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O Pavilhão Rosa Mota reabriu ao público, envolto em polémica devido ao novo nome, em outubro de 2019

NurPhoto via Getty Images

O Pavilhão Rosa Mota reabriu ao público, envolto em polémica devido ao novo nome, em outubro de 2019

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Jorge Lopes: “Com as medidas que estão em cima da mesa, é impossível reabrir o Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota” /premium

Organiza o MEO Marés Vivas, em Gaia, e é promotor do Super Bock Arena, no Porto. Jorge Lopes fala dos bilhetes, dos prejuízos, de uma situação "dramática" e espera que restrições mudem até setembro.

No dia em que a Assembleia da República aprovou a versão final da proposta que detalha como funcionará o “voucher” a que portadores de bilhete de festivais e espetáculos adiados terão direito, o Observador falou com Jorge Lopes, sócio da PEV Entertainment, empresa promotora do festival Marés Vivas e do Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota.

A decisão de cancelar os festivais de verão em 2020 era “inevitável”, mesmo quando já estavam vendidos 28 mil bilhetes e um dos três dias do festival estava “praticamente esgotado”. O que se seguiu foi um enorme desafio, repleto de dores de cabeça e renegociações diárias. Jorge Lopes diz ainda não ter contabilizado o prejuízo, mas admite viver uma “situação dramática”. Quer garantir 80% do cartaz anunciado, onde nomes como Anitta e Liam Payne estão já confirmados para a próxima edição, que decorrerá entre 16 a 18 de julho, em Vila Nova de Gaia.

Relativamente ao Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota, inaugurado em outubro do ano passado, o promotor afirma que o futuro é ainda “uma incógnita”. O espaço continuará a ser um hospital de campanha pelo menos até ao fim do mês de julho, mas a partir de setembro a programação de concertos mantém-se e ainda nada foi cancelado. No entanto, a abertura de portas dependerá do evoluir da pandemia e, claro, das medidas impostas pelo Governo. Caso sejam as mesmas que se conhecem nesta fase, que obrigam a um distanciamento social de dois metros, o que faz com a que a lotação da sala diminua significativamente, Jorge Lopes não tem dúvidas. “Seria impossível reabrir.”

O festival Marés Vivas acontece desde 2007 ininterruptamente

© Artur Machado / Global Imagens

Era uma decisão inevitável proibir os festivais de verão este ano?
Trabalhamos há um ano para que as coisas pudessem ser possíveis, mas tendo em conta o estado do planeta, porque isto não é um problema exclusivo de Portugal, claro que era uma decisão inevitável.

Durante o encontro com o Governo, todos os promotores estiveram de acordo com este cenário?
Poderá ter havido um ou outro que tivesse alguma esperança que o seu festival se pudesse realizar por ser mais tarde ou por ser numa outra região, mas todos estavam de acordo que no estado em que o país está neste momento, seria impossível realizar este tipo de eventos.

No seu caso, manteve esperança?
Quando a pandemia rebentou, começámos a perceber a gravidade da situação. Tivemos sempre algum otimismo que isto fosse ultrapassado, afinal, faltavam cinco meses. Mas com o passar das semanas, entendemos que não havia volta a dar, por tudo o que se instalou por toda a Europa e por todo o mundo. Percebemos que não era possível.

Reembolso? “Voucher” para troca de bilhete? Estas são as regras para festivais e espetáculos adiados

Quantos bilhetes já estavam vendidos?
Tínhamos cerca de 28 mil bilhetes vendidos. Sábado era um dos dias que já estava praticamente esgotado.

Algum dos artistas confirmado já tinha cancelado o concerto?
Não, todos eles aguardaram por desenvolvimentos. Isto foi tudo muito rápido, caiu uma bomba atómica no mundo. Tal como nós, os artistas programam uma turné durante um ano e de um momento para o outro isto surge e eles próprios não percebem o que se está a passar. À medida que o tempo foi passando, começamos a conversar e a perceber que era inviável, quer eles viajarem, quer tonar eventos desta envergadura possíveis. Estaríamos a colocar em risco a saúde de todos.

"O mais difícil nem é a parte financeira, é a sensação que temos em concluir o nosso trabalho e o facto de não conseguirmos ter isso. Faço festivais há 20 anos e é o primeiro ano em que não vamos ter o prazer de organizar um evento e ter aquela moldura humanas, isso também nos satisfaz."

Como está a ser feita a gestão dos recursos e encargos que já estavam assumidos? Já avaliaram o prejuízo?
É dramático. Estamos a tentar resolver o problema diariamente para que o drama não seja tão grande e consigamos minimizá-lo de alguma forma. Um festival é trabalhado e pensado com um ano de antecedência, há muito dinheiro despendido desde o dia em que se lança a primeira pedra até aos dias do evento. É complicado, não temos isso avaliado ainda, mas estamos a renegociar um sem número de coisas, os artistas, os custos, os voos comprados. É uma situação dramática.

O que é mais difícil neste processo?
O mais difícil nem é a parte financeira, é a sensação que temos em concluir o nosso trabalho e o facto de não conseguirmos ter isso. Faço festivais há 20 anos e é o primeiro ano em que não vamos ter o prazer de organizar um evento e ter aquela moldura humanas, isso também nos satisfaz. É bom perceber que as pessoas ficam felizes ao viverem aquela experiência, é uma das coisas que nos vai custar mais e vai ser ainda mais duro quando chegar aos três dias do festival.

