Os Óscares vistos do sofá: o amor ao cinema não tem de ser imprevisível

05 Março 2018116

Viva o México, os cabelos brancos e o pessoal que compra bilhetes – a história da festa dos 90 anos dos Óscares, em que ninguém se enganou nos envelopes e ninguém falou de Trump.

O vigor narrativo de “Good Time”, dos irmãos Safdie, que tão raro tem sido no cinema norte-americano recente. “Só para Bravos”, de Joseph Kosinski, ou “Derradeira Viagem”, de Richard Linklater, pelo contrário, sóbrios e convencionais, mas que tão bem sabem nessa familiaridade, para já não falar dos seus grandes elencos: Josh Brolin, Jeff Bridges, Jennifer Connelly e Miles Teller de um lado e, do outro, Bryan Cranston, Laurence Fishburne e Steve Carell. “Paterson”, o melhor Jim Jarmusch em muitos anos. “O Jogo da Alta Roda”, de Aaron Sorkin, que só tem uma nomeação, e “Blade Runner 2049”, de Denis Villeneuve, que tem cinco, mas todos em categorias técnicas.

É neles que pensamos a caminho da 90ª cerimónia de entrega dos Óscares. Nos que não estão ou estão menos do que, garante-nos o gloriosamente incerto critério da nossa paixão, deveriam estar. Pensamos, pela enésima vez, como se perde a ilusão de que os Óscares premeiam necessariamente os melhores filmes do ano do mesmo modo que e, oxalá, não demasiados anos depois, se perdem as ilusões quanto ao Pai Natal. Pensamos no propalado declínio do cinema contemporâneo em face da televisão. Pensamos na monocultura das nomeações nas temporadas de prémios, que parecem legalmente obrigados a copiarem as listas uns pelos outros. Pensamos nas coordenadas destes Óscares, previsivelmente encaixados à partida entre notas leves sobre a desastrosa troca de envelopes no anúncio do melhor filme no ano passado e notas sérias sobre os movimentos de luta pela igualdade de género “metoo” e “time’s up” e em como só poderá surpreender o pouco que consiga escapar a este espartilho.

Pensamos nisso tudo e, portanto, no porquê, América? Porquê sempre o domingo para fazer os Óscares e, aliás, todas as cerimónias de prémios em geral? Que mal têm os sábados? Porquê essa falta de compaixão para com as nossas noites de sono perdidas e semanas de trabalho obrigadas a começar tortas?

Então, no meio do queixume, impõe-se a evidência por detrás de estarmos aqui, ano após ano: que os Óscares não são acerca dos filmes circunstancialmente produzidos ou nomeados naquele ano particular; são o ritual anual em que celebramos o amor que temos ao cinema. Em geral. Desde sempre. Sob a forma momentânea do que aqueles filmes têm ou do que lhes falta e, nisso, lembrando-nos do que outros têm. O amor ao papel fundamental do cinema, através do qual um só filme tocante pode ajudar a mudar a História.

E assim partimos de novo para a maratona anual, pensando nisto: que o que importa é o amor e não as segundas-feiras. E que, se não podemos ter o entusiasmo de outrora, sempre podemos fazer claque por “Três Cartazes à Beira da Estrada”, pelos dois luso-descendentes nomeados, por Frances McDormand, e por “Blade Runner 2049”, claro, que é um acto de amor, contra “Os Últimos Jedis”, que é uma decisão empresarial.

Piadas com a troca dos envelopes no ano passado (“Se ouvirem o vosso nome, não subam logo ao palco”) e ao tema do assédio: “O Óscar é o homem perfeito. Olhem para ele: mantém sempre as mãos à vista, nunca diz uma palavra inconveniente e nem sequer tem pénis”.

01h00: Começa a cerimónia no Dolby Theatre, em Los Angeles. É meia hora mais cedo do que o habitual, uma pequena atenção de Hollywood para com os povos mártires deste lado do mundo.

