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Um agente da GNR faz o controlo de entradas e saídas na área geográfica de Ovar (ESTELA SILVA/LUSA)

ESTELA SILVA/LUSA

Um agente da GNR faz o controlo de entradas e saídas na área geográfica de Ovar (ESTELA SILVA/LUSA)

ESTELA SILVA/LUSA

Localidades erguem muros para impedir a entrada do novo coronavírus

Porto e Gaia estão contra uma cerca sanitária, mas, depois da medida aplicada em Ovar, várias outras localidades por todo o país optaram pelo isolamento ou por um forte controlo de quem entra e sai.

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[Artigo em atualização]

À medida que o surto do novo coronavírus avança no território nacional, várias localidades optam por erguer muros e impedir entradas, ao mesmo tempo que os habitantes se fecham nas suas casas. Ovar foi a primeira a ver ser tomada uma decisão deste género. Neste concelho, foi declarado estado de calamidade há quase duas semanas, numa altura em que havia 30 casos confirmados — são agora mais de 150.

A mesma questão chegou a colocar-se esta segunda-feira em relação ao Porto, depois de Graça Freitas, a diretora-geral da Saúde, admitir a aplicação de uma cerca sanitária na cidade. A autarquia — e alguns concelhos vizinhos — rejeitou a ideia, considerando-a “inútil” e “absurda”, mas, depois de Ovar, outras localidades que foram detetando contaminações entre os seus habitantes seguiram pelo mesmo caminho. A aldeia de Parada (concelho de Almeida no distrito da Guarda) está a testar a população depois de uma emigrante em França infetada ter estado naquela localidade num batizado. Na freguesia de Parada do Monte (concelho de Melgaço no distrito de Viana do Castelo), foi instalada uma cerca comunitária depois de detetados três casos. Na Póvoa de Varzim, as entradas de não habitantes na cidade vão começar a ser controladas já a partir deste fim de semana. No concelho de Povoação, na ilha de São Miguel, nos Açores, está isolado por um cordão sanitário até ao dia 13 de abril.

O concelho de Ovar decretou estado de calamidade no passado dia 17 de março (ESTELA SILVA/LUSA)

ESTELA SILVA/LUSA

As autoridades de saúde vão decidindo localmente a imposição de cordões sanitários que são controlados pela PSP e pela GNR. Na sexta-feira, a diretora-geral da Saúde negou que estas entidades estejam a incumprir as regras, já que “têm competência” para tomar este tipo de medidas. “Em determinadas zonas, as autoridades de saúde entenderam, com base na avaliação do risco, que deviam quebrar essa barreira”, disse Graça Freitas.

Ovar em estado de calamidade há quase duas semanas. Tem agora 266 casos confirmados

Havia 30 casos confirmados quando foi declarado estado de calamidade, a 17 de março, em Ovar, por ser “a primeira localidade onde as autoridades de saúde classificaram como existindo uma situação de transmissão comunitária“, descreveu o primeiro-ministro António Costa numa conferência de imprensa nessa data. Desde então, os habitantes estão numa quarentena obrigatória que só terminará previsivelmente a 2 de abril — embora esse período seja “reavaliado continuamente”, segundo explicou na altura a ministra da Saúde, Marta Temido — e todos os estabelecimentos comerciais e de serviços não essenciais estão encerrados.

Ovar. “A cidade está toda parada, parece que nos desligaram as máquinas”

Está também instalada uma cerca sanitária em todo o município — a qual só pode ser atravessada em situações excecionais, como profissionais de saúde e de socorro residentes em Ovar, abastecimento de áreas que devam continuar em funcionamento, tal como supermercados. “Fica vedada a saída dos residentes de Ovar e é vedado o acesso de todos nós ao município de Ovar”, explicou o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, na altura. O controlo das fronteiras do concelho está a ser feito pela PSP e pela GNR e quem não cumprir as regras incorre num crime de desobediência.

Ponto de situação às 20:00 no Município de Ovar. A nossa estratégia intensa de testes naturalmente que origina um…

Posted by Salvador Malheiro on Monday, March 30, 2020

Segundo o balanço mais recente divulgado pelo presidente de Ovar, Salvador Malheiro, o concelho contabilizava 266 casos confirmados até à noite desta segunda-feira. Há ainda a registar oito vítimas mortais e cinco pessoas que já recuperaram.

Aldeia de Parada testa habitantes que estiveram em contacto com emigrante infetada

O paciente zero da aldeia de Parada, uma freguesia do concelho de Almeida, no distrito da Guarda, é uma emigrante em França. A mulher de 78 anos regressou a Portugal para ir a um batizado, numa altura em que já estaria infetada com o novo coronavírus. Assim que, no passado domingo, o teste da doente deu positivo para a Covid-19, a aldeia entrou em isolamento domiciliário.

