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David Attenborough, agora com 94 anos, continua interessado no mundo, mais preocupado do que nunca com a forma como os humanos reclamaram para si um planeta que não podem habitar sozinhos

Netflix

David Attenborough, agora com 94 anos, continua interessado no mundo, mais preocupado do que nunca com a forma como os humanos reclamaram para si um planeta que não podem habitar sozinhos

Netflix

Isto não é uma autobiografia filmada, é David Attenborough a avisar-nos: ou mudamos, ou estamos condenados /premium

Aos 94 anos podia recordar, recostado no sofá, a sua soberba vida. Mas no seu novo filme para a Netflix, usa o que viu para discutir o futuro — alarmado, muito, mas com propostas para nos salvarmos.

É um daqueles pormenores aparentemente irrelevantes, mas ao mesmo tempo tão espantosos que parece difícil acreditar. E surge logo ao início de “David Attenborough: Uma Vida no Nosso Planeta”, o novo filme de Attenborough para a Netflix que traça um retrato trágico da evolução do planeta nas últimas décadas. A dada altura, o naturalista britânico que apresentou o mundo vivo selvagem à generalidade dos humanos diz-nos o que já sabíamos, que teve uma “vida extraordinária”, mas dá-nos um nó no cérebro: só agora percebeu, diz ele, o “quão extraordinária” foi.

Soa quase inverosímil. Afinal, David Attenborough, a inesperada estrela pop dos cientistas e estudiosos da natureza e do mundo selvagem, o homem que “toda a gente adora” como escreveu recentemente a revista Time Out London, já viveu quase um século e passou décadas a saltitar de país em país, a explorar florestas, oceanos, savanas, tribos recônditas, espécies raras e quase extintas de animais. Como é que alguém que vive assim não está a par do quão extraordinária — única, diferente da de quase todos os mortais — foi a sua vida?

A perceção de que viveu uma vida absolutamente atípica, espantosa em todos os sentidos, não foi a única descoberta recente de David Attenborough. Também aquilo que viu, registou, gravou e traduziu por palavras através da televisão ganhou uma nova leitura. É ele que o diz, no filme que a Forbes diz ser “o documentário mais importante deste ano”. O entusiasmo era “uma ilusão”, porque “aquelas florestas, planícies e mares [que viu e gravou] já estavam a ficar vazios”, conta-nos David Attenborough, agora com 94 anos, ainda interessado no mundo, mais preocupado do que nunca com a forma como os humanos reclamaram para si um planeta que não podem habitar sozinhos.

[O trailer de “David Attenborough: Uma Vida no Nosso Planeta”:]

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Em suma, o encanto foi substituído, em parte, pelo desencanto. Não é que a paixão de David Attenborough pela história natural, pela parte do planeta que vive paralela às sociedades e à evolução humana, tenha diminuído — parece exatamente a mesma quando comenta, no filme, as imagens antigas da sua “extraordinária vida”, que lhe permitiu perceber como poucos que o mundo não é nem deve estar centrado numa só espécie.

O problema é outro: usando terminologia temática, é como se David Attenborough continuasse embasbacado e apaixonado pelas árvores mas, quando olha para a floresta, só conseguisse sofrer com as últimas décadas.

Dizer que David Attenborough está preocupado com o destino do planeta talvez seja, na verdade, um eufemismo imperdoável, que não trata com o grau devido o tom do que nos diz em “David Attenborough: Uma Vida no Nosso Planeta”.

O britânico tem uma certeza, que é aliás partilhada por muitos outros cientistas: se os homens continuarem a combater a natureza, a destruir o mundo selvagem e o mundo natural para se apropriarem cada vez mais da Terra, o efeito ricochete não é só inevitável como apocalíptico. O mundo selvagem e o mundo natural hão-de encontrar formas de sobreviver sem os humanos, os humanos é que não serão capazes de sobreviver sem o mundo natural, a biodiversidade e a proteção da natureza. Ou seja: a não ser que as coisas mudem radicalmente, estamos condenados.

