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José Goulão/LUSA

José Goulão/LUSA

Hugo Soares. "O Governo comporta-se como um menino rico que herdou a herança do pai"

Hugo Soares, vice-presidente da bancada do PSD, em entrevista ao Observador, diz que o PSD tem de marcar a diferença com um discurso "ideológico" mais diferenciador sobre o modelo de sociedade.

Depois de dois dias de jornadas parlamentares, no Algarve, o deputado e vice-presidente da bancada do PSD Hugo Soares faz duras críticas ao líder parlamentar do PS, Carlos César, que acusa de “falta de ética e qualidade democrática”, mas rejeita que as más relações entre as duas bancadas sejam impedimento para PSD e PS fazerem reformas estruturais, como a reforma do sistema eleitoral, da descentralização ou da Segurança Social.

Acusa o PS de ter um modelo de sociedade assente no controlo total do Estado, em que o PS “quer pôr a mão em tudo”, e diz que o PSD tem de marcar a diferença com um discurso ideológico mais vincado. Em entrevista ao Observador no último dia de jornadas, o deputado social-democrata compara o governo de António Costa a um barco que “caminha ao largo da costa para não se perder e que lança a âncora onde tiver de lançar”, não tendo pudor em mudar o meio para atingir o fim pretendido. Para Hugo Soares os bons resultados aparecem “apesar do Governo” e não “por causa dele”. Sobre Pedro Passos Coelho, diz que estaria a fazer “muito melhor” se estivesse no Governo em condições de “normalidade” e não tem dúvidas de que vai voltar a ser primeiro-ministro. E quando for, será durante duas legislaturas.

Um dos tema destas jornadas foi a reforma do sistema político, com o PSD a propor iniciar a discussão sobre o voto preferencial, o voto em mobilidade e a redução do número de deputados. Não é propriamente uma bandeira nova, o PSD já propôs o mesmo há um ano e é, de resto, um tema recorrente quando PS ou PSD estão na oposição. Mas quando estão no Governo nunca avança, até porque é preciso maioria de dois terços na Assembleia. Qual é o objetivo de avançar com este tipo de reformas agora?
O PSD tem colocado a reforma do sistema político na agenda há muitos anos. Fez parte do nosso programa eleitoral em 2011, a reforma do sistema político foi uma das propostas emblemáticas do congresso que reconfortou a liderança de Pedro Passos Coelho e no último ano tem sido várias vezes discutida por nós e anunciada como uma das propostas que queremos fazer chegar ao Parlamento para discussão. As jornadas parlamentares são em si mesmo o local por excelência o espaço de preparação do trabalho e processo legislativo. Esta reforma é importante por duas razões: primeiro, é urgente arranjar mecanismos de aproximação entre eleitos e eleitores. O afastamento das pessoas dos políticos deve encontrar neste tipo de soluções mecanismos para o combater. Depois, é uma modernização, uma reforma estrutural que Portugal precisa e que já devia ter feito. Mas precisa de maioria qualificada. Sim, precisa do Partido Socialista. Mas creio que numa matéria como esta, que o PS já tantas vezes defendeu, não é agora que vai ficar de fora do debate.

O entendimento entre PSD e PS não tem sido possível na Assembleia da República, o que é que o leva a crer que desta vez podia ser diferente?
Da mesma forma que achamos que podia ser diferente com a reforma da Segurança Social, quando nos propusemos a discutir uma reforma da Segurança Social que desse sustentabilidade aos futuros pensionistas, da mesma forma que nos propusemos a discutir a sério a descentralização, queremos discutir a reforma do sistema político. Acho que os portugueses não perceberiam se nos colocássemos de fora daquilo que achamos que é importante apenas porque o PS se radicalizou.

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A ideia é evidenciar essa radicalização do PS?
Estou a dizer que das duas uma: ou o PS assume que se radicalizou, e que não faz nenhum consenso ao centro, ou o PS se encontra connosco para discutir estas propostas e chegamos a propostas que sejam úteis para a vida dos portugueses. Demonstra muito bem aquilo que é o PS hoje.

"Há uma falta de ética e de qualidade democrática nas intervenções de Carlos César"

A tensão crescente entre Luís Montenegro e Carlos César também não facilita esses consensos.
Não sei se há tensão entre os dois líderes parlamentares. O que sei esta foi a primeira vez que um líder parlamentar teceu comentários acerca da escolha do sítio onde os outros grupos parlamentares fazem as suas jornadas parlamentares. O BE e o PSD resolveram fazer as suas jornadas na região do Algarve, que é uma região com problemas de mobilidade, problemas de saúde, ordenamento de território, segurança, florestas, pescas, desemprego, e uma realidade social dura. Nós viemos aprofundar esse conhecimento, reunir com as pessoas para encontrarmos soluções. É a primeira vez que um líder parlamentar crítica isto. E o que mais espanta em Carlos César é o ar cândido com que se quer colocar num patamar de defesa dos bons costumes do Parlamento. O mesmo Carlos César que faz estes comentários, é o que não aceita que o PSD indique nomes para órgãos que a Assembleia da República tem de eleger. Portanto o que há é uma falta de ética e de qualidade democrática nas intervenções do líder parlamentar socialista e isso não deixamos de censurar.