Já estão a pensar no próximo ano. O que podemos esperar?
Queremos manter grande parte dos artistas, as grandes pérolas do cartaz.

Estamos a falar de mais de metade?
Conto que 60 a 80% do cartaz vamos conseguir fechar. Podemos anunciar já a Anitta e o Liam Payne, que atuavam no dia mais vendido. Estão ambos confirmados para sábado, dia 17 de julho. Há outro nome que sentimos que havia muita vontade de o ver, que é o Maluma, mas foi anunciado dois dias antes de rebentar a pandemia, por isso não houve grandes sinais de venda.

Será um nome a manter?
Sim, queremos mantê-lo, mas neste momento ainda não está confirmado. Queremos também deixar algum espaço, porque acreditamos que para o ano poderão surgir outras boas oportunidades. Temos alguns nomes em cima da mesa que se calhar vão tornar o festival mais apelativo e ainda maior.

Que novidades são essas?
Não posso adiantar, ainda não estão fechadas.

O Super Bock Arena - Pavilhão Rosa Mota tornou-se um hospital de campanha para combater a Covid-19 em abril

Octavio Passos

O reembolso ou a troca de bilhetes tem suscitado algumas dúvidas e polémicas. Agrada-lhe o que foi aprovado hoje na Assembleia da República?
Este formato que o Governo hoje legislou parece-nos perfeitamente adequado, pois protege a continuidade e a saúde desta máquina cultural, mas ao mesmo tempo protege o consumidor, porque lhe permite tomar a opção de ir ou não ao festival. Ou seja, se alguém que comprou o bilhete este ano e não se revê no cartaz do ano seguinte ou não quer assistir a mais nenhum espetáculo do mesmo promotor, será reembolsado. Quem tiver o bilhete e quiser manter a presença no festival no próximo ano, o bilhete deverá ser trocado, sem qualquer custo, por uma questão de datas. Adotamos a regra de devolver o dinheiro logo após o festival, no dia seguinte. Até lá, as pessoas ainda têm alguns meses para ouvir as nossas propostas, de forma a que possam optar por ir ou não.

Relativamente ao Super Bock Arena — Pavilhão Rosa Mota, do qual também é promotor, quando é que ele poderá reabrir e de que forma é que isso poderá acontecer?
Para já o futuro é um bocadinho incerto. O hospital de campanha estará instalado até finais de julho e temos, a partir de setembro, uma agenda cheia de eventos marcados até dezembro, como a Joss Stone, a Ana Carolina ou a Marília Mendonça. Parte deles já estavam marcados, outros, que iriam acontecer em abril e maio, foram adiados para o final do ano. Agora, tudo depende de como o país e o mundo vão responder a esta pandemia e de que forma é que se vai voltar a ter espetáculos. Os bilhetes estão à venda, não há nada cancelado, há outros a quererem marcar, mas temos que perceber quais são as medidas restritivas que o Governo irá implementar, qual é a viabilidade deste tipo de salas abrirem, qual é a disponibilidade do público de ver espetáculos e depois dos próprios artistas. Estamos ainda numa incógnita muito grande, vamos aguardar.

"Temos uma sala com 4500 lugares sentados, o que se traduzia numa lotação de 700 e pouco. As salas mais pequenas com mil lugares, ficariam com 150 a 200 lugares, o que é inviável."

Das normas que já conhecemos, que implicam a redução da lotação das salas, isso pode poder em causa a sustentabilidade de uma sala como esta?
Sim, completamente. As medidas que se têm tornado públicas, embora não sejam as finais, são medidas restritivas direcionadas para a primeira quinzena de junho. Temos que aguardar, mas se chegarmos a setembro e tivermos estas medidas restritivas penso que nenhum espetáculo é viável e vai ser mesmo impossível que a maioria das salas do país possam abrir. Quer pelo custo das salas, quer pelos artistas.

Mas a dimensão deste pavilhão ajuda.
A dimensão ajuda a tornar possível algumas coisas, para todos os efeitos é a maior sala de espetáculos no Porto, é a sala que vai ter mais capacidade apesar das medidas restritivas. No entanto, depois tem que ver com o estado em que estamos, havendo medidas restritivas é sinal que a pandemia ainda não nos deixou, é sinal que as pessoas ainda têm algum receio, que os artistas ainda não viajam, e aí tudo vai ser mais difícil.

Com as medidas que estão em cima da mesa, pode abrir as portas?
Não, é impossível. Temos uma sala com 4500 lugares sentados, o que se traduzia numa lotação de 700 e pouco. As salas mais pequenas com mil lugares, ficariam com 150 a 200 lugares, o que é inviável. Ou se teriam preços astronómicos nos bilhetes, o que também não faz sentido, ou então torna impossível qualquer vida cultural normal. Quando efetivamente pudermos trabalhar e o Super Bock Arena estiver disponível, vamos querer programar e voltar à normalidade, mesmo com regras estabelecidas. Iremos fazer todos os possíveis para reabrir e fazermos a nossa parte para trazer a normalidade o mais rapidamente possível.

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