Foram sinalizadas 90 pessoas que terão contactado com a mulher contagiada. Começaram por isso a fazer-se rastreios em massa. Os habitantes começaram a ser chamados à vez para serem testados no drive-thru que está a funcionar no quartel dos Bombeiros da Guarda. O presidente da Câmara de Almeida, António Machado, explicou ao Observador, que os testes feitos até ao final da semana passada — que correspondem a “grande parte” dos contactos — deram negativo, na sua maioria. Há, no entanto, uma vizinha da emigrante em França que testou positivo e encontra-se de quarentena em casa.

Foram sinalizadas 90 pessoas que terão contactado com a mulher emigrante em França contagiada (MIGUEL PEREIRA DA SILVA/LUSA)

MIGUEL PEREIRA DA SILVA/LUSA

A par desta situação, apareceu mais um caso confirmado que não tem relação com a emigrante. Segundo explicou António Machado ao Observador, trata-se de um funcionário da Câmara Municipal da Guarda, que reside na aldeia de Cabreira — uma das três que constituem a União das freguesias de Amoreira, Parada e Cabreira. O funcionário encontra-se hospitalizado e foram sinalizadas cerca de 38 pessoas que estiveram em contacto com ele e que vão agora ser testadas.

Daí que o presidente da Câmara da Almeida — concelho onde, de acordo com o boletim da DGS desta segunda-feira, há seis casos confirmados — acredite que “é provável que venham aumentar o número de pessoas contaminadas”, até porque há algumas pessoas mais idosas que não estão a cumprir à risca o pedido de isolamento domiciliário.

Unidade móvel de rastreio começou esta quarta-feira a funcionar na Guarda

Na quarta-feira, a Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda começou a utilizar uma unidade móvel para rastreio da Covid-19 de forma a evitar a deslocação de doentes. Assim que começou a funcionar, a unidade móvel realizou testes a cerca de dez dos cerca de 90 moradores que estiveram em contacto com a mulher infetada. O veículo, cedido pelos Bombeiros Voluntários da Guarda, vai levar dois enfermeiros para fazer os testes “no domicílio de doentes que têm dificuldade” em deslocar-se ao hospital da Guarda e, se necessário, “em lares de idosos ou outras instituições”. “E vai também servir para aqueles doentes que estão em isolamento domiciliário para os quais depois será necessário confirmar a cura”, disse Luís Ferreira, diretor do serviço de pneumologia da ULS da Guarda, à Agência Lusa.

Quatro casos na origem da cerca comunitária na freguesia de Parada do Monte

No dia 23 de março confirmou-se a existência de um caso de Covid-19 na freguesia de Parada do Monte, no concelho de Melgaço. Na quarta-feira, dois novos casos e várias pessoas “com sintomas a realizarem testes de despiste e diagnóstico”, lê-se na publicação feita pelo município através das redes sociais — a mesma em que anunciava que a freguesia de Parada do Monte estava “a ser submetida a uma cerca comunitária”.

O primeiro caso detetado é de um homem de 87 anos. Os outros dois são seus vizinhos, marido e mulher, com 86 e 82 anos, respetivamente, segundo adiantou Ricardo Alves, presidente da União de Freguesias de Parada do Monte e Cubalhão, ao Jornal de Notícias.

Esta segunda-feira, confirmou-se o quarto caso da Covid-19 na aldeia. É um idoso com cerca de 80 anos, segundo a publicação do município no Facebook.

⚠???? Mantém-se o cerco sanitário na aldeia de Parada do Monte! A decisão foi tomada após a confirmação do quarto caso de…

Posted by Município de Melgaço on Monday, March 30, 2020

Ao JN, o autarca explicou também que o objetivo da cerca comunitária é que as pessoas que eventualmente tenham contactado com infetados cumpram um isolamento durante 14 dias  — e não propriamente que haja um controlo das fronteiras. Para que este apelo seja espalhado, a Câmara Municipal de Melgaço anunciou na terça-feira, através de comunicado no seu site, um reforço da ação da GNR, “enquanto fator dissuasor da utilização do espaço público”.

Além disso, anunciou também que vai assegurar a realização de testes ao novo coronavírus “para os utentes e profissionais das instituições do concelho, tendo contratualizado com um laboratório que assegurará a realização destes localmente, evitando-se deslocações dos possíveis infetados”.

Póvoa de Varzim controla entradas de não habitantes já a partir deste fim de semana

As fotografias marcaram o fim de semana de 21 e 22 de março. No primeiro dia de estado de emergência em Portugal, começaram a circular nas redes sociais imagens da marginal que liga Póvoa de Varzim a Vila do Conde. Completamente cheia de pessoas — um comportamento que o presidente da Câmara da Póvoa do Varzim criticou e descreveu como “inconsciente”, numa publicação que fez na sua página do Facebook.