No próximo dia 7 de junho o Parlamento vai votar a eleição do novo presidente do conselho de fiscalização das secretas. O PSD avançou com o nome de Teresa Morais, mesmo depois de o líder parlamentar do PS ter dito que não concordava. Mais uma vez é preciso maioria de dois terços. Não teme que se repita o que aconteceu na primeira eleição de Correia de Campos para o CES?
Se voltar a acontecer o que aconteceu com o professor Correia de Campos significa que a Teresa Morais vai ser eleita, porque Correia de Campos [nome que tinha sido apontado pelo PS] foi eleito com a ajuda dos votos do PSD.

Mas só à segunda tentativa, na primeira vez o nome foi a votos, em voto secreto, e chumbou.
Sim, mas à segunda com os votos do PSD porque ninguém me garante que na primeira votação foram os votos do PSD que falharam, o voto é secreto. Comprometemo-nos a eleger Correia de Campos e elegemos, essa é que é a grande diferença. O que interessa é que Teresa Morais seja eleita, porque o currículo para o desempenho para aquela função é inatacável e porque já la esteve e fez um excelente trabalho.

O argumento do PS é que não quer uma pessoa ligada a uma direção partidária.
Então e o deputado Filipe Neto Brandão, que é vice-presidente da bancada socialista?

Não é presidente do conselho de fiscalização das secretas.
Sim, mas é membro do mesmo órgão e é vice-presidente da bancada socialista. Usam-se os argumentos à medida da conveniência de cada momento. Entramos numa loucura política que é um jogo que nunca mais acaba. O PS ainda não encontrou um argumento que não fosse partidário para recusar o nome de Teresa Morais, no dia em que o PS aduzir um argumento substantivo para recusar o nome dou a mão à palmatória e concordo com eles se for caso disso.

O argumento partidário não é válido?
Não, não é. Se são deputados que devem ser eleitos para aqueles órgãos, se o próprio PS tem um elemento partidário naquele órgão, claro que o argumento partidário não colhe. É mais uma demonstração de tiques de autoritarismo absolutamente notórios neste PS.

Mudar discurso sobre economia? "Não podemos ser presos por ter cão e por não ter"

E com isto o PSD fica centrado em discutir nomes e cargos, ou questões como a reforma do sistema político que dificilmente avança por falta de acordo, enquanto a esquerda e o Governo falam dos bons resultados da macroeconomia e finanças. Não corre o risco de ficar a falar sozinho?
É engraçado agora dizerem isso, quando toda a opinião publicada nos tem acusado é de não sair do discurso das finanças públicas e da economia. Pelos vistos agora deixamos esse discurso para os outros. Não quero ser preso por ter cão e por não ter. Isso é que não.

Mas admite que o PSD vai deixar esse discurso da macroeconomia?
Claro que não vamos deixar de fazer a nossa análise daquilo que é o caminho do crescimento da economia e da sustentabilidade das finanças públicas. São questões prioritárias para o país. Porque têm diretamente a ver com a vida das pessoas, influenciam o emprego, o desemprego, a prestação dos serviços públicos. Mas o PSD não anda a discutir nomes de pessoas, anda é a demonstrar através desses exemplos de que forma o PS se quer colocar como modelo de construção de sociedade. O PS chegou ao Governo não tendo ganho as eleições, e num instante quis voltar aos anos da governação do engenheiro Sócrates. Anos em que se procurou, por um lado, estatizar a economia, controlar os serviços públicos, tirando à iniciativa privada o que é da iniciativa privada e colocando nos lugares-chave pessoas ligadas ao PS. Querem fazer isso no Conselho de Finanças Públicas, estão a fazer isso no Banco de Portugal, querem fazer isso no conselho de fiscalização das secretas, o PS quer pôr a mão em tudo. Esta é a expressão. E como quer pôr a mão em tudo, quer construir um modelo de sociedade com o qual nós não nos revemos, e esse é que é o nosso caminho alternativo. O modelo de construção da sociedade do PSD é muito diferente do modelo do PS.

