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Para Jim Costa, os Estados Unidos são um "país incrível" que permitiu que pessoas que "nem tinham dinheiro, nem falavam inglês" pudessem subir a pulso, tal como aconteceu com a sua família
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Para Jim Costa, os Estados Unidos são um "país incrível" que permitiu que pessoas que "nem tinham dinheiro, nem falavam inglês" pudessem subir a pulso, tal como aconteceu com a sua família

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Para Jim Costa, os Estados Unidos são um "país incrível" que permitiu que pessoas que "nem tinham dinheiro, nem falavam inglês" pudessem subir a pulso, tal como aconteceu com a sua família

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

"Fiz pressão para que houvesse ataques na Rússia." O congressista com raízes portuguesas que influencia Biden a apoiar a Ucrânia

Jim Costa, congressista com avós da Terceira, defende que EUA devem continuar a apoiar Kiev e diz que fez "pressão" junto à administração Biden para que Ucrânia pudesse atacar alvos dentro da Rússia.

Em setembro de 2022, Jim Costa esteve na Ucrânia. O membro da Câmara dos Representantes, neto de portugueses que emigraram da ilha Terceira, nos Açores, recorda ao Observador o cenário de destruição que testemunhou em Bucha, nos arredores de Kiev. “Era um bom bairro. Foi atacado e ficou totalmente em chamas durante a segunda semana da invasão” que começou em fevereiro de 2022. Dessa visita, o congressista lembra igualmente que as ruas e praças da capital ucraniana estavam “vazias”.

“Um ano depois”, muito mudou. Jim Costa voltou à capital ucraniana. “O trânsito estava normal, as ruas tinham muita gente, as lojas e os restaurantes estavam abertos e as pessoas comiam nas esplanadas”, diz o congressista, que esteve em Lisboa esta segunda-feira a propósito do oitavo Legislators Dialogue, organizado pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD). Para esse clima pacífico em Kiev, contribuiu, segundo salienta, o facto de os Estado Unidos da América (EUA) terem enviado os sistemas de defesa aéreo Patriot em abril de 2023.

O congressista democrata tem sido uma das vozes mais fortes a favor do envio de ajuda militar, financeira e apoio humanitário dos Estados Unidos para a Ucrânia. Ainda que não saiba precisar o tempo que durará esta guerra, Jim Costa insiste que é importante “apoiar” Kiev. Pessoalmente, diz mesmo que “fez pressão” junto à administração Biden para que os ucranianos pudessem atacar a “longo alcance”, com o recurso a armas norte-americanas, território russo perto de Kharkiv.

O congressista democrata tem sido uma das vozes mais favoráveis do envio de ajuda militar, financeira e apoio humanitária pelos Estados Unidos para a Ucrânia

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

“Poria Putin na mesma lista do que Saddam Hussein”, diz Jim Costa

Tendo estado na Ucrânia “três meses nos últimos 18 meses”, Jim Costa acompanha de perto o estado do conflito e garante que voltará ao país já “nos próximos meses”. Sobre a última proposta de cessar-fogo de Vladimir Putin — que adiantou que estaria disposto a negociar se as tropas ucranianas abandonassem as províncias de Donetsk, Kherson, Lugansk e Zaporíjia —, o congressista norte-americano é categórico: “Isso não é a base para um acordo”. 

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Num contexto em que cada vez mais norte-americanos contestam o apoio económico enviado para Kiev, Jim Costa recorda que o apoio europeu é “já o equivalente” ao norte-americano. “Muita gente dos EUA diz que é muito longe, que é um problema da Europa. Essas pessoas não entendem a ameaça”, afirma o congressista, que assinala que mantém contacto com o ministro dos Negócios Estrangeiro da Polónia, Radosław Sikorski, e outros políticos da Europa de Leste. “Eles sabem o que é viver na União Soviética”, frisa, elogiando o empenho polaco, romeno e dos três países Bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia) no apoio à Ucrânia.

Sobre o Presidente russo, o congressista, eleito pela cidade de Fresno, localizada no estado da Califórnia, não tem dúvidas. “É um criminoso de guerra. Ele bombardeou escolas e hospitais. Eu poria Putin na mesma categoria de Saddam Hussein [ex-Presidente do Iraque] e outros criminosos de guerra”, enfatiza, recordando que, em abril de 2022, foi “sancionado pelo Kremlin”. “É como uma medalha de honra”, ironiza, entre risos.

Jim Costa acompanha de perto o estado do conflito e garante que voltará ao país já "nos próximos meses

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A “invasão não provocada” da Ucrânia mostrou, diz Jim Costa, a “falta de respeito de Putin pela democracia, pelas nações democráticas e pelo Estado de Direito”. O chefe de Estado da Rússia continua a enfrentar o povo ucraniano “que luta pela sua soberania e pela sua democracia”. “Penso que o Presidente Biden, com o apoio forte europeu, realmente dá o apoio necessário para a Ucrânia se defender.”

Questionado sobre o atraso de cinco meses na Câmara dos Representantes para aprovar o pacote de ajuda de 60 mil milhões de dólares (cerca de 56 mil milhões de euros) para a Ucrânia, Jim Costa revela o seu desagrado com os republicanos, principalmente com o ex-Presidente e atual candidato republicano, Donald Trump, por causa da oposição à ajuda e a falta de consenso na política migratória — usada como moeda de troca para a aprovação do pacote.