"Enfrentamos nada menos do que o colapso do mundo vivo, o mesmo que deu origem à nossa civilização, o mesmo de que dependemos para cada elemento da vida que levamos", diz David Attenborough no documentário

O tom do documentário é grave o suficiente para que a versão britânica da revista norte-americana Wired escreva que o filme, disponibilizado na Netflix, é “um obituário para a Terra”. Mas talvez não o seja exatamente. David Attenborough está alarmado, consciente de que se nada de muito significativo mudar, as consequências serão trágicas (para o planeta, sim, mas também para os humanos que o habitam) — mas não está resignado.

A crença de que ainda é possível reverter o caminho humano rumo ao abismo (da sua espécie e da Terra) é o que alimenta o novo documentário. A gravidade do problema não se presta a ligeirezas, mas ainda é possível evitar uma catástrofe com consequências previsíveis (já lá vamos a quais são).

Foi o combate que ainda quer travar, que acha decisivo travar, que levou David Attenborough a aderir à rede social Instagram com mais de 90 anos. Fê-lo no mesmo dia em que ofereceu ao pequeno Príncipe George, de apenas 7 anos, uma prenda inusitada mas preciosa: um fóssil de um dente de um tubarão gigante, que descobriu em Malta mais de 50 anos antes.

O britânico tem uma certeza: se os homens continuarem a combater a natureza, a destruir o mundo selvagem e o mundo natural, o efeito ricochete não é só inevitável como apocalíptico

Netflix / David Attenborough: A

Batendo o recorde de tempo mais curto para angariar um milhão de seguidores no Instagram, o que atesta bem uma popularidade quase imbatível, David Attenborough explicou em entrevista à BBC que o que fez entrar naquela rede social foi o mesmo que o fez decidir fazer este novo filme (e ainda um livro com o mesmo título): “Bom, sou tão velho… e é demasiado difícil ensinar um burro velho a aprender línguas [na versão original: it’s too difficult to teach old dog new tricks]. Não sou um grande utilizador de redes sociais e nunca tinha usado o Instagram antes, mas a mensagem que me preocupa é tão importante que utilizaria qualquer meio disponível para a difundir”.

A mensagem é corroborada no documentário: “Oxalá não estivesse envolvida nesta luta, oxalá não fosse necessário estar envolvido. Mas iria sentirem muito culpado se visse quais eram os problemas e decidisse ignorá-los”, ouve-se-lhe a dada altura. “Enfrentamos nada menos do que o colapso do mundo vivo, o mesmo que deu origem à nossa civilização, o mesmo de que dependemos para cada elemento da vida que levamos”, problematiza mais tarde. Como quem nos pergunta: já tenho a vossa atenção?

[Novo filme de David Attenborough estreia com pontuação de 9.2 no IMDB:]

Um testemunho que é também “uma visão para o futuro”

O filme começa com David Attenborough em Chernobyl, que foi “o lar de quase 50 mil pessoas” mas em 1986 “tornou-se inabitável”, depois das explosões em duas centrais nucleares. Aquela, começa Attenborough por dizer, foi uma “catástrofe ambiental”, resultante de “mau planeamento e erros humanos”.

É uma tragédia usada como metáfora, para nos explicar que o planeta encaminha-se para uma tragédia ainda maior. Isto porque Chernobyl, diz David Attenborough, “foi um evento único”, episódico. “A verdadeira tragédia do nosso tempo continua a desenrolar-se por todo o planeta, quase impercetível de dia para dia”.

O argumento principal do documentário é este: o modo de vida humano “está a enviar a biodiversidade para um declínio”, o mundo natural “está a desaparecer” e também essa catástrofe já em desenvolvimento decorre “de mau planeamento e erro humano”

O argumento principal do documentário é este: o modo de vida humano “está a enviar a biodiversidade para um declínio”, o mundo natural “está a desaparecer” e também essa catástrofe já em desenvolvimento decorre “de mau planeamento e erro humano”. No futuro, “aquilo que vemos aqui” — em Chernobyl — será transposto para uma parte do planeta: a Terra encaminha-se para ter cada vez mais porções de territórios “onde não podemos viver”.

Há um dado curioso no filme e no modo como David Attenborough se refere a ele. O britânico, que estudou geologia e zoologia e que se formou em Ciências Naturais em Cambridge antes de ser uma celebridade televisiva, diz que “Uma Vida no Nosso Planeta” é o seu “depoimento de testemunha”, na versão original “witness statement”. Como a estação norte-americana CBS lhe recordava aquando de uma entrevista recente, a expressão é usada quando é cometido um crime. Não é inocente: “Bom, foi efetivamente cometido um crime. E acontece que estou numa idade que me permitiu ver o começo disso”.

