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Bloco de notas da reportagem na campanha da CDU. Dia 4. A conversa com a peixeira e a tarde tranquila pelo Algarve /premium

No quarto dia de campanha, João Ferreira elegeu dois temas e parou em dois locais. Falou com os vendedores no mercado de Portimão e com os habitantes de Silves. Uma tarde calma no Algarve para a CDU.

Depois de ter passado o terceiro dia de campanha em dois concelhos alentejanos em que a CDU ocupa a presidência da câmara (Vila Viçosa e Évora), a caravana da coligação PCP-Verdes desceu ainda mais a sul rumo ao Algarve, com dois temas essenciais na agenda — as pescas e o turismo. A primeira paragem foi no mercado municipal de Portimão. A visita começou à hora marcada, 11h30, relativamente tarde para uma passagem por um mercado: quando percorreu a zona do peixe fresco, já muitas bancas estavam vazias ou a fechar. Ainda assim, João Ferreira avançou pelos corredores da fruta e dos legumes, sempre a apelar ao “voto acertado” na força política com “provas dadas” na Europa, e deteve-se a falar com alguns vendedores de peixe sobre as dificuldades laborais.

À porta do mercado, falou aos jornalistas sobre o primeiro tema do dia, as pescas. Apontou baterias à ministra do Mar (que em entrevista à Antena 1 havia dito, de manhã, que Portugal não pode pescar a sardinha que não tem) para dizer que tem haver mais investimento na “capacidade científica” porque, argumenta, tem havido “situações em que na ausência de conhecimento científico suficiente” sobre as populações de peixes se aplicam quotas excessivamente reduzidas de pesca. E isto está mesmo a colocar em causa “a viabilidade do setor”.

Antes das 12h30, João Ferreira entrava novamente no carro, já despachado da primeira ação de campanha do dia. O momento seguinte estava agendado apenas para as 17h em Silves (a 16 quilómetros de Portimão). Não se pode dizer que haja pressa na caravana da CDU para chegar a muitos eventos consecutivos. Chegou a Silves (a autarquia CDU mais a sul no país) pontual, e num pequeno largo já o aguardavam algumas dezenas de apoiantes — e um tambor e uma gaita de foles ensaiavam a “Carvalhesa”, a histórica identidade sonora eleitoral do PCP.

CDU. João Ferreira foi ao Algarve defender a pesca e o turismo — e diz que Berardo é só a “ponta do icebergue”

O microfone já estava montado e o teste de som feito, mas houve tempo para uma arruada que não estava no programa. João Ferreira foi levado pelas ruas mais próximas e, pelo meio, voltou a falar aos jornalistas, agora sobre turismo. Para dizer que não gosta de ver o setor a crescer em todas as vertentes — nomeadamente nos lucros — exceto nos salários dos trabalhadores, “que não recuperaram ainda sequer os níveis de salários que tinham em 2008”. Às 18h30, a função estava cumprida. Mais que a tempo de seguir calmamente para Faro, onde à noite vai encerrar a quarta jornada com um comício no centro da cidade.

“As preocupações da CDU (…) vão ao encontro daquilo que são as preocupações de muitos católicos e não católicos”

A polémica marcou o dia e João Ferreira deu a sua reação logo de manhã. Depois de o Patriarcado de Lisboa ter partilhado no Facebook uma publicação da Federação Portuguesa pela Vida que apelava indiretamente ao voto no CDS e no Basta, por serem os únicos contra a eutanásia, o aborto e outras medidas — e de depois ter apagado a publicação —, o candidato da CDU desvalorizou a polémica. “A retirada do post e o reconhecimento do erro resolvem a questão”, assegurou.

Mas o candidato comunista foi mais longe e mostrou-se “certo de que as preocupações que a CDU tem vindo a expressar no plano da situação social, da necessária resposta a situações de injustiça social, no plano da melhoria na distribuição dos rendimentos, na promoção da igualdade, vai ao encontro daquilo que são as preocupações de muitos católicos e não católicos”. Depois de na terça-feira ter apoiado o fim do trabalho ao domingo (novamente na ordem do dia depois das palavras do bispo do Porto a defender o mesmo), e de na quarta-feira ter agendado um encontro com os apoiantes para a porta da catedral de Évora, estará a CDU a aproximar-se da Igreja Católica?

