A sabedoria popular, alicerçada em alguns estudos sobre o assunto, diz que se deve reservar os bilhetes de avião com um mínimo de seis meses de antecedência. Todavia, este princípio é muito redutor. Não revela, por exemplo, se as passagens aéreas ficam ainda mais baratas se comprar oito meses antes das férias.

Para clarificar a sabedoria popular, o Observador analisou diariamente o preço de nove viagens durante o ano de 2015. O estudo acompanhou as flutuações dos preços dos voos de ida e volta na TAP Portugal para Londres, Nova Iorque e Praga na primeira semana de junho, setembro e dezembro.

Concluímos que a antecedência ideal para comprar os bilhetes de avião é entre cinco e sete meses, o que coincide com o princípio popular. Dentro deste intervalo, a flutuação dos preços é reduzida. Em média, o preço mais baixo foi encontrado 212 dias, cerca de sete meses, antes da partida.

Porém, comprar com uma antecedência superior a sete meses não é económico: regra geral, os preços apresentam uma tendência descendente desde que são colocados à venda (um ano antes da partida, pelo menos). Em média, as passagens custam mais 24%.

Entre dois meses e cinco meses antes do voo, os preços são 17% mais altos do que no período mais económico. Isto significa que é mais barato comprar os bilhetes das próximas férias com dois a cinco meses de antecedência do que com mais de sete meses de antecipação.

Nos 30 dias antes do voo, a volatilidade dos preços é muito elevada. Com sorte, é possível adquirir as passagens baratas, embora seja um risco: em média, custam mais 44% do que no período entre cinco e sete meses antes da partida.

O estudo do Observador não foi exaustivo, não incluindo uma análise a mais do que uma companhia aérea, por exemplo. Em algumas situações (como viagens para eventos como os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro), as descobertas podem não fazer sentido.

Agora é o momento certo

As conclusões da análise do Observador indicam que quem planeia gozar férias no estrangeiro entre junho e julho de 2016 deve começar planear (e reservar) o seu descanso de verão.

Para os ajudar a descobrir as capitais mais económicas para visitar, compilámos os custos de alojamento, de voos e de alimentação em 53 destinos internacionais. O outro canto da Europa – em particular as cidades de Varsóvia, Moscovo e Budapeste – é onde poderá poupar mais dinheiro nas férias.

Vá para leste em 2016: Além de Espanha, o centro e o leste da Europa são os destinos mais baratos.

Mapa dos destinos mais económicos para as férias de 2016.

Para desenhar o mapa anterior, simulámos a despesa ao longo de uma viagem de uma pessoa entre 28 de junho e 4 de julho de 2016. Foram pesquisados os voos mais baratos para a cidade servida pelo aeroporto de cada país com mais tráfego internacional ou para a capital, na falta desta informação. Usámos o motor de pesquisa do Skyscanner.

Para o alojamento, calculámos a média do custo de seis noites em cinco hotéis de quatro estrelas na mesma cidade. A pesquisa usou o comparador Trivago, filtrando pelos hotéis com classificação mais alta e, no máximo, a cinco quilómetros do centro da cidade.

Para deduzir as despesas alimentares, aplicámos o índice Big Mac: um estudo periódico da revista The Economist que agrega os preços dos hambúrgueres da McDonald’s em dezenas de países. Nas simulações, assumimos uma despesa por refeição equivalente a cinco vezes o preço local de um Big Mac. Em Portugal, as refeições ficariam em 15 euros. Não recomendamos que os turistas comam unicamente hambúrgueres durante as viagens. Os Big Mac são apenas uma referência para o custo da alimentação em restaurantes locais.

Europa tão perto

Três quartos dos turistas da União Europeia não saem da região dos 28 países-membros. Espanha, Itália, França e Reino Unido absorvem mais de metade dos viajantes, segundo o Eurostat, o gabinete de estatísticas da União Europeia. Contudo, apenas a capital espanhola está entre os destinos mais económicos para visitar em 2016, segundo a análise do Observador.

Varsóvia, Polónia

Depois de anos de crescimento de dois dígitos, o número de visitantes turísticos na Polónia estabilizou nos 16 milhões por ano. Varsóvia, a décima cidade mais populosa da União Europeia, é o íman polaco para atrair viajantes. A capital foi destruída na Segunda Guerra Mundial, mas o ritmo de recuperação foi acelerado. Varsóvia pode ser um trampolim para conhecer Cracóvia, a 300 quilómetros, e o litoral de Gdansk, 40 quilómetros mais longe.

