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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O pai do telemóvel apaixonou-se pela "primeira-dama do wireless" há 40 anos

Ele inventou o telemóvel, ela foi crucial para o avanço das tecnologias sem fios. Hoje, Martin Cooper e Arlene Harris ajudam os mais velhos a comunicar. Conheça a história do casal comunicação

Ele inventou o telemóvel — e fez a primeira chamada sem fios do mundo — , ela foi essencial para o avanço do wireless (tecnologias sem fio), para o aparecimento dos primeiros serviços pré-pagos de chamadas ou para o desenvolvimento dos já velhinhos pagers. Quarenta anos depois de se conhecerem, Martin Cooper e Arlene Harris continuam juntos: nos negócios, na tecnologia e na vida. Agora, com tecnologias mais simples e menos complexas. A história do “pai do telemóvel” não existia sem a da “primeira-dama do wireless”, casados desde 1991. “Foi amor à primeira vista”, confidenciou Cooper aos jornalistas presentes na celebração dos 25 anos do Instituto de Telecomunicações, em Aveiro.

Apesar dos 20 anos de diferença de idade, Martin e a mulher entraram no mundo das telecomunicações mais ou menos pela mesma altura. Isto porque Arlene, mais nova, começou a trabalhar na empresa da família quando tinha 12 anos. Mal sabia que 11 anos depois ia conhecer o futuro marido graças ao negócio dos pais, numa viagem que Martin fez para convencer os futuros sogros s serem clientes da Motorola. Depois do sucesso que foi o lançamento do primeiro telemóvel, Martin foi promovido a vice-presidente da empresa. Estávamos em 1979.

O negócio da família de Arlene estava ligado ao universo das comunicações em Chicago e Cooper queria usar o prédio da empresa como uma das antenas para a propagação da rede que ia possibilitar as chamadas móveis. Foi lá que encontrou a mulher que mais tarde seria a primeira a ser distinguida na Wireless Hall of Fame e destacada pela Fierce Wireless como uma das melhores inovadoras de todos os tempos.

Desde aí, a comunicação ligou o casal. Mantiveram o contacto e fundaram a primeira empresa de redes móveis em 1983, no ano em que os primeiros telemóveis ficaram disponíveis para venda ao público e Martin saiu da Motorola. Oito anos depois, casaram e continuaram a contribuir para o desenvolvimento das tecnologias que nos ligam a todos. “Acho-a fantástica”, diz o inventor sobre a mulher, que foi crucial na invenção de Cooper. Arlene Harris liderou os primeiros projetos para os sistemas que permitiram a criação de operadoras móveis, com uma empresa criada por ambos nos anos 1980.

Nas mãos de Arlene, está o recém-lançado Motorola G5S. Mas quem a atualiza sobre as novidades dos telemóveis é Martin, que, apesar de tudo, assume: “a Arlene é bem mais esperta do que eu e percebe bem mais de tecnologia”. Os seus interesses estão é direcionados para outras causas: como é que as inovações na tecnologia podem ajudar a sociedade? Foi por isso que Arlene Harris criou em 2006 o “Jitterbug”, um telefone direcionado ao mercado sénior. Simples, com teclas grandes, permite fazer chamadas e enviar mensagens.

“Estou mais interessada nas funcionalidades dos dispositivos para facilitar a vida das pessoas do que com os dispositivos em si”, diz Arlene.

“A maior parte dos produtos eletrónicos são desenhados para homens entre os 18 e os 35 anos, isso é um facto”, explica Arlene. “O que precisamos é de pensar como é que todas as pessoas adotam a tecnologia”. É esse o futuro que o casal deseja para o mercado das comunicações móveis.

Martin também confessa que as novidades que chegam ao mercado dos smartphones o cativam cada vez menos.“Chegámos ao apogeu dos telemóveis, é difícil inovar mais, quanto mais gigabytes queremos ter?”, questiona. Mas não é por isso que deixa de andar com o topo de gama Samsung Galaxy S8 nas mãos. Aos jornalistas presentes em Aveiro, assume que foi um presente.