Embora o documentário tenha uma vertente de testemunho, apontando na sua maioria os episódios e as tendências evolutivas da vida humana que levaram o planeta a chegar ao estado a que chegou também a partir do que Attenborough viu e explorou, “Uma Vida no Nosso Planeta” — que no próprio título parece referir-se a uma certa era, “uma vida”, possivelmente circunscrita no tempo —, também é uma “visão para o futuro”, explica David Attenborough logo no arranque. Se a empreitada propunha-se a contar a história “de como transformámos isto no nosso maior erro”, também se propunha a indicar os caminhos para o solucionar. Daí que descrever isto como um obituário da Terra, como sugere a revista Wired, possa ser precipitado. O fim ainda não chegou, embora vá chegar se nada for feito: “Ainda podemos corrigir o nosso maior erro, se agirmos agora”, ouvimos no documentário.

Ao longo de quase uma hora e meia, Attenborough recupera imagens de arquivo de uma vida dedicada à descoberta e revelação da natureza e do mundo selvagem — e vai narrando o que viu e observou, com a sua voz omnipresente e também com a sua figura atual a surgir várias vezes, habitualmente de camisa e de frente para as câmaras — mas vai também dando dados sobre as alterações que ocorreram no planeta nas últimas décadas.

David Attenborough with orang utan and her baby at London Zoo

David Attenborough com orangotangos no Zoo de Londres, em abril de 1982. (@ mirror/Mirrorpix/Getty Images)

mirror/Mirrorpix/Getty Images

Os números atestam o crescente domínio do homem sobre a Terra. Mais do que isso: ilustram a forma como os humanos se apoderaram de boa parte do globo, pondo em risco a biodiversidade e o mundo natural (das espécies animais às florestas e aos oceanos), sem os quais será impossível viver.

Os dados escolhidos para ilustrar “o crime” são sobretudo três: o número de humanos que habitam a Terra, que aumentou espantosamente ao longo das últimas décadas pela natalidade mas sobretudo pelo aumento da esperança média de vida; a quantidade de carbono na atmosfera, que chegou a níveis trágicos, não apenas preocupantes; e aquilo a que Attenborough chama a “natureza selvagem restante”, que não é alvo de intervenção humana. Em 1954, a “natureza selvagem restante” representava 64% do planeta, num equilíbrio harmonioso (afinal é impossível viver sem o que é garantido aos humanos pelas florestas ou pelos oceanos). Em 2020, o cálculo é de que a natureza selvagem represente 35% do planeta, menos 29% do que há menos de um século.

Da família real britânica a David Beckham. A estreia da nova série de David Attenborough

A tese de que a biodiversidade é indissociável da sobrevivência humana não é uma opinião, é um fato. Ao The Guardian, o professor David Macdonald, da Universidade de Oxford, dizia-o da forma mais clara possível recentemente: “Sem biodiversidade, não há futuro para a humanidade”. O jornal dava exemplos tão simples quanto “sem plantas, não há oxigénio” e “sem abelhas para polinizar, não haveriam frutas ou nozes”.

Como lembra Attenborough no documentário, “a cada cem milhão de anos”, mais coisa menos coisa, “acontece algo catastrófico” no planeta: uma extinção em massa, que se verifica quando “desaparecem imensas espécies que, de súbito, são substituídas por poucas”. Na última grande extinção em massa, a quinta — e que pôs fim à era dos dinossauros — 75% das espécies foram extintas. É motivo mais do que suficiente para recear uma “sexta extinção em massa”, que Attenborough e alguns cientistas consideram já estar em curso.

"Parecia inconcebível que nós, uma única espécie, poderíamos ter o poder de ameaçar a própria existência da natureza selvagem", recorda Attenborough, sobre os seus tempos de juventude

A “ilusão” a que Attenborough se refere quando revê a forma como registou e gravou o mundo natural ao longo das décadas era generalizada: depois da Segunda Guerra Mundial (que ele, ao contrário da maioria dos humanos vivos, ainda viveu), a discussão sobre as consequências do desenvolvimento humano era inexistente. Em contraponto, o entusiasmo era grande. “Parecia inconcebível que nós, uma única espécie, poderíamos ter o poder de ameaçar a própria existência da natureza selvagem”, diz agora o britânico.

