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A Inteligência Artificial e a Mobilidade Urbana trilham um caminho comum rumo ao futuro. E isso não se reflete apenas nos veículos (cada vez mais) autónomos. A tecnologia permite hoje, por exemplo, sinais de trânsito, aplicações de mobilidade e sistemas de controlo de tráfego dotados de inteligência. Tudo converge para o conceito de smart cities, ou cidades inteligentes. Uma expressão que remete para o uso da tecnologia como via para melhorar a infraestrutura urbana e tornar os centros urbanos mais eficientes.

A par da inteligência artificial, a Internet e a mobilidade elétrica e partilhada estão a mudar a forma como nos movemos nas cidades. Olhando para o futuro, que impacto terão essas mudanças para as cidades e para os cidadãos?

Menos acidentes, mais segurança

A segurança nas estradas é um dos pilares da condução autónoma. Os veículos autónomos permitirão reduzir o risco de erro humano na condução e, logo, o número de acidentes. Pelo menos essa é a convicção dos especialistas, fundamentada no facto de mais de 90% dos acidentes ocorrerem por intervenção humana e 60% serem provocados pelos condutores.

Atualmente, as marcas apostam forte no fator segurança. Muitos modelos de carros à venda no mercado já travam sozinhos, têm sensores e câmaras que ajudam a estacionar e a detetar pessoas e obstáculos na estrada, reconhecem os sinais de cansaço do condutor, controlam velocidades e distâncias de segurança, entre outras funções e sistemas de assistência à condução que tornam as viagens cada vez mais seguras.

Maior liberdade

Com carros que assumem a condução, o condutor terá mais liberdade para se dedicar a outras atividades. Algumas delas são fatores que hoje agravam a insegurança rodoviária, como falar ao telemóvel, enviar mensagens e até ler ou maquilhar-se, entre outros gestos que não são assim tão incomuns por parte de quem vai ao volante. Com a passagem do condutor ao papel de ‘passageiro’, esperam-se menos preocupações e mais tempo disponível para o que se precisa ou o que se gosta de fazer.

Por outro lado, os veículos partilhados libertam os proprietários de outras obrigações, como fazer revisões, tratar de seguros e pagar impostos. O carro será para muitos – sobretudo para as gerações mais jovens – uma forma de os levar do ponto A ao ponto B, sem outras preocupações.

Cidades menos poluídas

Nas próximas décadas, os carros elétricos ganharão protagonismo como parte da solução na luta contra a poluição nos grandes centros urbanos. As marcas apostam cada vez mais em modelos elétricos ou híbridos. A Audi prevê que em 2025, ⅓ dos seus carros vendidos sejam eletrificados. É aguardado com expetativa o lançamento o e-tron, o primeiro carro 100% elétrico da Audi, que estará no mercado no início de 2019.

Mas aquilo que está em causa não é apenas a questão das emissões e o facto dos transportes representarem cerca de 25% das fontes de poluição na UE. A gestão dos recursos disponíveis é outra das preocupações em cima da mesa, um desafio a que, por exemplo, a Audi responde com soluções de combustível que hoje permitem um comportamento neutro em relação às emissões de CO2. A produção de e-gas e e-diesel, combustíveis sintéticos que são obtidos retirando CO2 da atmosfera, representam para já uma solução intermédia. Quando queimados, geram CO2, mas entre aquilo que se emite e o que se recupera consegue-se para já um equilíbrio.

