Depois de um 2020 em que o setor dos espectáculos quase paralisou, parando mesmo de meados de março a junho e retomando de forma anémica daí em diante, será 2021 um ano de desconfinamento?

É ainda cedo, muito cedo, para poder prever quando será possível os concertos e festivais decorrerem sem restrições que os tornem inviáveis (para os artistas e  para os seus produtores e promotores) em promotores)promotores)promotores). Mas há já muita coisa agendada para 2021, nomeadamente concertos internacionais, que a partir da chegada da pandemia ao país, em março, travaram a fundo. Esta é a nossa lista de concertos que vamos querer ver em 2021.

Concertos portugueses

Muitos e por todo o país, de janeiro a dezembro

Por todo o ano de 2021 ouvir-se-á, de norte a sul de Portugal, música portuguesa — e boa. Se a Covid-19 permitir, haverá festivais, do final de Portugal Ao Vivo (que já começou mas prolonga-se para o novo ano) ao Montepio Às Vezes o Amor, passando pelo novo Live in a Box e pelos mais ‘velhinhos’ Bons Sons e Sol da Caparica, por exemplo. E os Coliseus (de Lisboa e Porto) e cineteatros de norte a sul vão encher-se de música portuguesa.

Em Coimbra, Braga (que se apresenta com uma grande programação, entre Theatro Circo e o mais reduzido gnration), em Faro, em Torres Vedras, em Viseu, em Bragança, em Lisboa e no Porto, em Guimarães, em Aveiro, na Guarda, em Torres Novas e em Torres Vedras, na Nazaré e em Famalicão, em Leiria, em Tondela, em Almada e em tantas outras cidades, não faltarão oportunidades para ver os artistas que nos preenchem os ouvidos com música e que dependem dos espectáculos para sobreviver. Consulte a programação dos cineteatros e salas de espectáculos da sua cidade e não lhe faltará boa música para ouvir ao vivo em 2021.

Parcerias inesperadas no Teatro Maria Matos

18 e 19 de janeiro

Em 2021 assistiremos a parcerias inesperadas na música portuguesa. No Teatro Maria Matos, em Lisboa, estão previstos dois concertos que não estão relacionados mas juntam artistas que habitualmente não trabalham juntos. A 18 de janeiro, a banda They’re Heading West, famosa pelos seus convites a amigos e pares para concertos em conjunto, atuará na companhia do duo de guitarras Miramar (Frankie Chaves e Peixe) e da cantora Cristina Branco. No dia seguinte, os Cais Sodré Funk Connection convidam nada menos do que… Paulo de Carvalho.

Fausto Bordalo Dias

12 de março, CCB

É tão raro dar concertos que cada um é um acontecimento e tem de ser destacado como tal. Dia 12 de março, Fausto Bordalo Dias subirá ao palco do grande auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, para um espectáculo chamado “Atrás dos Tempos Vêm Os Tempos”. A descrição do concerto é suficientemente críptica para não dar grandes pistas, mas sabemos que é o título de uma canção que Fausto compôs em 1977 e que o espectáculo deverá ser uma viagem pelo passado de um dos maiores autores da história da música portuguesa, que não faz digressões e tem permanecido relativamente afastado dos palcos.

Silvia Perez Cruz

18 de março, CCB

Já foi adiado por duas vezes, culpa da pandemia da Covid-19, mas vamos acreditar que à terceira será de vez. A espanhola Sílvia Perez Cruz, uma das mais importantes cantoras da atualidade, editou em 2020 um álbum intitulado Farsa (género imposible). O concerto em Lisboa, com a sua Farsa Circus Band, já tem nova data: 18 de março. O da Casa da Música, no Porto, ainda está por remarcar.

Moreno Veloso

19 de março, Teatro Municipal de Bragança e 20 de março, Teatro S. Luiz

Incluídos no programa do já citado festival Live In a Box, maioritariamente dedicado à música nacional (contará com concertos de Fogo Fogo, Sara Tavares, Sara Correia e Sopa da Pedra, por exemplo) e que acontecerá em março no Teatro São Luiz, em Lisboa, e no Teatro Municipal de Bragança, temos duas atuações de Moreno Veloso, filho da Caetano, músico e produtor com obra feita e discos editados (como o excelente Coisa Boa, de 2014) e que não é provável que voltemos a ter muitas oportunidades de ver noutros palcos, ao longo do ano.