01h11: Jimmy Kimmel termina o monólogo de abertura. Cumpre escrupulosamente o caderno de encargos: piadas ao vice-presidente Mike Pence e a Bob Weinstein; vénias aos veteranos Christopher Plummer e Meryl Streep; louvor aos jovens (realizador) Jordan Peele e (actor) Timothée Chalamet. Elogios ao sucesso de “Black Panther” e “Wonder Woman”, quando ainda há um ano ninguém acreditaria nas hipóteses de filmes de super-heróis protagonizados por negros ou mulheres. Piadas com a troca dos envelopes no ano passado (“Se ouvirem o vosso nome, não subam logo ao palco”) e ao tema do assédio: “O Óscar é o homem perfeito. Olhem para ele: mantém sempre as mãos à vista, nunca diz uma palavra inconveniente e nem sequer tem pénis”.

01h12: Sílvia Lima Rato, João Lopes e Joaquim Sapinho, que fazem a emissão da SIC, recuperam um velho costume de falar por cima da cerimónia. (Felizmente, ao longo da noite, vão afinando os timings).

01h14: A peça que lança o primeiro óscar da noite e Viola Davis, que o vem entregar, lembram um ponto importante: algumas das mais memoráveis interpretações de sempre foram feitas por actores em papéis secundários.

01h18: Sam Rockwell leva o óscar de melhor secundário. Esperado, mas merecido – e é o primeiro para “Três Cartazes à Beira da Estrada”. Leva o discurso escrito, mas é emotivo. Agradece a toda a gente – até àqueles que alguma vez olharam para um cartaz.

01h24: Elogio de “wonder Woman”, Gal Gadot e Armie Hammer. Para entregar Melhor maquilhagem. Óscar de que, com todo o respeito, quem se lembra?

01h26: “A Hora Mais Negra” ganha o óscar para melhor maquilhagem, isto é, a outra metade do Winston Churchill de Gary Oldman. Kazuhiro Tsuji, David Malinowski e Lucy Sibbick vêm agradecer, também com discurso escrito de antemão.

Eva Marie Saint

01h28: Eva Marie Saint, de 93 anos, vem entregar o óscar para melhor guarda-roupa. É a actriz mais velha de sempre a subir ao palco dos Óscares. Há aplausos de pé, mais do que justos. Eva Marie estreou-se com “Há Lodo no Cais”, ao lado de Marlon Brando, em 1954: já viu o mundo dar tantas voltas que até já o viu andar para trás.

01h31: Fazemos claque por Luís Sequeira, o luso-canadiano nomeado por “A Forma da Água”, mas é o mais do que esperado Mark Bridges que ganha. Afinal, é ele o verdadeiro costureiro de “Linha Fantasma”. Já tinha ganho por “O Artista”, em 2012.

01h40: Bryan Fogel e Dan Cogan vêm receber o óscar de melhor documentário por “Icarus”. Mais um discurso escrito, mas emotivo. A propósito da situação política na Rússia, alertam para a importância de dizer a verdade, agora mais do que nunca.

01h42: Jimmy Kimmel explica que, como estão empenhados em fazer o programa mais longo de sempre, tem agora a honra de apresentar uma pessoa que está ali para apresentar outra pessoa. Choca, Jimmy.

01h51: Um belo clip sobre o cinema enquanto máquina geradora de empatia. Do amor ao cinema e como o cinema é movido por ele, pela crença, pela esperança, pela vontade de comunicar e compreender. Acerca da ética do cinema, do seu papel no mundo. Conclui agradecendo ao público que, há 90 anos, vai ao cinema, aparentemente uma mensagem subtil e inesperada contra a pirataria.

01h58: Óscar para melhor montagem de som. Fazemos claque pelo outro luso-canadiano, Nelson Ferreira, e pelo seu trabalho em “A Forma da Água”. Fazemos claque também por “Blade Runner 2049”, porque sim, porque esta é a primeira das suas cinco nomeações. Mas quem ganha é “Dunkirk”, e é justo, mas irrita-nos porque não queríamos justiça; queríamos amor.

A 90ª cerimónia dos Óscares está a tornar-se numa inesperada, mas doce homenagem aos cabelos brancos. Rita traz o mesmo vestido que usou na cerimónia de 1962 e cita Capra para elencar as três linguagens universais: a música, a matemática e o cinema.

