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Novo surto em Washington e um Presidente desmentido pela Casa Branca. Coronavírus protagoniza fim de semana de campanha nos EUA /premium

Tudo o que tem de saber sobre o que se passa na campanha dos EUA. Há um novo surto na Casa Branca, chefe de gabinete de Trump diz que os EUA não vão controlar a pandemia — e Biden aproveitou a deixa.

Todos os dias fazemos-lhe um resumo do que se está a passar na campanha eleitoral nos Estados Unidos: as principais histórias do dia, as frases descodificadas, fact checks e recomendações de leitura para estar sempre bem informado até à eleição do próximo Presidente.

O que se passa na campanha

Sem surpresas, a pandemia de Covid-19 tem sido um dos assuntos centrais da campanha eleitoral nos EUA. Porém, neste fim de semana, o coronavírus marcou de forma particularmente profunda a atualidade política norte-americana: no sábado, surgiu a notícia de que há um novo surto de Covid-19 ativo na Casa Branca, desta vez entre os membros do gabinete do vice-presidente Mike Pence, que continua a participar em eventos de campanha; no domingo, o chefe de gabinete de Trump foi à CNN admitir que o país não conseguirá controlar a pandemia. Joe Biden aproveitou rapidamente para usar as palavras do chefe de gabinete contra o Presidente, que foi a New Hampshire insistir novamente que os EUA estão “a dar a volta” à pandemia.

1Novo surto afeta Casa Branca, mas Trump e Pence continuam em campanha

Depois do surto que começou num evento nos jardins da Casa Branca e infetou mais de duas dezenas de pessoas, incluindo o próprio Trump, há mais um foco de Covid-19 a preocupar a cúpula política norte-americana e a marcar a campanha eleitoral. Segundo uma notícia publicada no sábado pelo The New York Times, pelo menos cinco elementos do círculo mais restrito do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, estão infetados com o vírus. Incluem-se o chefe de gabinete Mark Short, o conselheiro Marty Obst e três outros elementos do gabinete. Mike Pence e a sua mulher, Karen, foram testados no sábado e no domingo e o resultado foi negativo.

Por trabalharem e viajarem frequentemente juntos, Mike Pence e Mark Short são considerados contactos próximos, o que significaria que, de acordo com as normas implementadas pelas autoridades de saúde norte-americanas, Pence deveria permanecer em isolamento profilático durante o período em que a incubação do vírus ainda é possível. Ainda assim, Pence continua a fazer campanha, tendo protagonizado eventos públicos durante o fim-de-semana. Segundo a Casa Branca, os atos de campanha eleitoral protagonizados por Pence são abrangidos pelas normas que dizem respeito aos trabalhadores essenciais.

EUA. Membros da equipa do vice-Presidente infetados com Covid-19

De acordo com as declarações públicas de elementos da Casa Branca, incluindo o chefe de gabinete Mark Meadows e o conselheiro de segurança nacional Robert O’Brien, Mike Pence garantiu que cumpriria todas as normas determinadas pelas autoridades de saúde, incluindo o uso de máscara (excepto durante os discursos) e o distanciamento social.

Este domingo, Pence esteve na Carolina do Norte para mais um comício da campanha de Trump. No sábado, tinha estado na Flórida. Ali, a pandemia tinha sido um dos tópicos do discurso de Pence na Flórida. “Até ao dia em que tivermos uma vacina disponível vamos continuar a trabalhar para abrandar a difusão do vírus”, disse o vice-presidente. “Enquanto Biden fala sobre fechar outra vez a nossa economia, nós estamos a abrir a América. E vamos abrir as escolas americanas.”

O primeiro teste positivo (Marty Obst) chegou na última terça-feira, mas a informação sobre o novo surto na Casa Branca foi mantida em segredo até sábado, dia em que os jornais publicaram a notícia com recurso a fontes que falaram sob a condição de se manterem anónimas. Numa entrevista à CNN, o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, confirmou que procurou não divulgar a informação por motivos de privacidade. “Partilhar informação pessoal é algo que não devemos fazer, é algo que na verdade não fazemos — a não ser que seja o vice-presidente ou o Presidente, ou alguém que lhes é muito próximo e haja alguém em perigo.”

2Donald Trump mantém que EUA estão a “dar a curva” apesar das palavras do chefe de gabinete

Na mesma entrevista à CNN, o chefe de gabinete da Casa Branca fez as declarações que marcariam o resto do fim de semana de campanha: “Não vamos controlar a pandemia, vamos controlar o facto de conseguirmos vacinas, terapias e outras formas de mitigá-la”.

Meadows procurava justificar, numa entrevista combativa com o apresentador Jake Tapper, o facto de as viagens de campanha de Trump e Pence serem classificadas como “trabalho essencial”, quando no decurso da resposta admitiu que o coronavírus “é um vírus muito contagioso, como o da gripe”, o que impossibilita os esforços de controlo da pandemia. “Estamos a fazer esforços para a conter.”

