclui, além de cinco gigabytes de internet móvel por mês, chamadas gratuitas para os detentores de cartões Yorn, Vodafone Extreme e Vodafone Red, mensagens escritas e multimédia para Vodafone, 100 minutos de telefonemas e 500 SMS para outras redes (promocionalmente 1.000 minutos e 5.000 SMS até ao final do ano). Todavia, o Yorn X 5 GB está restrito aos menores de 26 anos e estudantes.

Se é mais velho, então deve optar por um pacote de internet de um gigabyte na Nos, a adicionar a um tarifário como o Nos Livres Base, que custa 7,99 euros por mês, ou a um aditivo de dois gigabytes ou cinco gigabytes na Vodafone, a acrescentar a um tarifário como o Vodafone Directo, que valem 14,99 euros e 20,49 euros, respetivamente.

Para quem quer começar uma tribo: Yorn W
Desde 1,80 euros por semana

A esmagadora maioria das pessoas telefona essencialmente para um número restrito de destinatários. Se a maioria dos amigos e familiares se juntar ao mesmo tarifário é possível beneficiar de muitos minutos e mensagens gratuitos.

O melhor exemplo é o Yorn W, que, ao contrário de outros tarifários Yorn, não está reservado a menores de 26 anos. Por 1,80 euros por semana (o equivalente a 7,80 euros por mês), os subscritores do Yorn W têm direito a mil minutos de chamadas de voz ou de vídeo para outros clientes Yorn, Vodafone Extreme e Vodafone Red e duas mil mensagens escritas ou multimédia para Vodafone em cada semana. Além disso, ganham 200 megabytes de internet no telemóvel (2,85 euros por semana dá 500 megabytes mensais e 4,40 euros por semana acumula dois gigabytes). As restantes comunicações de voz custam entre 20,6 e 36 cêntimos e as mensagens entre 15,4 e 36 cêntimos.

Há outros tarifários semelhantes em alternativa, embora mais caros. O Meo Link, o Vodafone Extreme e o Nos Mais têm todos uma mensalidade de 8,25 euros. Não há limites de comunicações (voz, vídeochamadas, mensagens escritas e multimédia) para os subscritores dos mesmos tarifários (e outros específicos). As chamadas de voz para outros destinos nacionais têm um preço máximo de 36 cêntimos por minuto e a mensagens escritas de 15,4 cêntimos. Incluem 150 megabytes de internet no telemóvel.