A nossa entrevista a Francisca Van Zeller foi um tanto ou quanto atribulada. Não pela sua pontualidade britânica ou pelo cenário onde tudo aconteceu, a Quinta da Aveleda, em Penafiel, mas pelo facto de a conversa ter sido interrompida por mais que uma vez. A primeira porque o gravador deixou de funcionar, devido às altas temperaturas que se faziam sentir. A segunda vez porque, à sombra, fomos surpreendidas por grupo de produtores e, por isso, terminámos a entrevista a uns passos dali, num pequeno banco de pedra entre a vegetação. Valeu-nos a boa disposição de Francisca.

Aos três anos, o pai, Cristiano Van Zeller, mergulhou-lhe o dedo num cálice de vinho do Porto, aos 15 fez a sua primeira prova não profissional e aos 18 anos recebeu como presente de aniversário uma vinha plantada com o seu nome. É, aliás, esse vinho, o Quinta Vale D. Maria Vinha da Francisca, que está na garrafa que traz na mão. Orgulhosa, mostra-nos os quatro cantos da Quinta da Aveleda, em Penafiel, empresa que em 2017 comprou a Quinta Vale D. Maria. Há galos, pavões, cabras, eucaliptos com décadas, fontes imponentes e casas que fazem lembrar o universo de Harry Potter. É ali que divide os seus dias, entre o Douro, Porto, Lisboa e alguns dos principais mercados espalhados pelo mundo.

Francisca Van Zeller rendeu-se ao negócio de família em 2013, depois de ter estudado história em Londres e jornalismo em Madrid. Comunicar faz parte do seu ADN e nas suas raízes está a curiosidade. Para a enóloga, formação que tirou mais tarde, vender vinho é sinónimo de narrar boas histórias e para fazê-lo conta com o exemplo herdado dos pais e com a sua paixão e encanto pelo Douro, zona onde cresceu e até fez questão de viver. O apelido pesa-lhe, assim como a responsabilidade de gerir expectativas, mas nada que a impeça de arriscar. Com a experiência ganhou confiança e aos 32 anos dá nas vistas em apresentações, provas, formações, jantares vinícolas ou masterclasses, sendo brand manager da marca da família.

Não tem uma rotina, adapta-se a quase tudo e raramente tem medo. É uma mulher a liderar num mundo ainda muito masculino, embora garanta que as maiores barreiras e preconceitos vêm de si própria. Nesta conversa nunca perdeu o sorriso, mas emocionou-se, falou de lealdade, das memórias de infância e dos próximos desafios.

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