Fredrik Hjelm, da VOI: “Há um limite para o número de trotinetes que podem existir numa cidade. Mas ainda estamos longe desse limite” /premium

12 Fevereiro 2019

Fredrik Hjelm fundou a VOI em 2018 e já levou as trotinetes a cinco países. Ao Observador, falou sobre o mercado, a segurança, a abordagem local e a vontade de chegar a outras soluções de mobilidade.

Em menos de cinco meses, as trotinetes da VOI chegaram à Suécia, Espanha, Portugal, França e, mais recentemente, à Dinamarca. Na bagagem, a primeira startup europeia de trotinetes elétricas partilhadas trouxe um investimento de cerca de 50 milhões de euros para poder expandir o produto no mercado europeu. Para Fredrik Hjelm, presidente e fundador da empresa, o segredo do negócio tem duas componentes: “Uma boa equipa e um bom produto”, alinhado com “uma abordagem muito local”.

Em entrevista ao Observador, no âmbito do lançamento oficial da VOI em Lisboa, Fredrik Hjelm conta como a vivência no caos do trânsito em Moscovo e as constantes perguntas sobre mobilidade dos clientes de uma startup que fundou o fizeram perceber que era necessário uma mudança. “A nossa geração vai mudar a aparência das cidades e como nos movimentamos dentro delas”, disse, acrescentando que a startup sueca já está a fazer testes piloto para, em breve, entrar em mais cidades portuguesas, depois de esta segunda-feira ter entrado em Faro.

Sobre a questão da regulamentação, o presidente da VOI acredita que só a cooperação entre três protagonistas pode ajudar a resolver os problemas: “A empresa, a cidade e as pessoas que se movimentam dentro dela”. Para isso, explica, a educação e uma maior consciencialização dos condutores tem um papel essencial, mas o diálogo com cada autarquia é a chave. “Vemos sempre quais são as necessidades delas e como querem que este meio de transporte funcione dentro da sua cidade. Acreditamos mesmo numa abordagem forte e proativa e temos feito isso desde o primeiro dia”.

Apesar de considerar que as cidades ainda estão “longe” de estarem preparadas para novos tipos de mobilidade, Fredrik Hjelm salienta que as cidades europeias são um mercado com mais potencial do que os Estados Unidos e refere que, no futuro, a empresa pode não operar apenas com trotinetes. Até lá, o mercado corre o risco de ficar saturado? “Há sem dúvida um limite para o número de trotinetes que podem existir numa cidade. Mas acho que ainda estamos longe desse limite”.

“Uma das grandes prioridades será sempre tornar a vida das pessoas mais fácil e mais simples”

Esteve anteriormente envolvido noutros projetos, mas nenhum relacionado com mobilidade. O que o levou a entrar no negócio das trotinetes elétricas e a fundar a VOI?
Tudo se centrou em duas questões. Em primeiro lugar, tenho um background militar, estive nas Forças Especiais Suecas e trabalhei na Rússia durante cerca de três anos. Vivi em Moscovo e é uma cidade terrível no que diz respeito ao trânsito e às infraestruturas. Há autoestradas no centro da cidade, onde os carros andam a 100/120 quilómetros por hora. No verão, o ar é tão poluído e tão mau que não podemos sair para dar um passeio. Por isso, viver em Moscovo em condições tão difíceis fez-me perceber que as cidades não deveriam ser assim. As cidades deveriam ser feitas para as pessoas, para os animais, para as trotinetes, para as bicicletas, para veículos elétricos ligeiros e não para carros, camiões e veículos demasiado pesados. E essa foi a primeira razão: a nossa geração vai mudar a aparência das cidades e como nos movimentamos dentro delas.

A segunda questão é que eu já tinha fundado uma empresa antes, chamada Guestit, que é a maior empresa de gestão de Airbnb na Suécia, na qual tínhamos vários apartamentos em todo o país e os milhares de clientes que chegavam todos os meses às cidades suecas perguntavam a mesma coisa: “Como é que posso ir do ponto A para o ponto B dentro da cidade?” As cidades suecas são boas no que diz respeito a infraestruturas e transportes e havia esta procura muito óbvia por novas soluções de mobilidade, inovadoras, nas cidades.