Questionado sobre o iPhone X, que inegavelmente é o equipamento mais aguardado na indústria dos telemóveis, Martin explica: “o importante para o futuro das tecnologias de comunicação é chegar a toda a gente e isso não se faz com um telefone de 1000 dólares”, afirma, acrescentando logo de seguida: “só 30% das pessoas do mundo têm acesso à Internet, como é que isso se resolve com um telefone destes?”.

“O futuro [dos telemóveis] é a customização e a otimização e quem me ensinou isso foi a Arlene”, diz Martin. “Quando a Arlene criou o Jitterbug começou por pensar num problema na sociedade que queria resolver e não por criar o equipamento.” Foi o que Martin fez quando criou o telemóvel. Numa época em que as comunicações móveis só existiam nos carros e eram pouco eficientes, Martin não queria as pessoas estivessem presas a um objeto tão grande ou às casas para terem de comunicar. “As pessoas são móveis e estão em movimento”, diz Martin.

“Eu não gosto muito de fazer chamadas telefónicas porque, sempre que fazemos uma chamada,
interrompemos alguém”, afirma Martin.

Entre as piores lembranças “comunicativas” que tem não está nenhuma chamada telefónica, mas uma carta. Martin ia abandonar a Marinha para casar com uma antiga namorada, mas recebeu uma missiva que punha fim ao relacionamento. “Foi um desastre, mas acabou por ser a melhor coisa da minha vida, se não fosse por isso, nunca tinha conhecido a Arlene”.

Hoje, ainda falam ao telemóvel um com o outro. Martin assume: “é raro o dia em que não fale com a Arlene para lhe dizer olá e lhe dizer que a amo”.

O primeiro telemóvel não nasceu por causa de Star Trek

O mito que o primeiro telemóvel foi criado graças a James T. Kirk, do Star Trek, foi muito propagado, até por Martin. “Fui apanhado pelo showbiz e esqueci-me de um pequeno detalhe: a verdade”, diz ao Observador entre risos. Num documentário sobre William Shatner, o ator que interpretou o infame capitão da Enterprise, Martin cedeu à pressão e disse que tinha sido na clássica série de sci-fi que tinha ido buscar a inspiração para o dispositivo. “Na verdade, a ideia veio do rádio de pulso de Dick Tracy [famoso detetive das bandas desenhada]”, esclarece. “Durante anos na Motorola tentámos construir um rádio de pulso. Quando finalmente conseguimos, o Dick Tracy tinha um videofone de pulso”.

A história da primeira chamada de telemóvel também já era conhecida, mas essa aparenta ter tudo de verdade. De todos os lugares do mundo para se ligar (porque antigamente não ligávamos para pessoas, ligava-se para locais), Martin escolheu o gabinete do seu rival na At&t, Joel Engel. “Surpreendentemente ele atendeu o telefone, nem sequer foi a sua secretária”, diz Cooper. O telefonema ocorreu em 1973 – ainda seriam preciso 10 anos para o primeiro telemóvel chegar ao mercado.

“Estou, Joel? É o Martin Cooper. Estou-te a ligar de telemóvel. De um telemóvel a sério. Móvel!”

“Até hoje, o Joel não se lembra dessa chamada”, diz o octogenário que mudou a forma como todos comunicamos. Mas se fosse agora, voltava a telefonar-lhe, assume ao Observador. Naquela altura, era impossível saber-se até que ponto aquela chamada estava mesmo a mudar o mundo. Hoje, sim. “Nós não sabíamos que os telemóveis iam ter uma câmara, que iam ser um computador pessoal, que iam ter Internet, não tínhamos nada disso na altura”, assume Martin. “O que sabíamos é que ia ser uma importante ferramenta de comunicação”. E foi nisso que o telemóvel se tornou – um pequeno computador de bolso e o dispositivo eletrónico mais utilizado no mundo todo.

O primeiro telemóvel foi apresentado em 1973, mas só chegou ao mercado 10 anos depois

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