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Oeiras. "Tenho conta na Pastelaria Suíça", brinca apoiante de Isaltino Morais

Um apoiante brinca com Isaltino e diz que levou bombons da pastelaria e nunca os pagou. Candidato goza com Ângelo Pereira do PSD, quando o vê. Paulo Vistas acusa Isaltino de estar feito com o PS.

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Ainda tratam Isaltino Morais por presidente. E ele ainda trata Ângelo Pereira, o candidato do PSD com quem se cruzou esta segunda-feira, como se fosse o seu rapazinho da JSD. O antigo autarca falou em cheiro a “laranja estragada” quando pegou num ambientador que o PSD oferece aos eleitores. Ângelo respondeu que o cheiro é a “melão”, o “melão” que Isaltino vai ter no dia das eleições. Paulo Vistas, o “delfim” que é o atual presidente, denuncia um acordo entre Isaltino e o PS. Os três vêm da mesma origem: a laranja do PSD.

À esquerda, a deputada de Os Verdes Heloísa Apolónia, candidata da CDU, aproveita a sua notoriedade numa visita ao Algés e Dafundo. Sónia Gonçalves, candidata por outro movimento independente — o terceiro, diz que foi “convidada por Isaltino e Vistas”, mas recusou. O socialista Joaquim Raposo quer ser o fiel da balança quer ganhe Paulo Vistas (atual presidente) ou Isaltino Morais. Em 13 candidatos, o Observador seguiu seis ao longo desta segunda-feira.

Vistas denuncia acordo de Isaltino com o PS

As t-shirts são cor-de-rosa, mas ainda estão lá os vestígios de Isaltino, em quadrados verdes. O “i” já não é de Isaltino, mas de Independentes: Independentes, Oeiras Mais à Frente. Paulo Vistas, o atual presidente da autarquia, venceu a câmara após a saída do “dinossauro” de Oeiras e agora não quer ceder-lhe o lugar. O brinde gourmet da sua campanha é uma vela, que vai alimentando as conversas da comitiva. Vistas segue com várias na mão durante uma arruada de campanha.

Desde logo, uma apoiante da candidatura começa por perguntar a Paulo Vistas: “Posso distribuir velas pelas pessoas?”. Poupado, o presidente da câmara explica que é preciso racionar a distribuição: “Esta vela não é um produto chinês, é feito por nós. Convém dar uma por pessoa”. A vela é cor-de-rosa, em forma de coração, e quase parece um doce de feira. Mais à frente, três eleitoras reformadas pediam o “doce” e Vistas era forçado a explicar: “Isto não é um doce, é uma vela feita por nós, não é cá feito na China nem em Taiwan. Fomos nós que escolhemos a cor e o aroma. É uma vela especial: quando acender, peça um desejo para si e outro para mim”.

Entretanto, um membro da sua comitiva aproveitava para mandar uma farpa ao candidato do PSD, Ângelo Pereira, a quem Vistas atribuiu pelouro: “Ele tem um cartaz a dizer que vai melhorar a iluminação pública. Tem graça que ele é que tem o pelouro da iluminação”.

A resposta ao pai Isaltino ficaria para Paulo Vistas, quando chegou a hora das declarações aos jornalistas. Pela manhã, Isaltino Morais tinha garantido que, se fosse eleito presidente, atribuiria pelouro a Paulo Vistas. Para o atual presidente, essa hipótese nem sequer se coloca: “Ele [Isaltino] disse: ‘Se ganhasse. Se! Como eu acredito nos oeirenses e no trabalho que fiz, não há razão para que este presidente de câmara não seja reeleito”. Além disso, tal como Isaltino, garante que vai oferecer pelouros “a todos os vereadores eleitos”, lembrando que já foi eleito sem maioria e não tem problemas com isso.

Questionado sobre o facto de ter um pacto com Ângelo Pereira — como sugeriu Isaltino na manhã desta segunda-feira — Paulo Vistas defende-se ao ataque: “Um pacto como aquele que o Isaltino tem com o PS?”. Mas depois recusa-se a concretizar: “É a eles que tem de perguntar se têm um acordo”.