Alice Phoebe Lou

6 de abril, Capitólio

Cantora e compositora sul-africana, com dois álbuns de estúdio e originais editados — o último dos quais Paper Castle, de 2019 —, Alice Phoebe Lou é uma belíssima cantora, que vai procurando a sua identidade no vasto campo da pop alternativa. As canções deste Paper Castle têm ritmos eletrônicos e revelam uma delicadeza e intimidade na composição que se adequa na perfeição ao estado de anti-euforia generalizado provocado pela pandemia. A 6 de abril, atua no cineteatro Capitólio, em Lisboa.

Festival ID No Limits

9 e 10 de abril, Centro de Congressos do Estoril

Foi um dos festivais impossibilitados pela pandemia em 2020. A edição do último ano, inicialmente agendada para o primeiro semestre, começou por ser adiada para a ponta final de 2020 mas não houve condições para a realizar sem restrições que a tornavam insustentável. Veremos se a pandemia permitirá a realização do ID No Limits em abril, que volta a apresentar tal como em anos anteriores um programa de música que puxa pela dança, com artistas emergentes como Rejjie Snow e Tristany no hip-hop, Kelsey Lu na soul eléctronica e R&B, Ezra Collective e Moses Boyd no jazz com contornos festivos, movido a funk, e Pedro, Holly e Shaka Lion na eletrónica, entre muitos outros artistas.

Paulinho da Viola

17 de maio, Casa da Música

Referência incontornável da música brasileira, Paulinho da Viola, atualmente com 78 anos, é mestre no samba e no choro, com uma obra longa de várias décadas de discos e concertos. Cantor, compositor, com a guitarra acústica (o “violão”) sempre por perto, foi autor de êxitos brasileiros como “Coração Leviano”, “Dança na Solidão”, “Foi um Rio que Passo em Minha Vida” e “Miudinho”. O concerto na Casa da Música, no Porto, esteve para acontecer mais cedo mas devido à Covid-19 foi adiado para 17 de maio.

Michael Kiwanuka

20 de maio, Campo Pequeno e 21 de maio, Pavilhão Rosa Mota

Depois de o termos visto em muito bom nível no festival Super Bock em Stock, Michael Kiwanuka regressará a Portugal para concertos em Lisboa e Porto, há muito prometidos mas adiados devido à Covid-19. O músico e cantor britânico, dono de uma voz inconfundível, tornou-se um sucesso popular há muito, graças a canções como “Home Again”, mas foi com os dois álbuns mais recentes, Love & Hate (2016) e Kiwanuka (2019) que se afirmou em definitivo como um dos grandes intervenientes musicais da atualidade. Na sua música cabem a história da soul e a história da folk, os coros comunitários que lembram a espiritualidade do gospel e os ritmos acelerados do rock e rhythm and blues. Teremos oportunidade de confirmar tudo isto no Campo Pequeno, em Lisboa, a 20 de maio, e no Pavilhão Rosa Mota, no Porto, a 21 de maio — se a Covid-19 o permitir.

Guns N’ Roses

2 de junho, Passeio Marítimo Algés

Nem eles precisam de grandes apresentações (seria até desrespeitoso tratar os Guns N’ Roses, lendas do rock and roll, como desconhecidos que precisam de ser apresentados) nem precisa de haver motivos para o concerto: trata-se da banda que fez canções como “November Rain”, “Sweet Child O’Mine”, “Paradise City” ou “Welcome To The Jungle” e do regresso ao Passeio Marítimo de Algés, que em 2017 esteve à pinha para ouvir Axl Rose, Duff McKagan, Slash e companhia limitada. O único ponto de interrogação é a pandemia: será possível no início de junho fazer um concerto de rock de estádio, sem grande restrições?