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O centro histórico e o castelo atraem turista a Varsóvia. Fotografia: Olaf1541.

Varsóvia destaca-se por ter os hotéis de quatro estrelas mais baratos entre os 53 destinos analisados pelo Observador. Cerca de 55 euros são suficientes para passar uma noite num quarto duplo num hotel de quatro estrelas próximo do centro da cidade. O alojamento económico alia-se a refeições e passagens aéreas entre as mais baratas.

Moscovo, Rússia

A Rússia continua a sofrer com o preço baixo do petróleo. A descida do rublo, a divisa russa, oferece grandes descontos numa viagem a Moscovo. Se se sentar no McDonald’s ao lado do Kremlin paga 107 rublos por um Big Mac, o que equivale a menos de um euros e meio. Ou seja, custa metade do preço do mesmo hambúrguer em Portugal.

A Catedral de São Basílio é um dos pontos altos da visita à capital russa. Fotografia: Alvesgaspar.

Os voos são o único elemento menos barato no planeamento de uma viajem à Rússia. A Lufthansa garante o transporte até ao aeroporto moscovita de Domodedovo a partir de Lisboa por cerca de 270 euros, com escala em Frankfurt no início do verão de 2016.

Budapeste, Hungria

Os 12 milhões de turistas que visitam a Hungria todos os anos ultrapassam o número de habitantes do país da Europa Central. O número não deverá ficar por aí, porque os turistas continuam a aumentar. Em 2014, o número de turistas na nação magiar aumentou 13,7%, segundo a Organização Mundial de Turismo.

A ponte Széchenyi liga Buda e Peste sobre o Danúbio.

Desde a cozinha, que se expande muito além do gulache, à arquitetura, em particular Art Nouveau, passando pelos vários estilos de banhos públicos, como turcos e modernos, há muito para ver e viver em Budapeste. O Palácio Real e as pontes sobre o Danúbio são as atrações favoritas dos turistas.

Madrid, Espanha

Espanha é o país europeu que mais fatura na indústria do turismo, segundo a Organização Mundial de Turismo. A instituição estima que, em 2014, a nação vizinha tenha recebido cerca de 54 mil milhões de euros dos viajantes, um aumento de 4,2% face ao ano anterior. A capital do reino espanhol deve absorver uma boa porção das receitas.

A Praça Maior, com lojas sob os pórticos, é um ponto turístico. Fotografia: Sebastian Dubiel.

Embora a proximidade de Madrid permita adquirir voos de ida e volta por menos de 60 euros, o preço mais baixo entre todos os destinos analisados, a cidade espanhola não lidera esta lista porque as refeições estão entre as mais caras. O alojamento fica a meio da tabela: um noite num quarto duplo custa cerca de 119 euros num hotel de quatro estrelas no início do próximo verão.

Kiev, Ucrânia

Antes de haver Rússia e Ucrânia e muito antes de os dois países cortarem as relações diplomáticas, já existia Kiev. É por isso que a capital ucraniana é uma fonte de conhecimento e património históricos, com destaque para a Catedral de Santa Sofia e o Mosteiro de Kiev-Petchersk.

A estátua da Mãe Pátria, no Museu da Grande Guerra Patriótica, em Kiev.

A Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros avisa que “a atual situação de crise política nas regiões a leste e sul da Ucrânia que envolve confrontos públicos entre os separatistas e as forças armadas governamentais desaconselham quaisquer deslocações não essenciais a estas regiões da Ucrânia”. É um destino para os mais aventureiros. Não é por acaso que o número de visitantes caiu para metade em 2014, segundo a Organização Mundial de Turismo.

Salto fora da Europa

Viajar para a Europa é claramente mais barato do que sair do continente. Os destinos mais caros são atualmente a Nova Zelândia e a Austrália (voos caros) e o Canadá e os Estados Unidos da América (alojamento inflacionado). A fraqueza do euro a nível internacional – há um ano, bastavam 80 cêntimos para comprar um dólar norte-americano; agora, são precisos 92 – aumenta o custo de viagens para longe, mas o Observador encontrou as cinco opções mais económicas.