Paulo Vistas não tem o jeito de Isaltino a relacionar-se com as pessoas, mas cumprimenta toda a gente. Mesmo quem não o reconhece. Um eleitor confuso, pergunta: “É o atual presidente, não é?” O autarca explica que é recandidato e o eleitor volta a confundir-se. “É candidato agora, há quatro anos foi o Isaltino?”. Vistas responde: “Não há quatro anos fui eleito presidente”. E o eleitor finalmente fica esclarecido: “Ah pois, o Isaltino foi dentro”.

Vistas fez uma pausa para um mini no café “O Bungo”, onde ouviu algumas queixas. Havia quem lhe chamasse Paulinho, mas também quem à sua passagem dissesse: “Boa sorte. Ah, não precisa, todos os malandros têm sorte.”

Quando um dos clientes, Vítor, começou a queixar-se da falta de médicos, Vistas explicou que essa não é uma atribuição sua. “Não é competência da autarquia”, explicou, embora tenha destacado que a autarquia “construiu três centros de saúde em quatro anos”. Mais tarde seriam os próprios amigos a dizer ao eleitor para não prender mais o autarca: “Ó Vítor, deixa o homem ganhar as eleições. Depois de ganhar é que vamos lá pedir, não é antes”.

Paulo Vistas — numa alusão ao facto de ter vários pontos repetidos do programa de há quatro anos — assumiu já uma candidatura para as legislativas de 2021: “O meu projeto não é de quatro anos, é para 12 anos”. Ainda assim, destaca o facto de ter “equilibrado as finanças da autarquia” e diz que “não se faz política a prometer viadutos até à lua e túneis até ao centro da Terra”.

Isaltino tem pelouro para Vistas se for eleito presidente

A chuva foi pontual, Isaltino nem por isso. Mas assim que chega ao centro comercial Palmeiras, no concelho que liderou 24 anos, vai como uma flecha até onde estão as pessoas. Isaltino Morais assume-se “otimista por natureza” e, por isso, desafia confiante: “Perguntem a qualquer oeirense se querem que Isaltino volte.” A concorrência é tanta que, se voltar, não deve regressar sozinho: Isaltino disse esta segunda-feira de manhã que — se for eleito presidente — vai dar um pelouro ao atual presidente da autarquia, Paulo Vistas (seu ex-vereador). “Quer tenha maioria, quer tenha minoria, ponho à disposição de todos os vereadores pelouros”, começa por dizer Isaltino. Até a Paulo Vistas? “Sim. As pessoas não são relevantes. O que importa é se têm competência e capacidade de trabalho.”

Mas depressa desvalorizou a força do oponente. “Não percebo porque me falam em Paulo Vistas, o meu principal adversário é o Raposo, ele é o candidato que mais pode aspirar a ganhar desde logo porque é o PS que está no Governo.

A chuva não ajudou a arruada prevista para a manhã, que foi em parte passada no centro comercial. Antes da chegada de Isaltino, a máquina já funcionava. Primeiro, um apoiante: “Não precisa de estar a contar, somos muitos”. Depois, Tiago Fernandes, diretor operacional da campanha, apressa-se a explicar ao Observador o facto de não haver nesta ação a mesma multidão de outras ações: “Ontem tivemos mil pessoas na marginal. Não vejo isto a nível nacional”. Pelo meio vai mostrando fotos no telemóvel e vídeos da marcha por Isaltino, enquanto afirma: “E ninguém foi pago”.

“Tenho conta na Suíça. Na pastelaria Suíça”

O mais extrovertido dos apoiantes — todos de t-shirt verde com o slogan “Oeiras de Volta” — Gil Costa atira ao atual presidente de câmara: “Diga lá ao outro [Paulo Vistas] que me deve três mil e oitenta euros”. Quanto aos “cêntimos”, não é preciso ir ao detalhe. “Os cêntimos dispenso, ele pode ficar com eles. Que eu tenho conta na Suíça. Na pastelaria Suíça. Não se ria. Uma vez fui lá roubar uma caixa de bombons e fiquei lá com uma conta por pagar”, ironizou Gil Costa, numa alusão às contas levaram o candidato que apoia a sair do Governo de Durão Barroso e a responder perante a justiça.

