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Corbis via Getty Images

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Natal assusta e pode juntar-se a novas variantes e menos eficácia das vacinas. O que esperar do inverno no pior dos cenários

No pior dos cenários, o Natal, a redução da eficácia das vacinas e o surgimento de uma nova variante vai obrigar a medidas de "mitigação". O que significa? E que mensagens deixaram os peritos?

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A Direção-Geral da Saúde (DGS) avisou na reunião no Infarmed esta quinta-feira que, no pior dos cenários, e com o Natal a menos de 100 dias de distância, pode ser necessário implementar medidas de “mitigação” para controlar a epidemia de Covid-19. Nas fases mais críticas da epidemia, as medidas de mitigação incluíram o regresso ao teletrabalho obrigatório, regras que restringiram a mobilidade da população (como o recolhimento obrigatório, sob pena de sofrer contraordenações) ou a proibição de circulação entre concelhos.

Pedro Pinto Leite, chefe da Divisão de Epidemiologia e Estatística, explicou que esta pode ser uma realidade se a durabilidade da efetividade da vacina não ultrapassar um ano e se uma nova variante de preocupação for identificada em Portugal. O maior problema será mesmo o Natal e o Ano Novo, épocas que conduzirão a uma maior mobilidade da população.

Aliás, por essa altura, mesmo que a delta continue a ser dominante e nenhuma nova variante lhe faça frente, será sempre necessário adotar medidas de “contenção” e de “controlo” se a efetividade da vacina se ficar pelo ano de duração. No passado, isso já se traduziu um dever de recolhimento obrigatório, a limitação no horário de estabelecimentos e entraves aos convívios.

Já no melhor dos cenários, em que a efetividade da vacina dure mais tempo e nenhuma nova variante surja, nada disto será necessário.

O Natal do ano passado viveu-se com o país em confinamento (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O objetivo destas medidas será evitar que se ultrapassem as linhas vermelhas delineadas para dois fatores em particular: a ocupação das camas em unidades de cuidados intensivos e o número de óbitos a 14 dias por milhão de habitantes. No pior dos cenários, essas linhas podem ser excedidas entre o fim de dezembro e o início de janeiro. Por outro lado, basta que a efetividade da vacina seja menos longa para, mesmo sem novas variantes, para que os limites propostos pelos especialistas serem ultrapassados ao longo do mês de janeiro.

No Natal e Ano Novo podem disparar óbitos e internamentos se imunidade da vacina for de apenas 1 ano. Os 3 cenários das autoridades de saúde

As outras 12 mensagens da reunião no Infarmed

“Estamos, claramente, no fim de uma fase pandémica”, garantiu o chefe da Divisão de Epidemiologia e Estatística da Direção-Geral da Saúde (DGS), Pedro Pinto Leite, na intervenção que protagonizou na abertura da reunião no Infarmed. A tendência decrescente na incidência é transversal a todas as regiões do país e em quase todas as faixas etárias — só mesmo naquela onde a vacinação contra a Covid-19 não foi aprovada, entre as crianças até aos nove anos, é que ela se mantém estável.

"Estamos, claramente, no fim de uma fase pandémica"
Pedro Pinto Leite, chefe da Divisão de Epidemiologia e Estatística da DGS

Henrique Gouveia e Melo, coordenador da task force para a vacinação contra a Covid-19, também defendeu que “a guerra não terminou, mas [que] pelo menos a primeira batalha está ganha”. O militar avançou que Portugal atingiu os 86% da população vacinada com pelo menos uma dose e 81,5% com a vacinação completa — os 85% devem ser atingidos no fim de setembro. E até sobraram doses: há vacinas até para uma terceira dose para toda a gente acima dos 65 anos.

Os especialistas querem aliviar as medidas obrigatórias impostas pelo Governo e dar mais autonomia às pessoas para fazerem uma avaliação de risco. Com a cobertura vacinal atual, a epidemiologista Raquel Duarte considera que a apresentação de certificados digitais pode ser limitada aos lares para idosos (e pouco mais) e que as máscaras podem ser dispensadas, a não ser que cada pessoa considere que isso reduz o risco de ser infetado na situação em que se encontra.

Menos certificados digitais, mais responsabilidade pessoal. O plano de alívio das medidas que os especialistas sugeriram ao Governo

Na eventualidade de ser necessário administrar a terceira dose da vacinação contra a Covid-19 à generalidade da população, os idosos devem ser a prioridade, considerou também a especialista. É um cenário para o qual as autoridades de saúde se devem preparar já e que não pode ser totalmente colocado nas mãos dos centros de saúde.