Face ao comportamento inconsciente que assistimos esta manhã na nossa Cidade, e pelo desrespeito ao Estado de Emergência…

Posted by Aires Pereira on Sunday, March 22, 2020

Logo aí, Aires Pereira dizia que não tinha alternativa senão “atuar de forma rigorosa e insistente”. Por isso, nessa mesma publicação, o autarca comunicou uma série de medidas que seriam implementadas: encerrada a marginal onde foram tiradas as polémicas fotografias e controlados pela PSP todos os acessos por automóvel à cidade. Mais: “A Polícia Municipal, juntamente com a Proteção Civil, irá permanecer na via pública, para que todos aqueles que lá se encontrem cumpram as medidas que estão estipuladas e permaneçam o mínimo de tempo possível expostos”, adiantou.

Estado de Emergência? Marginal na Póvoa de Varzim encheu, autarquia aperta medidas de restrição

Nesse mesmo dia, em entrevista à rádio Observador, Aires Pereira referiu ter sido “surpreendido” com o que se passara naquela manhã: “Nada previa que os poveiros fossem ter este comportamento, uma vez que durante a semana têm estado recolhidos e as coisas correram com normalidade. Hoje decidiram ter o comportamento normal que têm quando a Póvoa não está sujeita a estas situações”. O autarca deixou ainda a garantia de que aquele cenário não se iria repetir.

“Inconscientes” na Marginal da Póvoa. “Esta situação não volta a repetir-se”, garante o presidente da Câmara

Esta segunda-feira, no dia em que o boletim diário da DGS anuncia que há 24 casos confirmados na Póvoa de Varzim, o autarca anunciou um dispositivo para controlar a entrada de não habitantes na cidade: forças policias e a proteção civil começar já no fim de semana de 28 e 20 de março. “Quem não residir na Póvoa de Varzim e não tiver motivos de força maior para cá vir, não iremos permitir a sua circulação“, disse Aires Pereira à Agência Lusa.

Póvoa de Varzim vai controlar entradas na cidade no fim de semana

Além do encerramento da marginal, a Câmara da Póvoa de Varzim decidiu também encerrar os dois cemitérios da cidade. Também se irá controlar o número de entradas simultâneas no mercado municipal.

Transmissão local obriga a cordão sanitário no concelho de Povoação, na ilha de São Miguel

A Autoridade de Saúde Regional dos Açores declarou no passado dia 29 de março um cordão sanitário devido ao novo coronavírus no concelho da Povoação na ilha de São Miguel, nos Açores. “Há uma clara transmissão local”, explicou o responsável Tiago Lopes, acrescentando: “Esta situação já tinha sido ponderada no primeiro caso suspeito nos Açores, na ilha Terceira. No caso concreto de São Jorge, também esteve em cima da mesa esta possibilidade, como, mais recentemente, também no caso de São Mateus, também na ilha Terceira. Ao contrário do que acontece na Povoação, derivado ao trabalho que se fez, logo de imediato, de identificação dos contactos próximos dos casos positivos, o seu número não justificava uma paragem da normal circulação daquelas comunidades”.

Segundo avança a SIC, o cordão sanitário mantém-se até ao dia 13 de abril. Ninguém está autorizado a sair e, adianta a mesma fonte, a PSP está a fazer controlo de entrada e saúde nos únicos três acessos ao concelho. A SIC adianta ainda que o foco da contaminação será uma família que regressou aos Açores, vinda do Canadá. A ideia é “conter a população, identificar os casos próximos e proceder à respetiva colheita de amostras”, explicou Tiago Lopes.

Saõ Miguel é a ilha dos Açores com mais casos da Covid-19: tem 13 contaminados, face aos nove na ilha Terceira, sete em São Jorge, oito no Pico e cinco no Faial.

Quarentena obrigatória de 14 dias para quem chega do estrangeiro

Além destas medidas locais, a DGS decidiu que todos os portugueses e estrangeiros que entrem em Portugal têm de ficar em isolamento durante 14 dias. Especialmente numa altura em que, com a chegada da Páscoa, vários emigrantes voltam a Portugal. É por isso que, vários municípios do interior estão a pedir que a população denuncie os habitantes que furem a quarentena obrigatória.

Autarcas do interior pedem às populações para “denunciar” emigrantes que furem a quarentena obrigatória

Quatro dias antes da decisão da DGS, a Unidade de Saúde Pública do Nordeste já tinha determinado uma quarentena obrigatória para todos os cidadãos que regressassem do estrangeiro ao distrito de Bragança — onde há uma população envelhecida e 20 casos confirmados, segundo o boletim diário da DGS de sexta-feira. O despacho assinado por Inácia Rosa, delegada de Saúde coordenadora da Unidade de Saúde Pública do Nordeste, impunha um isolamento profilático a quem viesse do estrangeiro para o distrito de Bragança — uma medida que se aplica agora a todo o país.

Quarentena obrigatória para quem regressa do estrangeiro a Bragança

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