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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Os últimos quilómetros de Marcelo antes da reeleição e o telefonema de Costa a pedir desculpa /premium

As imagens das últimas horas de Marcelo antes da reeleição. Confessou-se pouco convencido dos 60% até ao fim e ainda atendeu o primeiro-ministro aflito por uma gafe eleitoral. O Observador esteve lá.

Na estação de serviço de Aveiras, já no final da A1, Marcelo Rebelo de Sousa pára após 300 quilómetros seguidos ao volante desde o local de voto em Celorico de Basto. Sai do carro visivelmente cansado, para abastecer o carro com combustível. “Estava quase na reserva”. Revela logo ali ao Observador, enquanto enche o depósito, que o primeiro-ministro tinha acabado de lhe ligar para pedir desculpa pela gafe à boca das urnas. António Costa tinha falado no privilégio que aparece “de quatro em quatro anos” de eleger o Presidente da República cujo mandato é de cinco anos. “Eu perguntei-lhe: senhor primeiro-ministro quer matar-me?!“.

Nos últimos quilómetros percorridos na meia campanha que fez — já que só entrou no terreno uma semana depois dos seus adversários — Marcelo regressou a Lisboa da mesma forma que na última semana foi avançado de ação de campanha em ação de campanha, sempre ao volante do seu próprio carro e sozinho. Os seguranças (obrigatórios) mantêm sempre uma distância grande em relação ao chefe de Estado — Marcelo não gosta que estejam muito em cima dos seus movimentos –, mesmo quando ele entra na loja da estação de serviço para levantar dinheiro, pagar na caixa perante uma funcionária estupefacta, ver os preços de alguns produtos e dar uma olhadela pela capa dos jornais expostos.

Marcelo Rebelo de Sousa abasteceu o seu carro na estação de serviço de Aveiras na tarde do dia das eleições.

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Já não compra em papel. “Leio na internet”, diz acrescentando que assina a imprensa digital e vai lendo as notícias sobretudo no computador. Nesta viagem vinha atento aos noticiários da rádio, que iam dando as últimas sobre o domingo eleitoral, e mostrava-se cauteloso, pelas 16h, já que ainda estava à espera da atualização da projeção da abstenção medida precisamente àquela hora. Ao meio-dia a afluência às urnas ainda deixava margem para algum otimismo, mas Marcelo tentava não embarcar nele. “É preciso aguardar pela próxima projeção”.

Almoçou pelo caminho, dentro do carro, o já famoso Fortimel que fez questão de voltar a mostrar aos jornalistas antes de partir de Celorico de Basto rumo a Lisboa. Parte do caminho foi feita também ao som da Smooth Fm, mas a maior parte é feita de comunicações, não fosse Marcelo recandidato presidencial em dia de eleições. Ali, na estação de serviço, ninguém o deixou esquecer isso e mal pôs o pé fora do carro logo um homem se dirigiu a ele para registar o momento numa selfie. Marcelo acede sempre e nunca dispensa dar indicações sobre o melhor enquadramento, sem nunca deixar de continuar o que estava a fazer: abastecer o carro.

Marcelo chegou a sua casa, deixou as malas e saiu de imediato para ir buscar o seu jantar.

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Antes de entrar no carro para a recta final do caminho ainda diz que tem de ir ao Palácio de Belém “buscar uns diplomas e uma correspondência” e depois quer passar “para um beijinho” aos netos. Atira ao Observador, ainda na sua tentativa de manter baixa as expectativas, que continua sem acreditar nas sondagens que lhe dão 60%. “Vou ter 55% ou 55,5 %”, diz mesmo antes de fechar a porta do Mercedes e combinar encontro para mais logo na sua casa em Cascais — acabou por ser a primeiro compromisso falhado do Presidente reeleito.

Só duas horas depois havia de chegar ao destino. O tubo da caldeira da sua casa já fumegava mesmo antes de Marcelo entrar, porque a ajudante de campo do Presidente já tinha ido acender luzes e certificar que tudo estava em ordem para o receber depois de alguns dias fora. Mas o fumo branco da reeleição tardava a chegar, já que Marcelo quis ter os resultados oficiais bem firmados para reclamar uma vitória que quando entrou em casa já sabia que dificilmente lhe fugiria — ainda que tenha feito, pelas 21h30, o número do receio ou respeito por uma eventual segunda volta, ainda que nenhuma projeção a previsse.

O Presidente da República saiu de sua casa em Cascais para se dirigir até à Faculdade de Direito, em Lisboa.

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O resto foi Marcelo a ser Marcelo. A esvaziar a mala do carro à frente das câmeras de televisão em direto, a descarregar tudo em casa e a sair minutos depois para ir ao take away “antes que feche”. Foi a pé, com os jornalistas atrás, já pouco espantados por estes insólitos presidenciais. Volta sem se coibir sequer de dizer o que leva no saco para jantar: “Arroz branco, bife com ovo a cavalo e uma salada de tomate”. Fortimel não chega para a noite longa que ainda tem pela frente. Só sai já depois das 22 horas e quase já a pressionar os adversários que atrasavam as suas declarações finais, empurrando a sua para cada vez mais tarde. Não chegou este atraso e, quando estava quase a chegar à Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, ainda teve de dar umas voltas para fazer tempo.

Os portugueses assistem em casa, em direto, às voltinhas do Presidente reeleito que, quando encosta, ainda atende uns telefonemas e dá um retoque do seu discurso enquanto ouve Ana Gomes disparar contra o PS que não a apoiou nestas eleições. Arranca de novo e é ao volante que escuta Ventura, no rádio do carro, desafiá-lo ao dizer que não há Governo de direita sem o Chega. Quando o adversário sobe o tom dirigindo-se para o fim do discurso, Marcelo sobe a Alameda das Universidades, no Campo Grande, e sobe o passeio junto à Faculdade de Direito. O Mercedes onde tudo aconteceu nesta campanha de Marcelo, fica ali parado. Se falasse…

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