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O Homem foi mesmo à Lua? 11 teorias da conspiração, 11 formas de as arruinar /premium

Há 50 anos que o Homem foi à Lua. E há 50 anos que ainda há quem não acredite na alunagem. Mas há 11 formas de arruinar as 11 teorias da conspiração.

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Se não tem um amigo que não acredita que o Homem chegou à Lua, então é porque é esse amigo. Num caso ou no outro, e muitas vezes sem o saber, quem não acredita que a humanidade alguma vez chegou à Lua é um discípulo de Bill Kaysing, ex-oficial da Marinha dos Estados Unidos, funcionário da empresa que construiu o motor F-1 usado no foguetão Saturn V, que em 1976 lançou um livro chamado “Nós Nunca Fomos à Lua. A Fraude Americana de 30 Mil Milhões de Dólares”.

Desde esses tempos que, uma pessoa aqui e outra ali, uma comunidade de milhões de pessoas acredita piamente que Neil Armstrong, Buzz Aldrin e os dez homens que se seguiram não eram mais do que atores numa enorme conspiração norte-americana para ganhar a corrida espacial à força. Os argumentos escondem-se nas sombras, debaixo das pedras e nas bandeiras. Literalmente. Mas há forma de desmentir cada uma delas.

O Observador pegou em 11 das mais famosas teorias da conspiração que desmentem a alunagem e explica, à luz da ciência, porque é que nenhuma delas faz sentido. Ainda antes de explorar as teorias (em itálico) e as respostas, responda ao nosso questionário. Afinal, acredita ou não que o Homem foi à Lua pela primeira vez a 20 de julho de 1969, faz este sábado 50 anos?

As rochas lunares foram recolhidas na Antártida

Dois anos antes do lançamento da missão Apollo 11, Wernher von Braun, diretor do Centro de Voos Espaciais George C. Marshall e líder da NASA à época, viajou até à Antártida para recolher rochas lunares. Chantageado pelos Estados Unidos por ter trabalhado para a Alemanha Nazi na criação de mísseis e foguetes, Wernher von Braun acedeu ao pedido para alinhar com a conspiração norte-americana. Ainda hoje, muitos astronautas americanos são enviados para a Antártida para treinar em Terra as atividades que terão de desenvolver no espaço.

Algumas das rochas que se podem encontrar na Antártida vieram, de facto, da Lua e em Marte depois de esses corpos celestes terem sido impactados por outros objetos espaciais que direcionaram alguns dos destroços dessa colisão para a Terra. No entanto, a quantidade de rochas lunares que se encontraram na Antártida — e que só foram encontradas depois das missões tripuladas à Lua, em 1979, — não perfaz os 380 quilogramas de amostras que o programa Apollo trouxe do satélite natural da Terra. Aliás, não passa dos 30 quilogramas.

Além disso, em termos químicos e físicos, as rochas originalmente vindas da Lua são diferente das terrestres. Nenhuma delas apresenta sinais de ter estado em contacto com água — ao contrário do que aconteceria caso tivessem estado na Antártida, quase todas são milhões de anos mais antigas que qualquer uma das rochas da Terra e todas exibem marcas que só podiam ser disferidas em corpos celestes sem qualquer atmosfera, tal como acontece na Lua.

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As cruzes das fotografias aparecem atrás dos objetos

Em algumas das fotografias supostamente captadas na superfície lunar, as miras das imagem surgem atrás dos objetos. No entanto, essas fotografias foram tiradas com recurso a uma placa de Réseau, uma folha transparente de vidro com uma grelha cujas cruzes surgem por cima das imagens. Se assim foi, não seria possível que as cruzes surgissem atrás dos objetos. Ou as imagens não são reais ou as fotografias sofreram edição.

As cruzes não surgem realmente atrás dos objetos na fotografia, mas essa ilusão é causada por uma superexposição em que as áreas brancas brilhantes parecem ofuscar a cruz, cujas linhas são demasiado ténues para se sobreporem. Prova disso é que, em outras fotografias da alunagem, sobretudo da bandeira americana, a mira parece desbotada mas nenhuma linha desaparece completamente.

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Não aparecem estrelas nessas fotografias

Nenhuma das fotografias supostamente tiradas na superfície da Lua exibem uma única estrela no céu. E nenhum dos astronautas diz recordar-se de as ver enquanto caminhava no satélite natural da Terra. O mais provável em que a NASA tenha preferido apagá-las, eliminando assim a possibilidade de os astrónomos perceberem, pela posição das estrelas, que as fotografias foram tiradas na Terra e não na Lua.