Então começou a partir de uma necessidade pessoal e depois de uma necessidade que viu nos outros?
Sim. Foi um sentimento de que precisamos de mudar as cidades e também obedecer a essa procura.

E que prioridades quis definir logo de início?
Para mim e para o Douglas Stark [cofundador da VOI], uma das grandes prioridades será sempre tornar a vida das pessoas mais fácil e mais simples. Deveria ser fácil as pessoas deslocarem-se do escritório para um restaurante, de um restaurante para casa, de casa para o escritório e não deveriam ser obrigadas a ter um veículo individual, porque esses veículos, atualmente, têm uma taxa de utilização mais pequena. Por isso, a ideia de partilhar foi muito atraente para mim e ainda o é. De todas as soluções possíveis de veículos que encontrei, vi as trotinetes elétricas como simples, convenientes e também divertidas.

Que desafios encontrou?
Quando fundámos a empresa, em abril do ano passado, encontrámos imensos desafios. Tal como continuamos a encontrar todos os dias, da escolha da trotinete ao local onde as pessoas querem utilizá-la e também como pegamos em trotinetes simples e as transformamos em trotinetes inteligentes, ligadas à Internet, ao GPS e à cloud. Muitos desafios. Do produto às operações. Acho que atualmente a nossa vida é uma montanha russa com vários baixos, mas também com pontos muito altos.

“Acreditamos numa abordagem muito local, em que nos juntamos às câmaras municipais e mantemos esse diálogo com elas”

Nos últimos cinco meses, começaram a expandir o negócio para outras cidades europeias, fruto de um investimento de cerca de 50 milhões de euros. Porquê Lisboa?
Tínhamos ideia de que as trotinetes não iam funcionar no mercado “frio”, durante o inverno e o outono, devido à temperatura e à neve. E soubemos desde o primeiro dia que queríamos ir para mercados do sul da Europa. Lisboa foi uma escolha óbvia. Tem uma cultura de startups ótima, uma situação política liberal e progressiva — em comparação com outros países — e também vimos que a população de Lisboa, em geral, gosta de experimentar coisas novas e quer explorar outros mundos e outras possibilidades. Lisboa estava no topo da minha lista desde o primeiro dia.

"Deve haver uma simbiose entre o que a cidade quer e o que a cidade precisa e, claro, o que a empresa oferece. E também entre a procura das pessoas que vivem na cidade e das pessoas que estão apenas de visita. Para mim, são esses três pilares: a cidade, a empresa e as pessoas que se movimentam dentro da cidade."

Uma das questões que têm gerado alguma polémica é o facto de não existir regulação específica, o que cria alguma confusão e problemas… Velocidade, uso nos passeios, estacionamento, obrigatoriedade de capacete…
Penso que é muito natural que as questões regulatórias surjam. Isto é algo novo e as coisas novas, que são um pouco disruptivas, mudam a forma como as pessoas se comportam. As leis e regulações ainda não estão adaptadas à nova realidade, que está a crescer. Mas é muito claro que em um, dois, três, cinco anos, todas as cidades europeias vão expulsar os carros do centro até a um determinado nóvel e já vimos algumas cidades a fazerem isso este ano, como Madrid e Oslo. O futuro, para mim, vai ser livre de carros individuais dentro das cidades, com veículos ligeiros, tanto elétricos como não elétricos, tais como as bicicletas, as trotinetes e, sim, as cidades vão ser mais amigas das pessoas.

Mas como é que a VOI lida e interpreta estas questões regulatórias?
Acreditamos uma abordagem muito local, em que nos juntamos às câmaras municipais e mantemos esse diálogo com elas. Vemos sempre quais são as suas necessidades e como querem que este meio de transporte funcione dentro da cidade. Acreditamos mesmo numa abordagem forte e proativa e temos feito isso desde o primeiro dia. Para já, tem resultado.

Deve haver uma simbiose entre o que a cidade quer e o que a cidade precisa e, claro, o que a empresa oferece. E também entre a procura das pessoas que vivem na cidade e das pessoas que estão apenas de visita. Para mim, são esses três pilares: a cidade, a empresa e as pessoas que se movimentam dentro da cidade. Estes três vértices têm de colaborar entre eles e sair com a melhor solução possível.

