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Ministério Público investiga empresa que vende bases de dados e likes /premium

Startup Lisboa nega os apoios, número de telefone não funciona e há vários utilizadores com queixas. Lusoleads defende-se dizendo que está a ser "reestruturada". Investigação Observador.

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O Ministério Público (MP) está a investigar a Lusoleads, uma empresa que anuncia vender bases de dados de todo o mundo e pacotes de likes em redes sociais. Uma queixa feita no Porto contra a empresa levou à abertura de um inquérito coordenado pelo MP e com a colaboração da Polícia Judiciária, sem arguidos constituídos, adiantou a Procuradoria-Geral da República (PGR). Ao Observador, a empresa refere que está a passar por um “processo de reabilitação e reestruturação”, uma vez que foi vendida e mudou de gerência. Diz também que todas as queixas foram resolvidas pela gerência anterior e que não possui informação relativa a possíveis notificações judiciais.

Um dos clientes da Lusoleads que apresentou queixa às autoridades (e que está na base desta investigação) chama-se Horácio Azevedo e gere um negócio no Porto. Em janeiro do ano passado, começou a procurar empresas que vendessem bases de dados com contactos da zona do Grande Porto e encontrou o projeto da Lusoleads. A empresa anunciava vender bases de dados “internacionais contendo os principais mercados globais” e prometia “atualizações diárias, taxa de fiabilidade de 98% e garantia de segurança”, tal como se pode ler num dos sites. O processo inicial da compra, conta Horácio Azevedo ao Observador, decorreu normalmente. Mas a situação deu uma volta que não esperava.

O gerente disse ao Observador que ficou sem o dinheiro que pagou pela base de dados — mais de 200 euros — e que o produto que recebeu — “depois de muita insistência” — não foi aquele que tinha encomendado. Depois de ter ficado sem respostas por parte da empresa, Horácio Azevedo decidiu apresentar queixa às autoridades. Publicou também uma reclamação no Portal da Queixa, no qual o Observador também encontrou mais reclamações sobre esta empresa desde o início do ano passado, com alguns clientes a acusarem-na de fraude.

"Ao aceder ao site da empresa, as informações são escassas: não é indicado quem são os responsáveis, não se encontra o registo da fundação, os funcionários da morada indicada no site dizem que não existe ali nenhuma empresa com este nome, as instituições negam apoios e todo o contacto é feito através de emails e mensagens de WhatsApp"

Ao aceder ao site da empresa, as informações são escassas: não é indicado quem são os responsáveis, não se encontra o registo da fundação, os funcionários da morada indicada no site dizem que não existe ali nenhuma empresa com este nome, as instituições negam apoios e todo o contacto é feito através de emails e mensagens de WhatsApp. Numa pesquisa mais aprofundada sobre a Lusoleads, foram surgindo várias empresas com nomes diferentes, mas em tudo o resto semelhantes: vendiam o mesmo produto, tinham um modo de funcionamento semelhante e contactos praticamente iguais, incluindo a morada.

O Observador tentou contactar todas as empresas e plataformas que encontrou semelhantes ou associadas à Lusoleads (Leads, DataBase PT, Social Marketing, Like Me, Likes y Seguidores e Ser Influencer), mas só conseguiu obter resposta por email da Leads e pelas redes sociais da Social Marketing e da Like Me. Os contactos por email e mensagens nas redes sociais das outras empresas ficaram sem resposta. Quando o Observador tentou ligar para os números disponíveis, nunca conseguiu fazer a chamada e não encontrou ninguém com o nome destas empresas na morada indicada — a DataBase PT era a única que tinha uma morada diferente. No Centro Empresarial de Lisboa, o Observador foi informado que não existia lá nenhuma empresa com estes nomes.

O aspeto da página inicial da Lusoleads

A Procuradoria-Geral da República confirmou ao Observador que o caso está a ser investigado, acrescentando que a queixa de Horácio Azevedo “deu origem a um inquérito que se encontra em investigação no DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] do Porto”, contando assim “com a coadjuvação da Polícia Judiciária”. Não foi possível, no entanto, revelar se existem outras queixas contra a mesma empresa.