A mobilidade, além dos carros

Não é apenas o desenvolvimento de modelos automóveis cada vez mais autónomos que está a mudar o conceito de mobilidade urbana. As cidades ainda não são como vemos nos filmes, com carros voadores, mas um pouco por todo o mundo a inteligência artificial e as tecnologias de informação contribuem para uma realidade que há uns anos seria impensável. Hoje, o conceito de viaturas partilhadas permite que apanhemos um carro ou uma scooter em qualquer ponto da cidade e os deixemos quando já não precisamos deles. Há aplicações que permitem pagar o estacionamento do carro dispensando as moedas para o tradicional parquímetro. Ainda não há forma de evitar atrasos nos transportes públicos, mas é possível saber quantos minutos o autocarro vai demorar até à paragem. O GPS indica-nos qual o caminho mais rápido, tendo em conta o trânsito em tempo real. E chamar um carro com motorista através de uma aplicação no telemóvel é um gesto que se tornou banal em muitas cidades.

Nova geração de infraestruturas

Para que os veículos autónomos possam proliferar e ter um nível cada vez maior de automação, são necessárias alterações ao nível das infraestruturas, nomeadamente faixas delimitadoras pintadas no chão, mapeamento digital, sinalização específica capaz de ser ‘lida’ pelos carros e autoestradas com redes 5G, que permitam aos carros comunicarem entre si de forma muito mais rápida.

Em relação à eletrificação, muitos países apostam atualmente nas infraestruturas ao nível do carregamento de veículos elétricos. Portugal é um deles. Atualmente, a rede pública de carregamento conta com mais de 600 postos em território nacional, entre os quais os de carregamento rápido.

Obstáculos

A indústria automóvel pode estar pronta para produzir carros totalmente autónomos, mas estes ainda não podem circular livremente, porque continuam a existir alguns entraves que se prendem, sobretudo, com questões legais e regulatórias e a coabitação de sistemas novos e velhos, além da inadaptação das infraestruturas existentes.

Em 2017, a Alemanha tornou-se o primeiro país a legalizar os automóveis autónomos dentro de alguns parâmetros obrigatórios. O carro pode fazer quase tudo, desde que atrás do volante esteja um condutor pronto a assumir os comandos; que exista uma caixa negra que permita apurar as causas em caso de acidente, sendo que a responsabilidade será sempre do condutor; e que o sistema permita ao piloto automático imobilizar totalmente o veículo em caso de ausência de controlo do condutor. Noutros países, como o Reino Unido e a Suécia, também já começam a surgir as primeiras leis que visam regular a circulação de carros autónomos. Em Portugal, espera-se que ainda este ano comecem a ser feitos na A9 (CREL) os primeiros testes com veículos autónomos.

Em desenvolvimento

O setor automóvel atravessa uma fase de profundas mudanças, que lançam desafios para o futuro. O verdadeiro impacto desta mudança permanece uma incógnita, mas há evidências que revelam qual será o caminho nos próximos anos. O grande foco da Audi está na procura de combustíveis alternativos, na eletrificação e na condução autónoma, sempre de olhos postos na mobilidade nas cidades.

Portugal está na rota da aposta da marca no desenvolvimento tecnológico. Prova disso é o futuro centro de desenvolvimento de tecnologia do grupo VW, que terá sede em Lisboa, e que vem aumentar uma lista de cerca de 40 centros de investigação para a condução pilotada, baterias e IA que o grupo detém, por todo o mundo.

Paralelamente ao lançamento do e-tron, o primeiro carro 100% elétrico da Audi, a marca vai arrancar um projeto que permite vender serviços dentro do carro. O serviço Functions on Demand permitirá aos condutores a qualquer momento comprar a Navegação, fazer um up grade das luzes, adquirir mais potência para o motor ou um sistema de ajuda ao parqueamento, esta compra poderá ser por um mês, seis meses ou um ano. A mesma tecnologia será ao longo do tempo aplicada a outros modelos.

Se o futuro da mobilidade não está escrito, está pelo menos delineado. É expectável que o sonho continue a andar à frente da realidade, e a tecnologia à frente da legislação. Mas uma coisa é certa: a palavra ‘inteligência’ fará cada vez mais parte de tudo o que nos rodeia.

Saiba mais sobre este projecto em: observador.pt/seccao/audi-sonho-vs-realidade/