Em que sentido?
Quando o PS faz o ataque que fez às escolas com contratos de associação, é um ataque a serviços públicos de educação, quando faz o ataque que faz às misericórdias e IPSS, é um ataque a serviços públicos de saúde. Para o PS só é bom o que está no Estado porque no Estado mandam eles. Quando o PS não aceita nomes independentes indicados por entidades independentes para o Conselho de Finanças Públicas, quando o primeiro-ministro chama ao gabinete dele os banqueiros para encontrar soluções para o sistema financeiro, soluções que são da iniciativa da banca privada. Quando o PS fez o que fez na CGD não foi por acaso, é porque querem meter a mão em tudo.

Então qual é esse modelo da sociedade que o PSD propõe? E o que vai fazer para mudar isso?
Acho que este é o tempo de voltarmos a esta discussão, que tem uma carga ideológica grande, mas que faz toda a diferença. O PSD quer uma sociedade liberta dos interesses e das forças de bloqueios: demos o exemplo de como encaramos a sociedade quando lidámos com o caso BES. Sabemos que António Costa disse que nunca teria feito o que nós fizemos a Ricardo Salgado, mas nós fizemos. E fizemos bem. Queremos uma economia liberta em que seja a iniciativa privada a tomar as suas decisões, não queremos que seja o condomínio a decidir se naquele prédio alguém pode ou não ter alojamento local. Só favorece quem é dono do prédio inteiro porque todo o pequeno proprietário ficaria condicionado. E este exemplo desta proposta do PS que está em discussão demonstra bem a forma como o PS olha para as coisas. O Estado deve ser um regulador forte mas deve dar à iniciativa privada a possibilidade de se poder afirmar, poder construir o seu modelo de vida. Isso é algo que nos distingue.

"Este Governo é uma fraude"

Sobre o modelo macroeconómico: em que divergem os dois partidos? Olhamos para o que o PS está a fazer agora e vemos: pagamentos antecipados ao FMI, crescimento da economia por via do aumento das exportações, investimento privado e estrangeiro a aumentar, défice a diminuir, isto parece o programa eleitoral do PSD. Quer dizer que o Governo está no caminho certo?
Na pergunta elencou os indicadores que têm suportado o crescimento económico: as exportações, o investimento externos, no fundo a iniciativa privada e a conjuntura externa que implica tudo isto. Isto significa que tudo o que o PS defendeu como modelo económico não existe. Vamos ser claros e verdadeiros: o que o PS dizia quando derrubou o Governo que ganhou eleições foi: “Os senhores estão errados no modelo económico que querem para o país, nós queremos um país que cresça através do consumo e do investimento público”. Foi assim. Ora, o consumo não dispara, o investimento público foi o menor dos últimos 50 anos. O PS falhou, o PS mentiu. Este Governo desse ponto de vista é também uma fraude. Porque aquilo que propôs como fatores de sustentabilidade do crescimento económico não existem, falharam. Os fatores que garantem o crescimento económico são os que resultam das reformas estruturais que foram feitas, são os que resultam da iniciativa privada e da conjuntura externa e do que eles não estragam.

Então é o PS que está a ir ao encontro do modelo do PSD, ou está só a colher os frutos?
Eles tentaram mudar de facto o que era a sustentação do crescimento económico. Quando tentaram a economia ressentiu; cresceu menos no ano passado do que cresceu em 2015. Mas o Governo, naquele pragmatismo muito próprio de António Costa, não governa, sobrevive. É como um barco que caminha ao largo da costa para não se perder e que tem o pragmatismo de lançar a âncora onde tiver de lançar. Não tem drama nenhum com isso. Portanto, ele prometeu que a economia ia crescer através do investimento público e do consumo, falhou, mas acha que não tem problema nenhum. Muda-se a agulha e as exportações e o investimento externo é que são bons. Sim, resulta exatamente de todas as reformas estruturais e do caminho que vínhamos a fazer. O país continua a crescer apesar do Governo que temos porque conseguiu, desse ponto de vista, não estragar muito. É “apesar deles” que estes resultados têm acontecido. Se fosse “por causa deles” os resultados eram ao contrário. Não vamos estar com meias palavras: o PS defendeu um modelo de crescimento económico completamente diferente do que sustenta hoje a economia.

A verdade é que são os socialistas que estão no Governo e os resultados estão a aparecer. Então e agora? Como é que o PSD tenciona fazer para voltar ao Governo?
O PSD tenciona voltar ao Governo quando houver eleições, em primeiro lugar. E espero que as eleições sejam no final da legislatura.