Istambul, Turquia

Não está completamente fora da Europa: Istambul está dividida entre o Velho Continente e a Ásia pelo estreito do Bósforo. Porém, um voo para a cidade mais populosa da Turquia – e uma das maiores a nível global – é uma viagem a um outro mundo. Desde os tempos de Bizâncio, que Istambul está a acumular património que merece ser conhecido pelos lusos.

A Mesquita do Sultão Ahmed (conhecida como Mesquita Azul) é um dos edifícios mais fotogénicos de Istambul.

A Turkish Airlines permite voar até à atual Constantinopla por cerca de 300 euros no próximo verão, um preço que pode ser reduzido em 25% noutras companhias aéreas se houver margem para uma escala em Frankfurt ou Zurique. O alojamento está entre os mais baratos entre os analisados pelo Observador. Uma noite num quarto de casal num hotel de quatro estrelas custa, em média, menos de 80 euros.

Pequim, China

Umas férias na capital chinesa podem ficar cerca de 25% mais caras do que um descanso em Istambul, mas o exotismo não fica aquém da cidade turca. A Grande Muralha da China, a Cidade Proibida e o Templo do Céu são os porta-estandartes da cultura e do turismo chinês, mas há outros menos conhecidos que merecem a visita, como o Templo de Verão, bem como experiência únicas, como uma ida ao teatro tradicional e uma prova do verdadeiro pato à Pequim.

O Templo do Céu é um dos monumentos mais procurados. Fotografia: Trey Ratcliff.

É possível adquirir um voo para Pequim na Air China em várias cidades europeias, como Madrid e Frankfurt, o que eleva o custo das passagens aéreas para perto de 400 euros por pessoa. Esta fatura é mais do que compensada pelos preços moderados dos restaurantes e dos hotéis.

Cairo, Egito

Quem visita o Cairo é obrigado a visitar algumas pirâmides, a Grande Esfinge de Gizé e o Museu Egípcio, que alberga o tesouro do faraó Tutancámon. Mas a capital egípcia têm muitos mais interesses, como um dia de compras no mercado Khan el-Khalili e uns passeios pelas ruas labirínticas, pelas mesquitas e pelas madraças do Cairo islâmico.

The minaret's of mosques are pictured in Cairo on November 8, 2014. AFP PHOTO / MOHAMED EL-SHAHED (Photo credit should read MOHAMED EL-SHAHED/AFP/Getty Images)

O Cairo não vive só de pirâmides. Fotografia: Mohamed El-Shahed/AFP/Getty Images.

Ao nível das finanças pessoais, as refeições no Cairo estão entre as mais económicas. Vale a pena aproveitar para experimentar o centenário kushari – um prato tradicional composto por arroz, massa, grão, tomate, cebola e lentilhas – e arriscar na cozinha egípcia mais moderna.

Joanesburgo, África do Sul

Os voos para a cidade mais populosa da África do Sul podem não estar ao alcance de muitas carteiras. Seiscentos euros por pessoa podem ser insuficientes para viajar até Joanesburgo, com uma escala obrigatória numa cidade europeia, como Frankfurt ou Munique. Todavia, se lá chegar, saiba que o custo de vida é baixo: as refeições estão entre as mais baratas (anda mais do que no Cairo) e as estadas também (cerca de 70 euros por noite num quarto duplo).

O centro financeiro é um postal popular de Joanesburgo. Fotografia: Lars Haefner.

A Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas aconselha os visitantes a evitarem o centro de Joanesburgo. “Com facilidade se evita o centro, área considerada de maior risco, visto que os principais focos de interesse para turistas se desviaram para os arredores (como Sandton e Rosebank)”, avisa. Os bairros de Newtown e de Braamfontein, que se destacam pela oferta cultural, também devem atrair a atenção dos viajantes.

São Paulo, Brasil

Quando cambiado por euros, o real está barato: a cotação desceu 25% desde o início de 2015. Uma noite num quarto duplo de um hotel de quatro estrelas custa menos de 70 euros por noite em São Paulo. Pode ser uma oportunidade para visitar a maior cidade brasileira.

Uma vista área da Avenida Paulista. É o centro de negócios e da cultura da região. Fotografia: Lucas Chiconi.

São Paulo é uma cidade vibrante graças a diversidade cultural. Nesta metrópole de mais de 20 milhões de habitantes encontram-se a maior comunidade de descendentes de japoneses fora do Japão e de italianos fora de Itália. São também fertéis os grupos de descendentes de chineses, árabes, alemães, espanhóis, coreanos e, naturalmente, portugueses.