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"Eu não quero ter sonhos. No sono, eu sonho que voo. E parece real. Agora: 'Paulo sonha em fazer uma novela em Portugal'? Nada. Não tenho isso. Tenho dois ou três projetos e já chega", diz o ator

JOÃO PEDRO MORAIS/OBSERVADOR

"Eu não quero ter sonhos. No sono, eu sonho que voo. E parece real. Agora: 'Paulo sonha em fazer uma novela em Portugal'? Nada. Não tenho isso. Tenho dois ou três projetos e já chega", diz o ator

JOÃO PEDRO MORAIS/OBSERVADOR

Paulo Betti, o "Timóteo" de Tieta, entre o teatro e Bolsonaro: "A minha mãe convivia com os espíritos" /premium

Em Portugal com a peça “Autobiografia Autorizada”, o inesquecível "Timóteo" de "Tieta" fala do avô empregado de um fazendeiro negro, da mãe benzedeira, do pai esquizofrénico e do impacto da novela.

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Do último andar daquele que durante 30 anos foi o edifício mais alto de Lisboa, o ator brasileiro Paulo Betti, 67 anos, faz o que é suposto: elogia a vista. Será sincero. Tal como o hotel, o panorama sobre a cidade e o rio é de luxo. Mais ainda sob o sol de inverno. “Eu venho de 40ºC”, comenta, satisfeito, falador, preparado para durante uma hora recuar a outro tipo de antípodas: o lugar onde cresceu, um bairro pobre, de negros, 15.º filho de uma benzedeira e de um doente psiquiátrico, que muitas vezes teve de ajudar a internar.

Antes de atingir o estrelato como Timóteo na novela Tieta, foi o único dos irmãos a aprender a ler. Também por isso sentiu-se incumbido de contar a história da família. Ultrapassadas todas as dúvidas “ególatras”, com uma intensidade comovente, é isso que vem fazer a Portugal durante os próximos dois meses, em 17 atuações intimistas, de Arcos de Valdevez aos Açores, passando por Lisboa e Porto, no monólogo “Autobiografia Autorizada”. Uma peça “muito simples”, diz, com 50 por cento comédia, 25 por cento drama e o resto poesia. Este sábado, 11 de janeiro, vai estar no Auditório Municipal Augusto Cabrita, no Barreiro (21h30), numa tour por Portugal com 8 datas.

Nunca tinha escrito uma peça, nem feito um monólogo. Porquê esta, ainda mais, autobiográfica?
Queria ter um monólogo para exercer a possibilidade da viagem, do encontro, sem um elenco enorme. Na verdade, queria falar sobre a morte, que é um assunto que me fascina. Tive um professor de dramaturgia que dizia que um homem que depois dos 50 anos não pensasse pelo menos uma vez por dia na morte seria um idiota. Mas a peça não me representava. O autor falava da mãe dele, que tinha uma empregada doméstica muito engraçada. A minha mãe foi empregada doméstica. Percebi que queria falar da minha família, da minha infância. Tive uma circunstância familiar muito difícil. Sempre escrevi. Tomava notas de coisas que aconteciam e que me atormentavam.

Que tipo de coisas?
Por exemplo, uma briga da minha avó com o meu pai, em que a minha avó tentava morder o braço do meu pai porque ele estava num surto psiquiátrico. O Meu pai sofria de esquizofrenia. Eu escrevia, percebo hoje, para desafogar. Como se fosse uma psicanálise. Era a necessidade de manter os pés no chão e de falar, “nossa, que lugar!”

E que lugar era esse?
A minha mãe teve 15 filhos e eu fui o 15.º, sendo que ela esteve 10 anos sem dar à luz. Perdeu oito filhos: quadrigémeos e duas vezes gémeos. Vingaram sete. Quando eu nasci, todos trabalhavam no campo. O mais velho tinha 20 anos. Duas eram gémeas adolescentes. Eu era o bonequinho delas. Fui muito protegido.