Esta “não é empresa nenhuma, é uma empresa fictícia”

O primeiro contacto que Horácio Azevedo diz ter tido com a Lusoleads foi por telefone, em janeiro do ano passado, quando ainda estava à procura de empresas que forneciam bases de dados da zona do Porto. “Depois, disse-lhes exatamente o que queria por email e eles responderam-me prontamente”, explica ao Observador. Quem o atendia sempre, conta, era “uma mulher” chamada Carla Duarte. Passado algum tempo, e enquanto decidia se avançava ou não com a compra, os contactos começaram a ser feitos com mais frequência e a Lusoleads terá começado a pressionar aquele que seria um possível cliente: “Diziam-me: ‘Se pagar ainda hoje, paga só este valor. Se pagar amanhã o preço já é outro’ e eu, claro, fiz o pagamento”. Ao todo, o gerente do Porto pagou 244,77 euros por uma base de dados de particulares segmentada, de acordo com a fatura à qual o Observador teve acesso.

Os problemas surgiram quando a base de dados que tinha comprado começou a demorar a chegar-lhe ao email. Horácio Azevedo diz que, a partir daí, começou a ser cada vez mais difícil conseguir falar com a empresa. Depois de “muita insistência” através dos contactos da Lusoleads, acabou por receber uma base de dados, mas, diz, “não tinha nada que se aproveitasse”. “Do Porto, era meia dúzia de contactos, o resto era Algarve, Lisboa, enfim, coisas que não interessavam e muitos dos contactos nem existiam”, conta. O Observador teve acesso a essa base de dados e confirmou que parte dos contactos que ali estavam não pertenciam à zona do Grande Porto. Além disso, Horácio Azevedo tentou voltar a contactar a empresa para fazer uma reclamação, mas diz não ter tido mais respostas.

Ao pesquisar por "Lusoleads", ou pelo contacto e morada, surgem várias empresas de bases de dados, mas com outros nomes, como é o caso de "Leads", "DataBase PT" e mais três plataformas que vendem likes em redes sociais e dizem fazer parte da Lusoleads. Todas têm algo em comum: têm o mesmo design, os mesmos produtos, números de telefone que não funcionam, moradas que ninguém confirma e todas dizem fazer parte do grupo "Classic", um grupo britânico que terá sido dissolvido em maio de 2019.

Agora, e depois de uma queixa nas autoridades, Horácio Azevedo afirma que a Lusoleads “não é empresa nenhuma, é uma empresa fictícia, não existe”. “Existe um contacto telefónico e existe uma publicidade na Internet a dizer que eles fornecem bases de dados e outras coisas. No fundo, aquilo que nos fornecem é um monte de lixo que não nos serve para coisíssima nenhuma”, atira ainda, acrescentando que, depois de publicar uma reclamação no Portal da Queixa, foi contactado “por outra empresa que passou exatamente pelo mesmo” e que também publicou uma reclamação nesta plataforma.

Quando se pesquisa por “Lusoleads”, ou pelo contacto e morada, surgem várias empresas de bases de dados, mas com outros nomes, como é o caso da “Leads”, da “DataBase PT” e de mais três plataformas que vendem likes em redes sociais. Todas têm algo em comum: o mesmo design, os mesmos produtos, números de telefone que não funcionam, moradas que ninguém confirma e parte delas diz integrar o grupo “Classic”, um grupo britânico que terá sido dissolvido em maio de 2019. Quanto aos apoios e clientes que dizem ter, como é o caso da Startup Lisboa, a instituição nega ter qualquer parceria com esta empresa.

Mas, afinal, que empresas são estas?

