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Não olhem para trás com raiva: como é que os irmãos Gallagher chegaram aqui? /premium

Liam, enfant-terrible do rock britânico, quer enterrar o machado de guerra. Pediu ao irmão para alinhar em trazer "os grandes" Oasis de volta. Mas é possível esquecer de vez um passado tão violento?

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O número de insultos dirigidos ao irmão nos últimos anos, muitos dos quais via Twitter, não chegam para igualar o número de vezes diárias que Liam Gallagher verbaliza a palavra “fucking”. Mas chegam para fazer corar os mais sensíveis. “Velha dona de casa”, por exemplo. “You sad fuck”, que dispensa traduções. Ou ainda “one of the biggest cocks in the universe”, usado em 2013 numa entrevista à revista New Musical Express e que (meigamente) poderia ser traduzido como “um dos maiores idiotas do universo”.

A animosidade fraternal esteve presente desde o início dos Oasis, até antes disso, e foi tão grande que fez a banda inglesa implodir de vez em 2009. De então para cá, os irmãos Gallagher escolheram caminhos separados: Noel seguiu em frente, Liam também, mas visando o irmão sempre que podia, em entrevistas e nas redes sociais. Talvez por isso tenha causado tanta surpresa e tanto entusiasmo o desafio que o mais novo lançou ao mais velho, há uma semana, no Twitter: “Vamos trazer os grandes O [Oasis] de volta”.

O pedido de tréguas foi feito ao estilo de Liam Gallagher, grande provocador e enfant terrible do rock and roll. “Terra chama Noel. Ouve, ‘mano’: ouvi dizer que andas a dar concertos em que as pessoas não bebem álcool. Isso é a coisa mais bizarra que já fizeste. Eu perdoo-te. Agora, vamos trazer os grandes O de volta e deixar de perder tempo. As bebidas são por minha conta. LG”, escreveu.

Não é que a animosidade não seja recíproca. Basta ouvir o que Noel disse há menos de um ano, quando aconselhou o irmão a “ver um psiquiatra”. E não o disse “como piada”, disse-o em reação aos ataques que Liam lhe fez por não ter atuado no concerto de homenagem às vítimas do atentado terrorista de 22 de maio de 2017, na Manchester Arena, durante um concerto da cantora Ariana Grande. Liam disse que o irmão “estava a marimbar-se” para as vítimas, Noel respondeu que depois de “jovens de Manchester e jovens que gostam de música terem sido massacrados”, Liam conseguiu tornar um debate sobre um atentado numa discussão sobre si próprio. “Ele precisa de ver alguém.”

Rivais no Reino Unido, no tempo áureo dos Oasios? Só mesmo os Blur, outra face - mais intelectualizada e sofisticada - da música britânica dos anos 1990. E se os Blur sobreviveram com menos polémicas, menos acidentes, menos detenções e menos sexo, drogas (muitas, do álcool à cocaína) e rock and roll, tendo há três anos regressado com um novo disco, com o desnorte dos Oasis foi-se de vez o britpop.

Até ver, ao desafio recente para retomarem a banda, Noel Gallagher não respondeu. E as probabilidades de aceitar são poucas, a não ser que tenha mudado radicalmente de ideias desde novembro, altura em que disse o seguinte ao jornal inglês The Independent:

“Os Oasis não vão voltar, posso prever com mil por cento de certeza que isso não vai acontecer. Mas não tenho receios sobre o legado porque ele está garantido com os primeiros dois álbuns dos Oasis. Leio nos jornais que ‘os Oasis têm assuntos por resolver’. Tenho uma pena do caraças das pessoas que acham isso, porque deixei tudo o que tinha no estúdio e no palco. Não tinha mais nada para dar, era aquilo. Se há algum assunto mal resolvido, eu resolvi tudo o que tinha para resolver. Já não tenho nada para resolver com ele [Liam]. Ainda toco as canções porque é o que as pessoas querem ouvir quando toco ao vivo. E porque é que não o haveria de o fazer? Escrevi-as todas, caraças!”

