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Dragões e encarnados vão voltar a discutir a dois a conquista da Primeira Liga

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Dragões e encarnados vão voltar a discutir a dois a conquista da Primeira Liga

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Os reforços, os treinadores, os objetivos internos e europeus: o que une e separa Benfica e FC Porto no dia em que começa a I Liga /premium

No dia em que começa a Liga (Famalicão-Benfica, 19h), Benfica e FC Porto estão unidos e separados por vários pontos: desde os reforços, passando pelos treinadores e terminando nos objetivos europeus.

Passaram dois meses desde que o FC Porto foi campeão nacional. Apenas dois meses. Dois meses depois, Jorge Jesus já treina o Benfica, Sérgio Conceição continua a treinar os dragões, Cavani não chegou à Luz e Taremi é o reforço preferido do Dragão. No dia em que começa uma temporada tardia, desenhada ao mais ínfimo pormenor e depois de uma retoma inédita, é necessário recordar o que une e separa os dois principais candidatos ao título — desde a troca e a manutenção do treinador, o setor mais privilegiado para os reforços e os objetivos internos e europeus.

O que os separa

Os reforços para o meio-campo

Durante a temporada passada, e principalmente naquilo que foi a retoma de 10 jornadas depois do confinamento, uma das principais críticas à equipa que era de Bruno Lage e passou a ser de Nélson Veríssimo era a falta de capacidade de reter a bola no meio-campo. O setor intermédio do Benfica, composto nessa fase mais recente por Weigl e Gabriel numa zona mais recuada e Pizzi e Cervi junto aos corredores, estava sempre demasiado distante do ataque e próximo da defesa — a lógica de Lage e depois de Veríssimo era de que a primeira fase de construção tinha de partir dos centrais ou de Weigl, entre os mesmos centrais, para depois desembrulhar a transição na frente. Ora, esta ideia, numa equipa com pouca mobilidade e incapaz de encontrar espaços, tornava-se praticamente impossível de implementar.

A lógica de Jesus, tal como se viu no jogo desta terça-feira frente ao PAOK, não será muito diferente: Weigl continua a recuar para a zona entre os dois centrais para oferecer um apoio que solta os laterais nos corredores. A grande diferença, e o porquê de um dos destaques da exibição do Benfica na Grécia ter sido precisamente a mobilidade que faltava na época passada, são os reforços. Com Pedrinho e Everton Cebolinha, ambos titulares contra o PAOK, os encarnados ganham criatividade e ideias que não existiam na temporada anterior — o primeiro procura muitas vezes o espaço mais interior, oferecendo a ala a Grimaldo para o espanhol explorar e poder subir, e o segundo é um autêntico vagabundo nas costas do avançado, que tanto se aproxima dos flancos como surge solto e pronto para entrar na grande área e ser parte ativa de uma tabela. Tudo isto, em adição, liberta Pizzi da responsabilidade de ser o principal criativo da equipa, algo que muitas vezes o asfixiava no passado e deixava o internacional português demasiado marcado para poder desequilibrar.

Jorge Jesus regressou à Luz numa espécie de truque de nostalgia para recuperar as vitórias do passado

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Em comparação, o FC Porto não reforçou o meio-campo. Os dragões acabaram a época com Danilo, Uribe e Otávio no setor intermédio, sendo que o primeiro regressou à titularidade face à lesão de Sérgio Oliveira já na retoma. Este último, através de uma regularidade exibicional assinalável e de se ter assumido como um dos líderes da equipa, acabou por conquistar um lugar cativo no onze inicial dos dragões — numa temporada onde pareceu que Danilo nunca conseguiu convencer Sérgio Conceição depois do desentendimento entre os dois ainda numa fase embrionária da época.