Idles

7 de junho, Coliseu dos Recreios

Se uns dias antes temos rock de estádio, a 7 de junho temos rock recém-chegado a Coliseu. E temo-lo com os Idles, banda britânica que em 2017 lançou um álbum com um título apropriado — Brutalism —, que em 2018 conquistou críticos e ouvintes indie com o disco Joy As An Act of Resistance, que em 2020 lançou o sucessor Ultra Mono e que salta agora de salas como o Hard Club (Porto) e Lisboa ao Vivo (Lisboa) para o mais solene Coliseu dos Recreios. Se em disco os Idles são mais interessantes como conceito (rapazes cheios de nervo, apunkalhados, que não cantam sobre beber cerveja e engatar miúdas mas sobre as injustiças todas do mundo) do que pela música que fazem, em palco tudo se agiganta, tal o festim, a desordem e o descontrolo dos rapazes em palco. Para compreender os Idles é preciso vê-los ao vivo — mas a perspetiva de os vermos em lugares sentados é tão anti-natura quanto dolorosa.

@ FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

100 músicos para Amália

10 de junho, Teatro S. Luiz

Não é um espectáculo que possamos prever que se vá repetir por várias cidades, andar em digressão pelo país, apresentar-se em diferentes salas ao longo do ano. E é por isso que, sendo um concerto da música portuguesa — que tanta vitalidade demonstra e que se ouvirá de norte a sul, de janeiro a dezembro — é aqui destacado. Este espectáculo, inserido nas comemorações do centenário de Amália Rodrigues, terá direção musical de Pedro de Castro e a curta apresentação deixa água na boca: “Em concerto, 100 músicos, de diferentes áreas musicais – da música erudita ao jazz, do fado ao flamenco, da canção francesa e italiana à bossa nova e ao folclore — interpretam o legado de Amália Rodrigues”.

Salvador Sobral canta Bernardo Sassetti

13 de junho, Teatro S. Luiz

Com o seu projeto a solo e porventura com outras bandas em que estará inserido, Salvador Sobral fará muitos concertos em Portugal ao longo do ano — e, estamos certos, todos eles bons concertos. Mas a 13 de junho fará um concerto especial ente. Todos os anos a Casa Bernardo Sassetti convida um artista nacional a revisitar o legado deixado pelo grande pianista português, que morreu em 2012 com apenas 41 anos. Em 2018 o convidado foi Ricardo Toscano, em 2019 foi Bruno Pernadas e em 2020 seria a vez de Salvador Sobral. O concerto acabou por não acontecer devido à Covid-19, tendo sido adiado para 2021. Para interpretar Sassetti à sua maneira, Salvador Sobral atuará na companhia do pianista Luís Figueiredo. A irmã, a compositora Luísa Sobral, ficou encarregue de escrever letras para acompanhar algumas das melodias gravadas pelo pianista em vida.

Festival NOS Primavera Sound

10 a 12 de junho, Parque da Cidade, Porto

Será um dos primeiros grandes testes à realização de festivais de verão em 2021. Será preciso perceber se é possível que aconteçam sem grandes restrições de lotações, que tornem inviável e insustentável (financeiramente) a sua realização. Seria bom que pudéssemos ter NOS Primavera Sound este ano, até pela qualidade do cartaz, que não diminui (talvez até pelo contrário) face a edições anteriores. Os cabeças de cartaz são o rapper e cantor Tyler The Creator, o cantor e compositor Beck, a banda de pop-rock psicadélica Tame Impala, os históricos do indie-rock Pavement, os eletrónicos Gorillaz e o cantor de reggaeton Bad Bunny, mas há mais pérolas por ouvir, de King Krule a Khruangbin, da promessa do flamenco Maria José Llergo à produtora e DJ portuguesa Nídia, da banda de rock experimental Black Midi ao rapper Earl Sweatshirt, de Helado Negro a Little Simz e Jamila Woods.

@ JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Festival Rock In Rio

19 a 27 de junho, Parque da Bela Vista, Lisboa

Pouco depois do NOS Primavera Sound temos o Rock in Rio Lisboa, que estava previsto para 2020 mas teve de ser adiado para 2021 devido à pandemia. O ecletismo, a aposta na sonoridade pop e rock de estádio continua a manter-se num cartaz que terá, se a Covid-19 deixar, os Foo Fighters de Dave Grohl (que se apresentarão com disco novo), os The National, o antigo vocalista dos Oasis Liam Gallagher, a super estrela do hip-hop Post Malone, a cantora de funk brasileiro Anitta, os Black Eyed Peas, Ivete Sangalo, Duran Duran, A-Ha e Xutos & Pontapés, entre outros.

