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Trump e Biden enfrentaram-se durante mais de hora e meia num debate muito diferente do primeiro

POOL/AFP via Getty Images

Trump e Biden enfrentaram-se durante mais de hora e meia num debate muito diferente do primeiro

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Fact check. Covid-19, China e ambiente: 5 mentiras e falsidades do debate Trump-Biden /premium

Donald Trump foi quem mais recorreu a afirmações falsas ou enganadoras durante o debate, mas Joe Biden também fugiu à verdade algumas vezes. Cinco fact checks ao debate presidencial nos EUA.

O segundo debate entre Donald Trump e Joe Biden foi muito mais calmo no tom do que o primeiro — mas nem por isso se disse apenas a verdade. Por diversas vezes durante o confronto desta quinta-feira, o Presidente e o antigo vice-presidente fugiram à verdade nas acusações que lançaram um ao outro, embora Trump tenha mentido mais vezes do que Biden.

Trump e Biden baixam o tom em debate final, mas trocam acusações sobre racismo, ambiente e negócios no estrangeiro

O Politifact (membro da International Fact-Checking Network, IFCN, uma plataforma de fact checkers de que o Observador também faz parte) verificou 25 afirmações feitas durante o debate: 15 de Trump (que se revelaram todas falsas, enganadoras, sem provas ou descontextualizadas) e 10 de Biden (das quais cinco se concluiu serem enganadoras, falsas ou descontextualizadas).

Da pandemia ao ambiente, passando pelos negócios com países estrangeiros, ambos os candidatos fugiram várias vezes à verdade. Neste artigo, com base no trabalho da imprensa norte-americana, o Observador verifica cinco afirmações feitas por Trump e Biden no último debate antes da eleição presidencial, que decorre a 3 de novembro.

A conta bancária de Trump na China foi encerrada em 2015?

A frase

A conta a que se está a referir foi aberta em 2013 e fechada em 2015.”

Donald Trump

Os negócios dos candidatos em países estrangeiros foram um dos temas centrais do debate desta quinta-feira. Donald Trump foi particularmente confrontado com uma notícia publicada esta semana pelo The New York Times que dá conta da existência de uma conta bancária na China em nome do Presidente dos Estados Unidos, através de uma das suas empresas, através da qual Trump tem feito negócios naquele país.

No debate, Trump argumentou que essa conta foi encerrada em 2015, antes de se candidatar à Presidência norte-americana.

Porém, a afirmação do Presidente contradiz diretamente aquilo que Alan Garten, advogado da Trump Organization, disse ao The New York Times. O advogado confirmou a abertura “de uma conta num banco chinês com escritórios nos EUA de modo a pagar os impostos locais”, uma vez que o Presidente pretendia iniciar negócios relacionados com a hotelaria naquele país. “Nenhum acordo, transação ou outro negócio se chegou a materializar e, desde 2015, o escritório tem estado inativo”, acrescentou o advogado, salientando que “embora a conta bancária continue aberta, nunca mais foi usada para qualquer outro propósito”.

CONCLUSÃO

De acordo com o próprio advogado que representa Trump, a conta bancária permanece aberta. Embora não tenha sido usada desde 2015, continua a existir e pode ser usada a qualquer momento. A declaração de Trump é errada.

ERRADO

O défice comercial dos EUA com a China é maior do que no mandato de Obama?

A frase

Ele fez com que o défice com a China subisse e não que descesse.”

Joe Biden

O défice comercial entre dois países é, basicamente, a diferença entre as exportações e as importações. Atualmente, os EUA têm um défice comercial com a China, o que significa que importam mais bens e serviços chineses do que exportam bens e serviços americanos para a China.

O candidato democrata, Joe Biden, acusou Donald Trump de aumentar o défice comercial dos EUA com a China

Getty Images

À semelhança do que já tinha feito no debate anterior, Joe Biden argumentou esta quinta-feira que Donald Trump fez o défice comercial com a China subir.

Contudo, os números oficiais mostram o contrário. Em 2019, o défice comercial dos EUA com a China em termos de bens e serviços era de 307.842 milhões de dólares. Trata-se de um número inferior ao registado nos últimos três anos do mandato de Obama (com Biden como vice-presidente). Em 2016, o défice era de 310.357 milhões de dólares.

A campanha de Biden tem procurado justificar o argumento do democrata explicando que ele se tem referido apenas ao défice comercial apenas relativo a bens (excluindo os serviços), embora não explique porque é que escolhe olhar para aquele indicador. Aí, é verdade que o défice comercial tem sido superior durante o mandato de Trump do que no mandato de Obama (ainda que tenha descido em 2019).

CONCLUSÃO

O indicador mais adequado para tirar a conclusão que Joe Biden pretende seria o défice comercial em bens e serviços. Nesse caso, é mentira que seja hoje maior do que em 2016. Só olhando apenas para o défice em termos de bens é que é verdade que o valor é maior do que em 2016.

ENGANADOR

Anthony Fauci é do Partido Democrata?

A frase

Ouço-os todos, incluindo o Anthony, dou-me muito bem com o Anthony. Mas ele disse ‘não usem máscara’, ele disse ‘isto não vai ser um problema’. Acho que ele é democrata, mas está tudo bem.”

Donald Trump

Praticamente desde o início da pandemia, Donald Trump entrou em rota de colisão com Anthony Fauci, o principal especialista dos EUA em doenças infecciosas, presidente do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas e o cientista responsável pela resposta norte-americana à pandemia da Covid-19. Fauci chegou a desautorizar publicamente Trump sobre o uso de máscaras e os comportamentos individuais a adotar para impedir a difusão do vírus.

