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Há atualmente 785 casos de pessoas infetadas com o novo coronavírus em Portugal (Rui Oliveira/Observador)

AFP via Getty Images

Há atualmente 785 casos de pessoas infetadas com o novo coronavírus em Portugal (Rui Oliveira/Observador)

AFP via Getty Images

Número de infetados em casa ultrapassa os 80% — o que não é necessariamente mau. É a regra 80-15-5: é assim ou "entramos em colapso"

A regra é simples: 80% dos doentes estão em casa com sintomas ligeiros, 15% na enfermaria, 5% em cuidados intensivos. Objetivo é tirar dos hospitais os que "não precisam de lá estar". Como funciona?

Se estiver infetado com Covid-19 e os médicos o mandarem ficar em casa, calma: não há razão para entrar em pânico. Aliás, pelo contrário – apenas estão a seguir uma regra que a diretora geral da Saúde (DGS) descreve como sendo “aparentemente simples” e que é o modelo 80-15-5. “Significa que 80% dos casos vão ficar em autocuidados domiciliares, acompanhado pelo médico de família, 15% estará em enfermaria geral e 5% poderão precisar de cuidados intensivos“, explicou Graça Freitas na conferência de imprensa desta quarta-feira. Garantindo que esta regra segue “as boas práticas internacionais”, a responsável acrescentou ainda mais um dado: “Muitos países já não internam estes 80%”.

Nem eles, nem Portugal. De acordo com o mais recente relatório da DGS, divulgado às 12h de 19 de março, há 785 pessoas infetadas com o novo coronavírus, em território nacional mas apenas 109 dessas pessoas estão internadas — 89 em enfermaria geral e 20 em cuidados intensivos. Daqui que retiram duas conclusões: por um lado, o número de infetados em autocuidados domiciliares é superior a 80%; por outro o número de internamentos não chega nem perto dos 15% e dos 5%. Aliás, o número de internados no total — quer em enfermaria geral quer em cuidados intensivos — é de cerca de 13,8%.

E isto não significa necessariamente que, se há 86,11% de infetados em casa, algo está a correr mal. Muito pelo contrário. “Se não for assim, entramos em colapso”, diz ao Observador fonte da DGS. É certo que, numa primeira fase de contenção, todas as pessoas infetadas eram internadas em “contenção máxima, em quartos de isolamento com pressão negativa“, explicou também a diretora geral da Saúde. Mas as circunstâncias mudaram. Na fase da contenção, o internamento era “realizado para diagnóstico e acompanhamento do caso e não pela sua gravidade clínica”, segundo se lê no plano nacional de preparação e resposta à doença por novo coronavírus. Assim, todos os doentes ficavam isolados para evitar outros contágios e eram tratados por profissionais com fatos de proteção.

Agora, estamos numa fase de mitigação e as regras são outras: “À medida que o número de casos suspeitos aumenta e a capacidade de resposta fica comprometida, o internamento hospitalar fica reservado para os casos graves“, lê-se ainda no plano nacional. Mas de onde surgiu a necessidade de adotar este modelo? Simplesmente por uma questão de orientação. “Estamos a lidar com uma doença nova e temos de ter cartas de navegação e princípios de raciocínio. O pior que pode acontecer é andarmos muito tempo à deriva e este modelo é muito tranquilizador para os profissionais de saúde e para a população. O que nós temos de procurar nos doentes é critérios de gravidade que nos permitam identificá-los precocemente para tratá-los”, explica fonte da DGS ao Observador.

Dos 785 casos de Covid-19 em Portugal, apenas 109 dessas pessoas estão internadas (Rui Oliveira/Observador)

Rui Oliveira/Observador

Basicamente, segundo a mesma fonte da DGS, podemos associar os 80%, os 15% e os 5% a, respetivamente, casos ligeiros a moderados, graves e muito graves. Assim, um doente que apresente “formas ligeiras de doença” e não tenha fatores de risco, fica em casa. Os restantes, com maior risco de desenvolvimento de formas graves de doença, são internados — ou nos cuidados intensivos ou na enfermaria. O objetivo é “libertar o serviço de saúde daqueles que não precisam de lá estar e estão a ocupar espaço e recursos desnecessariamente”. “Se não for assim, entramos em colapso“, diz ainda a mesma fonte.