Festival Afro Nation

1 a 3 de julho, Praia da Rocha, Portimão

É um festival repleto de estrelas, o Afro Nation, apostando em grandes nomes do hip-hop e R&B e em grandes nomes da música africana para levar festivaleiros até à Praia da Rocha, em Portimão. Para 2021 está previsto um cartaz com grandes figuras da música atual, como Burna Boy, a rapper Megan Thee Stallion (que se tornou uma mega-estrela em 2020 com a canção “WAP”, que gravou com Cardi B, e com o tema “Savage”), a estrela do grime (sub-género do hip-hop) britânico Skepta, o cantor Chris Brown e o nigeriano Wizkid. Mas há outros nomes com menos notoriedade que valerá a pena descobrir ou rever, caso o festival se possa mesmo realizar, como a cantora Mayra Andrade, o renovador do reggae Chronixx ou o jovem rapper Pa Salieu, que cresceu entre o Reino Unido e a Gâmbia e que é apontado como uma das próximas estrelas do hip-hop.

Festival Sumol Summer Fest

2 e 3 de julho, Ericeira

A arrancar julho também teremos o Sumol Summer Fest, festival da Ericeira que tem procurado ao longo dos anos apresentar cartazes sintonizados com a música que a juventude mais ouve — já teve uma fase reggae, nos últimos anos apontou as agulhas para o hip-hop, a pop e a eletrónica. No cartaz de 2021, o que nos desperta mais interessa é o príncipe da música africana Burna Boy, um nigeriano que tem feito todo o mundo dançar com a sua pop impregnada de hip-hop, eletrónica, dancehall e até uns pózinhos de afrobeat e ritmos nigerianos e africanos. Mas está previsto também o espectáculo “Eixo Norte-Sul”, uma espécie de apresentação do melhor do hip-hop português nortenho (Mundo Segundo, Ace, Maze, Deau, Vitus, DJ Guze, DJ Spot) e do hip-hop português do centro e sul (Xeg, Chullage, Sir Scratch, Kappa Jotta, Deezy, DJ Big). Correndo bem, poderemos ainda ver Nenny, jovem portuguesa que reside no Luxemburgo e que não dá ainda muitos concertos mas é já um nome importante da música nacional, além de outros rappers, cantores e DJs.

Festival EDP Cool Jazz

2 a 31 de julho, Hipódromo Manuel Possolo, Cascais

O mês de julho é mês de EDP Cool Jazz. É um festival peculiar, na medida em que não concentra em dois ou três dias mas prolonga-se por vários, com grandes intervalos temporais e com poucos concertos em cada um dos dias. Dito de forma mais simples: é um festival que na verdade é quase uma soma de concertos em nome próprio com concerto de abertura, em diferentes dias. O nome da edição de 2021 que deverá atrair mais interesse é o da estrela pop John Legend, autor de baladas soul emotivas como “All Of Me” e “Ordinary People” que atua a 2 de julho. Mas há outros concertos que certamente valerá a pena ver, como o de Rui Veloso com Miguel Araújo (24 de julho), o de Lionel Richie (25 de julho), o de Neneh Cherry com abertura de Kokoroko (27 de julho) e sobretudo (sobretudo!) o das lendas e veteranos do jazz e música brasileira, respetivamente, Herbie Hancock (28 de julho) e Jorge Ben Jor (31 de julho).

Nick Mason

3 de julho, Pavilhão Rosa Mota e 4 de julho, Campo Pequeno

A oportunidade de ver um membro dos Pink Floyd ao vivo não pode ser menosprezada em circunstância alguma. Para 3 e 4 de julho, respetivamente na Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota (Porto) e Campo Pequeno (Lisboa), estão agendados dois concertos do mítico baterista e fundador dos Pink Floyd, Nick Mason. Aquele que foi o único elemento a participar em todos os álbuns de estúdio da banda apresentar-se-á com o espectáculo “Saurceful of Secrets”, acompanhado pelo guitarrista de Spandau Ballet, Gary Kemp, o baixista Guy Pratt (Pink Floyd), o guitarrista Lee Harris e o teclista Dom Beken.

