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Comece sempre pelo pé direito quando se aventurar pela sinuosa escada de madeira, a mesma que há 150 anos faz a ligação entre pisos na discreta oficina do Bairro Alto — só assim se garante a sincronia entre o movimento das pernas e o número de degraus, recomenda-nos o nosso guia. Lá em cima, na salinha onde se amontoam peças e referências várias, assiste-se a literal trabalho de ourives. À nossa frente, o nome da virtuosa parece ter sido manufaturado com idêntico e profético zelo profissional.

Fátima, assim se chama a artífice, é o vínculo mais próximo que resta a esses idos anos 40 de boa memória para esta morada. Foi aprendiz de Carlitos, então também ele a dar os primeiros passos na casa, e um dos nomes que laborou na confeção das célebres coroas de Nossa Senhora, uma empreitada com o selo da quase bicentenária marca Leitão&Irmão. “Aqui temos a medalha nova, a chamada cruz preciosa, com um bocadinho de inspiração dalidiana, abaolada, descreve Jorge Leitão. “O Carlitos corria atrás dela com um martelo, eram outros tempos de aprendizagem…”, brinca o mestre de cerimónias. “Temos aqui um trabalho muito subtil, o que interessa é que a peça seja bonita no fim”.

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