Há mais 8 vagas no ensino superior e fica tudo na mesma. Engenharia e Universidade de Lisboa à frente em número de lugares

Com um aumento residual, pouco ou nada muda. Lisboa e Porto perdem 34 vagas, o resto do país ganha 42. Engenharia continua a ser a área com mais vagas e ISCTE foi quem criou mais novos lugares.

É o que se pode chamar um aumento simbólico, sem qualquer valor estatístico. Este ano há apenas mais oito vagas na 1.ª fase de acesso ao concurso do ensino superior, o que deixa praticamente tudo na mesma em relação ao ano anterior. No total há mais de 51 mil vagas (sobem de 51.560 para 51.568), Engenharia continua a ser a área com mais vagas e a Universidade de Lisboa é a recordista da oferta. As candidaturas arrancam esta quarta-feira.

Estes valores quase nulos foram sentidos também em Lisboa e no Porto na 1.ª fase do concurso de 2019. Depois de no ano passado os dois distritos se terem visto a braços com a decisão do Ministério do Ensino Superior de reduzir em 5% as vagas nas universidades destas duas cidades, este ano o cenário é bem diferente. O ministro Manuel Heitor abandonou o corte cego de 2018 — que pretendia levar mais estudantes para as instituições do Interior — e criou uma nova regra. Os cursos superiores com médias mais altas tiveram luz verde para aumentar lugares, também em Lisboa e no Porto. Por outro lado, sempre que não houvesse oferta noutros pontos do país, as instituições de Lisboa e do Porto podiam mexer no número de vagas disponíveis.

Feitas as contas, as exceções não foram aproveitadas. No distrito de Lisboa há menos 46 vagas do que no último concurso e no distrito do Porto mais 12, um saldo global negativo, de menos 34 vagas, que contrasta com o corte de 2018 — menos 1066 vagas nestas duas áreas metropolitanas e mais 1080 nos estabelecimentos de ensino do resto do país.

Olhando para o resto do país, e com um aumento de vagas tão residual, não podia ser de outra forma. Em termos globais, os restantes distritos tiveram um saldo positivo, mas não foram além de 42 novos lugares para estudantes universitários.

O aumento de vagas, ainda que simbólico, regista-se pelo quinto ano consecutivo. No entanto, não é possível, através dos dados disponibilizados pelo ministério, perceber que área de estudo absorveu as oito vagas a mais. Nas tabelas enviadas às redações, todas as áreas de estudo sem exceção têm variação zero. Aquelas que até ao ano passado subiam invariavelmente por serem as que o Governo considera fundamentais para o desenvolvimento do país — Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica e a área da Física — permaneceram inalteradas.

Engenharia continua a ser a área com mais vagas

As áreas de estudo que representam maior percentagem das vagas são, tradicionalmente, as mesmas três e este ano, com variação zero para todas, não há lugar nem para pequenas surpresas. Engenharia e Técnicas Afins está em primeiro lugar, com 9.277 vagas.

Logo de seguida, as Ciências Empresariais são as que oferecem mais lugares: 7.607 vagas que correspondem a uma fatia de 14,7% do bolo total.

O último lugar do top 3 é para a área da Saúde, onde se encontram os muito cobiçados cursos de Medicina, já que são também dos que têm melhor taxa de empregabilidade, a par dos das Engenharias. Em contrapartida, todos os anos estes cursos estão entre os que apresentam médias de entrada mais altas.

ISCTE foi quem mais novos lugares criou

Este ano, com o balanço final a ser de apenas oito novos lugares nas universidades e politécnicos, não houve crescimentos significativos. Apesar disso, e mesmo que apenas com 62 novos lugares nas salas de aulas, foi o ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa a ficar no topo da tabela, com um total de 1.109 vagas.

Seguiu-se a Universidade do Porto, que passou para 4.031 vagas, ao subir a sua oferta em 55 lugares. Com mais 39 lugares para universitários fica o Instituto Politécnico de Bragança (2.042) e, logo de seguida, o Instituto Politécnico da Guarda — ao acrescentar 35 vagas fica agora com um total de 734.

A última nota vai para a Universidade de Évora que, com a criação de 25 vagas, soma uma oferta global de 1.246 lugares. Houve ainda mais cinco instituições que subiram o número de vagas, todas abaixo dos 20 lugares — Politécnico de Castelo Branco, Politécnico do Cávado e do Ave, Politécnico de Portalegre e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Se dez instituições mexeram nas vagas no sentido ascendente, oito fizeram exatamente o oposto e 15 mantiveram as suas vagas inalteradas. A maior quebra foi no Instituto Politécnico de Santarém, que cortou 70 vagas nas suas fileiras.

A Universidade de Lisboa, mesmo tendo cortado 35 vagas, continua a ser a instituição do ensino superior com mais lugares disponíveis: 7.243. Segue-se a Universidade do Porto — 4.031, após um aumento de 55 lugares — e a de Coimbra, que fica inalterada nas 3.257 vagas.

A última nota vai para a natureza do ensino: as universidades aumentam em 1% as suas vagas, enquanto os politécnicos caem exatamente o mesmo valor. As primeiras, com 28.236 vagas contra 22.624, representam 56% dos lugares disponíveis no ensino superior público.

As datas de candidatura e as ferramentas para escolher o curso

A apresentação da candidatura à primeira fase do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior decorre de 17 de julho a 6 de agosto. As colocações são divulgadas a 9 de setembro, data em que começa a segunda fase do concurso.  A 26 de setembro conhecem-se as colocações da segunda fase e a terceira e última fase arranca a 3 de outubro.

A candidatura é feita através do portal da Direção-Geral do Ensino Superior, que é quem gere e organiza o concurso nacional — mas, para fazê-lo, é necessário pedir previamente uma senha de acesso. Sem ela, não é possível efetivar a candidatura.

Pode concorrer:

  • Quem for titular de um curso de ensino secundário, ou de habilitação legalmente equivalente;
  • Quem tenha realizado, nos últimos dois anos, os exames nacionais correspondentes às provas de ingresso exigidas para os diferentes cursos e instituições a que vai concorrer;
  • Quem tenha realizado os pré-requisitos, caso sejam exigidos pela instituição para o curso a que vai concorrer;
  • Quem não esteja abrangido pelo estatuto do estudante internacional.

Para ajudar os estudantes a escolher o curso, a tutela criou uma ferramenta online. “No sentido de contribuir para apoiar as escolhas no acesso ao Ensino Superior”, explica o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior em comunicado, o site Inforcursos está online desde 7 de julho. A taxa de empregabilidade do curso ou onde estavam os alunos um ano após o ingresso na universidade são algumas das informações disponíveis na plataforma.

Através do botão de pesquisa, é possível escolher a universidade sobre a qual se pretende ter informação. Em seguida, pode-se selecionar a faculdade e ainda o curso específico. A partir daí, surgem no ecrã uma série de dados, dos quais a taxa de empregabilidade é apenas a ponta do icebergue.

Já os números das vagas, desagregados por curso e estabelecimento de ensino, estão disponíveis no site da Direção-Geral do Ensino Superior. Pode também consultá-los no Observador, neste link.

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