Seu Jorge & Daniel Jobim cantam Tom Jobim

4 de julho, Pavilhão Rosa Mota

A ideia era que este concerto acontecesse em Oeiras e no Porto. Em Oeiras, a atuação estava inserida no programa do festival “Jardins do Marquês – Oeiras Valley”, mas a edição de 2020 foi adiada e ainda não há confirmações para o cartaz de 2021. Portanto, para já ficamos com a data portuense: a 4 de julho, a música de Tom Jobim será revistada pelo cantor e compositor Seu Jorge e pelo cantor, compositor e pianista brasileiro Daniel Jobim — neto de Tom, mestre maior da história da música popular do Brasil.

Festival Rolling Loud

6, 7 e 8 de julho, Portimão, Praia da Rocha

Em julho os festivais multiplicam-se como cogumelos e para os dias 6, 7 e 8 está prevista a primeira edição em Portugal daquele que é chamado de “maior festival de hip-hop do mundo”. Trata-se do norte-americano Rolling Loud, que anunciou a chegada a Portugal e a primeira edição para 2020, que teve de adiar a estreia nacional devido à Covid-19 e que espera marcar o ano de 2021. O cartaz inclui uma quantidade gigante de estrelas do género, com A$AP Rocky à cabeça, com Future e com Wiz Khalifa, por exemplo, mas também com nomes menos mediático mas muito promissores como Polo G, Rico Nasty e Pa Salieu. Uma nota curiosa: há oito artistas com o primeiro nome “Lil” neste cartaz.

Festival NOS Alive

7, 8, 9 e 10 de julho, Passeio Marítimo de Algés, Oeiras

Mais antigo do que os novos Afro Nation e Rolling Loud, o NOS Alive também decorre em julho e quer compensar a edição adiada de 2020 com uma edição grandiosa em 2021 (veremos se será possível). Entre os dias 7 e 10, passarão pelo Passeio Marítimo de Algés, se a Covid-19 o permitir, grandes nomes do rock como os Red Hot Chili Peppers e Faith No More (mais antigos), os The Strokes ou os The War on Drugs. Há ainda concertos agendados dos históricos portugueses Da Weasel — que se voltaram a juntar para esta atuação —, das novas estrelas do pop-rock alternativo Black Pumas, das Haim, de Angel Olsen, Moses Sumney, Tom Misch, Fontaines D.C. e do produtor  e DJ Caribou, entre outros.

Festival Super Bock Super Rock

17 a 17 de julho, Meco

Se o rapper e cantor norte-americano A$AP Rocky, que já passou pelo palco principal do NOS Primavera Sound, será uma das estrelas do festival Rolling Loud em 2021, sê-lo-á também do Super Bock Super Rock, caso o festival se possa realizar. Regressado ao Meco, o SBSR tem um cartaz ainda curto sendo que um dos outros destaques até é nacional: Slow J, que volta ao palco principal do festival (já o fizera quando o palco era a Altice Arena) para apresentar o seu mais recente álbum, You Are Forgiven, de 2019. Há ainda concertos marcados do grupo Brockhampton, da cantora compositora Kali Uchis, do rapper e cantor GoldLink e de Boy Pablo, entre outros.

Festival Músicas do Mundo

23 a 31 de julho, Sines

Foi um dos primeiros festivais a anunciar o cancelamento da edição de 2020, entendendo cedo que seria impossível haver condições para um festival de música ao ar livre no verão de 2020. O Festival Músicas do Mundo, em Sines, tem edição marcada para os últimos dias de julho (de 23 a 31) e já tem alguns nomes confirmados que valerá a pena ver: os portugueses Dead Combo em colaboração com o norte-americano Mark Lanegan, a dupla composta por Lina e Raul Refree (que reinventa os fados de Amália e que lançou um disco incontornável em 2020), Maria João em parceria com o quarteto de Carlos Bica e a cantora Pongo, que fez parte dos Buraka Som Sistema mas que se tem afirmado realmente como grande artista a solo, tendo já um culto de fãs muito significativo na Europa pela sua afro-pop dançante.

