Artigo atualizado ao longo do dia de campanha

“E para a menina Assunção, uma salva de palmas”. Depois de ter subido a escalada de ataque ao Governo com Tancos pela manhã, Assunção Cristas deu tréguas. No dia em que completa 45 anos, a líder do CDS foi soprar as velas ao restaurante Sabores das Ilhas, em Oeiras, e mesmo sem morder as velas pediu dois desejos. A nível pessoal, quantificou: “Para mim mais 45 [anos]. Estou oficialmente a meio da vida. 45 mais 45 dá 90. Desejo que possa lá chegar”. Quanto às eleições, um desejo sem números: “Para o CDS um grande resultado” a 6 de outubro.

Se a campanha aqueceu de manhã, à tarde a opção foi pela morna. Antes de abandonar o restaurante, Assunção Cristas dançou com dois eleitores. Numa das vezes, a música que estava a tocar (“Sodade”, interpretada por Cesária Évora) parou, mas a líder do CDS continuou a dançar.

A prenda chegaria por José Luís Tavares, presidente da associação Pombal XXI, que trabalha junto da comunidade cabo-verdiana em Oeiras. Como dirigente associativo, José Luís começou por se queixar de temas como o acesso aos infantários, da habitação e da especulação imobiliária ou da fuga dos jovens do concelho. Mas o discurso continuou a título pessoal e o dirigente diz que lamentou a “ascensão do marxismo cultural na sociedade portuguesa” que “tem vindo a deteriorar alguns problemas ao nível de instituições que garantem o bem-estar das populações, como é o caso da PSP“. E acrescentou: “Nomeadamente alguma falta de autoridade que algumas dessas instituições têm vindo a perder, que nos dificulta o trabalho na comunidade. Com a deterioração da sociedade portuguesa nos últimos anos parece que estamos a chegar a um Brasil pré-Bolsonaro e isso é algo que me preocupa enquanto cidadão.”

Mesmo não estando combinado, a queixa assentava que nem uma luva no evento seguinte da campanha do CDS.. Cristas havia de apontar isso mesmo: “Em relação à questão da segurança, não foi combinado, mas mostra que pensamos de forma parecida”. A líder do CDS explicava que ia visitar uma esquadra minutos depois precisamente para “manifestar o compromisso do CDS com as áreas de soberania. É isso que faz o Estado respeitado”. A candidata do CDS adverte que todos perdem “liberdade quando não há segurança”.

Um governo que não valorizou autoridade das forças de segurança

Antes de seguir para Albergaria-a-Velha, onde vai ter um grande jantar comício (com Nobre Guedes e João Almeida, mas sem o mandatário Portas), Cristas foi então à esquadra da PSP em Mina, na Amadora. Para a líder do CDS os agentes de segurança “não foram devidamente valorizados e nalguns casos não foi valorizada e reforçada a sua autoridade”. Era uma farpa dirigida diretamente ao ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

Assunção Cristas lamentou o desinvestimento do governo nesta área, com momentos em “havia agentes, mas não havia carros” e outros em que “havia carros, mas não havia agentes” em quatro anos em que as condições de segurança se deterioraram. Depois, noutros momentos, faltava “um palavra de apreço, de valorização” de uma profissão em que se corre “grande risco.”

A líder centrista insistiu que não “há liberdade” se as pessoas não se sentirem seguras e que em Portugal “há pouca criminalidade, mas há um grande sentimento de insegurança”.