O regresso a um Conselho Nacional desta vez no papel de líder partidário e sem os drama de outros tempos. Apesar dos sinais de insatisfação que vão grassando aqui e acolá, os sociais-democratas vão posando felizes e coesos para a fotografia de família. E, na primeira vez que reuniu o órgão máximo do partido entre congressos, Luís Montenegro teve um passeio no parque. “Isto está tão chocho que até me vou embora”, desabafava com o Observador um saudosista social-democrata.

Montenegro, no entanto, cumpriu o seu papel e fez de tudo para tentar marcar o contraste entre um partido que está “unido” e “coeso” e um Governo que está feito em frangalhos. Num discurso de cerca de 40 minutos, aberto à comunicação social (uma diferença face à anterior liderança), o líder social-democrata elogiou o trabalho de todos os braços do partido (do Parlamento às estruturas autónomas, passando pelos eurodeputados) e atirou-se à jugular de António Costa.

Nota curiosa: grande parte da intervenção usada por Montenegro era tudo idêntica àquela que foi usada por Aníbal Cavaco Silva num artigo de opinião no jornal “Público“, divulgado quando ainda decorria o Conselho Nacional do PSD mas escrito, naturalmente, antes do arranque dos trabalhos. Se o antigo Presidente da República se referiu ao Executivo socialista como “desarticulado”, “desorientado” e a “navegar à vista”, o líder parlamentar diria que o Governo está à “deriva”,  “sem liderança” e “desnorteado”.

“No mesmo período em que o PSD está unido, coeso e entrosado, existe um Governo novo, recém empossado, dispondo de condições políticas excecionais, apresenta-se dividido, confuso, cheio de polémicas, cheio de contradições. É um Governo que está à deriva, que não tem liderança, que não tem um borte, que possa ser um referencial de caminho a percorrer dentro de si próprio. É desnorte”, defendeu o líder social-democrata.

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