"Acho que nunca consegui sair do lugar onde cresci. O mínimo, o básico, já está bom. Alguns amigos me dizem que não me deslumbrei."

JOÃO PEDRO MORAIS/OBSERVADOR

A que se refere quando diz “campo”?
Como falavam a mesma língua, os portugueses quando emigraram para o Brasil foram para condições melhores que os italianos. Se colocaram logo no comércio, nas padarias. Os italianos chegaram por volta de 1890. Os meus avós vieram menininhos para o Porto de Santos e daí para trabalhar no lugar dos escravos. Plantações de cana de açúcar, de café, arroz, feijão. O meu avô era empregado do fazendeiro negro. Ia à roça e via a menina negra no banco de trás do carro e a minha mãe dizia, “o Paulo vai casar com a Nazaré”. Era um menino branco que observava o negro numa posição de poder. Diante dessas circunstâncias, comecei a achar que a minha história valia a pena ser contada. Não só como exercício ególatra.

Sempre teve noção de que a sua história era diferente?
Sempre tive a noção de que devia anotar as coisas. Era uma necessidade física. Quando fui estudar teatro para São Paulo parei. Tinha de me salvar, pagar as contas, foi uma luta. Já no Rio de Janeiro, longe do meu pai e da minha mãe, voltei a sentir necessidade de escrever. Falava com meus pais. As minhas irmãs me contavam. Eles eram todos iletrados.

Nenhum estudou?
Nenhum.

Nada?
Dois, três meses, na escola rural. O meu pai sabia assinar o nome e sabia ler. Eu era os olhos de leitura da minha mãe. Ela levava-me para a escola de mãos dadas e eu lia as placas para ela. O mundo de uma pessoa analfabeta é muito diferente. Imagine a desconfiança, o medo.

Depois foi para a cidade, Sorocaba.
Primeiro foi a minha irmã Aparecida, trabalhar como enfermeira no hospital, levada pelo meu irmão mais velho, António, que foi ser motorista de ambulância. Passado um ano, a minha irmã foi-nos visitar e viu que tínhamos bócio. Ficou desesperada. Levou-nos de imediato para o hospital em Sorocaba.

E ficaram por lá.
Todos. As minhas irmãs a trabalhar como tecelãs nas indústrias têxteis. Sorocaba era conhecida como uma das primeiras cidades industriais do Brasil. Eu tinha três anos. Fomos para uma espécie de quilombo.

"Ia à roça e via a menina negra no banco de trás do carro e a minha mãe dizia, 'o Paulo vai casar com a Nazaré'. Era um menino branco que observava o negro numa posição de poder. Diante dessas circunstâncias, comecei a achar que a minha história valia a pena ser contada."

O que é um quilombo?
É o lugar onde ficam os negros. No lugar onde a minha mãe conseguiu casa, 95 por cento dos habitantes eram negros. Eram quatro ruas de terra, como se fosse um jogo da velha [jogo do galo]. Havia três escolas de samba que saíam dali. Eu escutava samba misturado com gospel, porque atrás da minha casa havia uma igreja evangélica. E a minha família italiana ali no meio.

“A minha mãe convivia com os espíritos. Dizia que à noite a avó vinha pentear-lhe o cabelo”

Como é que se resume 20 anos de vida em duas horas de peça?
Não resume. Tem de se jogar coisas fora. Eu já tinha tudo escrito, nos meus cadernos e na coluna semanal que escrevi durante 25 anos para o jornal de Sorocaba, desde que consegui uma bolsa incrível da Fulbright para estudar em Nova Iorque. Tinha o desejo de contar aquilo que estava vivendo aos meus amigos, família, ao lugar que me formou. E agora escrevo na Internet, no Instagram.