"Eu os cêntimos dispenso, ele pode ficar com eles. Que eu tenho conta naSuíça. Na pastelaria Suíça. Não se ria. Uma vez fui lá roubar uma caixa de bonbons e fiquei lá com uma conta por pagar",
Gil Costa, apoiante de Isaltino Morais

Entretanto, Isaltino avançava pelo centro comercial. “Vamos ali beber um cafezinho”. É bem recebido no “Café Mais”, onde vai ouvindo: “Gostava que ficasse como presidente”; “Olhe bem para a minha cara, que eu depois vou-lhe lá pedir uma coisa”; “Muito gosto em conhecê-lo”; “Toda a gente gosta de si”; “Tenho pena de não votar em si, mas vivo em Cascais”. Numa das mesas, perde mais tempo para mostrar aos eleitores, no seu próprio telemóvel, o hino da sua candidatura.

Mesmo com a limitação da chuva, Isaltino não se atrapalhava. “Já deram aí uma volta pelas lojas?”, perguntou à sua comitiva. Ninguém respondia. Um deles sugeriu que fossem até ao Oeiras Parque, uma vez que a chuva continuava a cair. Outro acrescentou: “Não podemos ir às lojas que é privado”. Aí, Isaltino Morais viu-se obrigado a dar uma lição aos voluntários, tão verdinhos como as t-shirts que vestiam: “Vamos lá ver uma coisa: nós entramos em todo o lado. Só não entramos se o proprietário não deixar. Isto é uma atividade nobre a política, uma atividade cívica.”

"Vamos lá ver uma coisa: Nós entramos em todo o lado. Só não entramos se o proprietário não deixar. Isto é uma atividade nobre a política, uma atividade cívica."
Isaltino Morais, candidato à câmara municipal de Oeiras

Lição dada, tempo para responder às questões do Observador e da TSF. Começa por garantir que “vai haver menos abstenção do que em 2013” e acredita que isso vai acontecer, também, por sua causa: “A nossa campanha e uma festa, de gente alegre, bem dispostas”. Explica depois que a maior parte dos seus 200 candidatos autárquicos “não tem experiência política”, já que quer pessoas novas para um “novo ciclo de desenvolvimento”.

Se tem queixas da comunicação social, é por só se interessar pelas querelas com Paulo Vistas e não lhe perguntar pelo programa. Explica que a sua “principal prioridade é a educação”, não só tornando Oeiras com “o concelho com as melhores escolas no ranking, mas os alunos com as melhores competências para as várias áreas, tanto para médico como para serralheiro, mecânico ou eletricista”. Para dia 1 de outubro, Isaltino Morais só quer “ganhar e ganhar é até por um voto”. O resto depois resolve. Desde logo, dará pelouros a todos os vereadores eleitos. “A ideologia a nível local não conta, o que conta é resolver os problemas das pessoas”.

Enquanto fala com os jornalistas, Isaltino recebe mais um pedido de uma idosa: “Eu voto em si, mas faça-me um favor: ponha ali mais uns banquinhos”. “Vou pôr com certeza”, disse, acrescentando já quando a eleitora se afastava: “Temos muita coisa programada para os velhotes.”

A chuva dá tréguas ao candidato, que passeia pelo quarteirão e aproveita para colocar o Euromilhões na Pastelaria Paris. Consegue submeter as chaves habituais e, com prémios da semana anterior, ainda recebe 13 euros e mais uns trocos.

Antes de seguir para a próxima arruada, Isaltino faz uma nova paragem técnica em frente ao centro comercial Palmeiras para gravar um vídeo para a página da candidatura. E nova lição para os verdinhos. Querem colocar-se atrás do candidato, que não deixa. “Não quero ninguém aqui, vão mais para trás. Finjam que estão a conversar ali junto às escadas”, diz Isaltino, enquanto puxa da cigarrilha.

Isaltino dá ordens aos apoiantes sobre a forma como se devem colocar no plano.

O sol aparece e o “presidente” segue para o centro da vila. Todos os elementos da campanha, sem exceção, chamam a Isaltino Morais “presidente”, como se nunca tivesse abandonado a autarquia. É, precisamente, para a sede do município que o antigo autarca segue. Passa à porta, mas não entra, como fez entre 1985 e 2013, com algumas interrupções pelo meio.