A luz do Sol que atravessa o espaço entre a Terra e a Lua é tão brilhante quanto a que chega à superfície do nosso planeta ao meio-dia de um dia de verão — bem, provavelmente não como o verão de 2019. Como todas as missões tripuladas de alunagem aconteceram durante o dia, as câmaras levadas pelos astronautas estavam programadas para funcionar de acordo com uma exposição semelhante à da luz do dia. Por isso, e tal como acontece em Terra, a luz do Sol ofusca a luz das outras estrelas.

De resto, durante a missão Apollo 16, a câmara ultravioleta deixada em modo “longa exposição” na sombra do módulo lunar captou fotografias em que, aí sim, é possível ver a luz de outras estrelas para além da do Sol. Essas fotografias foram analisadas mais tarde por especialistas independentes. E, infelizmente para todos os conspiradores, as posições das estrelas coincidem com as expectáveis para aquele local e àquela hora.

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As sombras sugerem que há outras fontes de luz além do Sol

Se a única fonte de luz fosse o Sol, as sombras de todos os objetos na superfície lunar teriam a mesma coloração, a mesma direção e o mesmo tamanho. O facto de as sombras não serem, de certa forma, homogéneas, sugere que há outras fontes de luz na superfície onde a alunagem aconteceu. E isso indicia que tudo foi filmado num estúdio de cinema.

A luz que incide na superfície da luz é depois refletida nas mais diversas direções por causa da poeira lunar, das crateras e montanha. Em suma, é verdade: o Sol não é a única fonte de luz que existe na superfície lunar. Há os raios solares que chegam do astro-rei, a luz que é refletida pela superfície da Lua, a que é refletida pelos fatos espaciais e a que é refletida pelo módulo lunar. Quando incide na poeira, ela é encaminhada em várias direções e pode mesmo entrar nas sombras.

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Quem filmou o primeiro passo do primeiro humano na Lua?

Neil Armstrong foi o primeiro humano a pisar a Lua. Então, das duas, uma: ou existem mesmo extraterrestres na superfície da Lua que estavam prontos a filmar a chegada do primeiro turista ou… a alunagem foi uma farsa completa.

Nem existe vida na Lua, nem a alunagem foi uma farsa. Pouco depois de abrir a escotilha do módulo lunar, enquanto ainda estava nas escadas, Neil Armstrong ligou uma espécie de câmara de televisão que estava pronta a ser utilizada no lado de fora do lander. No momento em que a câmara começou a funcionar, o sinal era enviado para Michael Collins, que estava em órbita lunar no módulo de comando, e daí seguia para a Terra.

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Ninguém podia sobreviver ao cinturão de Van Allen

O Cinturão de Van Allen é uma região extremamente rica em partículas energéticas carregadas vindas dos ventos solares que ficam presas no campo magnético da Terra. Sair da Terra significa enfrentar essa região e, além disso, estar sujeito a raios cósmicos capazes de alterar o ADN humano. Nos anos 60, dificilmente haveria tecnologia para enfrentar esses perigos.

Os astronautas estavam protegidos dessa radiação pelos cascos de alumínio da aeronave e pelos fatos espaciais. Além do mais, o cinturão de Van Allen não é todo igual: os astronautas passaram poucos minutos na região mais perigosa, que é a mais próxima da Terra, e não mais do que duas horas na região menos perigosa. Segundo James van Allen, o descobridor desse cinturão, essa exposição seria demasiado curta para colocar em xeque a saúde dos astronautas do programa Apollo.

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A Lua é demasiado quente para que as fitas sobrevivessem

A temperatura da superfície lunar exposta ao Sol pode chegar aos 120ºC, por isso as fitas em que se gravaram os vídeos e as placas fotográficas ficariam imediatamente queimadas por todo esse calor. Nem sequer os próprios astronautas podiam sobreviver a temperaturas tão elevadas.

Todas as alunagens do programa Apollo aconteceram após o nascer do sol lunar no local de pouso previsto para o módulo, ou seja, em lugares onde as temperaturas não eram tão elevadas. À medida que essa temperatura ia aumentando, o sistema de controlo da temperatura dos fatos podia ajustar-se, quer automaticamente, quer a mando dos próprios astronautas.

Quanto aos às fitas e às fotografias, nenhuma delas esteve exposta diretamente à luz solar porque estiveram sempre resguardadas na sombra do módulo lunar. Além disso, todo esse material foi mantido em caixas metálicas que o protegiam da radiação.