02h00: Momento histórico em que, após décadas de transmissões, alguém explica a diferença entre edição de som e mistura de som. É Joaquim Sapinho, que esclarece que o primeiro contempla todos os milhares de sons que se ouvem num filme e que têm todos de ser criados para o efeito, e que o segundo diz respeito ao trabalho orquestral e até dramatúrgico de juntar estes milhares de pistas numa só trilha. “Dunkirk” ganha outra vez. “É um filme que, fechando-se os olhos, continua-se a ver”, diz Sapinho. 2-0 para ele. E para o “Dunkirk”.

02h07: Lupita Nyongo, de origem queniana, e Kumail Nanjiani, de origem paquistanesa, fazem um bom discurso sobre os dreamers, os imigrantes, e vêm apresentar o óscar de melhor direcção artística. Cá em casa grita-se: “Bla-de-ru-nner, bla-de-ru-nner”.

02h10: Anunciam que o óscar vai para “A Forma da Água”. Paul Denham Austerberry, Shane Vieau e Jeffrey A. Melvin trazem mais um discurso escrito. É o terceiro óscar que “Blade Runner 2049” não ganha. Já o esperávamos, mas reclamamos o direito a ficar chateados na mesma.

02h22: A sala volta a levantar-se, agora para Rita Moreno, 86 anos, que vem entregar o Óscar para melhor filme estrangeiro, que irá para o chileno “Uma Mulher Fantástica”, de Sebastián Lelio. A 90ª cerimónia dos Óscares está a tornar-se numa inesperada, mas doce homenagem aos cabelos brancos. Rita traz o mesmo vestido que usou na cerimónia de 1962 e cita Capra para elencar as três linguagens universais: a música, a matemática e o cinema.

02h29: Allison Janney recebe de Mahersala Ali o Óscar para melhor actriz secundária. Sem papel, faz um bom discurso que arranca uma gargalhada logo a abrir: “I did it all by myself”, como poderia dizer a odiosa LaVona que compõe em “Eu, Tonya”.

02h35: O pessoal da “Os Últimos Jedi” vem apresentar os prémios de animação. Tal como no filme, salva-se Mark Hammil.  E o BB-8.

02h38: O momento em que Kobe Bryant ganhou um Óscar. “Dear Basketball,” que assina com Glen Keane, é a melhor curta de animação.

02h41: Como esperado, “Coco”, de Lee Unkrich e Darla K. Anderson, ganha o Óscar para melhor longa de animação. Elogia-se o México, o seu povo e as suas tradições. Mais uma vez, discursos escritos em papelinhos brancos, toscamente dobrados. Damos por nós a achar isso comovente. Anos e anos e anos de evolução tecnológica, de telepontos e iPads e smartphones e smartwatches e Google glasses e o diabo a 4k e, no fim do dia, continua a ir tudo agradecer o momento mais alto da carreira de papelinho rabiscado. Até o pessoal dos efeitos especiais.

Sufjan Stevens

02h43: A actriz transgénero Daniela Vega (já indirectamente distinguida por “Uma Mulher Fantástica) vem apresentar Sufjan Stevens e o belo “Mystery of Love”, de “Chama-me pelo teu nome”. nomeada para melhor canção original. Também fazemos claque por Sufjan.

02h53: é golo. Primeiro Óscar para “Blade Runner 2049”, e logo contra “Os Últimos Jedi”: melhores efeitos especiais. John Nelson, Paul Lambert, Richard R. Hoover e Gerd Nefzer vêm agradecer. E sim, como profetizado, trouxeram o discurso num papelinho.

02h56: Matthew McConaughey anuncia o Óscar de melhor montagem para “Dunkirk”. Lee Smith, sem papel, agradece: “Isto e a coisa mais incrível que pode acontecer a um tipo como eu.”

02h59: Kimmel volta a agradecer às pessoas que vão ao cinema. Confirma-se que é um tema do ano. Não é um assunto sexy, não está na ordem do dia, mas os Óscares decidiram homenagear quem vai ver os filmes ao cinema. Mesmo. Quem paga os palhaços. Pega em Guillermo del Toro, Armie Hammer, Gal Gadot, Mark Hammil, Lupita Nyongo, Emily Blunt e Margot Robbie e invade a sala de cinema do outro lado da rua, para distribuir snacks entre a audiência e pô-los em directo para 225 países. O melhor momento da noite.