Porque se fossem agora o PSD também não estava bem posicionado para ganhar, a avaliar pelas sondagens.
Não, as sondagens não vêm ao caso aqui. É evidente que no dia em que houvesse eleições antecipadas, o que motivar as eleições muda aquilo que é a perceção nas sondagens. Se o Governo cair amanhã porque António Costa se chateia com Catarina ou Jerónimo isso influencia diretamente a decisão dos portugueses. Nada tem a ver com sondagens. Quero que a legislatura dure porque é importante que Portugal tenha estabilidade política. Agora isto não invalida que pense que a “geringonça” é uma fraude. Uma fraude do ponto de vista dos princípios em que assentou o modelo económico que queriam, uma fraude porque o BE e o PCP fazem um jogo duplo que é de uma hipocrisia gritante para quem todos os dias assiste a isso: berram alto durante a semana e à sexta-feira aprovam o que é essencial para o PS, é inacreditável. O BE e o PCP estão no bolso de António Costa e António Costa faz essa gestão como ninguém. Mas o facto de António Costa não se chatear com os seus parceiros não significa que o Governo tenha resultado. Um Governo quando resulta governa bem.

E governar bem não é ter resultados?
É, é preparar o país, é criar condições para cada um poder ser aquilo que quer ser. É verdade que hoje o país está a crescer, mas podia estar a crescer muito mais. A pergunta que coloco é: “E se fossemos nós a governar?”. É essa pergunta que os portugueses têm que fazer.

O que estavam a fazer de diferente?
Se fosse Pedro Passos Coelho primeiro-ministro estávamos a fazer uma segunda vaga de reformas estruturais em cima das que fizemos, fazendo a avaliação do que já estava feito. Aprofundávamos as reformas que fomos fazendo. Estávamos a olhar para a reforma da Segurança Social criando condições para que os futuros pensionistas tenham uma pensão, estávamos a devolver rendimentos, estávamos a fazer uma descentralização que desse verdadeiramente mecanismos de atuação às autarquias sem que tenham de andar de mão estendida ao Estado central para poderem cumprir as suas competências. Nunca teríamos governamentalizado a CGD como o Governo fez. Ou seja, o cenário pode não estar mau do ponto de vista dos indicadores económicos, mas não tenho dúvidas de que o país podia estar a crescer mais.

Se quando chegar a hora das eleições os indicadores económicos continuarem assim, como é que o PSD espera conseguir um bom resultado?
Os votos são a tradução da confiança das pessoas, e as pessoas confiam na transparência, na honestidade, na coerência e na capacidade de fazer. E essas são qualidades que o líder do PSD tem, são indiscutíveis. O que ninguém perceberia era que nós hoje tivéssemos a defender o contrário do que defendemos nos últimos quatro anos. Isso é que ninguém perceberia. Este Governo comporta-se como um menino rico que herdou a herança do pai. Tivéssemos herdado esta herança em 2011… nós herdamos um país em bancarrota. Eles herdaram um país com almofadas financeiras, com um défice abaixo de 3%, viemos de 11% para 3%, com o país a crescer e o desemprego a descer. Se Pedro Passos Coelho foi capaz de governar como governou o que é que não faria se fosse para governar agora.

"Passos Coelho vai voltar a ser primeiro-ministro"

Mas insisto na pergunta de como o PSD tenciona lá voltar. Desde que se abriu o precedente de que não é necessariamente a força política mais votada que governa, o PSD só volta ao poder com maioria absoluta, e com o CDS. É possível essa maioria absoluta nas próximas eleições?
O PSD tem de encontrar as propostas que deem confiança aos portugueses para nos darem uma maioria absoluta, claro que sim. Mas propostas não se vendem a metro, haverá tempo para o programa eleitoral.

Não teme que as pessoas ainda olhem para o PSD como o partido de austeridade?
Se as pessoas olharem para o PSD como o partido que tirou o país da bancarrota, fico muito orgulhoso.

Luís Montenegro termina no final desta sessão legislativa o último mandato enquanto líder parlamentar, não se pode recandidatar. Faz sentido prolongar as funções até ao próximo congresso do partido, que será no início do ano?
Creio que os estatutos são claros quanto a isso. É uma decisão que o presidente do partido e o líder parlamentar terão de tomar. Não me preocupa.

E quem é que pode ser o próximo líder parlamentar?
Isso era a mesma coisa que dizer quem é que daqui a 10 anos iria substituir Pedro Passos Coelho quando ele deixasse de ser primeiro-ministro.

Daqui a dez anos?
Tenho a certeza de que Pedro Passos Coelho voltará a ser primeiro-ministro de Portugal e quando ganhar eleições e poder governar em condições normais tenho a certeza absoluta que faz as legislaturas que entender dever fazer.

Se o PSD não tiver um bom resultado nas autárquicas, a presidência do PSD não fica em causa?
Tenho a profunda convicção de que Pedro Passo Coelho voltará a ser primeiro-ministro de Portugal.

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