Covid-19. Chefe de gabinete de Trump admite que Estados Unidos não vão conseguir controlar pandemia por ser tão contagiosa

Já depois das declarações de Mark Meadows na CNN, Donald Trump esteve na cidade de Londonderry, no estado de New Hampshire, a protagonizar mais um comício, perante uma multidão, em que o otimismo presidencial contrastou com as palavras do seu conselheiro. “Isto não é uma multidão que fique em segundo lugar”, disse em frente a centenas de apoiantes em êxtase, muitos sem máscara. As sondagens mais recentes dão a Joe Biden uma vantagem superior a 11 pontos percentuais naquele estado, mas Trump diz-se seguro de uma vitória em New Hampshire e comparou a multidão presente no comício com “uma sondagem, mas muito mais precisa”.

Apesar de, horas antes, o seu chefe de gabinete ter admitido que os EUA não vão conseguir controlar a pandemia, Donald Trump manteve no seu discurso a ideia (já desmentida múltiplas vezes) de que os EUA estão a “dar a volta” à pandemia — ou seja, a “achatar a curva” dos novos casos. Os números oficiais mostram que isso não é verdade e que o país se encaminha para um novo pico, com o número de novos casos a aumentar a cada dia.

“Sabem porque é que temos tantos casos? Porque a única coisa que fazemos é testar”, atirou Donald Trump, repetindo um argumento que também já foi desmentido. “Se cortássemos os nossos testes para metade, o número de casos descia.” Durante o discurso, o Presidente ouviu várias vezes os seus apoiantes chamarem-lhe, entre gritos, “Super Trump” — sobretudo quando lhes contou sobre a sua própria experiência com a Covid-19 e lhes disse que, depois de ser tratado com a terapia experimental Regeneron, se sentiu “como o super-homem”.

3Biden usa chefe de gabinete como arma contra Trump: “Admitiu que esta administração desistiu de tentar controlar pandemia”

Joe Biden continua uma campanha consideravelmente mais discreta do que o seu oponente. Sem qualquer evento presencial no domingo, Biden fez a sua única aparição com um breve apelo ao voto num concerto virtual de angariação de fundos para a campanha do democrata, que contou com a presença de figuras como Jon Bon Jovi, Black Eyed Peas, John Legend ou Foo Fighters.

O candidato democrata, que segue na frente nas sondagens com 10 pontos percentuais de vantagem sobre Donald Trump, tem-se pronunciado quase exclusivamente através de breves comunicados publicados no site da campanha em resposta aos comícios de Trump. Por exemplo, este domingo Biden publicou um comunicado em resposta à visita de Trump a New Hampshire: “As famílias de New Hampshire merecem melhor do que um Presidente que, no meio de uma pandemia mortal, está a trabalhar para destruir o Affordable Care Act que garante proteções críticas a mais de 570 mil” residentes do estado.

Também neste domingo, Joe Biden publicou um segundo comunicado a atacar o governo norte-americano e Donald Trump pela gestão da pandemia de Covid-19, referindo-se diretamente às palavras de Mark Meadows à CNN.

“O chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, admitiu incrivelmente esta manhã que esta administração desistiu de, sequer, tentar controlar esta pandemia, que estão a desistir do seu dever básico de proteger o povo americano. Isto não foi um deslize de Meadows, foi um reconhecimento sincero de qual tem sido, claramente, a estratégia do Presidente Trump desde o início desta crise: simplesmente agitar a bandeira branca da derrota e esperar que o vírus desapareça se o ignorarmos. Não desapareceu nem vai desaparecer”, escreveu Biden.

O candidato democrata também atirou diretamente a Mike Pence: “A dura realidade é que continuamos a bater recordes de novos casos e o facto de que o líder da task-force da Casa Branca para o coronavírus tem um surto no seu gabinete e ainda assim recusa seguir as orientações do CDC mostra-nos exatamente porquê”.

4Nova juíza do Supremo deve ser confirmada ainda na segunda-feira

Este domingo ficou ainda marcado por uma rara sessão do Senado norte-americano, na qual o Partido Republicano (que ali detém a maioria) forçou o agendamento do voto final sobre a nomeação da juíza Amy Coney Barrett para o Supremo Tribunal para a noite de segunda-feira — frustrando o plano do Partido Democrata de tentar usar o direito à palavra para prolongar indefinidamente o processo e impedir a nomeação antes do dia da eleição.

A nomeação de Amy Coney Barrett, uma conservadora, a poucas semanas das eleições está a ser interpretada pelos democratas como uma tentativa de Donald Trump para assegurar uma maioria conservadora no mais alto tribunal da nação com dois benefícios eleitorais evidentes: por um lado, a nomeação agrada ao eleitorado conservador; por outro lado, a confirmação da nomeação permitirá que a juíza já esteja em funções nos dias seguintes à eleição, quando surgirem eventuais casos relacionados com os resultados eleitorais.

Fact-check

A frase

Eles não gostam muito dela porque ela tem toda a gente confinada.