Afinal o PSD tem candidato

Ao chegar à câmara, Isaltino Morais depara-se com a candidatura de Ângelo Pereira, a quem faz questão de enviar várias farpas. “Olha o nosso Ângelo… Epá, afinal o PSD tem candidato. E fazem campanha? Quem diria…” A conversa continua e o tom de Isaltino para o presidente do PSD/Oeiras (estiveram juntos quando Ângelo era da JSD e Isaltino do PSD): “Têm de fazer campanha. Não querem vir connosco?”

Ângelo procura defender-se: “Fomos aos gabinetes, onde não vai ninguém”. Isaltino não perdoa, continuando a cumprimentar o candidato adversário por tu: “Agora é que lá vais? Estiveste quatro anos sem ir e agora é que lá vais?”

Isaltino sugeria assim que Ângelo não estaria a fazer uma campanha tão agressiva como podia para não roubar votos a Paulo Vistas, presidente que lhe deu pelouros na vereação. Isaltino continuou o bullying improvisado a Ângelo Pereira, numa alusão a uma carrinha da campanha do PSD e do CDS: “Então tens uma roulote? Aquele camião que tu tens devia ter lá um café ou uma água, assim não serve para nada”.

O candidato social-democrata aponta para o cartaz onde defende creches para os funcionários da autarquia. De Isaltino volta o tom paternalista: “Epá, tu estás a estigmatizar os filhos dos funcionários da câmara. Tem de haver condições é para todos, não apenas para os filhos dos funcionários da câmara”. Ao que o presidente do PSD/Oeiras responde: “E há. Estão no programa”. Isaltino volta ao tom divertido-desafiador, dizendo: “Estás-me a copiar. Olho para aqui e só vejo ideias do Isaltino”. Antes de se despedirem, Isaltino ainda pediu canetas a Ângelo e continuou no mesmo registo: “Alguns PPDs vêm ter comigo e eu digo-lhes: toma lá uma canetazinha já que o teu candidato não te dá, dou-te eu”.

Joaquim Raposo. PS quer governar com todos

Isaltino considera-o o seu principal adversário e Joaquim Raposo devolve a cortesia. Com um “mas” pelo meio. “O meu principal adversário é a abstenção, porque, tirando essa questão, se o eleitorado do PS votar é evidente que o PS ganhará as eleições”, começa por dizer. Tirando esse que seria o cenário ideal para o socialista, “quem tem mais probabilidades é seguramente Isaltino Morais”, admite ao Observador.

Raposo, dinossauro da Amadora que entretanto virou deputado à Assembleia da República, não resistiu ao convite do PS local e tenta agora a dupla em Oeiras: roubar a autarquia a Paulo Vistas e evitar que Isaltino volte ao poder. Faltam duas semanas para as eleições, Oeiras tem as contas em aberto e Joaquim Raposo já começou a fazer as contas. “Isto não pode ser ingovernável, um executivo não pode funcionar com uma maioria da oposição e temos de fazer algum esforço de entendimento”, adianta.

Por isso, caso vença as eleições, garante que chamará todos os partidos e movimentos que consigam eleger vereadores. “Se tivermos outras pessoas no executivo da câmara com responsabilidade, seguramente teremos muito mais oportunidade de somar que de diminuir”, diz. A questão também se coloca ao contrário: se o PS não vencer, Raposo poderá ser a tábua de salvação que impeça o município de bloquear perante uma oposição maioritária.

Preferências quanto a parceiros, se as tem, não assume abertamente. Ainda que encontre mais clareza no discurso do ex-presidente da câmara. “Em relação ao Paulo Vistas, não sei o que ele quer. Em relação ao Isaltino, sei, quer continuar o Sistema Automático de Transporte Urbano (SATU)”.

Numa eleição marcada pelo regresso de Isaltino, depois do desentendimento entre o ex-autarca e o seu sucessor, Joaquim Raposo considera que o seu trunfo está precisamente aí, no facto de vir de fora e de ser alheio à novela. “Se me perguntar quem é que está mais preparado digo-lhe que sou eu, porque não estou zangado com nenhum deles”, arrisca o ex-autarca da Amadora.

