Dark Mode 96,7 kWh poupados com o MEO
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Hoje é um bom dia para mudar os seus hábitos. Saiba mais

i

Rui Rio tenta ter pelo menos um evento público no exterior por semana para dar o exemplo

Rui Oliveira/Observador

Rui Rio tenta ter pelo menos um evento público no exterior por semana para dar o exemplo

Rui Oliveira/Observador

Equipas espelho, almoço no Tejo, bancada virtual e o fim de "Passos". O desconfinamento do PSD /premium

Metade dos trabalhadores já regressaram à sede em equipas que trocam a cada 15 dias. Rio tem pelo menos um evento por semana (só tendo em conta agenda oficial). Reunião da bancada foi pelo Zoom.

    Índice

    Índice

À entrada da sede do PSD na rua São Caetano à Lapa ainda continua lá o aviso dentro de uma mica afixada com pioneses: a porta está fechada “em virtude do Covid-19” e, por isso, é preciso “tocar à campainha”. Passaram 76 dias sem que Rui Rio desse uma declaração pública na sede nacional até que a 28 de maio apresentou as medidas para uma resposta à pandemia na área social. Minutos antes de o líder falar, o vice-presidente da bancada, Adão Silva, dirigia-se aos jornalistas: “Ah, valentes. Ah, resistentes”, como que surpreendido por ver pessoas naquele espaço. Três dias depois, metade dos funcionários voltaram à sede. No desconfinamento, Rui Rio sai pelo menos uma vez por semana à rua e, mesmo que continue a rejeitar taticismo, até já tem almoços à beira Tejo com o Presidente da República e potencial candidato presidencial fora da agenda. Esta quinta-feira fez-se também história no PSD: decorreu a primeira reunião da bancada parlamentar por videoconferência.

O aviso à porta da sede nacional do PSD, na rua de São Caetano à Lapa

Com a declaração do estado de emergência, o PSD enviou, em meados de março, todos os funcionários para casa. O secretário-geral do PSD, José Silvano, explica ao Observador que “o partido decidiu a partir de 1 de junho, data da última fase de desconfinamento fazer uma nova orientação: 50% dos trabalhadores de cada direção de serviços da sede, que é onde estão essencialmente os funcionários, começavam a trabalhar presencialmente.”

José Silvano explica que, antes deste regresso, foram “compradas máscaras” e reforçou-se o álcool gel para que os funcionários tenham “todas as condições de segurança” enquanto estão na São Caetano. São cerca de 60 trabalhadores que estão divididos em dois grupos. “De 15 em 15 dias, 50% regressam a casa e os outros 50% que estavam em teletrabalho, trabalham na sede. Vai rodando para que não se cruzem”. Desta forma, “nunca há mais de 30 trabalhadores na sede”. Além disso, foram protegidos os trabalhadores em grupos de risco, que continuam em casa e foram avaliados casos em que o teletrabalho foi produtivo.

Embora os funcionários tenham liberdade para marcar as férias como entenderem até 30 de setembro, foram dadas orientações para que aproveitassem estes tempos mais calmos até 30 de julho para o fazerem, o que também faz com que esteja menos gente na sede nacional.

Rui Rio e José Silvano têm ido muitas vezes à sede nas últimas semanas, uma vez que estão em Lisboa por causa das atividades parlamentares. Ainda assim, as reuniões da comissão política nacional continuam a decorrer por videoconferência. O secretário-geral também revela ao Observador que faz reuniões semanais com o grupo de coordenação autárquica e que essas continuam a ser videoconferência.

Da ria de Aveiro aos almoços no Tejo. Rio sai à rua para dar o exemplo

O ritmo de desconfinamento do líder tem acompanhado o do partido e do país. Logo na semana a seguir ao estado de emergência, o secretário-geral dos PSD antecipava uma “transição tímida e ténue” para o estado de calamidade em que o presidente passava a ter “alguma” agenda presencial. A 4 de maio, houve o primeiro desses encontros, com Rui Rio a receber o presidente da União das Misericórdias, Manuel de Lemos, e o provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto e seu amigo, António Tavares. Na reunião estiveram presentes mais duas pessoas: o deputado Álvaro Almeida e a deputada Clara Marques Mendes. Todos com as devidas distâncias.