A empresa que está a ser investigada pelo Ministério Público chama-se Lusoleads e, de acordo com a descrição presente num dos seus sites, diz fornecer “bases de dados internacionais contendo os principais mercados globais” e a “base de dados mais completa de Portugal”, “recomendada por centenas de Pequenas e Médias Empresas”. Ainda na página inicial, e com a data de 2018, a empresa mostra os serviços e os preços destas bases de dados, que vão de 125 euros para novas empresas (com “750 mil” contactos) a 249 euros para um pacote completo, destinado a empresas e particulares e com “870 mil” contactos.

Estas bases de dados, ainda de acordo com a descrição da Lusoleads, contêm informações como o nome das empresas, o seu Número de Identificação Fiscal (NIF), a morada e os respetivos contactos de telefone e email. Há ainda um vídeo publicado que indica como funciona a empresa e de que forma as bases de dados podem ser utilizadas: para “envio de cartas”, “telemarketing”, “SMS” ou “email marketing”.

O Observador começou por tentar ligar para o número de telefone que aparece no site da empresa, mas foi impossível efetuar a chamada — ouvia-se apenas o atendedor automático com a indicação de que o número não estava atribuído ou que não estava disponível naquele momento. De seguida, o Observador enviou um email a pedir o contacto de um responsável da empresa e, após algumas tentativas, conseguiu falar com Ana Bela de Jesus, que diz fazer parte da Lusoleads (ainda que não tenha indicado o cargo que ocupa na empresa). Nas respostas que enviou por email, informou que “a Lusoleads não é uma empresa e sim uma marca, fundada por um grupo de empresários, desativada no presente momento, uma vez que foi vendida”. Acrescentou ainda que a marca já não se encontra disponível, uma vez que “esse domínio já não está a ser utilizado”.

Quando questionada sobre quem foram os empresários que fundaram a Lusoleads, Ana Bela de Jesus refere que estas são informações de que não dispõe no seu cargo. Já sobre a venda da marca, diz que esta “foi negociada com a D. Alexandra Pacharo e comprada por uma empresa brasileira”, não indicando quando é que foi vendida e que empresa a comprou.

A 1 de outubro do ano passado, e através de uma conta que o Observador utilizou para simular a compra de uma destas bases de dados, a Lusoleads enviou um email no qual informa que houve uma mudança de gerência. O email continha a seguinte mensagem: “Informamos todos os clientes que a atual Leads.pt pertence a uma nova empresa, constituída no Reino Unido com breve filial em Portugal”. O email acrescenta que os responsáveis da empresa estão agora “inteiramente disponíveis para resolver” as entregas e questões dos clientes.

No site, não existe nenhum aviso de que a empresa está desativada e os utilizadores podem continuar, pelo menos, a simular a encomenda dos produtos. O Observador simulou uma compra neste site, a 7 de outubro, e recebeu a entidade e referência para o pagamento do produto que escolheu. Sobre este aspeto, Ana Bela de Jesus referiu, numa primeira resposta, que “o site neste momento não está a realizar vendas nem existem campanhas associadas ao mesmo devido a essa reestruturação que está a ser realizada pela nova gerência”. No entanto, numa segunda resposta, a informação foi diferente: “Todos os clientes que compraram e compram durante o prazo de reestruturação recebem os serviços na mesma”. “Nos serviços que não dispomos é feita a devolução integral ao cliente”, acrescentou.

A simulação de uma compra que o Observador fez em outubro no site da Lusoleads continha uma referência e respetiva entidade que permitia o pagamento

Ainda antes da conversa por email, o Observador dirigiu-se à morada indicada no rodapé do site, para tentar falar com algum responsável ou funcionário e para verificar se a empresa tinha mesmo escritório no Centro Empresarial Torres de Lisboa, na “Rua Tomás da Fonseca, Torre G, Lisboa, 1600-209”. Mas nada encontrou relacionado com a Lusoleads. Questionada, uma funcionária no local confirmou que não existia ali nenhuma empresa com aquele nome. E acrescentou: “Se foi nossa, já foi há muito tempo, porque o nome deles não aparece no sistema”.

