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A novidade sobre a nova vacina que chegou este mês deixou Maria Manuel Mota “super feliz”: diretora do Instituto de Medicina Molecular (IMM) há sete anos, dedica-se há 25 ao estudo da malária. É graças a ela que se sabe como o parasita desta doença se instala no fígado para se reproduzir e é também graças a ela que se sabe que o parasita deteta o estado de saúde do hospedeiro para saber quão agressivo deve ser. Mas como tudo na vida, a infecciologista, racional por natureza, está cautelosa: a vacina com 70% de eficácia para a malária é uma boa notícia, mas o problema não fica resolvido.

Foi essa racionalidade que a moveu ao longo da pandemia e que lhe permitiu evitar pânicos. Era isso que queria transmitir quando, numa entrevista no ano passado, descreveu o SARS-CoV-2 como “relativamente bonzinho”. Admite que agora escolheria outras palavras: os vírus não são bons nem maus, mas o medo que dominava os portugueses naquela época também não era saudável, considerava ela, daí a frase. Mas não tem pudor em dar um passo atrás: os erros não são para relativizar só porque se tem uma desculpa, defende.

Em entrevista ao Observador por ocasião da conferência digital “Saúde: Construir o Futuro” do Conselho da Diáspora Portuguesa, Maria Manuel Mota faz um balanço ao modo como a Covid-19 mudou a investigação (e como vai continuar a mudar no futuro), reflete sobre o papel da mulher na ciência e, feminista como é, defende o acesso igualitário à educação como uma arma para destruir os estereótipos — os que existem na cabeça dos homens, mas na cabeça das mulheres também.

Já está farta de falar sobre Covid-19?
Trabalho há 25 anos na malária e não estou farta. Como hei de dizer? Ainda prefiro falar sobre malária do que sobre a Covid-19. As pessoas que não me levem a mal: a verdade é que a malária, ao longo destes milhares de anos que infeta o ser humano, obviamente já infetou muito mais gente que a Covid-19. Portanto, ainda é um assunto muito pertinente. Claro que a Covid-9 tomou conta de um instituto de investigação como o IMM, mas mesmo assim costumo dizer às pessoas: “Atenção, não se esqueçam do vosso amor antes da Covid-19”. Mesmo a estes imunologistas, virologistas que se dedicaram muito à Covid-19 — hoje em dia há sites para tudo, estou em chats e em grupos de WhatsApp com investigadores, todos os dias há um artigo novo. Sou muito mais observadora porque não é a minha área, mas interesso-me e acabo também por me envolver, mas aos que estão muito mais envolvidos estou sempre a lembrar-lhes: “Não se esqueçam que existe vida para além da Covid-19, vocês tinham um amor antes da Covid-19 e convém continuarem a pensar nele”.

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