José Silvano explica ao Observador que esse desconfinamento está a ser feito progressivamente e que Rui Rio “tenta ter uma ou duas iniciativas por semana no exterior”, para passar um sinal aos portugueses de confiança, de que também eles devem retomar as suas vidas.

Nesta semana, Rui Rio teve duas dessas saídas aos terreno: a 1 de junho visitou o colégio Nossa Senhora da Esperança,  no Porto, e esta quinta-feira, no âmbito do Dia Mundial do Ambiente, visitou a BioRia, em Estarreja.

Marcelo e Rio em novo “namoro” político no Vela Latina. Elogios ao programa económico e presidenciais à sobremesa

Paralelamente Rui Rio almoçou com o Presidente da República, num encontro que estava fora da agenda de ambos, mas que significa uma reaproximação do PSD a Marcelo Rebelo de Sousa. E vice-versa. O presidente social-democrata intensificou a aproximação ao chefe de Estado — por exemplo, em declarações públicas, como a desta sexta-feira à TSF — e almoçou com o presidente pela segunda vez em duas semanas. Há um motivo para esta nova realidade: ambos querem evitar a excessiva colagem do atual Presidente ao PS, que se tornou mais evidente com o desejo manifestado por António Costa que Marcelo fosse reeleito. O almoço desta sexta-feira ocorreu no restaurante Vela Latina, junto ao rio Tejo.

Rui Rio e Marcelo Rebelo de Sousa almoçaram esta sexta-feira no restaurante Vela Latina

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Quanto a agenda pública e presencial, o presidente do PSD esteve igualmente presente nas sessões Assembleia da República para as obrigações como deputado, embora tivesse deixado para o vice-presidente da bancada, Adão Silva, a confrontação ao primeiro-ministro durante o debate quinzenal desta quarta-feira.

Eleições na bancada e a primeira reunião por Zoom

Rui Rio é acusado de reunir pouco com o grupo parlamentar e isso até já motivou críticas internas, como as do deputado do PSD, Pedro Rodrigues. A última reunião tinha ocorrido a 12 de março, na última semana mais “normal” da vida do país antes do confinamento. Mas esta quinta-feira, entre as 11h15 e a 13hoo houve uma reunião via Zoom. A reunião não foi muito participada e — ao contrário do que tinha acontecido na reunião das distritais, em que os dirigentes se viam uns aos outros — a maior parte dos deputados tinha a câmara desligada, pelo que a participação foi só via áudio. “Isto não propicia muito o confronto”, refere um deputado ao Observador.

Deputado do PSD Pedro Rodrigues demite-se de coordenador em divergência com Rio

A reunião da bancada por videoconferência, segundo vários deputados relataram ao Observador, foi mais prática com os vários vice-presidentes a fazerem um balanço do trabalho feito e do que será agendado nas próximas semanas. Rui Rio, como disse um deputado ao Observador, foi “mais uma espécie de moderador”.

Também não se falou de orçamento suplementar, mas deputados ouvidos pelo Observador disseram que “essa é uma discussão que vai ter de ocorrer”. Ou seja: terá de haver uma nova reunião de bancada antes de ser decidido o sentido de voto do orçamento suplementar.

Em breve, Rui Rio vai deixar de ser líder parlamentar. As eleições para a sua sucessão chegaram a estar marcadas para dia 19 de março, mas com as restrições impostas pela pandemia, o processo foi adiado. Não se falou em calendários, mas um dirigente do PSD disse ao Observador que vão ocorrer “o mais depressa possível” previsivelmente “na semana a seguir à semana dos feriados”.

