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“Vida Instagramável” é uma história de autodescoberta, mas também uma espécie de diário de likes e de engagement. Acima de tudo, é o relato de como Paula Cordeiro tentou e conseguiu competir no universo dos influencers, mas com um custo. Cansada de uma vida marcada por compromissos institucionais, a docente universitária (ensina comunicação digital no ISCSP), consultora de rádio e agora ex-provedora do ouvinte da RTP, depositou as esperanças num projeto editorial chamado Urbanista, cuja página de Instagram tornou-se, a certa altura, um problema.

Em entrevista ao Observador, Paula Cordeiro conta como, na casa dos 40 anos, deixou-se levar pela espiral de validação e competição naquela rede social, como chegou a perder horas para tornar o feed mais atraente e como criou uma personna para encarar de frente o glamour do Instagram. A experiência — numa tentativa de provar a sua multidimensionalidade e quebrar preconceitos instituídos — levou-a a querer uma vida “instagramável”, cheia de histórias para contar e partilhar com os milhares de seguidores.

Numa lógica de missão, e muito a lembrar o documentário “Fake Famous”, que explora universo dos influncers e expõe alguns dos seus segredos mais obscuros, Paula Cordeiro recorre à escrita para explicar na primeira pessoa qual o impacto que a luta diária pela atenção dos outros tem na nossa vida e como despertou desse mundo e voltou a encontrar-se.

Por esse motivo, aceitou fazer parte de uma experiência social, ao publicar imagens da sessão fotográfica do Observador, para esta entrevista, na respetiva conta de Instagram — três fotografias foram partilhadas a 5, 8 e 9 de abril na sua página, sem qualquer referência ao jornal, e são agora publicadas neste artigo com as respetivas interações (gostos e comentários). Numa das imagens partilhadas, a académica fala sobre as poses mais instagramáveis e como por trás de uma fotografia em que surge “super confiante” estão outras mil que assinalam o rasto de tentativas falhadas. Terminada a experiência “ninguém deu pela diferença”, garante Paula ao Observador — os comentários são prova de que os seguidores assumiram as fotos como conteúdo próprio (os devidos créditos foram posteriormente acrescentados). “O engagement foi muito bom porque fui humana e mostrei a minha vulnerabilidade, fiz perguntas à audiência”, esclarece, afirmando que, no seu caso, as imagens publicadas servem como complemento ao texto, dado que optou por transformar o Instagram numa espécie de micro blogue.

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