Certo é que, e à partida, ambas as equipas terão no meio-campo a alavanca para o resto da equipa. Se o Benfica conta com reforços e uma dinâmica atualizada, o FC Porto pode manter as mesmas estratégias e o entendimento entre os elementos intermédios e os dois laterais, normalmente Corona e Alex Telles, que permanecendo no Dragão (a maior dúvida é para já Telles) são também nomes a ter em conta no processo criativo da equipa. Já Uribe, que na temporada de estreia no campeonato português não conseguiu equilibrar as tarefas defensivas com a comprovada qualidade ofensiva, tem esta época carta branca para delegar nas zonas mais recuadas e arriscar subir no terreno para procurar os golos e as assistências que o trouxeram da América do Sul para a Europa.

Novo treinador vs o mesmo treinador

Mais uma vez, a grande diferença entre Benfica e FC Porto faz-se a partir do que um mudou e do que o outro manteve. Se, nos encarnados, Jorge Jesus substituiu o interino Veríssimo e o efetivo Lage, Sérgio Conceição permaneceu nos dragões e tem ainda contrato até ao final da temporada. Na Luz, a filosofia é agora escrita por alguém que saiu de Portugal com títulos na mala e cruzou o Atlântico para ir conquistar mais — mas que pelo meio e no Sporting teve a prova de que não basta ser Jesus para vencer.

Em comparação, o FC Porto não reforçou o meio-campo. Os dragões acabaram a época com Danilo, Uribe e Otávio no setor intermédio, sendo que o primeiro regressou à titularidade face à lesão de Sérgio Oliveira já na retoma.

O treinador português foi a solução encontrada por Luís Filipe Vieira para uma espécie de back to the future na Luz — Jesus traz a memória dos títulos dos últimos anos e os anticorpos adquiridos na ida para o Sporting foram entretanto dissipados com a passagem no Flamengo e a vontade de regressar às vitórias depois da desilusão da retoma deste verão. O ano no Rio de Janeiro abriu o horizontes de Jorge Jesus para o mercado sul-americano, especialmente o brasileiro, e o técnico deu prioridade ao Brasileirão na hora de escolher os reforços que queria. Everton Cebolinha e Gilberto são exemplo disso, num lote onde se acrescenta Pedrinho, que foi contratado quando o treinador ainda estava no Brasil mas que é agora aposta no onze inicial encarnado.

Do outro lado, a história é diferente. Sérgio Conceição parte para a quarta temporada enquanto treinador do FC Porto e depois de ter sido campeão nacional em dois dos três anos anteriores. O renovar do título, no topo da lista de prioridades, poderia ser a conquista final antes de um salto para voos maiores — até lá, o técnico vai continuar a ser o dono de uma identidade já cimentada. Pinto da Costa olha para Sérgio Conceição como o herdeiro de Pedroto e é no treinador que assenta a forma como o FC Porto age, atua e joga atualmente. A disciplina implementada pelo técnico — a ideia de que não é suficiente jogar bem, é preciso jogar à Porto — tem sido o ponto de equilíbrio das últimas três épocas, apesar do segundo lugar no Campeonato em 2018/19, e foi o despoletar dos resultados importantes da retoma que acabaram por culminar na conquista da Liga.

A possível instabilidade institucional

Se na época anterior foi o FC Porto que passou por um processo eleitoral inédito na era Pinto da Costa, em que o presidente teve dois adversários, este ano é a vez de Luís Filipe Vieira também enfrentar mais do que um opositor nas eleições de outubro. O líder dos dragões foi novamente reeleito e reorganizou a estrutura interna do futebol, com as entradas de Vítor Baía e Fernando Gomes, enquanto que o presidente encarnado apostou principalmente numa abordagem forte ao mercado de transferências enquanto trunfo eleitoral.

Sérgio Conceição é o nome que Pinto da Costa quer ver à frente do FC Porto nos próximos anos

JOSÉ COELHO/LUSA

Com Bruno Costa Carvalho num patamar distinto, é João Noronha Lopes quem surge como a principal ameaça a Vieira. O antigo vice-presidente de Manuel Vilarinho, no início do milénio, candidatou-se com o apoio de nomes ilustres do universo encarnado — como os campeões europeus Simões, Ângelo e Cruz — e compromete-se principalmente a reposicionar o Benfica nas competições europeias, alcançar a hegemonia interna e colocar um ponto final nas polémicas extra-desportivas.