Adão Silva deverá ser eleito o novo líder parlamentar em breve. Escrutínio deve ocorrer na semana que vai de 15 a 19 de junho

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O primeiro vice-presidente da bancada Adão Silva — que tem sido na prática o líder parlamentar nas questões mais burocráticas e de gestão interna — será candidato único à presidência do grupo parlamentar. A lista de Adão Silva irá incluir cinco vice-presidentes da atual direção (Afonso Oliveira, Carlos Peixoto, Clara Marques Mendes, Luís Leite Ramos e Ricardo Baptista Leite) e uma nova vice-presidente, também da confiança pessoal de Rui Rio, Catarina Rocha Ferreira (até aqui secretária) da liderança da bancada. Como secretários mantém-se Hugo Carneiro e junta-se o deputado eleito pelos Açores, António Ventura.

Nos coordenadores muita coisa ficará igual, mas há uma mudança mais do que anunciada: Pedro Rodrigues não será novamente escolhido para liderar os deputados na comissão de Trabalho e Segurança Social.

O fim de “Passos”, a freguesia. Longa vida a “Paços”, a freguesia

O PSD agendou para estes dias de desconfinamento projetos em várias áreas. A 4 de junho, o PSD apresentou em plenário projetos para alterar a Lei das Finanças das Regiões Autónomas, bem como estabelecer a remissão à região autónoma da Madeira os encargos decorrentes do empréstimo do programa de assistência ao arquipélago, de forma a região ter “meios financeiros” para combater os efeitos da pandemia. Também esta semana recomendou um estudo sobre o financiamento das IPSS.

Quanto à próxima semana, o PSD vai apresentar uma recomendação ao governo para aplicar a taxa reduzida do IVA “substâncias nutrientes ou nutrimentos (vitaminas e minerais) que reforcem o sistema imunológico humano.

Nesse mesmo dia, o PSD apresenta um projeto de lei para a “alteração da denominação da freguesia de Passos, no município de Fafe, para Paços”. A graça desta pequena alteração é que a freguesia partilhava, até aqui, o nome com o apelido do antecessor de Rui Rio e agora é o PSD a solicitar que a localidade se deixe de chamar “Passos”.

No documento que sustenta a alteração do nome, a freguesia de Passos diz que “Passos é um erro ortográfico grave” que se repete há vários anos. A palavra, segundo os argumentos de quem quer mudar o nome da freguesia, vem da palavra latina palatium, que evoluiu para o português arcaico paaço e para paço no português atual. Daí que não haja dúvidas que a freguesia se deve chamar Paços e não Passos.

Curiosidade à parte, o PSD tem irá ainda apresentar um projeto de lei para fazer uma alteração na lei relativa ao acompanhamento das Parcerias Público-Privadas (PPP) e um outro para a “reparação das injustiças fiscais contra os pensionistas”.

Já há 55 eleições internas marcadas no PSD

Nas estruturas locais, nas bases do partido, também se procura recuperar o tempo perdido. Nas últimas duas edições do Povo Livre — jornal oficial do partido, que continuou publicado na pandemia — foram já marcadas eleições em 55 estruturas do partido: seis distritais, 45 concelhias e quatro núcleos. E vêm aí mais eleições a caminho.

Críticos hibernam: Como as autárquicas são a vacina de Rio contra os “vírus” do PSD

Apesar da vaga de eleições, Rui Rio não deve enfrentar grande oposição interna. Mesmo nas distritais que não controla ou não tem possibilidade de vencer, os críticos internos não têm interesse em fazer guerrilha interna até às eleições autárquicas.

As autárquicas também estão a ser preparadas, em parte via zoom, com a comissão de coordenação autárquica a fazer reuniões com todas as estruturas por videoconferência.

Autárquicas. Rio avisa distritais que é ele quem escolhe candidatos de Lisboa e Porto e não descarta coligações com o PAN

Recomendamos

A página está a demorar muito tempo.