Na segunda visita aos serviços da câmara de Oeiras, Raposo só evitou fazer uma passagem relâmpago pelo departamento de Educação. “Eu tenho uma marca nessa área pelo trabalho que fiz na Amadora, sei o trabalho que deixei e não podia passar por ali a correr”, diz ao Observador. Durante meses estudou os dossiers e, nos vários departamentos, entre perguntas e comentários, deixa a garantia de que não fará uma revolução, se for eleito a 1 de outubro. “Sou contra chegar e mudar tudo.”

Ângelo Pereira. “Não cheira a laranja, cheira a melão. Aquele que o Isaltino vai ter dia 1”

Durante a manhã, Isaltino foi tão duro com Ângelo Pereira que nem o brinde mais criativo do candidato de PSD, CDS e PPM escapou. Pegou num ambientador para o carro com a mascote que representa Ângelo e disse: “Cheira a laranja, mas é uma laranja estragada”. Na hora, o candidato social-democrata não respondeu, mas ao Observador, horas depois, reagiu com graça à provocação de Isaltino: “O cheirinho não é a laranja, é a melão, que é o melão que ele vai ter no dia 1“.

Se muitos candidatos gostavam de desdobrar-se em dois, Ângelo Pereira acaba por fazê-lo com a mascote, que abraça mais pessoas que o próprio candidato. O facto de ter escolhido o boneco para colocar em alguns cartazes, marcou a campanha. Ao Observador, Ângelo Pereira garante que a estratégia deu frutos: “As pessoas, como existe o boneco, não se preocupam com a cara da pessoa, mas mais com o programa“.

Até porque Ângelo Pereira, apesar dos 41 anos, é visto como “muito novo” por muitos dos eleitores que o abordam. Numa pastelaria até perguntaram ao candidato se era filho do candidato a presidente de junta de Algés, Linda-a-Velha e Cruz Quebrada-Dafundo.

O candidato de PSD-CDS-PPM nega ter um acordo com Paulo Vistas. “Esta não é uma campanha para o boneco“, atira. Ângelo Pereira diz que “se há alguém que é boneco são os candidatos Paulo Vistas, Joaquim Raposo e Isaltino Morais, que tiram os sinais da pele nos cartazes. O meu é natural, não tenho Photoshop. Por isso, os bonecos são eles”. Nega igualmente ter um acordo com Paulo Vistas, que lhe deu um pelouro no atual mandato: “Paulo Vistas é a continuidade de Isaltino e Isaltino quer ser a continuidade de Paulo Vistas. Já estivemos todos do mesmo lado, eles é que saíram do partido.”

Ângelo Pereira desvaloriza as provocações de Isaltino Morais, dizendo que é um “tom de brincadeira”, mas também de “algum nervosismo”. “Todos os presidentes: o atual, o antigo, o que foi presidente da Amadora têm a pressão de ganhar e por isso estão nervosos.” A coligação que une PSD, CDS e PPM está disposta a garantir “a governabilidade da câmara a seguir às eleições, como já fez no passado”, mas para isso é preciso abertura para discutir “programas”. E há pontos que Ângelo Pereira não abdica: Limpeza urbana, mobilidade e iluminação pública.

Heloísa lança-se aos tubarões: “Sou candidata a presidente da Câmara de Oeiras”

“É a senhora deputada, não é?”, pergunta uma eleitora antes de pousar os sacos das compras e passar à apresentação das queixas sobre o estado da limpeza urbana em Algés. Os anos que Heloísa Apolónia soma na Assembleia da República são um dos trunfos da deputada na sua corrida autárquica. A candidata da CDU à Câmara Municipal de Oeiras – numa eleição em que também participam o atual e o anterior presidentes –, aposta num forte resultado: “Sou candidata a presidente da Câmara de Oeiras”, assume. Para esse objetivo, todas as boas notícias que o Governo vá divulgando dão um empurrão.

Heloísa Apolónia chegou à principal avenida de Algés a pé e sob um céu que ameaçava chuva. O plano A para a manhã de campanha (faltar ao plenário da tarde não era questão) resumia-se a um encontro com a presidente do Sport Algés e Dafundo, o principal clube do concelho. Um problema pessoal da responsável da instituição obrigou a um plano B: passeio pelo comércio local.

