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Cresceu em Rio Maior e parece querer morrer em Rio Maior. Da “infância bonita” no Ribatejo, lembra-se dos piqueniques com as primas, do pão que a avó cozia, da apanha do tomate, do trabalho a carregar lenha. Com apenas seis anos andava a pé oito quilómetros todos os dias para ir para a escola, ou não fosse Inês Henriques uma das melhores marchadoras do mundo.

Fala dos pais como quem fala de gente de muito trabalho, eles que sempre lhe “deram a cana” mas nunca lhe “deram o peixe”. E compara o esforço da marcha ao esforço de “muitos portugueses que fazem trabalhos muito difíceis, mas porque precisam verdadeiramente para levar o dinheiro para casa para se sustentarem”. Conta que em casa “nunca houve diferença entre ser homem ou ser mulher”. E foi mesmo pelas mulheres que a caminhada foi longa: Inês Henriques bateu o pé entre a Federação de Atletismo e a Justiça para que existisse pela primeira vez a prova feminina de 50 km marcha, quando já existia para homens, e conseguiu cortar a meta com sucesso – no tribunal e na prova.

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