Como correu o diálogo com a Câmara Municipal de Lisboa?
A minha impressão é a de que Lisboa é uma cidade muito progressiva e que está aberta a novas soluções no que toca à mobilidade. Quando andamos pela cidade vemos claramente isso. Vemos trotinetes, bicicletas, pessoas a andar a pé e não tantos carros como eu, por exemplo, via em Moscovo. Tem havido um esforço para que entrar na cidade de carro seja o mais difícil possível e isso significa que a cidade quer opções e alternativas. Significa também que temos portas abertas para dar sugestões e apresentar novas opções às pessoas.

A educação dos utilizadores é uma chave importante?
Sim, claro. É muito importante. Através das nossas aplicações e nas redes sociais, em toda a nossa comunicação, mostramos o produto mas também de que forma os clientes o devem utilizar.

Estamos a investir bastante na consciencialização e estamos a criar uma equipa com pessoas que vão estar nas cidades todas as semanas ou mais de uma vez por semana para não só mostrar o nosso produto, como também para ensinar a usá-lo, conduzi-lo, quais são as melhores opções para o fazer. Estamos mesmo a investir nesse tipo de consciencialização, para que as pessoas percebam e entendam os benefícios das trotinetes elétricas.

As trotinetes da VOI chegaram a Lisboa em dezembro do ano passado (Fotografia: Elliot Nyhlin)

“A Europa é um mercado ainda melhor do que os Estados Unidos”

Há um ano, talvez este crescimento tão rápido das trotinetes na Europa não fosse esperado. Como tem acompanhado toda esta expansão?
Sim, houve um rápido crescimento e a nossa expansão para outras cidades europeias no ano passado fez parte disso. Todas as entradas nos mercados e o lançamento nas cidades foram provocadas por essa elevada procura. Estamos a ver agora o que eu senti quando estava na minha antiga empresa e o que pensei quando estava a viver em Moscovo: que há realmente uma grande procura por soluções de mobilidade dentro das cidades, que sejam convenientes, divertidas e acessíveis. Por isso é que acredito definitivamente que o crescimento vai continuar para as trotinetes e para este tipo de veículos.

Não há perigo de o mercado e as cidades ficarem saturadas com tantas empresas destas?
Claro que sim. Há sem dúvida um limite para o número de trotinetes que podem existir numa cidade. Mas acho que ainda estamos longe desse limite, especialmente tendo em conta que estamos a deixar os carros e os veículos pesados e a substitui-los por trotinetes, bicicletas e veículos semelhantes. Acho que a procura vai continuar a ser forte e penso que a competição não deveria ser entre as empresas de bicicletas e trotinetes e as cidades. Ambos devem cooperar e estar do mesmo lado e que a melhor empresa ganhe nas ruas.

Nos Estados Unidos, há alguns anos, já existiam algumas empresas de trotinetes elétricas ou de outros transportes alternativos. Tendo fundado a primeira startup europeia a investir em trotinetes, considera que a Europa está ao mesmo nível que os norte-americanos, mesmo tendo entrado depois?
Acho que a Europa é um mercado ainda melhor do que o dos Estados Unidos. Principalmente devido a três razões: em primeiro, a urbanização e densidade das cidades europeias é maior do que a das cidades americanas, e também há mais pessoas a viver dentro das cidades. Em segundo lugar, há uma maior consciencialização ambiental nas cidades europeias. A população é mais consciente sobre o ambiente e como querem ver as suas cidades em dez, 15 anos. Em terceiro lugar, as infraestruturas europeias são melhores para as bicicletas, melhores para as trotinetes, melhores para os veículos ligeiros, em geral, enquanto as outras cidades são mais adaptadas e focadas nos carros. As cidades europeias são mais desenvolvidas no que diz respeito a ciclovias e infraestruturas para pedestres e outros veículos ligeiros.

"Com uma maior utilização e impacto temos uma responsabilidade maior no que toda à educação, à segurança e em ser uma parte integrante de todo este processo de mobilidade nas cidades."

Mas as cidades já estão preparadas para este novo tipo de mobilidade?
Longe disso. Construimos as nossas cidades para os carros, não as construimos para bicicletas e trotinetes. E vai demorar algum tempo até isso ser feito, isso tenho a certeza. Mas mostrar que há uma grande procura por este tipo de mobilidade vai impulsionar as cidades a avançar para a frente em termos de infraestruturas.

