Há muitos anos, não sei precisar quando, estava a seleção argentina em Berlim para disputar uma partida, quando Carlos Bilardo, o treinador da alvi-celeste começou a moer a paciência aos jogadores: que tinham de melhorar a técnica, que o jogador argentino tem de ser capaz de fazer tudo com uma bola, até que lhe saiu que os jogadores argentinos deviam ter uma bola no pé de manhã, à tarde, à noite e até a dormir.

Bilardo tanto repetiu este bordão que um dia Maradona saiu do seu quarto a dar toques na bola sem a deixar cair, desceu no elevador ainda a dar toques, entrou na sala das refeições do hotel ainda a dar toques na bola sem a deixar cair, sentou-se e – note-se que a bola ainda está a subir no ar e descer até ao pé de Maradona que a faz de novo subir e assim consecutivamente – começou a tomar o seu pequeno-almoço (sendo o primeiro ingrediente um pão). Feliz, Bilardo voltou-se para os seus jogadores e disse “Veem? É por isto que ele é o Maradona”.

Espero que não me levem a mal o facto de os dois parágrafos anteriores serem um plágio de uma passagem de um texto recente de Jorge Valdano sobre Maradona – ao fim e ao cabo, William Faulkner dizia que os grandes escritores não pedem emprestado, roubam. Messi, por exemplo, roubou despudoramente o toque de bola de Maradona, a sua criatividade (até o seu melhor golo, plagiando, contra o Getafe, o golo sem mão de Maradona contra a Inglaterra em 1986), e elevou-a a um novo patamar de consistência.

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