[A atuação de Liam Gallagher no concerto de homenagem às vítimas do atentado da Manchester Arena, que motivou insultos ao irmão:]

O termo “todas” é exagerado, mas é inegável que as maiores canções da banda foram escritas pelo guitarrista Noel Gallagher e não pelo irmão e principal vocalista dos Oasis. Só ao quinto disco Heathen Chemistry (de 2002) é que a composição das canções foi mais irmãmente distribuída. Até aí, até Standing on the Shoulders of Giants — o quarto álbum, editado no ano 2000 –, era Noel quem compunha quase todas as canções dos Oasis. Curiosamente, foi também até aí ou até ao álbum anterior (é discutível) que os Oasis foram uma das maiores bandas de Inglaterra e da Europa, com singles tão grandes quanto “Wonderwall”, “Champagne Supernova” e “Don’t Look Back in Anger” (que Noel escreveu numa noite chuvosa em Paris) e com canções rock tão contagiantes quanto “Live Forever” (escrita por Noel deitado na sua cama, em Manchester), “Cigarettes & Alcohol”, “Rock ‘n’ Roll Star”, “Some Might Say”, “Roll With It”… a lista é interminável e é por ela que há quem lhes chame a última banda gigante do rock and roll.

Rivais no Reino Unido, no tempo áureo dos Oasis? Só mesmo os Blur, outra face — mais intelectualizada e sofisticada — da música britânica dos anos 1990. E se os Blur sobreviveram com menos polémicas, menos acidentes, menos detenções e menos sexo, drogas (muitas, do álcool à cocaína) e rock and roll, tendo há três anos regressado com um novo disco, com o desnorte dos Oasis foi-se de vez o britpop. Um movimento de que os Suede ou os Pulp foram membros importantes mas menos destacados, e que teve em gente como os Verve, Elastica, Supergrass, Kula Shaker ou Cast apenas (bons) atores secundários.

Uma vida de canções e guerras

Talvez a animosidade entre os irmãos Gallagher tenha começado na adolescência. Pelo menos foi essa a tese que Liam apresentou no documentário “Supersonic”, exibido em 2016 aquando dos 25 anos do nascimento dos Oasis. Refutada por Noel Gallagher, que entende que as grandes discórdias resultaram de comportamentos desajustados de Liam já com a banda plenamente formada, a tese deste último é que o irmão nunca lhe perdoou um episódio caricato: certo dia, Liam entrou na casa em que vivia com a mãe, Peggy Gallagher, e com os irmãos, Noel e Paul (o mais velho, ainda hoje bastante discreto). O pai já andava longe, depois de atitudes de violência física e verbal terem levado a mãe a abandoná-lo, quando Liam tinha perto de sete anos e Noel perto de 12.

As brigas prolongaram-se durante anos, mas em 1991 não impediram Noel, então roadie (técnico de estrada) da banda Inspiral Carpets, de se deslocar ao primeiro concerto dos Oasis no bar e clube musical Boardwalk, em Manchester. O intuito era ver o irmão atuar ao lado do baixista Paul McGuigan, do guitarrista Paul Arthurs e do baterista Tony McCaroll.

Não ter encontrado o interruptor da luz foi uma justificação tão surreal quanto conveniente para o que se seguiu. Liam garante que tinha vontade de urinar. Até aqui, estamos no campo das necessidades fisiológicas. A seguir é que entramos no campo do feitio provocador e subversivo (se quisermos ser simpáticos) do músico: com vontade de urinar, decidiu fazê-lo para cima de um novo sistema de som que Noel tinha acabado de comprar. O irmão, garante, nunca o perdoou.

As brigas prolongaram-se durante anos, mas em 1991 não impediram Noel, então roadie (técnico de estrada) da banda Inspiral Carpets, de se deslocar ao primeiro concerto dos Oasis no bar e clube musical Boardwalk, em Manchester. O intuito era ver o irmão atuar ao lado do baixista Paul McGuigan, do guitarrista Paul Arthurs e do baterista Tony McCaroll, trio que antes tocava na banda Rain com o vocalista Chris Hutton, que ocupava o lugar que veio a ser de Liam. Não ficando totalmente convencido com que ouviu, Noel, que já acreditava poder ser estrela rock, propôs à banda entrar com estatuto de líder e compositor incontestado. A essa exigência, somou-se outra, a de profissionalismo e seriedade no trabalho para pôr canções nos ouvidos e na boca de todo o Reino Unido. Os outros acederam, mas as duas batalhas, em especial a segunda, revelaram-se duradouras. Noel teve de as travar até ao fim.