Com o crescimento do mercado, a responsabilidade também aumenta?
Claro. Com uma maior utilização e impacto temos uma responsabilidade maior no que toda à educação, à segurança e em ser uma parte integrante de todo este processo de mobilidade nas cidades.

Sobre a segurança, também têm existido algumas dúvidas no que diz respeito às trotinetes elétricas. Temos casos de veículos que são retirados por não serem considerados seguros ou acidentes durante o percurso. Como garantem a segurança?
Do nosso lado, estamos a fazer tudo o que é possível para garantir que a educação dos utilizadores e a sua segurança são prioridades, bem como garantir que os veículos que colocamos nas ruas, tanto os veículos como o software, são os mais seguros. O que também acho é que, se olharmos para a taxa de acidentes das trotinetes e compararmos com outros veículos, vemos que é uma percentagem muito baixa e a maioria dos acidentes com as trotinetes nas estradas envolvem também carros. Por isso, diria que os carros são o verdadeiro perigo nas cidades e não as trotinetes.

O certo é que saímos à rua e perguntamos: “Porque é que há tantas trotinetes pelas ruas?” Mas, ao mesmo tempo, também vemos carros em todo o lado e ninguém pensa que “sim, há demasiados carros na rua”. Aquelas grandes e pesadas caixas metálicas na cidade. É assim que vejo.

Chegou a haver um debate em Portugal sobre a utilização do capacete ser obrigatória ou não. Acabamos por concluir que não é obrigatório, mas recomendável. Qual a sua opinião?
Na Suécia, no caso das bicicletas, se as pessoas tiverem menos de 15 anos são obrigadas a utilizar um capacete. Depois dessa idade, existe apenas uma recomendação. Pessoalmente, acho que deveria acontecer o mesmo com as trotinetes, mas encorajo toda a gente, tanto numa bicicleta como numa trotinete, a usar capacete e a cuidarem da sua segurança.

Um dos princípios que a VOI aborda com regularidade é o de conseguir uma expansão rápida mas sustentável. Como é que se consegue o equilíbrio entre estes dois fatores?
Se tivermos uma boa equipa e um bom produto, isso permite uma expansão muito rápida. Claro que tudo tem de ser feito de acordo com aquilo que os cidadãos e a cidade querem.

A empresa já está a fazer testes piloto para, em breve, entrar em mais cidades portuguesas, depois de esta segunda-feira ter entrado em Faro

Há alguma razão em particular para limitarem o número de trotinetes que entra na cidade no início de cada expansão?
Começamos com algumas centenas de trotinetes, testamos a procura e vemos como funcionamos na cidade e se deveríamos continuar a ter as trotinetes lá. E fazemos isto principalmente por duas razões: não queremos encher as cidades com muitos veículos que não são usados — e por isso balanceamos a procura e a oferta — e também porque queremos aprender sobre a cidade para torná-la o mais sustentável possível.

“Estamos a analisar a hipótese de ter outros veículos alternativos”

Os desafios para os próximos anos mudaram?
No início, tínhamos muitos desafios no que diz respeito ao produto e às operações porque éramos completamente novos. Ainda temos muitos desafios, mas são mais relacionados com a forma como vamos usar todos os dados que geramos para otimizar os locais onde colocamos as trotinetes, em que altura devemos deixá-las disponíveis, quando devemos recolhê-las, etc. Temos muitos dados sobre como as pessoas se movimentam dentro das cidades, mas precisamos de saber como podemos integrá-los nas cidades ou no sistema geral de transportes. Penso que virão mais desafios para percebermos melhor os utilizadores e também para fornecermos mais valor, percebendo os utilizadores e padrões de comportamentos dentro das cidades.

Quais são os próximos planos para a VOI?
Atualmente, estamos na Suécia, França, Espanha e Portugal e também acabamos de lançar a VOI em Copenhaga, na Dinamarca. Queremos continuar a expandir a VOI para mais mercados que consideramos atrativos em toda a Europa e potencialmente fora da Europa também.

A expansão para fora da Europa já está a ser pensada?
Estamos a analisar essa hipótese. Para já, estamos focados a 100% na Europa, mas também estamos de olho noutros mercados.

