Pede dois minutos quando chegamos ao local que tem servido como uma espécie de quartel general da campanha. Uma ameaça, mais uma volta para trás. Sentado na cadeira, Rui Gomes da Silva ajeita a gravata vermelha, tira a máscara vermelha (com o símbolo do Benfica, como não poderia deixar de ser), olha e arruma o telemóvel que tem a capa em tons de vermelho escuro e prepara-se para a entrevista. Em pouco menos de 40 minutos, atende uma chamada logo a abrir, repete uma resposta porque alguém abriu a porta, faz uma interrupção quando alguém bate à porta. É um dia especial em qualquer candidatura, aquele dia em que se entrega uma das partes que deveria ser mais fácil mas que se pode tornar deveras complexa: as listas e todas as assinaturas dos proponentes à liderança do clube. Mais tarde, percebemos que o porta-chaves é vermelho, com o símbolo da águia e o nome. Aí, sente-se que está aliviado. Respira melhor, respira fundo, combina ir ter a seguir com a mãe e com a mulher.

“O clube não é um negócio, um projeto financeiro, um entreposto”: Rui Gomes da Silva apresenta candidatura à presidência do Benfica

Há dois momentos no antes e no depois que mostram bem esse alívio de uma tensão natural mas que não devia existir. Um deles admitido por nós. “Sabe, acabou de estar a dizer em 20 minutos aqui à porta o que nos tinha dito em metade da entrevista mas o tom mudou de forma radical”, atiramos. “A sério? Consegue-se perceber assim tão bem isso?”, responde o advogado. O outro, mais delicado, quando falamos do acidente de aviação que sofreu em setembro de 1989 com João Soares e José Luís Nogueira de Brito, numa viagem de regresso da Jamba. “Olhe, às vezes a brincar até digo que nem de cair de avião tenho medo”, comenta ao final do dia. “Sabe, pela forma como saí disparado do meu lugar foi uma questão de centímetros”, recordara antes do almoço que não chegou a fazer.

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