Um retrato de família dos Gallagher, que remonta aos anos 1970. Da direita para a esquerda: Noel, Paul (o terceiro irmão), Liam e a matriarca, Peggy Gallagher. (@ Dan Callister/Liaison)

O estrondoso sucesso chegou logo com o primeiro disco da banda, Definitely Maybe, editado depois de Alan McGee, executivo da editora Creation Records (dos My Bloody Valentine e The Jesus & Mary Chain) os ter visto tocar “Rock ‘n’ Roll Star” e uma versão de “I Am the Walrus”, dos The Beatles, entre outras canções à época inéditas, no clube musical King Tut’s Wah Wah Hut, em Glasgow. Um clube no qual nessa noite os Oasis forçaram a entrada e a subida ao palco, depois de estas lhes serem barradas.

Definitely Maybe arrancou com os singles de antecipação “Supersonic”, “Shakermaker” e “Live Forever” mas agigantou-se com canções como “Rock ‘n’ Roll Star”, “Slide Away” e “Cigarettes & Alcohol”. Tornou-se, na altura, o mais bem sucedido disco de estreia de uma banda britânica. As brigas, porém, já eram constantes, como revelou uma entrevista dada à New Musical Express pelos irmãos Gallagher, posteriormente editada.

Na conversa, Liam e Noel insultaram-se mutuamente, por causa de um concerto da banda em Amesterdão que não chegou a acontecer devido a Liam e outros elementos da banda terem sido expulsos de um barco. A expulsão deveu-se a uma cena de pancadaria em que se envolveram com adeptos do Chelsea, rival do Manchester City dos Gallagher. Noel estava a dormir e não gostou da mudança de planos. Na entrevista, acusou o irmão de se comportar como um hooligan de futebol:

“Achas que ser expulso de um ferry é rock and roll. E não é”.

Ainda nesse ano, num concerto no clube Whisky a Go Go, em Los Angeles, em que ambos estavam alegadamente drogados, Liam arremessou uma pandeireta ao irmão e saiu antes do fim do concerto.

[A polémica entrevista em que os irmãos Gallagher se atacaram mutuamente, em 1994:]

Com tanta discussão, qual é a história a contar?

Se a música até à viragem dos anos 1990 para os anos 2000 foi sempre épica, com Noel na composição e na guitarra e Liam na voz a revelarem-se uma dupla que se complementava na perfeição, encantando o mundo com pop-rock de refrões memoráveis, riffs de guitarra roubados aos heróis The Smiths e The Beatles e prestações vocais fabulosas de um dos grandes vocalistas do rock and roll, os despiques entre os dois irmãos foram constantes. Dois anos depois do álbum de estreia e um ano depois do aclamadíssimo segundo álbum (What’s the Story) Morning Glory?, numa altura em que a cocaína era a droga de eleição de Noel e mais ainda de Liam, deu-se um dos primeiros episódios públicos reveladores das faíscas na banda.

Convidados para fazerem o concerto acústico MTV Unplugged em Londres, em plena época de rivalidade com os Blur, os dois irmãos dirigiram-se em 1996 à capital britânica, mas só Noel esteve em condições de atuar. Alegando um repentino surto de laringite, o mais novo dos irmãos Gallagher ficou a ver o irmão brilhar sozinho na guitarra acústica e substituí-lo no microfone com tanta pinta que só recebeu elogios. Apesar de agudo e impeditivo, o surto de de Liam permitiu-lhe ainda assim assistir confortavelmente ao concerto num balcão superior, com algumas (bastantes) cervejas e muitos (“uns a seguir aos outros”, contou quem lá estava) cigarros para se entreter.

[O concerto “Unplugged” dos Oasis em Londres, do qual o vocalista Liam Gallagher esteve ausente:]

Nesse ano, 1996, Liam esteve sempre mais interessado em festejar os grandes êxitos do segundo disco da banda em festas rock and roll desbragadas do que em concertos: depois do MTV Unplugged, recusou iniciar uma digressão nos Estados Unidos da América. Noel teve de assumir o papel de vocalista principal e ainda hoje o guitarrista considera que o pouco profissionalismo revelado pelo irmão justifica que o estatuto dos Oasis nos EUA não tenha sido nunca tão grande quanto o que foi na Europa.