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A bandeira norte-americana abana

A bandeira deixada na superfície da Lua pelos astronautas abanou apesar de não haver atmosfera no nosso satélite natural e, portanto, também não haver vento. A única explicação é que a alunagem foi filmada num estúdio da Terra.

A haste em que a bandeira norte-americana estava presa tinha uma forma de T que impedia o tecido de cair. A única altura em que a bandeira parece ondular é aquela em que os astronautas estão a mexer nela para a posicionar. Ou seja, o tecido não está a abanar ao sabor do vento, mas antes a obedecer à ação mecânica dos dois astronautas.

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O módulo lunar não abriu crateras ao aterrar

Ao aterrar na superfície da Lua com recurso a propulsores, o módulo lunar não provocou quaisquer crateras no pó lunar. No entanto, esse módulo pesava quase 15 toneladas. Se um lander tão grande e pesado não deixa marcas na superfície da Lua, como é que a pegada de Neil Armstrong fica tão marcada?

Na verdade, o módulo lunar abriu mesmo uma cratera debaixo dele quando chegou ao satélite natural da Terra. O Eagle varreu o pó lunar a uma profundidade de até 15 centímetros logo por baixo do motor de descida. Porque é que essa cratera é tão singela? Porque o sistema de propulsão por impulso estava com uma pressão mínima quando o módulo lunar estava prestes a chegar à superfície da Lua. E o motor de descida só tinha de trabalhar o suficiente para suportar o peso do Eagle.

Esse peso nem sequer era tão grande na Lua quanto seria na Terra porque a gravidade no nosso satélite natural corresponde a um sexto daquele que a Terra exerce sobre os corpos cá. Isso também ajuda a explicar porque é que as pegadas dos astronautas eram mais evidentes do que as marcas deixadas pelo módulo. É que, apesar de Neil Armstrong e Buzz Aldrin serem mais leves que o Eagle, as botas que usavam também eram mais pequenas que os pés do módulo. Logo, a pressão era maior porque o peso estava menos distribuído.

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Os dados telemétricos da missão Apollo 11 desapareceram

Eugene F. Kranz, diretor de voos da missão Apollo 11, admitiu que as fitas de telemetria desse projeto desapareceram. Alegadamente, essas fitas guardam também um vídeo em melhor qualidade da alunagem do Eagle a 20 de julho de 1969. Ou seja, para todos os efeitos, os filmes não existem. Talvez porque talvez nunca tenha existido.

É verdade que tanto Eugene F. Kranz como David Williams, responsável pelos arquivos da agência espacial norte-americana, admitiram que essas fitas, feitas com o sinal que chegou à Austrália e não aos EUA porque tinham melhor qualidade, e que contêm dados telemétricos, desapareceram.

Mas não propriamente sem deixar rasto. Os engenheiros da NASA recrutados para procurar estas fitas descobriram que as fitas da missão Apollo 11 — as únicas que não se sabem onde estão de todo o programa lunar — devem ter passado do U.S. National Archives para o Centro de Voos Espaciais Goddard. Como esse centro espacial guarda dezenas de milhares de fitas do mesmo género nos seus arquivos, é possível que os da missão Apollo 11 estejam algures no meio da confusão. Uma confusão tão grande que a NASA nunca analisou todos os dados recolhidos pelo programa Apollo, por isso é que os tem disponibilizado na Internet para que qualquer cidadão o possa fazer.

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O Hubble não enviou nenhuma foto com sinais da alunagem

O telescópio Hubble é capaz de fotografar corpos celestes a anos-luz da Terra, mas nunca enviou para os cientistas uma única fotografia da superfície lunar que mostre sinais da presença humana na Lua. Aliás, nenhuma outra máquina construída por humanos fotografou os locais das alunagens, da Apollo 11 à Apollo 17, sem ser as que foram concebidas para acompanhar os astronautas dessas missões.

Também não é verdade. O Lunar Reconnaissance Orbiter, um robô norte-americano que orbita a Lua desde 2009 e a explora para estudar as características geográficas do nosso satélite, já enviou fotografias dos locais de pouso das missões tripuladas de alunagem do programa Apollo.

O Telescópio Hubble também já enviou fotografias da superfície lunar, mas, por mais poderoso que seja, não consegue captar imagens de objetos tão pequenos como os deixados para trás pelos astronautas das doze missões tripuladas bem sucedidas. A resolução angular deste telescópio é de 0,059 arco-segundos, por isso o Hubble só consegue ver objetos com, pelo menos 110 metros. A única forma de ver coisas tão pequenas como as que provam a passagem do humano pela Lua era ser mais de cem vezes maior.

E agora, já mudou de ideias?

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