Já Ana Bela de Jesus referiu ao Observador que “a morada que constava no site, e ainda consta até alteração do mesmo, pertence a um grupo de escritórios que faz a locação de salas”. A responsável disse ainda não conseguir fornecer informações mais detalhadas — como o nome deste grupo de escritórios –, uma vez que não é da sua responsabilidade.

Ao simular uma compra de uma das bases de dados que esta empresa diz vender, o site da Lusoleads direciona automaticamente para outro site chamado “Leads“, sempre com um design quase igual ao anterior. Aqui, já é possível ter acesso a uma descrição mais detalhada. A Lusoleads diz ser “uma empresa que lidera a oferta de informação e conhecimento sobre o tecido empresarial, ajudando a fundamentar as decisões de negócios dos seus clientes há mais de nove anos”. Diz ainda que está presente em Portugal, Espanha e Brasil e que as suas bases de dados são “regulamentadas e legalizadas pelo RGPD [Regulamento Geral de Proteção de Dados]”. Quando se clica em “saiba mais” neste último aspeto, nada acontece.

Foi, aliás, esta a única empresa (de todas as contactadas) que respondeu aos emails enviados pelo Observador e que levaram à conversa com Ana Bela de Jesus — que também trata a empresa por Lusoleads — o que indica tratar-se de um site da mesma empresa. Na zona inferior do site da Leads, aparece um outro número de telefone, mas também não funciona. A morada é a mesma que está presente no primeiro site.

As informações presentes no site da Leads

O Observador consultou os portais Racius e Einforma e não encontrou qualquer registo do nome desta empresa — nem Lusoleads, nem Leads nem DataBase PT. Nos registos de marcas em Portugal, do Instituto Nacional de Propriedade Industrial, também não foi encontrada nenhuma marca atual chamada Lusoleads. Não é possível fazer chamadas de voz para o número de telefone que está disponível (não dá sequer sinal de chamada) e as chamadas por WhatsApp ou não eram atendidas ou eram recusadas ao segundo toque.

Depois de definir com a empresa como seria feita a compra da base de dados, Horácio Azevedo recebeu uma fatura para efetuar o pagamento por multibanco, através de uma referência e entidade. “Recebi um e-mail a comprovar o recebimento e a informar que iria receber o produto por email nas próximas horas”, escreveu no Portal da Queixa.

“Aí fiquei um bocado desconfiado, mas o que me deu alguma garantia foi a entidade que eles deram e que pertencia ao Montepio Geral. Eu, na minha ignorância, sempre pensei que um pagamento através de referência multibanco fosse mais seguro do que uma transferência. Estava enganado”, esclareceu ao Observador. Horácio Azevedo acrescentou que, além de ter apresentado queixa desta empresa às autoridades, fez também uma queixa ao Banco de Portugal, uma vez que no Montepio não lhe foi fornecida a informação sobre os responsáveis por esta entidade e referência. O Banco de Portugal, no entanto, considerou que não existiu qualquer má atuação por parte do Montepio.

Na fatura que a Lusoleads enviou ao gerente do Porto, datada de 8 de janeiro do ano passado, não surge o nome da Lusoleads no remetente, mas sim do grupo “Classic Business Consults”, com morada no Reino Unido. Nos Termos e Condições presentes no site da Lusoleads, a empresa confirma que tem como responsáveis pelo site a “Classic, com sede no Reino Unido”. No ponto três destes mesmos termos, a empresa reconhece também que “a Classic possa, discricionariamente, parar (permanente ou temporariamente) de prestar os Serviços (ou qualquer parte dos Serviços) a si ou à generalidade dos utilizadores, sem o/as avisar previamente”.