Já no Reino Unido, o sucesso estava mais do que consolidado, era gigante. A própria Europa estava apaixonada pela banda e pelos dois rapazes de Manchester, Noel um polícia bom em palco, em particular depois de deixar as drogas em 1998 (revelava-se cada vez mais profissional, focado nas canções e na música, sempre competente), Liam um rufia indomável, dedicado discípulo de Mick Jagger na subversão e na iconografia de cantor rebelde mas que em palco era arrebatador para uma juventude que tinha o rock como religião. As disputas entre os dois é que continuaram e aumentaram até de intensidade, chegando obrigar à saída do guitarrista Paul Arthurs e do baixista Paul McGuinan, na sequência de uma espécie de código de conduta que Noel Gallagher impôs para o consumo de álcool e drogas em “horário de expediente”.

Os relatos sobre a última noite de Noel na banda, que se tornaria também a última noite dos Oasis, são tão diferentes que o irmão Liam chegou a processá-lo por difamação, num processo que ainda corre nos tribunais. A banda falhou um concerto num festival em Chelmsford, Londres, por indisponibilidade de Liam. O motivo? Um novo surto de laringite, a que Noel deu o nome mais criativo de "ressaca".

Logo no primeiro ano da década que se revelaria terminal para a banda (os Oasis acabaram em 2009), os irmãos Gallagher tiveram uma discussão tão grande que Noel chegou a abandonar uma digressão, só regressando à banda mais tarde. Seria a antecâmara de anos de discussões semanais constantes e de uma noite para esquecer de Liam Gallagher e de alguns dos novos elementos da banda em Munique, que incluiu álcool, drogas, pancadaria com alemães, dentes partidos (dois, de Liam), droga com fartura e uma detenção de Liam.

[Em 1996, os Oasis deram dois concertos marcantes em Knebworth, Inglaterra. Meio milhão de fãs assistiram aos dois espetáculos:]

Acreditando cada vez menos na banda, cujos três últimos álbuns (Heathen Chemistry, de 2002; Don’t Believe the Tuth, de 2005 e Dig Out Your Soul, de 2008) começaram a aproximá-la perigosamente da irrelevância e tornaram os Oasis sacos de pancada dos melómanos contemporâneos, Noel Gallagher deixou os Oasis de vez em 2009, numa noite que nenhum dos presentes esquecerá.

Os relatos sobre a última noite de Noel na banda, que se tornaria também a última noite dos Oasis, são tão diferentes que o irmão Liam chegou a processá-lo por difamação, num processo que ainda corre nos tribunais. A banda falhou um concerto num festival em Chelmsford, Londres, por indisponibilidade de Liam. O motivo? Um novo surto de laringite, a que Noel deu o nome mais criativo de “ressaca”. Seguiu-se uma atuação num festival francês que não chegou a acontecer porque os dois irmãos explodiram no backstage, pouco antes. Houve impropérios, uma guitarra e uma mais inofensiva peça de fruta (uma ameixa) alegadamente atiradas por Liam na direção de Noel.

Dois anos depois, numa conferência de imprensa, Noel Gallagher fez o seu relato da noite. Começando por dizer que a grande discórdia surgiu quando proibiu o irmão de promover a sua nova marca de roupa nos concertos dos Oasis desse último ano — “Não achei que fosse correto” –, Noel contou que o irmão achava que ele “controlava a comunicação social inglesa” e que começou a nomear jornalistas que o retratavam a ele como o mau da fita na banda.

Os dois irmãos em palco, em Milão, no ano de 2008. @ Vittorio Zunino Celotto/Getty Images

“E então tornou-se violento. Até esse ponto nunca tinha existido violência física mas aquilo ficou um bocado parecido com a WWE”, prosseguiu Noel Gallagher. Depois, contou ainda, o irmão atirou-lhe uns quantos “vai-te fo***”, arremessou uma ameixa que “bateu na parede e ficou esmagada”, saiu do camarim e regressou uma guitarra, com a qual ameaçou o irmão.

“E eu disse: sabem que mais? Vou sair desta porra de sítio. Aí, alguém entrou e disse: daqui a cinco minutos entram em palco! Fui para o carro, sentei-me lá durante cinco e minutos e pensei: porra, que se lixe, não consigo continuar a fazer isto. Sinceramente lamento, porque só tínhamos mais dois concertos marcados. Se pudesse voltar atrás, teria feito esse concerto e o seguinte. Teriam corrido horrivelmente mal, porque ele [Liam] estava louco, mas tê-los-ia feito, no final discutiríamos o rumo das coisas e talvez nunca tivéssemos acabado, talvez tivéssemos simplesmente parado por um tempo”.