Festival Vodafone Paredes de Coura

18 a 21 de agosto, Paredes de Coura

Por ser, entre os grandes festivais de verão, aquele que se realiza mais tarde — um mês depois de Super Bock e NOS Alive, dois meses depois de NOS Primavera Sound e Rock In Rio — o Vodafone Paredes de Coura será um dos que terá mais probabilidade de se realizar sem grandes restrições em 2021. Oxalá aconteça, para que possamos rever os históricos do rock Pixies, ver e dançar as novas canções do carismático Jarvis Cocker no seu projeto Jarv Is (que originou um disco em 2020), atentar à  força bruta mas bondosa dos britânicos Idles e descobrir o jovem furacão do hip-hop britânico Slowthai. E ainda teremos o jazz fervilhante e dançante dos The Comet Is Coming, a boa pop alternativa, ruidosa e rockeira, do insinuante Yves Tumor, o groove dos Badbadnotgood, o rap no feminino de Princess Nokia, o rock acelerado dos Viagra Boys e o folk-rock pastoral dos Woods, entre outras coisas.

Festival EDP Vilar de Mouros

26, 27 e 28 de agosto, Vilar de Mouros

Também a decorrer na ponta final de agosto teremos o festival EDP Vilar de Mouros, um festival de música dedicado a um público mais adulto, saudoso do pop-rock que cresceu a ouvir. Em 2021, se a Covid-19 o permitir, teremos em palco os Bauhaus, os Suede (que em 2019 atuaram em Paredes de Coura), os Placebo, os portugueses The Legendary Tigerman e Tara Perdida e aquele que mais desejamos ver novamente, o já mítico Iggy Pop.

Tash Sultana

6 de setembro, Coliseu dos Recreios

É uma das miúdas-prodígio da música, uma one-woman band que em palco se divide entre muitos instrumentos, entre guitarras, baixos, teclados e eletrônica, mostrando canções de uma jovem de 25 anos ainda à procura da sua voz e identidade (entre a pop psicadélica, o rock-eletrônico, a synthpop e o R&B) mas já com uma originalidade e um talento que impressionam toda a gente. A australiana Tash Sultana, que tem apenas um álbum editado (2018) mas um segundo a caminho e do qual se espera muito (Terra Firma, prometido para 19 de fevereiro), apresentar-se-á no Coliseu dos Recreios com canções novas mas o talento já mostrado por exemplo num palco secundário do festival NOS Alive, que lotou para a ver.

Boy Pablo

10 de setembro, Capitólio

Promessa da música interncional, nascido na Noruega e filho de pais chilenos, Nicolas Muñoz tem alimentado a expectativa em torno da sua música nos últimos anos com singles e EPs (mini-álbuns). Fazendo uma espécie de bedroom pop, precisando de sintetizadores, produção digital e eletrónica, alguma distorção e “desafinação” que lhe dão charme, uma guitarra e pouco mais para vestir as suas canções, Boy Pablo lançou em outubro de 2020 o seu álbum de estreia, Wachito Rico. O disco mostra-o crescido, pronto a confirmar o estatuto de promessa que há muito lhe é apontado no indie. Veremos agora, a 10 de setembro, no Cineteatro Capitólio, como estas canções realmente originais — que lembram vagamente Mac DeMarco, mas que têm um universo eletrónico, dançante e de dream-pop e jangly-rock que não encontramos em mais ninguém — podem ser transportadas para palco.

Bon Iver

18 de novembro, Altice Arena

É mais um concerto de Bon Iver, dos muitos dados pelo projeto musical de Justin Vernon em Portugal? É, mas será certamente bom — como todos os anteriores. Com quatro álbuns (For Emma, Forever Ago, de 2008, Bon Iver, de 2011, 22, A Million, de 2016 e i, i, de 2019), a banda de indie-folk e folk eletrónico atuará na Altice Arena (antigo Pavilhão Atlântico) a 18 de novembro. É uma boa oportunidade para os ver, até porque esta música que também é feita de silêncios, de intimidade e de delicadeza perde quando é ouvida em festival de verão, com conversas e barulho na plateia e com condições acústicas forçosamente inferiores.

O que talvez valha a pena ver, mas ainda com muito pouco do cartaz revelado: MEO Marés Vivas (16, 17 e 18 de julho), MEO Sudoeste (3 a 7 de agosto) e LISB-ON (3 a 5 de setembro)