Portugal in state of calamity as fourth phase of COVID-19 unlocking begins

Os especialistas querem aliviar as medidas obrigatórias impostas pelo Governo e dar mais autonomia às pessoas 

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A vacinação está mesmo a impedir que mais portugueses cheguem às enfermarias dos hospitais por complicações associadas à Covid-19. Segundo o especialista da DGS, em cada cinco pessoas internadas com Covid-19 nas enfermarias, quatro não tinham sido vacinadas. Nas unidades de cuidados intensivos (UCI), só uma pessoa em 15 internadas é que tinha sido inoculada contra a Covid-19. Os internamentos sofreram uma descida de 15% em relação à vaga anterior, mas a redução verificada entre os mais idosos “não tem acompanhado a dos mais novos”, provavelmente porque os mais velhos passam mais tempo hospitalizados.

Nunca o R(t) — o indicador que refere quantas pessoas alguém infetado com o SARS-CoV-2 pode contagiar — foi tão baixo numa fase sem medidas de restrição muito acentuadas em vigor. Baltazar Nunes, epidemiologista do Instituto Nacional Doutor Ricardo Jorge (INSA), estima que o valor esteja entre 0,80 e 0,84 em todas as regiões de Portugal Continental.

Gouveia e Melo: “A guerra não terminou, mas pelo menos a primeira batalha está ganha”

Se os estudos internacionais se comprovarem e a efetividade da vacina diminuir em 40% ao fim de quatro a cinco meses após a inoculação, as consequências para a imunidade de grupo podem coincidir com uma fase que motiva uma maior mobilidade da população: o Natal e o Ano Novo. A boa notícia é que, até às 14 semanas após a segunda dose, não se observou uma redução da efetividade contra hospitalizações na população com 80 anos ou mais.

"A guerra não terminou, mas pelo menos a primeira batalha está ganha"
Henrique Gouveia e Melo, coordenador da task force para a vacinação contra a Covid-19

O Infarmed prevê que será necessário administrar uma dose de reforço da vacina da Pfizer às pessoas acima dos 16 anos ao fim de seis meses da última inoculação. A estimativa foi apresentada por Fátima Ventura, assessora de qualidade daquela entidade. Como anunciado a 6 de setembro, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) está precisamente a avaliar essa necessidade neste momento. Entretanto, Portugal já contratualizou a entrega de vacinas de seis marcas e está em fase de discussão com outras duas farmacêuticas.

A variante delta continua a dominar a epidemia de Covid-19 em Portugal e representa 98% de todos os novos casos no país. Desde a semana de 10 a 25 de julho, não foi detetado qualquer caso da variante Beta, associada à África do Sul. Quanto à variante Gama, após três semanas sem deteção, foi detetado um caso na região de Lisboa e Vale do Tejo na semana de 30 de agosto a 5 de setembro. Houve dois casos da variante Lambda, um em abril e outro em junho. Quanto à variante Mu, mantêm-se os 24 casos registados em Portugal, entre 31 de maio e 31 de julho, em 17 distritos e 16 concelhos. “Não temos dúvidas que houve transmissão comunitária”, diz o especialista.

Portugal é um dos países com menor probabilidade de se transformar num berço para uma nova variante capaz de derrubar a delta, assegurou João Paulo Gomes, microbiologista do INSA. É que, para que isso aconteça, o vírus precisa de ter mais oportunidade de se replicar. Ora, em países com elevada taxa de vacinação, como Portugal, há “muito menos vírus em circulação e menos probabilidade de ocorrerem mutações”. E mesmo que surja uma nova variante, “muito dificilmente apresentará mutações diferentes”, prossegue João Paulo Gomes: “Apresentará uma combinação das mutações [já detetadas em Portugal]”.

Portugal impacted by COVID-19 coronavirus

Portugal é um dos países com menor probabilidade de se transformar num berço para uma nova variante

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A testagem em Portugal aumentou de tal ordem para enfrentar a pandemia que, em cada caso e meio de infeção pelo SARS-CoV-2, um sabe que esteve com o vírus. Henrique Barros, epidemiologista do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, disse mesmo ser “uma das primeiras conquistas na nossa capacidade de enfrentar a infeção quando ela apareceu”. Os testes serológicos são para aumentar, aconselha o especialista, para saber que fração da população não foi diagnosticada e que fração esteve assintomática.

As 7 dicas dos especialistas para avaliar se está em maior risco de ficar infetado e saber o que fazer

A população mais jovem é a que está a demonstrar uma saúde mental mais deteriorada à conta da pandemia de Covid-19. Carla Nunes, da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, explicou que a população de jovens entre os 16 e os 25 anos diz sentir-se mais “agitada, ansiosa, em baixo ou triste devido à medidas de distanciamento físico todos os dias”. “Os mais novos, desde maio, que se destacam das outras classes etárias” com uma “tendência crescente e desfasada das outras faixas etárias”. “Há um desequilíbrio entre os mais novos e os mais velhos que mudou desde setembro de 2020”, remata.

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