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Inflação e crescimento marcam investimento em 2022

Iniciativa do Observador e do Credit Suisse apontou caminhos pós-pandemia. Paulo Portas foi um dos convidados. “China perdeu 6 meses, EUA perderam um ano, Europa perderá entre 18 e 24 meses”, disse.

Vem aí uma “grande transição” e “uma nova realidade” económica a partir do próximo ano. A previsão é do relatório “Investment Outlook 2022”, do Credit Suisse, apresentado há dias num debate transmitido pelo Observador. Segundo Tiago Saraiva, senior investment consultant do Credit Suisse, há sinais que evidenciam uma “mudança de regime mais vincada”, que se caracterizará, na Europa, por uma política monetária de redução de estímulos, com provável subida de impostos e de taxas de juros.

Após “dois anos absolutamente anormais” de pandemia, com fortes desafios para as economias mundiais, “a inflação baixa deixará de ser uma raridade e, felizmente, o crescimento será acima da média”, disse Tiago Saraiva. “O ciclo macroeconómico vai-se tornar mais volátil, com mais períodos de sobreaquecimento da economia, acompanhados por períodos de contração ou até ligeiras recessões, o que vai abrir novas oportunidades de investimento”, mas com “retornos mais moderados”.

Ao mesmo tempo, o tema da sustentabilidade e da economia verde continuará no topo da agenda, com medidas que potenciam o crescimento e têm impacto na subida da inflação. O representante do Credit Suisse sublinhou que a economia mundial em 2022 “vai continuar um ciclo de tendência acima da média”, tendo em conta a realidade dos EUA, da Europa e da China.

“a inflação baixa deixará de ser uma raridade e, felizmente, o crescimento será acima da média.”
Tiago Saraiva, Senior investment Consultant Credit Suisse

Tiago Saraiva interveio como orador inicial no debate “Investir Depois da Covid: Que Tendências Podemos Esperar?”, uma iniciativa do Observador e do Credit Suisse (banco de investimento e de serviços financeiros). O evento teve lugar a 29 de novembro nos estúdios do Observador, em Lisboa, e foi transmitido em streaming no sitee no Facebook do jornal.

No que respeita ao investimento estratégico, o mesmo especialista aconselhou os investidores a não tomarem excessiva exposição a ativos de rendimento fixo com maturidades muito longas — por causa do risco de subida de taxas de juro. No mercado de ações, referiu o representante do Credit Suisse, as empresas aumentaram a sua rentabilidade a um nível superior ao do mercado, logo, tornaram-se mais baratas. Isso mesmo deverá continuar em 2022.

A aparente contradição entre crescimento e alta de preços foi depois explicada por Tiago Saraiva, à margem do evento, em declarações ao Observador. “Primeiro, estamos a partir da premissa de que a alta de preços é relativamente transitória e não terá capacidade de afetar substancialmente as expectativas e as decisões dos agentes económicos. Por outro lado, o crescimento da economia tem que ver com um enquadramento económico de estabilidade, de investimento, de alguns estímulos fiscais que permitem a recuperação da atividade e sobretudo com o facto de as famílias e as empresas terem poupado durante a pandemia, o que é colocado ao serviço do crescimento. Este crescimento é, em muitos casos, a recuperação daquilo que se perdeu com a pandemia.”

“Na pandemia o vírus controla a nossa vida, na endemia conseguimos controlar o vírus e aprender a viver com as suas manifestações.”
Paulo Portas, Ex-Vice-Primeiro-Ministro

Para debater estas perspetivas foram convidados Paulo Portas (ex-Vice-Primeiro-Ministro e comentador), Francisco Horta e Costa (diretor-geral da CBRE, empresa de investimento e serviços imobiliários) e ainda Carlos Santos Lima (branch manager do Credit Suisse). A moderação esteve a cargo do jornalista Paulo Ferreira. No fim, os convidados tiveram ocasião de responder com brevidade a perguntas da equipa do Observador — o que ficou registado no vídeo “best of”, que acompanha este artigo.

Paulo Portas perspetivou uma fase de endemia da covid-19 (ou seja, um pós-pandemia), a qual permitirá recuperação económica e maior competitividade. “Na pandemia o vírus controla a nossa vida, na endemia conseguimos controlar o vírus e aprender a viver com as suas manifestações”, apontou.

Porém, segundo Portas, continuam a existir incertezas no horizonte relacionadas com “a duração da imunidade das vacinas” e as “41 variantes significativas registadas desde o início” da pandemia. Além disso, esta questão de saúde pública “é global mas não é simétrica”, ou seja, no que respeita a estratégias de mitigação e respetivos efeitos sociais e económicos, têm sido grandes as diferenças entre China, EUA e Europa.

“O mundo não está todo aberto ao mesmo tempo, nem todo fechado. Os mercados não estão em todos os setores fechados e abertos ao mesmo tempo. Isto causa um desajustamento do ponto de vista económico. Se tempo é dinheiro, a China perdeu seis meses, os EUA perderam um ano e a Europa perderá entre 18 e 24 meses. O custo do que nos aconteceu é este”, resumiu. Sublinhou ainda: “O que notamos na assimetria de crescimentos na Europa é que os países que são mais flexíveis do ponto de vista laboral, mais convidativos do ponto de vista fiscal, menos obsessivos do ponto de vista regulamentar, crescem mais”.

“Fala-se muito de inflação, mas também se consegue tirar partido dela. Não deixa de ser uma oportunidade."
Carlos Santos Lima, Branch Manager Credit Suisse

Francisco Horta e Costa falou do papel do imobiliário no investimento e das grandes tendências nesta área. “Um contexto de taxas de juro baixas ou negativas, contribui e contribuiu para que haja muita liquidez para investir em imobiliário”, explicou. Não só escritórios, logística e até retalho, mas também imóveis ligados à saúde, data centers e hotéis, sem esquecer o mercado residencial de arrendamento.

O diretor-geral da CBRE vê “boas perspetivas” para o próximo ano e “um contexto de subida de taxas de juro, mas não já no imediato”, pelo que “as rentabilidades que o mercado imobiliário apresenta continuam a ser bastante atrativas”.
Francisco Horta e Costa disse ainda que não é inteiramente correta a ideia que de o teletrabalho durante a pandemia vá levar ao esvaziamento dos escritórios e a reduções drásticas na ocupação de edifícios. Essa perspetiva foi revista pelas empresas à medida que a incerteza da pandemia regredia, afirmou.

Quanto aos padrões de investimento, segundo Carlos Santos Lima, vão seguir tendências que já vêm de trás e que devem acentuar-se. “Menos liquidez e recursos de obrigações, muito mais exposição a ações e investimentos alternativos, incluindo o imobiliário”, explicou. Os “setores de futuro” são, por exemplo, os das infraestruturas e da automação.

“Um contexto de taxas de juro baixas ou negativas, contribui e contribuiu para que haja muita liquidez para investir em imobiliário.”
Francisco Horta e Costa, Diretor Geral da CBRE

“Fala-se muito de inflação, mas também se consegue tirar partido dela. Não deixa de ser uma oportunidade. Para quem tem dívidas, [estas] valem menos. Para quem tem dinheiro, pode ser o risco de o dinheiro valer menos. Há que posicionar os investimentos de forma a que esse movimento não aconteça. Tem sido uma preocupação dos nossos investidores. Vemos intensificar classes de ativos, como estes que referi, que tragam mais valor e de certa maneira limitem o efeito da inflação.”

O branch manager do Credit Suisse fez notar que os grandes investidores olham cada vez mais para o mercado numa escala global, embora o Japão seja neste momento uma área “que vai atrair investimento”.

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