Investir noutro tipo de veículos além das trotinetes também é uma hipótese em cima da mesa?
Sim, temos pessoas também a analisar essa possibilidade. Mas, por agora, estamos completamente focados nas trotinetes e temos visto quanto interesse e interação é possível criar. Mas sim, estamos a analisar a hipótese de ter outros veículos alternativos.

Como funciona a vossa política de preços? Muda consoante o país ou mantêm sempre o mesmo?
Atualmente, mantemos o mesmo preço em todas as cidades e, para ser sincero, é um pouco parvo. Mas estamos agora a trabalhar para ir em direção a um modelo mais dinâmico. Quando entramos numa cidade mantemos o mesmo preço porque faz parte do teste piloto para perceber a procura. Depois, vamos usar as informações recolhidas para atualizar os preços.

"Vejo-nos como uma empresa que vai continuar a operar com trotinetes em toda a Europa, mas também a operar outros veículos e a ser uma parte muito integrada no sistema de transportes das cidades, 100% integrados com os transportes públicos e com as soluções de transporte partilhado."

Temos visto algumas empresas, como a Lime, a fazerem parcerias com plataforma de carros, como é o caso da Uber. A VOI tem ou pensa ter algo assim?
Sim, atualmente temos uma parceria com a Black Car, que é a maior empresa de transportes ride-sharing de longo curso. Todas estas parcerias são muito interessantes para nós e o aspeto interessante com a Black Car é que o problema deles é o facto de as pessoas se deslocarem de uma cidade para outra e quando chegam lá ainda têm três ou quatro quilómetros para a sua casa ou para o escritório. Têm o chamado problema da “última milha” [last mile] e nós temos uma solução para esse problema. Por isso, há definitivamente oportunidades nessas parcerias.

“Não queremos que isto seja uma coisa apenas para as capitais”

Como imagina a mobilidade daqui a cinco anos?
Em primeiro lugar, os carros vão sair do centro da cidade. Depois, as pessoas não devem sentir a necessidade de terem os seus próprios veículos. O serviço de boleias ainda está pouco difundido porque só recentemente é que temos bons smartphones, free roaming e também a Internet das Coisas. A única coisa que precisamos de resolver é como mantemos os veículos em boas condições e assegurar que estão no sítio certo de manhã. E em terceiro lugar, vejo uma integração entre todos os diferentes serviços que estão cá fora: os transportes públicos, ride-sharing, trotinetes, bicicletas, etc.

E pra onde vai a VOI?
Vejo-nos como uma empresa que vai continuar a operar com trotinetes em toda a Europa, mas também a operar outros veículos e a ser uma parte muito integrada no sistema de transportes das cidades, 100% integrados com os transportes públicos e com as soluções de transporte partilhado.

Há algum plano de expansão para outras cidades portuguesas?
Começámos testes piloto há pouco tempo e estamos a falar com outras cidades portuguesas, porque queremos fazer algo semelhante. Não queremos que isto seja uma coisa apenas para as capitais e sabemos que é um negócio que pode ser adaptado a cada cidade. Temos uma equipa portuguesa forte, com boas ligações às cidades e uma boa capacidade de operação.

A VOI foi a primeira startup europeia a entrar no mercado das trotinetes elétricas (Fotografia: Jacky Sin)

Como tem sido a experiência em Lisboa?
Tem sido surpreendentemente positiva. Entrámos em Lisboa em dezembro e tendo em conta o efeito da sazonalidade, pois geralmente é o mês mais frio, verificámos uma grande procura, com milhares de viagens todas as semanas.

Nota alguma diferença em relação a outras cidades, como Paris?
Cada cidade é diferente e temos de ter uma aproximação muito local, temos de ter uma equipa muito boa na cidade e temos de ter pessoas competentes que trabalham com os responsáveis pelo trânsito, que ajudam as pessoas e que ouvem os que têm conhecimento local que estão nas ruas e sentem a atmosfera da cidade.

Surpreendeu-o uma adesão tão significativa?
Sim, fiquei surpreendido positivamente. Pensei que iríamos começar um pouco mais lentos até março e início da primavera, mas aconteceu tudo bastante rápido e foi uma surpresa. E isso sublinha aquilo que pensei desde o início: que Portugal vai ser um mercado muito importante para nós e devemos colocar muitos recursos aqui.

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