À primeira vista fica clara a colagem ao Governo que a CDU apoia a partir do Parlamento. A “inversão” das políticas seguidas, com a consequente “recuperação do poder de compra”, é um dos argumentos que a deputada apresenta aos munícipes de um concelho marcado por histórias de “branqueamento”, “ajustes diretos a amigos” e uma mão ou outra a “um sobrinho”. Regressado às lides políticas depois de cumprir pena de prisão, Isaltino Morais é o primeiro alvo a abater.

Já chove lá fora e Heloísa Apolónia arrisca um passeio pelo mercado municipal, coberto mas praticamente vazio. Os comerciantes estão em maior número que os clientes. É para eles que a candidata da CDU se vira para mostrar o plano de ação que tem para o município. Descentralizar competências (em particular, concretiza, na área da limpeza urbana), apostar na mobilidade dentro do concelho e na ligação a Lisboa e recuperar as questões ambientais — contra a “liquidação” de espaços naturais como o Jamor e a serra de Carnaxide.

A CDU tem um vereador na câmara e disputa a eleição com Isaltino Morais e o seu ex-delfim, Paulo Vistas, aos comandos da autarquia. Nas primeiras linhas do combate surge, ainda, um nome de fora: Joaquim Raposo, ex-presidente da Câmara da Amadora que os socialistas lançaram no xadrez de Oeiras para aproveitar a divisão à direita, que ainda conta com o candidato do PSD, Ângelo Pereira. “Não aceito vencedores antecipados”, dispara Heloísa Apolónia, que promete para a câmara “a mesma garra e determinação” que mostrou na Assembleia, “mas não ao serviço dos grandes interesses económicos”.

Sónia Gonçalves, a terceira independente: “Fui convidada por Isaltino e Vistas e recusei.”

A campanha oficial ainda nem começou e a voz já se ouve mais rouca que o habitual. “Eu tenho um tom grave por natureza, mas isto já é efeito do trabalho no terreno”, confessa Sónia Gonçalves ao Observador, antes de uma visita às instalações da Câmara Municipal de Oeiras (uma hora antes de o socialista Joaquim Raposo por ali passar). A candidata tem um percurso único entre os 13 cabeças de lista: integrou o movimento Isaltino Oeiras Mais à Frente, em 2009, chegou à Assembleia de Freguesia já com Paulo Vistas, em 2013, e agora concorre contra ambos. “Trabalhei com os dois, fui convidada pelos dois para estas eleições e recusei os dois convites”, assume. Coligações para mais tarde? Não diz que não.

O movimento Renascer Oeiras espera eleger pelo menos um vereador para o executivo da câmara. À porta do edifício Atrium, onde se concentram vários serviços municipais, Sónia Gonçalves explica porque decidiu correr em pista própria, apesar das propostas para integrar um futuro executivo. “Não faz sentido apostar numa pessoa que deixou o concelho duas vezes e que pode voltar a deixar daqui a dois, quatro anos”, diz sobre Isaltino Morais. Com Vistas, a questão é outra: “Não vejo que haja uma política de futuro”, e por isso abandonou a Assembleia Municipal em maio do ano passado.

A candidata independente (a “única verdadeiramente independente”, diz) vai levar a candidatura até às urnas – “não desistiremos a favor de ninguém, por muitas propostas que nos façam” – mas não fecha a porta a coligações no dia 2 de outubro. “Esta campanha não é para assumirmos o tudo ou nada e, a partir do momento em que viemos para a rua assumir que estamos a lutar por aquilo que é nosso mostrámos que estamos disponíveis para trabalhar a favor de Oeiras”, admite.

Traduzindo: num concelho espartilhado, em que há 13 candidatos à câmara municipal, Sónia Gonçalves admite que o seu movimento possa contribuir para desempatar as contas e dar uma maioria no executivo de quem for vencedor. Nem que, para isso, tenha de afastar-se do movimento e dar o palco a outras figuras do Renascer Oeiras.

Mas as contas não serão fáceis. Com Isaltino Morais e Paulo Vistas incompatibilizados, a votação que o PS conseguir e a disponibilidade para futuros acordos vão ditar a viabilidade do executivo que sair das eleições de 1 de outubro.

Este artigo esteve em atualização ao longo do dia com reportagens junto de seis dos 13 candidatos em Oeiras.

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