Para evitar precisamente o colapso do sistema, esta avaliação é contínua. Ou seja, à medida que os doentes que faziam parte dos 5% vão recuperando, mudam-se para a enfermaria, passando a fazer parte da fatia dos 15% e, depois, para a casa — correspondendo aos 80%. “O grosso do trabalho está nos 5%. Temos que ir atuando para tentar reduzir os 5% para 4%, os 4% para 3%. Identificá-los, tratá-los e tirá-los o mais rapidamente”, diz a mesma fonte. Neste momento, o cenário é positivo: apenas 2,5% dos doentes estão em cuidados intensivos.

Telefonemas ou visitas domiciliárias. Para já, cada médico dá as suas indicações, mas ideia é uniformizar as orientações

Ainda assim, ficar em casa não é sinónimo de estar por conta própria. O plano nacional de preparação e resposta à doença por novo coronavírus prevê que, nesta fase, continue a “haver um apoio dedicado aos doentes em ambulatório, sem descurar os serviços essenciais”. A responsabilidade é dos “órgãos de administração regional” que devem “orientar e apoiar os órgãos de gestão hospitalar e de governação clínica dos cuidados de saúde primários”, lê-se ainda no plano nacional.

"Estamos a lidar com uma doença nova e temos de ter cartas de navegação e princípios de raciocínio. O pior que pode acontecer é andarmos muito tempo à deriva e este modelo é muito tranquilizador para os profissionais de saúde e para a população. O que nós temos de procurar nos doentes é critérios de gravidade que nos permitam identificá-los precocemente para tratá-los"
Fonte da DGS

Um infetado vai para casa quando lhe é dada “alta precoce” – ou seja, um doente que está há dois dias sem febre, não tem falta de ar, não tem alterações do estado de consciência e encontra-se estável. Depois, é instruído sobre o que deve fazer a seguir. Para já, cada médico ainda está a dar as suas próprias instruções, isto porque “esta orientação técnica [o modelo 80-15-5] foi anunciada na segunda-feira, mas ainda não foi divulgada a todos os profissionais de saúde”, segundo garante a mesma fonte.

A ideia é que haja uniformidade. Assim, a orientação técnica prevê que “nos primeiros dois dias, o enfermeiro ou médico telefone de manhã e à noite”. “Nos outros dias, telefona uma vez por dia, até ao 14º dia e deixamos um número para o doente ligar, se precisar. Se ninguém atender — nem sempre alguém atende, mas nós demoramos duas horas, no máximo —, pedimos para mandar uma mensagem a dizer “URGENTE”. E o médico ou enfermeiro vai lá”, explica a mesma fonte da DGS. E adianta que “se o hospital tiver serviço de hospitalização domiciliária, pode ser rentabilizado“. Nestes casos, antes de passar para a fase em que são feitas chamadas telefónicas ao doente, podem ser efetuadas visitas domiciliárias.

O objetivo é que, seja por telefone ou presencialmente, se façam “um conjunto de perguntas para que todas as pessoas sejam avaliadas pelos mesmo critérios: se tem febre, se tem tosse, se sente cansaço”.

Das 109 pessoas que estão internadas, 20 estão nos cuidados intensivos (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

“Idealmente”, quando alguém é mandado para casa deve estar acompanhado. “Crianças e idosos é fundamental que aconteça porque não têm capacidade própria de avaliar a sua gravidade, mas um indivíduo autónomo e adulto não tem necessariamente de estar acompanhado”, explica fonte da DGS ao Observador. A Organização Mundial de Saúde (OMS) disponibilizou até um documento a 4 de fevereiro com conselhos para quem vive com familiares ou outras pessoas contaminadas.

Já em casa, o doente pode passar novamente a fazer parte das 20% de pessoas que estão internadas. Caso se verifique que a pessoa infetada piorou, o profissional de saúde que a estava a acompanhar pode decidir interná-la novamente. “Nesse caso, o médico liga para o hospital da zona e informa que tem um doente que está em casa e que a situação se agravou. Assim já sabemos por que razão reentra no sistema”, explica ainda a mesma fonte da DGS.

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