A Classic Busines Consults, Ltd. declarou insolvência a 28 de maio de 2019, de acordo com a Companies House, a plataforma responsável pelo registo e consulta de informação sobre empresas britânicas. Em resposta ao Observador, a Lusoleads refere que esta informação “não se revela correta”, não fornecendo, no entanto, mais detalhes nem qual a informação que estará correta.
Lusoleads

O recibo que Horácio Azevedo recebeu com a compra de uma base de dados à Lusoleads

No entanto, a Classic Busines Consults, Ltd. declarou insolvência a 28 de maio de 2019, de acordo com a Companies House, a plataforma responsável pelo registo e consulta de informação sobre empresas britânicas. Em resposta ao Observador, a Lusoleads refere que esta informação “não se revela correta”, não fornecendo, no entanto, mais detalhes nem qual a informação que estará correta.

Mas não serão só a Leads e a Lusoleads que farão parte deste grupo. Também o site DataBase PT surge quase igual ao da Lusoleads, com a mesma carteira de clientes, e apresenta-se como parte do grupo Classic, como se pode ler nos seus termos e condições. O atendimento automático do site é assinado como “Ana Bella”. Sobre a relação com esta empresa, Ana Bela Jesus afirma que “ambas as empresas comercializam bases de dados em concorrência direta, tal como existem muitas outras no mercado”. Na segunda troca de questões, reafirma: “Somos empresas concorrentes”.

A morada indicada pela DataBase PT é, no entanto, diferente: “Av. Dom João II 50, Parque das Nações, 1990-083 Lisboa”. Também a tentativa de telefonemas (que não funcionavam) e envio de emails (onde não obteve resposta), não funcionaram.

A Startup Lisboa diz que não tem nenhuma ligação à Lusoleads

Além da ausência de informação sobre os contactos e história da empresa, o Observador também não confirmou os apoios que a Lusoleads diz ter. No rodapé do site do Leads.pt, surge o logótipo da Startup Lisboa como um dos apoiantes. No entanto, fonte da incubadora lisboeta a indicou ao Observador que esta empresa não faz nem nunca fez parte das empresas incubadas pela Startup Lisboa. Mais: a incubadora tem recebido mensagens de pessoas a solicitarem mais informações sobre esta empresa, depois de verem o logótipo no site. A Startup Lisboa revela que pediu de imediato à empresa para remover o seu logótipo, uma vez que afirma não ter qualquer relacionamento com a Lusoleads, mas nunca teve resposta e as informações permanecem no site.

Questionada sobre como teria surgido esta parceria que está expressa no site, a Lusoleads apenas respondeu: “Toda a marca e imagem da mesma está em processo de reestruturação, pelo que olhar a detalhes visuais do site, ou até pequenos detalhes informativos, não será de todo a melhor análise“.

É com estes contactos e apoios que o site da Lusoleads se apresenta

Além das queixas publicadas no Portal da Queixa, o Observador perguntou à Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) se também tinha recebido alguma reclamação. Fonte da Deco afirmou que a associação não recebeu qualquer queixa.

Numa breve pesquisa por Lusoleads, o Portal da Queixa apresenta sete reclamações contra a empresa num espaço de seis meses. Duas delas foram atualizadas para “resolvidas”. A queixa de Horácio Azevedo foi a primeira, a 10 de janeiro de 2019. A última data de 3 de julho do ano passado. Todas descrevem experiências semelhantes à de Horácio Azevedo: depois de muita insistência, a base de dados chegou, mas não correspondia ao que foi pedido.

Três plataformas e um contacto que não funciona

Além do serviço de venda de bases de dados, a Lusoleads disponibiliza vários packs de venda de likes no Instagram, Facebook e YouTube. Ou seja, através do pagamento de uma quantia, o cliente receberá um determinado número de “gostos” em publicações da página que submeteu para a compra.

Numa pesquisa pela morada da Lusoleads e pelo número de WhatsApp que está associado, bem como pelo grupo “Classic”, é possível encontrar mais três plataformas que têm a mesma morada, o mesmo contacto e design semelhante. São eles a LikeMe, a Social Marketing, e a Ser Influencer. Todas elas vendem o mesmo produto: likes no Facebook, Instagram e YouTube. Foi ainda encontrada uma outra plataforma que inicialmente tinha a mesma morada, mas que depois foi alterada: a Likes y Seguidores.