“Nós temos um problema na fronteira. Precisamos de um novo plano. Tínhamos um novo plano e Trump disse que não queria. Que queria fazer campanha e usar o assunto para ser eleito”, denuncia o congressista democrata, classificando esta atitude como “ultrajante”.

Jim Costa culpa Donald Trump pelo atraso do envio de ajuda militar à Ucrânia

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

As eleições norte-americanas são um “momento histórico”, realça Jim Costa

Assumindo-se como um eterno estudante de “História mundial e norte-americana”, o congressista acredita que as próximas eleições presidenciais — entre o democrata Joe Biden e o republicano Donald Trump — vão ser “históricas” e terão um “impacto na Europa e em todo o mundo”. Ao grupo de estudantes com quem fala normalmente refere-lhes que será um “momento crucial na História”.

Lembrando os acontecimentos dos últimos tempos, Jim Costa elenca “a ascensão do populismo na Europa e nos Estados Unidos da América” e os “ataques nas redes sociais e em podcasts a instituições democráticas”. Fora do Ocidente, verifica-se, sublinha, a “ascensão de ditadores”, quer seja “na Rússia, na China, na Coreia do Norte ou no Irão”.

É neste contexto que se realizarão as eleições presidenciais norte-americanas, num mundo que, realça, “mudou” — particularmente desde 24 de fevereiro de 2022, data em que a Rússia invadiu a Ucrânia. Jim Costa lembra ainda as cerimónias dos 80 anos do Dia D a 6 de junho e a última cimeira do G7, dois eventos onde acredita que se desenhou uma “linha” entre democracias e autocracias.

Ucrânia no centro do dia D. Biden e Macron prometeram ajudar Zelensky contra aqueles que querem “mudar as fronteiras à força”

Aquela cerimónia, prossegue, mostrou às “nações em desenvolvimento” que existe uma “clara alternativa” — uma opção política baseada em “direitos humanos e liberdades, que se “desfruta em Portugal e nos Estados Unidos”. É isso que está em jogo nestas eleições e é “por isso que as eleições são tão importantes”, reitera, acrescentando que se espera que se tomem “mais boas decisões do que más” nos atos eleitorais “na Europa, nos EUA e entre os aliados”.

Interrogado sobre o que acontecerá se Donald Trump for reeleito, Jim Costa retorna ao dia 6 de janeiro de 2021. Naquele dia, enquanto se certificava o resultado das eleições no Capitólio, manifestantes pró-Trump invadiam a sede do poder legislativo norte-americano. “Estava nas galerias quando estavam a ser contados os votos. Fiquei encurralado”, lembra.

Nessa altura de desespero, em que a polícia tentava controlar os manifestantes, uma ideia não deixava de pairar na mente do congressista, que se assume como um “forte defensor dos valores democráticos”: “O quão frágil a democracia norte-americana podia ser”. É assim que explica que consequências pode haver se Donald Trump chegar novamente à Casa Branca.

Imagem cedida por Jim Costa sobre o que aconteceu no Capitólio a 6 de janeiro de 2021

Fotografia cedida por Jim Costa

Os avós que saíram dos Açores rumo aos EUA, que ainda continuam a ser a “terra das oportunidades”

Ao longo da entrevista, Jim Costa fez questão de mostrar ao Observador várias fotografias na Califórnia, onde vive. Apesar da distância, manteve sempre uma ligação a Portugal, de onde os seus avós são originários. Por exemplo, o congressista mostrou fotos de quatro azulejos, alguns que mostram a Ilha Terceira.

Foi daquela ilha açoriana que o avô partiu rumo aos Estados Unidos em 1897. “Ele tinha um irmão que trabalhava com vacas na Califórnia. E disse-lhe que, se trabalhasse com empenho, talvez tivesse mais oportunidades” do que se ficasse nos Açores. Ora, o avô de Jim Costa foi para a Califórnia aos 15 anos e nem disse nada “à mãe e ao pai”. “Tinha medo que não o deixassem sair aos 15 anos.”

Na altura, o avô até pensava que “pudesse ter sucesso” nos Estados Unidos e regressar aos Açores. “Ia ter uma vida de rei”, diz, entre risos, o congressista em português. Contudo, isso não aconteceu; o familiar nunca mais “viu os pais” e ficou nos Estados Unidos, onde construiu vida na Califórnia.

Os avós de Jim Costa são originários da Ilha Terceira, nos Açores

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Foi nesse momento que o avô se instalou na Califórnia que casou com uma mulher também originária da Terceira e que chegou àquele estado norte-americano em 1906, num comboio desde Boston. “Quando anunciei que ia ser congressista, em 2004, decidi anunciar a minha campanha na estação de comboio de onde a minha avó saiu”.

Para Jim Costa, os Estados Unidos são um “país incrível” que permitiu que pessoas que “nem tinham dinheiro, nem falavam inglês” pudessem subir a pulso, tal como aconteceu com a sua família. Esta mística, acredita o congressista, ainda está presente na América. “Há oportunidade se se souber trabalhar. As pessoas que querem ser bem-sucedidas, conseguem.”

 
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