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TIAGO COUTO/OBSERVADOR

TIAGO COUTO/OBSERVADOR

Mais de 14 mil estudantes não entraram, o valor mais alto desde 1998. Cursos de saúde foram os mais procurados

Procura por cursos de Saúde continua a subir, enquanto que a de Engenharias cai. Universidade de Lisboa e do Porto continuam a ser as mais procuradas e com mais alunos colocados.

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Veja aqui se entrou no ensino superior

Saúde continua a subir. Seja efeito secundário da pandemia, ou não, a área que engloba a formação de médicos e enfermeiros é a única que tem um crescimento da procura de 4 dígitos em relação ao ano passado. São mais 1.067 candidatos, o que se traduz num total de 11.751 alunos quando, no ano anterior, havia 10.684 candidatos em 1.ª opção — o que já representava um salto. Em 2019, eram apenas 7.086.

A procura sobe, mas a oferta não a acompanha. A diferença entre candidatos e colocados diz-nos que pelo menos 4.789 alunos que tinham como prioridade seguir esta área, não o fizeram por falta de lugar. Outros, não o terão feito por falta de média já que em três ciclos de formação de Medicina elas subiram. No Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto, todos os alunos entraram com mais de 19 valores.

Alunos de 18. A receita que dá médias altas tem muitos ingredientes

Apesar de as vagas aumentarem, foram criados somente mais 354 lugares, e Saúde ficou com 6.962 lugares disponíveis. No final, acabaram por ser mais alunos colocados (6.998) do que vagas disponíveis, o que se explica pelas situações de empate.

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O crescimento não foi feito através dos cursos de Medicina que mantém as vagas praticamente inalteradas, com 1.555 alunos colocados, um aumento de 7 em relação ao ano anterior. Face a 2019 — o primeiro ano em que as faculdades de Medicina tiveram luz verde para criar mais vagas, mas optaram por não fazê-lo —, há mais 44 alunos colocados. Já em Enfermagem, foram colocados 2025 alunos, apenas mais um do que no ano anterior. 

Na área de Engenharia passa-se o oposto. Há menos candidatos em 1.ª opção (8.331 versus 9.493), menos colocados (8.011 contra 8.669), mas mais lugares disponíveis. Este ano, as vagas sobem para 10.363 quando no ano passado ficaram pelos 9.750 e, em 2019, eram 9.382 vagas.

A descida na procura não afetou as médias dos futuros engenheiros, que desceram de forma ligeira. O curso com média de entrada mais alta do país foi o de Engenharia Aeroespacial do Instituto Superior Técnico, onde o último estudante a ser colocado neste curso — que tinha 124 vagas disponíveis, todas preenchidas — entrou com uma média de 190,5 pontos. No ano anterior, a nota mais alta foi de 191,3 em três cursos, o de Aeroespacial incluído.

A área de Ciências Empresariais, onde se inclui Gestão, foi a primeira escolha de 9.422 estudantes, quase menos 600 do que em 2020, mas suficientes para esta área se manter como a segunda mais escolhida. Ficaram colocados 7.618, cerca de menos mil do que no ano passado, quando conseguiram colocação 8.669 estudantes.

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23% dos alunos não conseguiram lugar

Desde 1998 que não ficava um número tão grande de alunos fora do ensino superior. Quase 23% dos candidatos à 1.ª fase do concurso nacional de acesso não conseguiu colocação o que, em números absolutos, equivale a 14.552. Valor mais alto do que este tinha sido atingido, pela última vez, no século XX quando 16.513 não conseguiram entrar no ensino superior.

O ano passado o número já tinha sido elevado e ficaram sem lugar 11.597 alunos quando, há dois anos, eram 6.536. Num ano em que o número de candidatos foi de 64.004 para 55.307 vagas era inevitável que se desenhasse este cenário. Apesar disso, também há recordes pela positiva e os 49.452 alunos colocados representam o segundo valor mais alto em três décadas. Em termos percentuais, os 77% colocados representam o valor mais baixo desde 2001.

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Há 33 cursos com emprego garantido (e 164 licenciaturas e mestrados com taxa de desemprego acima dos 10%)

Em contrapartida, sobem os novos estudantes nos ciclos de estudo com maior concentração de melhores alunos. Com 4.893 colocados, os cursos com maior índice de excelência dos candidatos aumentam em cerca de 7% face ao ano anterior (quando tinham sido colocados 4554 novos estudantes).