O que parecia impossível confirmou-se e hoje “tornou-se óbvio”, diz David Attenborough, que em tempos chegou a ser considerado inapto para produções televisivas por deter dentes demasiado grandes. Num dos momentos chave do documentário, o britânico recorda a série “Vida na Terra”, que o fez “viajar pelo mundo na segunda metade dos anos 70” e que o popularizou como figura televisiva. “Filmámos 650 espécies [em 39 países] e percorremos 2,4 milhões de quilómetros”, lembrou, mas já na altura “era percetível que alguns animais estavam mais difíceis de encontrar” e já então “o processo de extinção que tinha visto em miúdo, nas rochas, estava a acontecer à minha volta”, em alguns casos com animais como os famosos gorilas da montanha, que Attenborough viria a gravar e com quem acabaria por “confraternizar”, num dos seus momentos mais populares na televisão:

O problema é nomeado de forma muita clara: os humanos, diz-nos Attenborough com a experiência acumulada de ter visto mais mundo que quase todos (todos?) os outros mortais, passaram décadas a “consumir a Terra até a esgotarmos” e o desaparecimento de “habitats inteiros” foi a consequência.

Um dos exemplos trágicos dados é o da floresta húmida do Bornéu, que David Attenborough visitou e filmou nos anos 50. As florestas húmidas, como nos é explicado, são um “habitat especialmente precioso” porque “mais de metade das espécies da Terra vivem aqui” e todos têm “um papel crucial” no ecossistema. O que aconteceu nas décadas seguintes? “Até ao final do século, a floresta húmida do Bornéu foi reduzida para metade”.

Outro dado chocante é a extinção de mamíferos: hoje, os humanos são já dois terços dos mamíferos do planeta e mais, só 4% dos mamíferos não são nem humanos nem animais criados pelos humanos para se alimentarem. Em suma, substituiu-se uma natureza selvagem por uma natureza domesticada — e as consequências são devastadoras. “Este é agora o nosso planeta, gerido pela humanidade para a humanidade”, nota ainda, dizendo que “as populações do mundo selvagem” são hoje menos de metade do que eram quando começou a filmar.

Se David Attenborough é regularmente recordado, em entrevistas, de que se mostrou cético de que o modo de vida humano era decisivo para o aquecimento global até tarde (deixou de ter dúvidas por volta de 2005), no documentário enfrenta o problema de frente: diz que o aquecimento do planeta foi “uma característica comum a todas as cinco extinções em massa” do passado e que a temperatura global só se manteve estável até aos anos 1990 porque “o oceano absorvia muito excesso de calor”, dissimulando e mascarando o impacto humano.

“A temperatura média global é hoje mais um grau do que quando nasci [há 94 anos]”, o que é “um ritmo” de mudança “que excede qualquer outro registado nos últimos 10 mil anos”
David Attenborough

De repente tudo mudou — e com a sobre-exploração humanos dos oceanos, a gravidade do problema tornou-se gradualmente mais catastrófica. “O oceano há muito que se tornou incapaz de absorver o excesso de calor causado pelas nossas atividades”, alerta-nos Attenborough. “A temperatura média global é hoje mais um grau do que quando nasci”, o que é “um ritmo” de mudança “que excede qualquer outro registado nos últimos 10 mil anos”.

O que fazer para que a Terra não fique parcialmente inabitável? David dá a receita

Não há porém momentos em “David Attenborough: Uma Vida no Nosso Planeta” tão preocupantes quanto as previsões feitas para o futuro. Eis o que é expectável para a década de 2030 a 2040, se nada for feito: Ártico sem gelo no verão, ciclo global da água alterado pelo ataque à floresta húmida amazónica, aquecimento global cada vez mais acelerado. De 2040 a 2050, “os solos congelados derretem, libertando metano” — o que terá consequências ambientais incalculáveis, “acelerando o ritmo das alterações climáticas de forma drástica”.

Se nada de essencial mudar, daqui por 90 a 100 anos, na década de 2100 a 2110, “o nosso planeta fica quatro graus Celsius mais quente”, “grandes extensões da Terra tornam-se inabitáveis” e “milhões de pessoas ficam sem casa”. Como ser otimista perante isto?

