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Um grupo de sete profissionais de saúde, cada um num posto diferente, marcaram o início da vacinação contra a Covid-19 no Hospital de Santo António, no Porto

Octavio Passos/Observador

Um grupo de sete profissionais de saúde, cada um num posto diferente, marcaram o início da vacinação contra a Covid-19 no Hospital de Santo António, no Porto

Octavio Passos/Observador

No Santo António houve sete primeiros vacinados. Agora o objetivo é vacinar um por minuto até terça-feira /premium

Aníbal Marinho, responsável dos Intensivos, foi um dos 7 primeiros vacinados. Para Isabel Pinto, este é "o início do fim da batalha". Depois da vacina, volta-se ao trabalho "com todo o ânimo"

No dia de arranque da vacinação contra a Covid-19 em Portugal, Aníbal Marinho está de serviço. É responsável da Unidade de Cuidados Intensivos do Centro Hospitalar Universitário do Porto – Hospital de Santo António, mas o trabalho não o impediu de integrar o grupo dos primeiros profissionais de saúde que foram vacinados neste hospital. Ao contrário de outros locais, aqui não houve uma pessoa a marcar especificamente o início do processo de vacinação este domingo: foram sete em simultâneo. O grupo dividiu-se pelos sete postos instalados e, pouco depois das 10h30, estava dado o primeiro passo na vacinação.

“Era uma esperança nossa e ainda bem que veio cedo. Para mim foi uma prenda de Natal”, refere o médico intensivista de 61 anos, a trabalhar neste hospital há mais de 30 e agora também vacinado contra a Covid-19. O local de um dos auditórios do hospital está agora transformado em três salas de vacinação, com sete postos no total, cada um com um enfermeiro preparado para a vacinação e também com a tarefa de anotar atentamente todos os detalhes no computador que tem disponível. Na mesa ao seu lado há todo o tipo de materiais: luvas, desinfetante, pensos rápidos, seringas e o mais esperado: doses da vacina da Pfizer e da BioNTech.

Em três dias, o Hospital de Santo António pretende vacinar 1.800 profissionais de saúde

Octavio Passos/Observador

Entre cada vacinação, há auxiliares prontas a desinfetar todo o material para dar lugar à pessoa seguinte. E o ritmo não parou: até ao final da manhã, foram cerca de 150 profissionais de saúde vacinados, sendo que o objetivo é que se chegue aos 600 até às 20h. Quando fala com o Observador, Aníbal Marinho aguarda para regressar ao serviço e garante que agora vai “com todo o ânimo”. Para já, sente-se “bem”, sem qualquer reação adversa e tem confiança de que “não vai haver complicações”.

“A situação tem vindo a piorar progressivamente. Se conseguirmos ter alguma coisa que consiga quebrar este ciclo que vai ser em crescendo, é bom para todos nós”, assegura. Hesitou antes de aceitar tomar a vacina? “Não, não, não”, repete, com segurança. “Aquilo que não devemos fazer é hesitar em tomar a vacina. Há milhões de pessoas à espera e acho que seria ingrato da minha parte, como profissional de saúde que teve este privilégio de ser dos primeiros vacinados, não aceitar. Toda a gente deve tomar a vacina e o mais rapidamente possível”, acrescenta responsável dos Cuidados Intensivos. Também grande parte da equipa do seu serviço — de quase 100 pessoas — já foi vacinada esta manhã.

À semelhança do caso deste médico, o ambiente nas salas de vacinação foi uma mistura entre otimismo, ansiedade e esperança. Isabel Pinto, enfermeira dos Cuidados Intensivos, foi também das primeiras a receber a vacina. “Disse logo que sim, nunca hesitei. Acredito na ciência”, revela ao Observador. O momento da vacinação, acrescenta, “foi emotivo”. “É o início do fim desta batalha, desta guerra que nós travamos. E também quero dizer para a população não ter receio de tomar a vacina”, assegura ainda, destacando a “organização e rapidez de todo o processo”.

Isabel falava ao Observador à saída de uma tenda montada no exterior do hospital, destinada aos profissionais de saúde que receberam a vacina e que devem estar em vigilância ou “recobro” durante cerca de meia hora para a eventualidade de sentirem efeitos secundários da vacinação.

No exterior do Hospital de Santo António, há uma tenda destinada aos profissionais de saúde que tomaram a vacina

Octavio Passos/Observador

A fechar a manhã, e também para salientar uma mensagem de otimismo, Marta Temido, ministra da Saúde, visitou o Hospital de Santo António — depois de uma passagem pelo Hospital de São João para assistir ao primeiro vacinado em Portugal.

– E a senhora enfermeira quantas vacinas já deu?
– Esta foi a 11.ª.