Liam quer pôr para trás das costas todos os ataques, as vezes em que disse que o irmão "tornou-se um pouco snob", que "deve andar com os Queen, ou o caraças, hoje em dia" e que "acabou com os Oasis por motivos financeiros e de glória pessoal".

Liam Gallagher não poderia continuar sem o irmão. Além de ser já o único fundador dos Oasis que não abandonou o barco, os dotes de compositor não eram um trunfo e os últimos anos dos Oasis já adivinhavam um futuro penoso. Ainda mais sem Noel. O melhor era não envergonhar a história da banda e o Gallagher mais velho percebeu-o, criando uma nova banda, os Beady Eye, com os restantes elementos dos Oasis: os guitarristas Gem Archer e Andy Bell e o baterista Chris Sharrock.

Um para cada lado. Ou talvez não

O que se seguiu, nos últimos quase dez anos, resume-se quase às polémicas. Liam Gallagher lançou álbuns com a banda que foram um fracasso, parou, lançou recentemente um disco a solo que surpreendeu e mereceu elogios quanto baste. A Noel Gallagher todos anteviam um futuro auspicioso a solo, já que ao contrário do irmão conjugava um grande talento na composição ao bom manuseio da guitarra e a uma capacidade razoável para se afirmar como vocalista. O sucesso, contudo, não apareceu, e os três discos de Noel com a sua nova banda High Flying Birds, mais experimentais e menos presos à fórmula que pôs os Oasis no topo do mundo, causaram tudo menos espanto.

[Em 1997, um jovem era entrevistado pela MTV numa fila para comprar o terceiro álbum dos Oasis, ‘Be Here Now’. Esse jovem chamava-se Pete Doherty e daí uns anos fundaria os The Libertines:]

Talvez por ter saudades dos tempos áureos dos Oasis, Liam mudou de ideias quanto a preferir “comer a minha própria mer** a voltar a estar numa banda” com o irmão Noel (como chegou a declarar em 2011). O enfant terrible que já revelou ter mais de 1500 pandeireitas em casa, que atirou um troféu de melhor álbum britânico dos últimos 30 anos para o público durante os Brit Awards e que disse que o último álbum de Noel, psicadélico, é menos psicadélico do que a música do alemão David Hasselhoff, tem saudades. Quer pôr para trás das costas todos os ataques, as vezes em que disse que o irmão “tornou-se um pouco snob”, que “deve andar com os Queen, ou o caraças, hoje em dia” e que “acabou com os Oasis por motivos financeiros e de glória pessoal”. Afinal, como referiu há alguns meses à revista Variety, “preferia estar nos Oasis” a ter um projeto a solo, porque “gostava de ter a rapaziada por perto e rir-me com eles”, coisa que não vê acontecer com outras bandas porque “os miúdos de hoje em dia estão a tentar fazer rock and roll nos computadores, e isso não vai acontecer, tem que se comprar um instrumento, aprender a tocá-lo, ir para a garagem com amigos, transpirar e aprender.”

Se isso significar que está a viver no passado, “que se fo**”, disse ainda. “O rock and roll foi bom para mim. Salvou-me de todo o tipo de mer**, portanto serei bom para ele. Nunca o deixarei desiludido. Não me preocupo com essas críticas porque sei que consigo emocionar mais as pessoas do que um miúdo qualquer com um teclado”, concluiu.

Agora, a bola está do lado de Noel Gallagher: vai arriscar voltar a um passado que pode resultar em sonho ou pesadelo futuro, ou continuará quieto no seu canto, a fazer a música que lhe apetece, longe dos maiores holofotes? Talvez, como Noel sugeriu uma vez, fizesse “um concerto por 20 milhões de libras [perto de 22 milhões de euros]. Mas ainda ninguém fez essa proposta”. Porque um regresso duradouro “seria fantástico para a minha conta bancária, mas seria um ano, pelo menos, em que teria de deixar tudo o resto pendurado. E seria miserável. Já viram a conta de Twitter do meu irmão? A vida dele é um caos absoluto e agora isso é visível para o mundo inteiro. Bom, é assim que é estar numa banda com ele, 24 horas por dia, sete dias por semana. Porque é que quereria voltar a isso?”. Para Liam Gallagher, a esperança é que o coração e/ou a carteira vençam a razão. Se acontecerá ou não, só Noel Gallagher o dirá.

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