Marisa Matias a descascar favas e a fazer política, “um jogo muito porco”

21 Maio 2019213

No mercado de Torres Novas a comitiva do Bloco de Esquerda foi recebida com pouco entusiasmo. Marisa Matias ainda animou a ação quando ajudou Dona Madalena a descascar favas.

(Artigo em atualização ao longo do dia)

Dona Madalena estava pronta para receber o Bloco de Esquerda. De mãos atrás das costas e com um autocolante ao peito, a feirante sorria à medida que a comitiva bloquista se aproximava. Orgulhosa por estar devidamente aperaltada, fez questão que Marisa Matias se demorasse na sua banca. Mas nem tudo estava bem. Ao peito levava um autocolante do PS e não do BE. Um engano que a eurodeputada notou. “Deram-me isto e eu pensava que era vosso. Nem vi de que partido era”, justificava-se enquanto descolava apressadamente o apoio da bata.

Marisa Matias deixou em cima da balança o autocolante certo, mas foram as favas amontoadas que detiveram a atenção da candidata. “Olhe, até a vou ajudar. Que saudades que eu tinha de descascar favas”, anunciou. E assim fez. Casca para um lado, favas para o saco. A prática estava lá e Dona Madalena agradecia. Entretanto iam mantendo um diálogo sobre política e sobre os debates televisivos. “Nunca a deixaram falar. Estiveram sempre a interrompê-la. Não sei que partido é que foi, mas estavam sempre a interromper. Eu vi que não conseguia falar, coitada“, criticava a feirante, dando provas de que tem acompanhado a campanha. “Foram todos, minha senhora”, respondeu a rir-se Marisa Matias.

O momento durou alguns minutos e a organização de campanha começou a ficar impaciente, não podiam alongar-se e tinham de continuar o percurso pelo mercado de Torres Novas. Fizeram vários sinais à candidata dando a entender que a caravana tinha de prosseguir. Quando percebeu, a eurodeputada largou as favas, despediu-se de Dona Madalena e seguiu caminho.

A receção morna e a indignação da peixeira Ricardina

As reações eram mornas. As pessoas não se mostravam particularmente entusiasmadas por ver Marisa Matias no mercado mas também não havia hostilidade. Com algumas exceções: tanto houve quem a abraçasse e desejasse “força para a campanha” como houve quem rogasse pragas a estes tempos pré-eleitorais – “só vêm cá em campanha” ou “sumam-se”, ouviu-se a dada altura.

Ao lado da candidata esteve sempre Helena Pinto, histórica bloquista e vereadora na CM de Torres Novas. Uma figura claramente popular entre os comerciantes e que ia fazendo de mestre das cerimónias. A comitiva contava também com a presença de Mariana Mortágua, que se manteve sempre mais discreta, cumprimentando a maior parte das pessoas com um sorriso e um jornal do Bloco de Esquerda.

Já no fim, a cabeça-de-lista voltou a demorar-se noutra banca. A da peixeira Ricardina Pessoa, onde se deu mais um episódio da série política de bancada. “A política é um jogo muito porco”, proclamou. “Eles prometem, falam e dizem que fazem. Mas depois, no fundo, tratam de nos lixar a vida com uma pinta do caraças”, indignou-se. Marisa Matias ouvia com atenção e respondia a espaços, garantindo que o Bloco de Esquerda “também não concorda com as decisões de muitos Governos” e que por isso “tem apresentado uma alternativa”. Um argumento que não impediu o mini-comício que Ricardina ia fazendo atrás da bancada. “Vão para lá e não querem saber de nós, não fazem nada pelas pessoas”.

Quando terminou, recebeu um abraço da candidata e, claro, um jornal do Bloco de Esquerda. Não havia tempo para mais conversas. A comitiva tinha mesmo de seguir. Ainda há uma viagem para fazer até Braga, onde a campanha prossegue esta tarde, terminando com um comício onde Catarina Martins voltará a aparecer.

Em mais uma arruada, Marisa Matias preocupada com Costa a “aproximar-se à direita”

A arruada começou com a candidata a cumprir uma promessa. Não eleitoral, mas uma promessa. Com a bebé Teodora ao colo, Marisa Matias posou para a fotografia. As cerca de cem pessoas que iam fazendo a festa pelas ruas de Braga pararam para que o momento terminasse. O clima de festa, esse, continuou. “A avó desta bebé, a senhora Maria, vive em São Tomé e ainda não conseguiu estar com a sua neta. Soube que vinha a Braga e pediu-me que tirasse uma fotografia com ela“. Assim foi. Logo depois a criança foi devolvida ao carrinho e a caravana pôde continuar Rua do Souto acima.

A segunda semana continua a apostar forte em arruadas e no contacto popular. Algo que tinha faltado na primeira semana e que entrou com preponderância para a campanha bloquista na reta final.

Em terras bracarenses têm sido PS e PSD a dominar politicamente, algo que não preocupa a candidata, que foi ouvindo várias mensagens de apoio. “Há pessoas que dizem que vão votar no Bloco de Esquerda pela primeira vez, outras que me falam nas presidenciais de 2016. Não sei como vai ser, até porque o voto é das pessoas. Mas espero que o nosso resultado seja reforçado, claro”, explica.

Marisa Matias agradeceu-lhe com dois beijinhos que o senhor gabaria segundos depois a três amigas que assistiram ao momento à distância. "Pronto, já dei um beijinho nela". 

Ao contrário do que acontecera em Torres Novas, não encontrou adversidades nem percalços ao longo do trinta minutos de arruada. “Gosto muito de a ouvir”, disse-lhe o dono da loja Feitiço do Tempo. Marisa Matias agradeceu-lhe com dois beijinhos que o senhor gabaria segundos depois a três amigas que assistiram ao momento à distância. “Pronto, já dei um beijinho nela”.

A ação correu bem à candidata, que no fim estava visivelmente satisfeita e confiante. Pelo menos o suficiente para voltar a distanciar-se do PS com a ferroada correspondente. “É  com alguma preocupação que vejo António Costa a aproximar-se da direita liberal, de Emmanuel Macron“, disparou, reciclando um argumento que já tinha utilizado no debate da última noite, quando acusou o PS de ter duas faces: a de Bruxelas e a de Portugal.

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