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No dia em quase se cruzou com "Von der Meloni", CDU sai do guião e cola políticas de Putin a AD e IL

Artigo do jornal Politico "obrigou" CDU a sair da rota e demarcar-se de Vladimir Putin, cujas políticas -- garante o cabeça-da-lista da CDU -- têm mais a ver com o que é defendido à direita.

Ao longo de quase duas semanas, a estratégia da CDU em relação à guerra na Ucrânia era simples: manter a neutralidade, lutar por uma solução pacífica do conflito e acusar as restantes forças políticas de falarem da guerra com a leviandade de quem assiste “ao longe, sentado num sofá”, e de querer atirar achas para a fogueira numa disputa em que estão envolvidas potências nucleares. A posição, mesmo não sendo a mais popular, nunca foi escondida, e o tema foi abordado em praticamente todos os comícios da coligação.

A postura, contida mas ativa, estava a resultar até agora: tirando a discórdia natural que surgiu nos debates, João Oliveira praticamente não se envolveu em bate-bocas sobre o caso. Aliás, entre os partidos da esquerda, onde a troca de recados até podia ter existido (tanto Bloco de Esquerda como Livre são vocais na defesa da Ucrânia), até foi o cabeça-de-lista comunista a puxar dos galões, acusando quem à esquerda se deixa levar “ao sabor da maré dos ventos”, que, de acordo com João Oliveira, levam neste momento à aceitação da corrida ao armamento.

O assunto ia passando entre os pingos da chuva — mais do que seria de esperar numa campanha para o Parlamento Europeu — mas a imprensa internacional mudou a situação. Esta quinta-feira, o Politico Europe divulgou uma lista com os 30 deputados mais alinhados com a Rússia nas votações do Parlamento Europeu — ou os “melhores amigos” do Kremlin, como lhe chama o jornal internacional. Nessa análise, os dois eurodeputados da CDU na última legislatura (e atuais nº 2 e 3 nas listas dos comunistas a estas eleições) aparecem destacados. Sandra Pereira está em segundo lugar, tendo votado contra todas as resoluções críticas da Rússia, tirando apenas duas, em que não participou. Já João Pimenta Lopes vem mais abaixo, em sexto, repetindo a tendência de voto da colega eurodeputada, sendo que, neste caso, não participou em quatro votações. Entre as propostas rejeitadas por ambos, está a resolução que condenava a invasão russa do território ucraniano em março de 2022.

No momento em que sai a notícia, João Oliveira prepara-se para uma arruada no Porto, na rua de Santa Catarina. É lá que é questionado pelos jornalistas, e é lá que sai pela primeira vez do guião que até aqui ia seguindo. “As políticas de Putin são privatizações, ataques aos direitos dos trabalhadores, ataques à intervenção sindical”, refere, antes de passar ao ataque à direita: “Não terão dificuldades em encontrar liberais, AD, muita gente comprometida com esse programa político que são as políticas de Putin, muito distantes das nossas”. O momento é marcante e inédito, não só pela viragem no discurso como pela menção — por si só rara por parte da CDU — e demarcação em relação ao presidente russo.

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João Oliveira parte depois em defesa dos seus eurodeputados. Desvalorizando a contabilização feita pelo Politico, garante que quando votaram no Parlamento Europeu, Sandra Pereira e Pimenta Lopes o fizeram-no sempre a “favor da paz” e contra o conflito nuclear e a escalada do conflito. “Todos os deputados da CDU continuarão a servir para defender a paz, mesmo que nos queiram caricaturar, como fizeram nesse artigo”, sublinha.

“Mesmo que queiram procurar, com caricaturas desse género, fazer tremer a nossa determinação, não vão fazer isso: nós continuaremos a ser a voz portuguesa em defesa da paz, mesmo que todos os outros só queiram falar da guerra, mesmo que seja para fugirem a caricaturas dessas”, afirma. Sobre o timing em que surge o artigo, João Oliveira também não mostra dúvidas: “É curioso que, em cima das eleições, alguém se venha lembrar de trazer essa mensagem, sobretudo quando em Portugal não se encontra nenhuma outra força como a força da CDU a lutar pela paz”.

Mais tarde, já no fim da arruada no Porto, João Oliveira fala aos militantes, naquele que pode ser considerado, provavelmente, o discurso mais assertivo e enérgico do candidato em toda a campanha, e não tem medo de subir o tom: “Podem ficar todos bem avisados que sejam quais forem as operações que queiram lançar contra nós, sejam quais forem as mentiras, as caricaturas que queiram fazer das nossas posições, não saíremos da luta pela paz”.

Depois, continua, referindo o surgimento de “mais uma dessas manobras”, que apelida de “mentireta“. João Oliveira diz que estão a tentar colar um rótulo à CDU, e ironiza: “Se os nossos deputado tivessem votado a favor de todas as medidas a favor da guerra, já não estavam naquele ranking“. Para o fim, fica guardado um outro aviso: “Não é com rankings nem com mentiretas que vão quebrar a nossa determinação”, exaltou. Se a mudança no discurso vem para ficar, é difícil saber, mas certo é que o Politico “obrigou” a CDU a desviar-se da rota. A apenas algumas horas do fim da campanha oficial, o momento ganha especial significado.

LUSA

“Von der Meloni”: amiga de Bugalho, inimiga do povo

Como é hábito nos últimos dias de campanha, as diferentes candidaturas voltaram a dirigir-se em força à rua de Santa Catarina. Com tantos candidatos, surge um problema: a organização do espaço. Por isso mesmo, esta quinta-feira, o espaço teve de ser dividido entre a comitiva da CDU e a da AD, que se preparava para receber Ursula von der Leyen.

A presença não é ignorada por João Oliveira, que acusa rapidamente a Aliança Democrática de fazer campanha com “figurões da União Europeia”. A menção gera apupos imediatos dos militantes comunistas, e o cabeça-de-lista continua, lembrando que estes figurões “são os protagonistas da degradação das condições de vida, que têm imposto a dependência externa de Portugal, que impõem a contenção dos salários e o aumento das taxas de juro”. Sobre esta última matéria, a CDU já tinha também tecido comentários. Face ao anúncio eminente — entretanto confirmado — que as taxas de juro iam descer pela primeira vez desde 2019, João Oliveira e Paulo Raimundo criticaram também de manhã, na Maia, o timing da decisão, acusando até o BCE de estar a tentar influenciar as eleições.

Voltando a Von der Leyen, o cabeça-de-lista lembrou ainda que no mesmo dia em que Sebastião Bugalho a escolheu como companhia, a CDU preferiu ter ao seu lado antigos presos políticos, resistentes antifascistas, numa visita ao Museu Militar do Porto, antiga sede da PIDE. Para João Oliveira, o contraste vem mesmo a calhar e deve ser assumido “às claras”, para que os portugueses percebam a diferença.

O último dia de campanha termina em Coimbra, com um comício, e há ainda espaço para um momento caricato de Paulo Raimundo. Enquanto criticava as intenções de Sebastião Bugalho em relação à habitação, o secretário-geral tenta dizer o nome da presidente da Comissão Europeia, mas confessa que costuma ter dificuldades para o fazer. Volta-se para trás, pedindo ajuda a João Oliveira, e acaba por soltar um nome original: “Von der Meloni”. Brinca com a situação, notando que juntou os nomes de Ursula von der Leyen e de Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana. Pronunciar o nome da presidente da Comissão Europeia até pode não ser tarefa fácil, mas para os comunistas não muda em nada a necessidade de demarcação de alguém que consideram ser uma verdadeira inimiga do povo português.

 
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