As três plataformas têm o mesmo número associado — o mesmo da Lusoleads

Também no Portal da Queixa existem algumas reclamações sobre a plataforma Social Marketing, muitas vezes associadas à Lusoleads. Ana Nobre, por exemplo, conta que, a 18 de abril, entrou em contacto com a plataforma “questionando como seria todo o processo”. Diz ter sido “prontamente” esclarecida em todas as dúvidas e, seis dias depois, fez o pagamento para obter o produto que pediu.

“A partir dessa altura, nunca mais foi possível estabelecer contacto com a empresa SocialMarketing quer via Whatsapp, que tão prontamente me respondiam antes de efetuar o pagamento, quer via telefónica (tanto o nº 968860506, como o nº 308803101, pois ambos não existem, isto porque quando se tenta estabelecer a chamada, nem sequer dá sinal) tentei também via email e via Facebook”, referiu na reclamação. Ana Nobre ameaçou, então, apresentar queixa às autoridades e divulgar a história nas redes sociais “para que mais ninguém caia na mesma situação”. “Pode-se comprovar, através das inúmeras queixas no portal da queixa, que esta situação é recorrente e leva a questionar a idoneidade desta entidade”, acrescentou. No entanto, a 27 de abril, a utilizadora alterou o estado da reclamação para “resolvida”.

Ao Observador, uma cliente que comprou um serviço à plataforma LikeMe contou que viu, nas informações da plataforma, que “os likes e seguidores são de língua portuguesa”. No entanto, e após a compra, a utilizadora queixa-se de que quase todos os “gostos” que recebeu eram de contas estrangeiras. E não correspondiam, por isso, ao que tinha solicitado. Mais: o logótipo presente no site é o mesmo que o foi utilizado num reality show transmitido pela TVI, chamado “LikeMe”. Nem a plataforma nem o programa televisivo estão relacionados um com o outro. No Facebook, a plataforma colocou, entretanto, um logótipo diferente.

O Observador tentou contactar todas as plataformas para saber mais informações sobre cada uma e perceber se existe, efetivamente, alguma relação com a Lusoleads e o porquê de todas terem a mesma morada e contacto telefónico. No entanto, as únicas plataformas que responderam foram a Social Marketing, que encaminhou todas as questões para o seu contacto no WhatsApp (o mesmo que a Lusoleads encaminhou também inicialmente para a resposta às questões), mas que não chegou a responder mais às questões, e a Like Me, que disse já ter dado uma entrevista ao Observador — referindo-se a um artigo publicado em agosto pela MAGG (e não pelo Observador) sobre o uso indevido do logótipo do programa da TVI — e que não estava disponível para fornecer mais declarações.

A 19 de dezembro, a Social Marketing enviou um email aos clientes, onde informou que “devido a um período de mudanças constantes no algoritmo do Instagram”, passou por “uma fase de muitas dificuldades” e entregou “seguidores internacionais”. Mais: “Avisamos assim que todos os serviços voltaram a partir da data de hoje a ser entregues com perfis reais de língua portuguesa”, acrescentou o email, assinado por “Ana Rita”.

No dia seguinte, surge outro email da Social Marketing, com uma promoção de Natal. O email vinha assinado por Carla Duarte, o mesmo nome com quem Horácio Azevedo, que fez queixa da Lusoleads, diz ter falado inicialmente quando contactou a empresa.

A Lusoleads diz que o facto de todas estas plataformas terem o mesmo contacto e morada deve-se ao facto de existir uma “central de atendimento que faz a gestão de diversas empresas”, sendo a Lusoleads “uma delas”. Não referiu, no entanto, que central de atendimento é esta e como funciona. O Observador tentou várias vezes falar novamente com Ana Bela Jesus, mas não voltou a ter resposta por nenhuma via.

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