O índice de excelência de um curso é calculado através do número de candidatos com nota de ingresso igual ou superior a 17 valores e que se candidataram a cada licenciatura em 1.ª opção. Só quando o número de bons alunos é superior à oferta disponível é que se pode aumentar as vagas.

Foram também colocados 6.820 estudantes em cursos nas áreas de competências digitais e 21.401 estudantes em áreas STEAM – Ciências, Tecnologias, Engenharia, Artes e Matemática, duas prioridades do atual ministro do Ensino Superior. Já através do contingente especial para estudantes com deficiência, 315 estudantes ficaram colocados, duplicando o valor em relação a 2015.

Mais de 780 cursos (em 1071) com todas as vagas preenchidas

Quando se olha para as instituições, o padrão é idêntico a 2020. Apenas quatro ocuparam todas as vagas disponíveis logo na 1.ª fase do concurso de acesso e, tal como no ano passado, o ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa é a única universidade a fazê-lo. As restantes são escolas superiores de enfermagem, a de Lisboa, a do Porto e a de Coimbra, exatamente como em 2020.

Se é uma minoria das faculdades e politécnicos que ficam totalmente preenchidos à primeira volta, quando se olha para os cursos, a situação é a oposta. A maioria dos cursos (784 em 1071, ou seja 73% da oferta) ficou sem lugares vagos. Apenas em 286 sobraram lugares que irão a concurso na 2.ª fase de acesso.

Há ainda 38 formações superiores com zero colocados, o que é habitual, tratando-se de cursos que são preenchidos nos concursos locais.

Alunos temporariamente sós. O que acontece a quem fica sozinho num curso?

Outra instituição que normalmente preenche todos os lugares em setembro é a Universidade Nova de Lisboa, mas este ano ficou com dois lugares vazios, quando, em 2020, tinha ficado com apenas um. Em números absolutos, acaba por colocar menos 46 alunos do que no ano anterior, muito embora a procura tenha crescido, com mais 479 jovens a tentarem um lugar na instituição lisboeta.

Aliás, quase todas as universidades e politécnicos recebem menos alunos do que em 2020, o que era expectável, já que as vagas disponíveis também são menos (55.307 versus 56.121, redução de 814 lugares). Já o número de alunos que irão estudar em regiões com menor densidade demográfica aumenta para 12.318 estudantes, mas trata-se de uma subida residual de quatro alunos. Entre as instituições que têm mais colocados nestas zonas do país estão a Universidade de Évora e os Politécnicos de Santarém, Bragança, Portalegre, Guarda, Viseu, Tomar e Beja. No seu conjunto, conseguem colocar mais 275 estudantes.

As oscilações não alteram o alvo dos alunos e, na hora de escolherem, a Universidade do Lisboa e a Universidade do Porto continuam a ser as que têm mais candidatos em 1.ª opção — as mesmas que também colocam mais estudantes. Nas pretensões dos alunos segue-se a Nova e, em seguida, Universidade de Coimbra (4.246), Universidade do Minho (4.188) e Instituto Politécnico do Porto (4,180), todas com valores muito próximos.

Em termos de colocados, a Universidade de Coimbra (3.341) continua a ser quem mais recebe alunos depois de Lisboa e Porto, seguindo-se o Politécnico do Porto (3.124), a Nova de Lisboa (2.932) e a Universidade do Minho (2.919), estas duas quase empatadas.

Os resultados da 1.ª fase do concurso nacional de acesso foram divulgados às 00h01 de domingo, 26 de setembro, no site da Direção-Geral do Ensino Superior, embora seja habitual, algumas horas antes, os estudantes receberem mensagens, ou por SMS ou por correio eletrónico, com o anúncio da instituição e do curso em que ficaram colocados.

Também pode consultar a tabela que o Observador disponibiliza, confirmando qual foi a média do último aluno a ser colocado em cada curso. Se não entrou, saiba que decorre de 27 de setembro a 8 de outubro a 2.ª fase do concurso, estando disponíveis 6.393 vagas.

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