De 2050 a 2060, “os recifes de coral por todo o mundo morrem” e as “populações de peixe entram em declínio”. E três décadas depois, de 2080 a 2090, chega-se a um ponto em que “a produção global de alimentos entra em crise à medida que os solos se gastam por uso excessivo”, em que “os insetos polarizadores desaparecem” (vão-se as frutas e as nozes) e em que a temperatura “é cada vez mais imprevisível”, quebrando de vez um ciclo de estações que foi decisivo para a estabilidade do planeta.

Se nada de essencial mudar, daqui por 90 a 100 anos, na década de 2100 a 2110, “o nosso planeta fica quatro graus Celsius mais quente”, “grandes extensões da Terra tornam-se inabitáveis” e “milhões de pessoas ficam sem casa”. Como ser otimista perante isto?

A pergunta de um milhão de dólares é: como é que tudo isto se evita? Como isto não é ainda um obituário da Terra, ainda há soluções à vista. Attenborough diz-nos que a resolução “esteve sempre diante dos nossos olhos: temos de recuperar a biodiversidade, é a única saída desta crise que criámos”.

Millionth Child

David Attenborough e "Charlie, o lama" em março de 1980

Wesley/Keystone/Getty Images

É preciso “renaturalizar o mundo”, nota Attenborough, se possível “reduzindo o impacto” disso nas condições de vida das pessoas. Trunfos para o fazer: aposta nas energias renováveis — só a luz do sol, garante-nos Attenborough, dá “quase 20 vezes a energia de que precisamos” —, acabar com os combustíveis fósseis e garantir que temos um “oceano saudável” e “diversificado” porque “quanto mais diversificado for, melhor faz o seu trabalho”. Sem um oceano saudável, aliás, “não podemos viver” — precisamos dele “até como fonte de alimento”, porque “quanto mais sadio for o habitat marinho, mais peixes haverá e mais haverá para comer”, lembra-nos o britânico.

Outra alteração inevitável ao modo de vida humano: a alteração da dieta. David Attenborogh não é inteiramente vegetariano, mas é o primeiro a dizer que é preciso “uma dieta baseada largamente em plantas”, porque “o planeta não consegue sustentar milhares de milhões de grandes comedores de carne” e porque uma dieta menos carnívora faria com que precisássemos “apenas de metade da terra que usamos neste momento” para cultivar e criar gado. Mas também é preciso garantir mais espaço para o desenvolvimento do mundo selvagem, produzindo comida por exemplo “em muito menos terra” do que atualmente, aproveitando por exemplo “novos espaços, indoors, no interior das cidades”. E assegurar que as florestas se mantêm habitats grandes e sadios, porque são “a melhor tecnologia que a natureza tem para bloquear o carbono [absorvendo-o] e são centros de biodiversidade”.

Eis uma súmula possível da tese de Attenborough, apresentada no documentário: “Uma espécie só pode prosperar se as outras à sua volta prosperarem. Se cuidarmos da natureza, a natureza cuidará de nós. Está na hora de.a nossa espécie deixar simplesmente de crescer, de estabelecermos uma vida no nosso planeta em equilíbrio com a natureza

Eis uma súmula possível da tese de Attenborough, apresentada no documentário: “Uma espécie só pode prosperar se as outras à sua volta prosperarem. Se cuidarmos da natureza, a natureza cuidará de nós. Está na hora de.a nossa espécie deixar simplesmente de crescer, de estabelecermos uma vida no nosso planeta em equilíbrio com a natureza”. Ou por outras palavras: em todas as atividades, é preciso que o modo de vida volte a ser sustentável. Afinal “a vida no nosso planeta” não acabou — mas para a sobrevivência humana, diz-nos Attenborough, é preciso que passe a ser outra.

Os dados recentes produzidos e calculados por cientistas ajudam a sustentar a tese, mesmo que não sejam nomeados no novo filme para a Netflix. Como escrevia recentemente a BBC (e há um ano a agência Reuters), em 2019 um grupo intergovernamental internacional que agrupa 130 países, o IPBES, revelou um estudo conduzido pelo investigador Robert Watson que calculava que um milhão de espécies de animais, insetos e plantas estão em risco de extinção na próxima década. Também há consenso científico sobre os níveis de dióxido de carbono estarem a níveis nunca vistos na atmosfera.

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