03h12: “Heaven is a Traffic Jam on the 405” é a melhor curta documental. Frank Stiefel agradece sem papel.

03h15: “The Silent Child” é a melhor curta-de ficção. O casal de autores, Chris Overton e Rachel Shenton, agradece sem papéis e com muita emoção. Rachel discursa enquanto faz a tradução simultânea em linguagem gestual.

03h18: Common e Andra Day interpretam a quarta canção nomeada: “Stand Up for Something”, do filme “Marshall”. E, no fim, a sala levanta-se mesmo. Merecidamente.

03h25: O esperado – e obrigatório, em todos os sentidos – momento “Time’s Up”. Salma Hayek, Ashley Judd e Annabella Sciorra, três das acusadoras de Bob Weinstein, trazem uma mensagem optimista de esperança neste virar de página, na mudança em curso e nos próximos 90 anos de cinema.

03h31: James Ivory, 89 anos, recebe o Óscar de melhor argumento adaptado por “Chama-me pelo teu Nome”. E confirma-se que a idade, que não era tema da agenda, se transformou na homenagem mais bonita destes Óscares agora nonagenários. Tirando do bolso o tal papel, também ele velhinho, James fala da experiência e da importância do primeiro amor, que todos vivemos, homossexual, heterossexual, ou qualquer outro.

Sandra Bullock vai pedindo que baixem a luz da sala, até que pareça ter menos de 40 anos. Na verdade, ninguém lhe dá os 53 que tem, mas a brincadeira permite fazer alguma pedagogia sobre o que é a fotografia em cinema.

03h36: Nicole Kidman entrega a Jordan Peele o Óscar de melhor argumento original por “Get Out – Foge”. Era o esperado, tal como o aplauso de pé. Jordan, sem papel, mas com poder, agradece também ele a quem tem comprado bilhete e dito aos amigos para comprar bilhete para ver o filme.

03h45: Um clip com excertos de filmes de guerra para prestar homenagem aos soldados americanos. Não se percebe muito bem donde veio esta nota.

03h47: Sandra Bullock vai pedindo que baixem a luz da sala, até que pareça ter menos de 40 anos. Na verdade, ninguém lhe dá os 53 que tem, mas a brincadeira permite fazer alguma pedagogia sobre o que é a fotografia em cinema (e que não consiste, ao contrário do que algumas pessoas possam pensar, na beleza das “paisagens”).

03h48: E aí está! 2-0 para “Blade Runner”! 2-0 para o amor! Óscar de melhor fotografia! À 14ª nomeação, Roger A. Deakins leva finalmente o boneco para casa. Tem 68 anos e é um herói do cinema: fez a fotografia de “Sicário”, 007: Skyfall”, “O Leitor”, “Dúvida”, “No vale do Elah”, “Este País não é para Velhos”, “O Grande Lebowski”, “Fargo”, “Os Condenados de Shawshank”, entre muitos outros. Sem papel e cheio de energia, Roger agradece à mulher, com quem está casado há 27 anos, aos amigos, com quem trabalha há 30, aos novos amigos que só conheceu neste filme, e antes de sair em passo ligeiro, diz que adora o que faz. Não duvidamos nada. E parece-nos que ainda tem mais 30 anos de filmes pela frente.

03h57: Christopher Walken, um dos maiores, 74 anos, entrega o Óscar de melhor banda sonora a Alexandre Desplat. É o segundo para “A Forma da Água” e uma inuustiça para com Jonny Greenwood e a “Linha Fantasma”.

04h02: “Remember Me”, do casal Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez, é a melhor canção original. Segundo Óscar para “Coco” e mais um elogio ao México.

04h05: Eddie Vedder vem cantar “Room at the Top”, de Tom Petty, para o In Memoriam. Ocasião para lembrar John G. Avildsen, Harry Dean Stanton, Jonathan Demme, Martin Landau, Roger Moore, Sam Shepard, Jeanne Moreau, George A. Romero, Jerry Lewis. Muito bonito, Eddie.