A eliminação precoce da Liga dos Campeões, às mãos do PAOK, foi desde já um revés para a campanha eleitoral de Luís Filipe Vieira, já que grande parte da decisão final dos sócios pode ser influenciada pelo momento atual da principal equipa de futebol. Para além da inexistência do encaixe financeiro, o Benfica falhou a fase de grupos da Liga dos Campeões, onde marcava presença há 10 épocas consecutivas, e tem agora de reestruturar os objetivos da temporada. Os resultados no campeonato que começa esta sexta-feira, assim como o lugar em que o Benfica estará na altura das eleições, poderão ser fatores decisivos para o resultado eleitoral de Vieira. Certo é que, e pelo menos neste mês inicial de I Liga, as conversas à volta dos encarnados não serão única e exclusivamente sobre futebol — o que pode ser um motivo de desestabilização da equipa.

O que os une

Os reforços para o ataque

Se o Benfica apostou no meio-campo e o FC Porto manteve os elementos do setor intermédio da temporada passada, ambos os clubes decidiram investir no ataque. Jorge Jesus parece não contar com o jovem Gonçalo Ramos, que no final da época esteve regularmente nas convocatórias de Nélson Veríssimo, mas manteve Carlos Vinícius e Seferovic no plantel, sendo que o suíço foi mesmo o titular contra o PAOK. Waldschmidt chegou do Friburgo, Darwin veio do Almería para se tornar a contratação mais cara da história do Benfica mas o treinador português garante que o plano original — que vai ficar por concretizar graças ao falhanço na Champions — era alcançar outro avançado de raiz, como era o caso de Cavani.

Se na época anterior foi o FC Porto que passou por um processo eleitoral inédito na era Pinto da Costa, em que o presidente teve dois adversários, este ano é a vez de Luís Filipe Vieira também enfrentar mais do que um opositor nas eleições de outubro.

“Disse que temos de ter um avançado que saiba atacar última linha, que sabe ganhar espaço. O Vinícius e o Seferovic não têm essas características, jogam bem de costas, alimentam-se da equipa ganhar cruzamentos. Não são jogadores que saibam puxar o jogo. Isso é uma característica que com o Darwin acho que vamos ter. Essa minha conversa [depois do jogo com o PAOK] não foi a pedir um jogador, mas a dizer que precisamos de um jogador assim. Quando começámos a tentar equilibrar o plantel, a solução passava sempre por dois avançados e só contratámos um até agora. Não estou a dizer que não fique assim, mas a conversa que tive… Dos três que tenho, tenho de arranjar forma de puxar essa característica, que para mim é muito importante”, explicou Jesus, na antevisão do jogo desta sexta-feira em Famalicão, acrescentando depois que, a acontecer, só deve surgir mais um reforço que será um central. Rúben Semedo, como se sabe, é o eleito dos encarnados.

No Dragão, e face às ainda possíveis saídas de Soares e Aboubakar, o setor que maior preocupação e investimento motivou também foi o ataque. O FC Porto ganhou a corrida por Taremi, que a par de Carlos Vinícius foi o jogador que mais golos marcou no Campeonato na época passada, e ainda contratou Evanilson, avançado de 20 anos que estava no Fluminense. Ainda a decorrer, à partida, estarão as conversações por Toni Martínez: o jogador espanhol do Famalicão está convocado por João Pedro Sousa para a jornada inaugural da Liga, é opção contra o Benfica mas ainda pode mudar-se para os dragões até ao fim da janela de transferências. Por agora, Sérgio Conceição está satisfeito com Taremi, o avançado ex-Rio Ave que é “refinado”.