Temido assistia com atenção a todo o processo de vacinação, puxava conversa com quem ali estava, comentava os passos da vacinação e, no final, fez um balanço das duas horas que marcaram o início de um momento histórico na luta contra a Covid-19. “Está a correr com grande tranquilidade, com grande expectativa, com alegria genuína”, respondeu a ministra da Saúde, garantindo que ainda não tem conhecimento de situações de algum tipo de reação adversa. Mas o dia “ainda vai ser longo e há muitas vacinas para administrar”.

A ministra da Saúde, Marta Temido, visitou também o Hospital de Santo António

Octavio Passos/Observador

“Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas”

Ao longo da manhã, os gabinetes de vacinação estiveram num entra e sai de profissionais de saúde para serem vacinados, desde médicos a enfermeiros e técnicos operacionais. À vez, cada um dirigia-se ao posto que lhe foi atribuído, entregava a ficha com as suas informações, sentava-se e recebia a vacina. Uns de sorriso no rosto, outros mais sossegados. Não havia filas cá fora e, de vez em quando, iam chegando malas térmicas com mais doses da vacina, cuidadosamente transportadas.

Num dos postos de vacinação — não para receber a vacina, mas para a administrar — está André Silva, enfermeiro do serviço de doenças infecciosas do Hospital de Santo António. A cada hora, este enfermeiro vacina 10 pessoas, um processo “rápido e mecanizado”, mas que exige dupla confirmação de tudo. “Temos já muitas das coisas adiantadas, temos apenas de fazer a administração e o registo depois no e-vacinas. Mas tudo isto obrigou a uma preparação grande, a uma logística bem oleada e bem montada”, explica. André Silva não está na lista dos vacinados nesta fase inicial, uma vez que já esteve infetado com Covid-19. Aguarda “pacientemente” pela sua vez, mas nas não esconde “o orgulho em fazer parte deste momento”.

“A brincar, de manhã, dizia que hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas. E parece-me que é a realidade. É o primeiro passo, a primeira esperança que temos na luta contra esta doença que nos retirou algum tempo das nossas vidas. Espero que seja o primeiro lançamento para erradicarmos definitivamente isto”, desabafa, enquanto aguarda pela próxima pessoa a vacinar.

O Hospital de Santo António foi um dos cinco hospitais que iniciaram este domingo a vacinação contra a Covid-19

Octavio Passos/Observador

Na sala ao lado, a enfermeira Manuela Magalhães espera também pelo próximo profissional de saúde. Às suas mãos chegam-lhe pessoas “com alguma ansiedade, mas sobretudo animados e com expectativa de que tudo vai correr bem e que isto vai melhorar”. “Não tenham medo da vacina. A vacina está preparada. Temos de confiar”, reforça.

A logística de vacinar 1.800 profissionais em três dias

Se o processo de vacinar tem sido rápido, a logística por detrás de tudo não foi assim tão simples. José Barros, diretor clínico do Hospital de Santo António, esteve presente na manhã da vacinação e revelou que o objetivo é vacinar 1.800 profissionais de saúde nesta fase inicial, divididos em três dias: “600 por dia, um por minuto“, detalha. Para isso, há um “núcleo duro” de 30/40 pessoas que se têm dedicado exclusivamente ao plano de vacinação contra a Covid-19, desde os serviços farmacêuticos e de informática à gestão dos recursos humanos.

“O processo tem alguma complexidade, mas não é nada que um centro hospitalar com o nosso não esteja habituado a fazer. Há uma fase de seleção das pessoas, temos cerca de 4.800 trabalhadores e, desses, apenas 1.800 serão agora vacinado, que são aqueles que têm contacto direto e de risco com doentes, profissionais que podem infetar-se com doentes ou que podem infetar doentes. Essa foi a nossa prioridade”, explicou aos jornalistas, acrescentando que a resposta dos profissionais de saúde foi positiva e que “apenas seis pessoas tiveram desconfiança em relação à vacina”, revelando motivos de saúde, como alergias graves ou gravidez. A vacina, assegura, “é a segunda grande notícia do ano a seguir à pandemia”.

José Reizinho é assistente operacional na Unidade de Cuidados Intensivos e vê na vacina "uma segurança" que até agora não tinha

Octavio Passos/Observador

Acabado de sair do posto de vacinação — e ainda a ajeitar a manga da camisola que teve de levantar para receber a vacina — está José Reizinho, assistente operacional na Unidade de Cuidados Intensivos. Trabalha com doentes Covid-19 “quase todos os dias” e vê na vacina “uma segurança” que até agora não tinha, apesar de “continuar todos os cuidados”.

“É uma proteção minha e da minha família, que não podem ser vacinados já e podem ser mais facilmente infetados por mim se eu for infetado cá”, conta ao Observador, afirmando estar “seguro” de todo o processo de vacinação. Foi uma “picada normal” que teve um significado diferente. Agora é preciso voltar ao trabalho. Mas antes, Aníbal Marinho, diretor dos Cuidados Intensivos, deixa um conselho à população: “Tomem a vacina rapidamente. Não arranjem um pretexto para não tomar. Isso não faz sentido nenhum”.

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