Esta semana, durante uma chamada interna da campanha republicana, Trump atacou diretamente o cientista. “As pessoas estão fartas de ouvir o Fauci e esses idiotas”, disse o Presidente aos seus apoiantes.

Confrontado com esta declaração no debate, Trump disse que se dá bem com o cientista, mas alegou que Fauci é “democrata” — no sentido de ser um apoiante do Partido Democrata e, portanto, seu adversário político.

Já não é a primeira vez que Trump sugere que Fauci é um apoiante do Partido Democrata — e a informação já foi desmentida. De acordo com o Politifact, Fauci está registado como eleitor independente desde 1984 em Washington, DC.

Desde esse ano que Fauci lidera o organismo público responsável pela prevenção de doenças infecciosas, tendo trabalhado sob a liderança de quatro presidentes republicanos e dois democratas. “Nas minhas quase cinco décadas de serviço público, nunca apoiei publicamente nenhum candidato político”, disse recentemente o médico à CNN, depois de declarações suas terem sido descontextualizadas e usadas num anúncio de campanha de Donald Trump.

CONCLUSÃO

Ao contrário do que Donald Trump sugeriu no debate, o médico Anthony Fauci não é do Partido Democrata, não está registado como eleitor democrata nem apoiou publicamente qualquer candidato.

ERRADO

Só os estados governados por republicanos estão a ter um pico de casos de Covid-19?

A frase

Olhem para os estados que estão a ter um pico. São os estados vermelhos, os estados do Midwest. É onde o pico está a ocorrer significativamente.”
Joe Biden

O candidato democrata rejeitou, durante o debate, olhar para os Estados Unidos em termos de estados “vermelhos” ou “azuis” — ou seja, republicanos ou democratas —, para logo a seguir usar esse exato argumento para criticar a forma como Donald Trump e os republicanos têm gerido a resposta à pandemia, argumentando que os picos de disseminação do vírus se estão a verificar nos estados geridos pelos republicanos.

Embora seja verdade que muitos dos estados governados por republicanos tenham registado grandes subidas do número de casos positivos nas últimas semanas, esta não é uma realidade exclusiva daqueles estados. O The New York Times aponta pelo menos cinco estados governados por democratas onde a pandemia se tem agravado profundamente nas últimas semanas: Virginia, Rhode Island, New Mexico, Colorado e Washington.

Na verdade, os dados da pandemia nos Estados Unidos desagregados por estados mostram o aparecimento de picos em grande parte dos territórios norte-americanos, sem uma divisão evidente entre estados governados por democratas e republicanos.

Os Estados Unidos continuam a ser o país do mundo mais afetado pela pandemia da Covid-19. De acordo com os dados da Universidade Johns Hopkins, os EUA já registaram 8,4 milhões de casos de Covid-19. Trata-se de 20% de todos os casos diagnosticados a nível global. No país já morreram 223 mil pessoas devido à doença (19,6% das mortes a nível mundial).

Nas últimas semanas, os EUA têm registado um aumento significativo do número de casos, encaminhando-se para um terceiro pico da pandemia.

CONCLUSÃO

Joe Biden procurou atacar diretamente o Presidente Trump e o Partido Republicano argumentando que são os estados governados por republicanos que estão a verificar picos da pandemia. Não é correto fazer esta distinção: os EUA estão a ser afetados por um grande aumento do número de casos de Covid-19 e essa realidade está a verificar-se tanto em estados “azuis” como em estados “vermelhos”.

ERRADO

Joe Biden é contra o fracking?

A frase:

Ele vai atrás do fracking, ‘não vamos ter fracking’. Depois, vai à Pensilvânia assim que é nomeado e diz ‘oh, vamos ter fracking‘.”

Donald Trump

fracking, um método de extração de gás natural e petróleo do solo através da injeção de água, pode parecer um tema bizarro para se tornar central numa campanha eleitoral — mas há uma lógica por trás disto. Em três estados de grande relevância para a decisão eleitoral (Pensilvânia, Ohio e Texas), dezenas de milhares de empregos dependem desta atividade. Porém, a atividade não é propriamente amiga do ambiente.

O Presidente norte-americano procurou expor uma contradição no discurso de Biden a propósito do fracking, mas o democrata já esclareceu a sua posição

Getty Images

Para Joe Biden, este tem sido um equilíbrio difícil de gerir. O candidato democrata defende que é necessário fazer uma transição nas fontes de energia para que dentro de dez anos não seja preciso recorrer a fontes não-renováveis. Uma das medidas do seu plano ambiental passa por proibir o fracking em terrenos públicos, mas sem impor essa proibição ao setor privado na produção de energia.

Essa medida permitiria manter a atividade nos próximos anos, aliando-a a esforços de compensação das emissões de dióxido de carbono a ela associadas, defende Biden — e, claro, agradar aos eleitores dos estados onde o fracking é uma atividade central.

Donald Trump tem, repetidas vezes, tentado expor uma suposta contradição no discurso de Biden, alegando que o democrata é contra o fracking, mas que, quando se dirige aos eleitores que dependem da atividade, já se posiciona favoravelmente. Porém, na verdade, Biden nunca disse que quer banir a atividade no próximo mandato. Aliás, o democrata já afirmou explicitamente que se opõe a uma proibição total.

CONCLUSÃO

Joe Biden já disse que pretende proibir o fracking em terrenos públicos, mas disse também que não é favorável a uma proibição total da atividade no curto prazo. A frase de Donald Trump, que procura forçar uma contradição no discurso de Biden, é enganadora.

ENGANADOR

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