“Não basta ter contrato com o FC Porto. É preciso sentir”. Sérgio Conceição sobre os reforços, o balanço dos últimos 3 anos e a “disciplina”

“Taremi é um jogador refinado e, pelo que vi, em cima da linha defensiva, é um avançado de equipa grande porque descobre espaços onde é difícil encontrá-los. Só jogadores altamente refinados é que o conseguem fazer (…) É muito humilde, respeitador do que o treinador pretende, do trabalho coletivo”, disse o treinador em entrevista recente ao jornal O Jogo.

Darwin, que jogava no Almería e na segunda liga espanhola, tornou-se a contratação mais cara da história do Benfica

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O objetivo da hegemonia interna

Em 2017/18, o FC Porto de Sérgio Conceição conquistou o campeonato e evitou o inédito penta do Benfica, naquele que foi o início de fim da era de Rui Vitória na Luz. Esse ano, depois de três títulos consecutivos dos encarnados, abriu também a porta a um período de luta bicéfala pelo primeiro lugar que ainda não teve repetições. O FC Porto foi campeão em 2018, o Benfica no ano seguinte, novamente o FC Porto em 2020 — nenhum, desde o tricampeonato dos encarnados, conseguiu revalidar o título.

Do lado do Benfica, o objetivo é começar esta temporada um período vitorioso, entre campeonato e Taça de Portugal, com Jorge Jesus como líder da equipa. Do lado do FC Porto, o objetivo é tornar esta temporada a da consagração de Sérgio Conceição, em que o treinador consegue capitalizar a dobradinha de 2019/20 numa renovação do título que escapa desde o tricampeonato entre 2011 e 2013.

A aliança entre as conquistas nacionais e a busca pelo sucesso europeu

O último ponto que une Benfica e FC Porto — e que, esta época, já vai obrigatoriamente passar por competições distintas. Prematuramente eliminado da Liga dos Campeões, o Benfica vai procurar chegar longe na Liga Europa, objetivo já assumido por Jorge Jesus, treinador que levou aos encarnados a duas finais europeias consecutivas antes de se mudar para o outro lado da Segunda Circular.

Em 2017/18, o FC Porto de Sérgio Conceição conquistou o campeonato e evitou o inédito penta do Benfica, naquele que foi o início de fim da era de Rui Vitória na Luz. Esse ano, depois de três títulos consecutivos dos encarnados, abriu também a porta a um período de luta bicéfala pelo primeiro lugar que ainda não teve repetições.

“Sabíamos das dificuldades que é estar na Champions, o valor das equipas, mas continuo a pensar como pensava antes deste jogo: o mais difícil era passar estas duas eliminatórias. Não era só um sonho, seria uma realidade chegar longe. Transpor esse sonho para a Liga Europa? Nem há dúvida. Mas não era isso que os jogadores, o presidente e o treinador queriam. Se tivéssemos passado estas duas eliminatórias, tudo seria mais fácil (…) O nosso caminho é longo e difícil, mas é de certeza de muito sucesso”, disse o técnico depois da derrota com o PAOK no início da semana. Já ciente de que vai ficar no Pote 1 do sorteio da fase de grupos e, por isso mesmo, escapar aos “tubarões”, o Benfica quer esquecer a eliminação precoce da Liga dos Campeões e ir atrás de uma campanha vitoriosa na segunda competição europeia.

“Não basta ter contrato com o FC Porto. É preciso sentir”. Sérgio Conceição sobre os reforços, o balanço dos últimos 3 anos e a “disciplina”

Do outro lado, o FC Porto tem já lugar garantido na fase de grupos da Liga dos Campeões e tem como primeiro desejo um sorteio favorável que permita desde logo poder sonhar com a passagem aos oitavos de final — não só pelo fator desportivo como pelo mais do que útil encaixe financeiro. O melhor dos males, a queda para a Liga Europa, pode significar para a equipa de Sérgio Conceição o início de uma campanha europeia mais acessível e com objetivos palpáveis.

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