(Artigo em atualização ao longo do dia)

No penúltimo dia de campanha o Bloco de Esquerda decidiu tirar o pé do acelerador. Os mais de 1.500 quilómetros percorridos nos últimos três dias obrigaram o partido a ter um dia relativamente calmo. Na agenda desta quinta-feira tinham apenas uma ação: almoço seguido de contacto com os trabalhadores da fábrica de chaves e fechaduras para automóveis Huf, em Tondela. Um regresso aos ambientes controlados onde até o almoço na cantina foi fechado à imprensa.

A ação de contacto com os trabalhadores teve pouco de contacto. A comitiva bloquista, reforçada com figuras de peso do partido como os deputados José Manuel Pureza, Mariana Mortágua ou José Soeiro, ia distribuindo jornais do partido aos trabalhadores que entravam e saíam pela porta lateral do edifício na hora de troca de turno. A tática habitual — veja-se por exemplo o que acontece em todas as campanhas na Autoeuropa, em Palmela — mas que não funcionou junto dos trabalhadores desta fábrica. Eram mais os que tentavam fugir de quem, de molho de jornais debaixo do braço, ia estendendo o braço, do que aqueles que aceitavam o brinde.

À falta de grande movimento, os bloquistas iam trocando impressões e piadas entre si, num ambiente descontraído. Uns mais à vontade do que outros, e sempre com representantes da Comissão de Trabalhadores junto de si, os membros da comitiva tentavam aproveitar as poucas pessoas que iam passando para as abordar.

A falta de eficácia da ação ficou plasmada nas palavras da cabeça-de-lista do BE quando regressava ao interior do edifício para fazer a visita da praxe. “As pessoas querem ir trabalhar ou então ir para casa. Não quero chatear”, justificava-se.

O passeio fez-se sempre seguindo as linhas amarelas pintadas no chão que separavam a passagem de máquinas da dos peões. Sentados em bancos altos ou de pé, os trabalhadores nem davam pela passagem dos bloquistas, que agora se limitavam a cumprimentar e trocar umas palavras com as pessoas que voluntariamente se dirigiam a eles. Sempre enquanto ouviam as explicações de Paulo Dinis, da Comissão de Trabalhadores.

Apesar de ser uma visita diametralmente oposta àquelas que têm marcado a última semana de campanha há nuances que não se alteram: o número de mulheres que foram ter com Marisa Matias foi amplamente superior ao número de homens que o fizeram. Um padrão que se verificou em todas as feiras e arruadas em que a cabeça-de-lista participou.

Uma das trabalhadoras que se aproximou da cabeça-de-lista trazia a frase preparada: “Olá, deixe-me dar-lhe um beijinho. Eu também me chamo Marisa”, disse-lhe. Abraçando-a, a candidata respondeu: “Se uma Marisa incomoda muita gente, duas incomodam muito mais”. Assistindo a isto tudo, uma impaciente trabalhadora que estava na fila para cumprimentar a eurodeputada chamou à atenção para si: “Olhe, se uma Marisa é difícil de aturar, duas são-no muito mais“.

À saída, a candidata explicou à imprensa que esta iniciativa pretendia chamar a atenção do país para duas questões: condições laborais de quem trabalha por turnos e a falta de investimento público. Sobre os ataques que têm recaído sobre o partido tanto da direita como do PS, Marisa Matias voltou à tática de não-agressão. “Nem percebi muito bem as palavras de António Costa“, declarou. Sobre a posição do partido perante o euro, pedida por Pedro Marques, nova não-resposta. “A posição é a mesma”, respondeu de forma redonda.