Alto. João Ferreira sabe falar com as pessoas. Pelo menos, com quem alinha na discussão. Novamente, neste quarto dia, o candidato trouxe temas específicos para a campanha, afastou-se de trocas de bocas entre caravanas e deu exemplos aos eleitores daquilo que poderá fazer por eles no Parlamento Europeu. Também escolheu bem os temas: aqueles que mais interessam aos algarvios…

Baixo. …mas não foi tão eficaz a falar com aqueles que têm menos conhecimentos sobre a política europeia (e a política no geral). E encontrou muitos assim nesta quinta-feira. Por diversas vezes, ficaram atrás de si alguns rostos espantados tanto com o homem que os tinha acabado de cumprimentar como com o panfleto que tinham nas mãos, que rapidamente foi arrumado sem merecer uma leitura.

Eugénia. Apresenta-se só assim aos jornalistas que passam depois do candidato. Vende peixe no mercado municipal de Portimão há 40 anos e esta quinta-feira teve a visita de João Ferreira na sua banca. O diálogo curto que manteve com João Ferreira — que a dada altura lhe chamou “uma pessoa esclarecida” que tem a missão de “ajudar a esclarecer outros” — é um exemplo perfeito do que tem sido a campanha da CDU nestes dias. Nos argumentos, na interação com os eleitores e nas reações ouvidas pela caravana:

João Ferreira: [Enquanto entrega um panfleto] Posso?
Eugénia: Pode e deve! Agora peixe não há nenhum! [Aponta para a bancada vazia]
João Ferreira: Isso quer dizer que correu bem?
Eugénia: Ah, uma maravilha, isto está cada vez melhor! Não vê? Estou coberta de ouro e tudo!
João Ferreira: Então e o que é que faz falta?
Eugénia: Faz falta pessoal para comer! Olhe… [E faz um gesto a esfregar o polegar e o indicador, referindo-se ao dinheiro]
João Ferreira: Para começar, melhorar os rendimentos, para o pessoal ter mais dinheiro, que é para se alimentar melhor, não é? Um peixinho…
Eugénia: Oh! Não há dinheiro! As pessoas não têm dinheiro para comprar peixe… [Aponta para a arca frigorífica atrás de si, onde está guardado o peixe que antes ocupava a bancada e que já foi guardado] Está fechado, está cheio! Vou para casa comer alface!
João Ferreira: Mas há quem ache que os salários estão muito altos…
Eugénia: Estão, estão.

João Ferreira: A Comissão Europeia está a dizer que não podemos aumentar os salários…
Eugénia: Tenho meses aqui que não tiro 600 euros, veja lá… Pagar bancada, pagar renda de casa, está uma maravilha, isto.
João Ferreira: Agora, minha senhora, tem uma escolha a fazer no dia 26. Vai haver eleições.
Eugénia: Eu isso nem quero saber, eu toda a vida deitei fora.
João Ferreira: Ou é dar forç…
Eugénia: Também não me serve de nada…
João Ferreira: Olha, pronto.
Eugénia: Continua sempre no mesmo!
João Ferreira: Mas serve…
Eugénia: Desde os meus 18 anos é o meu partido. Pode não ganhar, mas voto sempre.
João Ferreira: Mas, olhe, tem a consciência de que está a dar a sua força a quem luta por aquilo que a senhora defende também.
Eugénia: Ao menos faz alguma coisa, não é?
João Ferreira: Ora bem. E a bater o pé àqueles que dizem que os salários já são altos demais. Está a ver?

Em Silves, João Ferreira passou por todos os estabelecimentos comerciais que circundam o pequeno largo onde discursou para uma pequena audiência, em que se destacava a juventude. Aqui, mais do que em Évora, foi entrando nas lojas, cafés e restaurantes e conversando com apoiantes, curiosos e turistas.

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No quarto dia oficial de campanha, a caravana continuou em direção ao sul. Ontem tinha acabado em Évora, portanto hoje fez 230 quilómetros até Portimão, onde visitou o mercado. Dali, seguiu para uma arruada em Silves, somando mais 16 quilómetros à conta. Para as 21h está programado um comício em Faro, e o candidato comunista terá de fazer mais 62 quilómetros para lá chegar. É de notar que a caravana da CDU tem seguido um caminho lógico que lhe permite poupar distâncias: amanhã andará pelo distrito de Beja, que é já aqui ao lado.

Total percorrido desde segunda-feira: 694 quilómetros.

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