04h13: Emma Stone, sem suspense nem surpresa, dispara o nome do melhor realizador: Guillermo del Toro.  É o terceiro Óscar para “A Forma da Água” que, pensamos cá com o nossos facciosos botões, só devia ter dois que não levou: os dos luso-descendentes do guarda-roupa e da montagem de som.

04h20: Jane Fonda e Helen Mirren vêm entregar o óscar para melhor actor. A sala volta a levantar-se. A internet diz que uma tem 80 anos e a outra 72, mas só pode estar avariada. Chamam, de novo sem suspense nem surpresa, Gary Oldman. É a outra metade do prémio da maquilhagem, atribuído lá atrás, no início da cerimónia.

04h24: Sem papel, Oldman, o inglês, discursa para agradecer tudo o que a América lhe deu. Claro que merece o Óscar, mas teria sido mais refrescante uma surpresa, como Timothée Chalamet, de “Chama-me pelo teu Nome”, ou até perseguir aquele nobre objectivo de fazer com que Daniel Day-Lewis tenha mais óscares do que Cristiano Ronaldo bolas de ouro.

04h29: Ao contrário do habitual, os Óscares não põem os actores a entregar o prémio às actrizes. Para reforçar o statement, é novamente uma dupla de mulheres que vem entregar o Óscar de melhor actriz principal. “É um novo dia em Hollywood”, diz Jennifer Lawrence, ao lado de Jodie Foster.

Frances McDormand

04h33: A melhor actriz é Frances McDormand, tão previsível como justo. Chega ao palco com uma dureza que ainda se confunde com a da personagem em “Três Cartazes…”. “Tenho coisas para dizer”, começa. Feitos os agradecimentos, pousa a estatueta (e implicitamente, arregaça as mangas). Pede às mulheres nomeadas, em todas as categorias, que se levantem. “Meryl, se o fizeres, toda a gente faz”. E ali, com todas elas bem visíveis para Hollywood inteira, pede que não lhes venham falar naquela noite, nas diferentes festas, mas na semana seguinte, no escritório deles ou delas, para ouvirem as suas ideias e os seus projectos.

04h40: A melhor ideia dos guionistas este ano – voltar a chamar Warren Beatty e Faye Dunaway para entregar o prémio de melhor filme. Depois do desastre do ano anterior, não é dar uma segunda oportunidade àqueles dois velhos senhores; é dar à própria Academia a oportunidade de se redimir perante eles (e a propósito de cabelos brancos).

04h45: O Óscar de melhor filme vai para “A Forma da Água” e, desta vez, é que nós queríamos mesmo que houvesse um engano nos envelopes. Não é pelo respeitável Guillermo del Toro, que vem agradecer e dedicar o prémio aos jovens realizadores de todo o mundo, que estão a mostrar o caminho; é porque “A Forma da Água” não foi mesmo o melhor dia da carreira dele. A sua banalidade esquemática envergonha ao lado de “Linha Fantasma”, “Chama-me pelo teu Nome” ou “Três Cartazes à Beira da Estrada”. Mas que fazer? Ao menos, falou-se outra vez do México e de Trump sem falar de Trump. Foi a outra vitória da 90ª noite dos Óscares: a elegância e sobriedade – e, portanto, a eficácia – com que fez política sem dar armas ao adversário.

04h50: Foi um ano previsível e com um dos vencedores mais fracos de que há memória, mas com homenagens justas aos cabelos brancos e ao público que paga o espectáculo, num tempo que se espera de viragem na igualdade de oportunidades entre géneros e entre cores de pele. Daqui a pouco, volta a ser segunda-feira de manhã e recomeça o mundo real. Cabe ao mundo fantástico do cinema continuar a ser uma das mais belas formas que inventámos de iluminar o caminho.

Alexandre Borges é escritor e guionista. Assinou os documentários “A Arte no Tempo da Sida” e “O Capitão Desconhecido”. É autor do romance “Todas as Viúvas de Lisboa” (Quetzal)

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