Donald Trump

Foi no domingo para o ar a entrevista de Donald Trump ao programa “60 Minutos”, da CBS, que o Presidente já tinha divulgado na íntegra nas redes sociais por não ter gostado das perguntas que lhe foram feitas. Na entrevista, Trump fala sobre o caso da governadora do estado do Michigan, a democrata Gretchen Whitmer (que foi alvo de um plano que tinha como objetivo raptá-la), sobre a qual recentemente os apoiantes do Presidente gritaram, durante um comício, “prendam-na”.

Trump argumenta, na entrevista à CBS, que os residentes no estado do Michigan “não gostam muito dela porque ela tem toda a gente confinada”. Porém, como explica a CNN, isso não é verdade.

A ordem de confinamento imposta ao estado do Michigan foi levantada no dia 1 de junho. A partir desse dia, começaram gradualmente a abrir os estabelecimentos comerciais, incluindo bares e restaurantes (a 50% da capacidade), barbearias, casinos e ginásios. A fase mais recente da reabertura, que incluiu os cinemas, ocorreu no início de outubro. As escolas reabriram para o novo ano letivo já com ensino presencial.

Conclusão: errado. É falsa a afirmação de Donald Trump de que a governadora Gretchen Whitmer mantém o estado do Michigan em confinamento.

A frase

2,2 milhões de pessoas deviam ter morrido.

Donald Trump

Na mesma entrevista à CBS, o Presidente norte-americano repetiu os auto-elogios à forma como geriu a resposta à pandemia da Covid-19 e afirmou que salvou milhões de vidas, sublinhando que os cientistas previam 2,2 milhões de mortes nos EUA (até agora, morreram cerca de 225 mil norte-americanos). “2,2 milhões de pessoas deviam ter morrido”, disse Trump.

Na verdade, o Presidente norte-americano refere-se a um estudo publicado em março por cientistas do Imperial College de Londres que, efetivamente, refere a possibilidade de uma pandemia sem qualquer medida de mitigação causar 2,2 milhões de mortes nos EUA.

Trata-se, porém, de uma afirmação esticada da parte de Donald Trump. O estudo não compara a estratégia de Trump com outra estratégia qualquer; antes, afirma que no pior cenário imaginável — ou seja, sem qualquer medida de saúde pública implementada —, em que a pandemia se difundisse livremente, poderiam morrer 2,2 milhões de pessoas.

Conclusão: esticado. O número está correto, mas a interpretação feita por Donald Trump leva à conclusão de que foi a estratégia da Casa Branca, em comparação com outras abordagens possíveis, que reduziram a mortalidade — enquanto o estudo se refere apenas ao pior cenário.

A foto

Estas freiras apoiantes de Donald Trump deram nas vistas na primeira fila de um comício de campanha do Presidente no Ohio este sábado

AFP via Getty Images

A opinião

No The Wall Street Journal, o empresário Andy Kessler critica o plano ambiental de Joe Biden, argumentando que a ideia de que o plano vai criar milhões de empregos é uma falácia. Kessler lembra um episódio de juventude (um amigo que atirava latas de cerveja para o chão justificando-se com o facto de não querer tirar o emprego aos varredores de rua) para explicar que é impossível criar empregos produtivos apenas por decreto governamental através de necessidades artificiais. É necessário, defende Kessler, resolver os problemas de forma estrutural — e é daí que vão surgir os empregos.

Most green jobs are not productive jobs. They’re public-works projects—litter jobs—that raise the price of energy. I know: In California, energy is 52% costlier than in the average for states. That’s negative productivity. How bad could it get? Gina McCarthy, CEO of the Natural Resources Defense Council, told Bloomberg, “Well if you asked me how much I would spend on clean energy in the future for our kids, I’d say all of it. That’s my price tag.” Yikes.

Jobs for jobs’ sake never works. If we put aside productivity we might as well have an economy of hand-washing each other’s laundry. Or digging canals with spoons. But washing machines and backhoes are more productive, with fewer people. Adding insulation is not productive. It only vaporizes resources created by those who are productive.

No Politico, o advogado Jonathan Fischbach, que trabalha no Departamento de Defesa do governo norte-americano, faz uma viagem pela história e explica o verdadeiro motivo pelo qual o Supremo Tribunal tem uma importância tão grande na política dos EUA e a nomeação de uma juíza está a ser um dos temas centrais da eleição: um caso de 1803 que, com uma assinatura, criou o poder de revisão judicial. Para Fischbach, faria sentido equacionar uma reversão desse poder e criar a figura da revisão constitucional, a cargo do Congresso.

Every American history student learns that Marbury v. Madison established the Supreme Court’s authority to invalidate a law it deems incompatible with the Constitution, a power referred to as judicial review. The textbooks tend to present Marbury as a morality play where Chief Justice John Marshall is the hero, Congress is the villain, and the judiciary emerges as the avatar of the Founding Fathers, fiercely defending the Constitution against incursions by legislative barbarians attempting to dismantle the architecture of American democracy.
This depiction of Marbury lionizes a power grab that has enabled the Supreme Court to function as the oracle of the Constitution for over 200 years. In recent decades the Supreme Court has wielded its authority as the ultimate decider of constitutionality with troubling frequency, dictating the federal government’s approach to a wide array of social policy issues like abortion and gay marriage that fuel the country’s partisan divides.

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