A peça aborda só a infância a adolescência. Porquê?
Porque esse momento é muito marcante, muito determinante na vida das pessoas. Pretensiosamente falando, numa referência a Gabriel García Marquez [e ao livro “Cem Anos de Solidão”], aquele lugar era o meu Macondo. Parece tão distante. E eram os anos 50. Não havia luz elétrica. Até sair de casa, dormi numa caminha ao lado da cama dos meus pais. A minha avó obrigava-me a segurar a pata do porco para ela o matar com uma faca. Guardei a faca. Guardei tudo. Era o depositário daquela gente. Eles queriam que contasse a história deles.

"A minha mãe controlava todos como uma leoa. Queria garantir a sobrevivência dela e do meu pai, que era difícil para caramba. Não podia deixar os filhos ir embora. E me chantageou muito quando fui para São Paulo. Mas eu tinha de ir para São Paulo para estudar arte dramática."

Incumbiram-no dessa missão?
Nunca ninguém falou nisso. Mas, “pô, para que serve esse menino? A não ser para ter muita responsabilidade?”

Sentia esse peso?
Muito. Com 16, 17 anos, já tinha uma úlcera. Porque tinha de internar o meu pai, esquizofrénico. Os meus irmãos casados, a minha mãe sem saber ler — era eu que tinha de chamar a polícia. O meu pai não queria ir e a gente, à traição, tinha de imobilizá-lo rapidamente como se fosse um bandido.

Todo esse cenário parece muito duro. Como se convive com tudo isso?
Tinha futebol. Tinha samba. Eu era menino. A vida é toda uma mistura de coisas positivas, negativas.

“Bola para a frente.”
Bola para a frente. Não tinha TV, mas tinha rádio. O rádio transportava-me para o mundo. Pegávamos rádio da ONU, rádio italiano, rádio… “This is the radio city of New York!” Eu queria falar inglês. E a minha mãe, que era empregada doméstica, levava-me para a casa onde trabalhava. E nessa casa havia livros. E foi essa família que orientou a minha mãe para me colocar numa escola pública experimental excecional criada pelos professores para os próprios filhos. Aprendi a escovar os dentes. Além de que a minha mãe também era meio maluca. A minha mãe era benzedeira.

O que é uma benzedeira?
Havia naquela época em cada esquina alguém benzendo, curando você de alguma coisa. Porque não havia médicos. O benzimento o que é? É uma missão que as pessoas sentem que têm de tirar o mal do mundo. A minha mãe tinha essa perceção. Que é uma espécie de loucura. São estados de consciência alterada. A minha mãe convivia com os espíritos. Dizia que à noite a avó vinha pentear-lhe o cabelo. Quando uma porta se abria por causa do vento, a minha mãe dizia “Entre”.

"A minha mãe, dona Adelaide, era famosíssima. Ela pegava um copo com água e, com uma toalhinha, virava o copo em cima da sua cabeça sem derramar a água. E rezava. Era um momento muito poético: o sol se pondo e minha mãe murmurando, 'Minha casa tem quatro cantos e em cada canto tem um santo, em nome do pai, do filho e do Espírito Santo'."

Havia um lado místico muito forte.
O tempo todo. Formavam-se filas de pessoas na frente da minha casa, que era num buraco — o nível do telhado dava para o nível da rua. A minha mãe, dona Adelaide, era famosíssima. Ela pegava um copo com água e, com uma toalhinha, virava o copo em cima da sua cabeça sem derramar a água. E rezava. Era um momento muito poético: o sol se pondo e minha mãe murmurando, “Minha casa tem quatro cantos e em cada canto tem um santo, em nome do pai, do filho e do Espírito Santo”. E aquela pessoa ia embora.

[um excerto de “Autobiografia Autorizada”:]

Também o benzia a si?
Sim. E também me levava a outros benzedores, porque cada um tinha a sua especialidade.

Foi sempre um espectador de muitas vidas.
Sim.

Um pouco sozinho e diferente?
Talvez. Mas jogava futebol. Pensei até ser jogador, mas era um pouco franzino e não muito corajoso. A diferença entre mim e os meus amigos do bairro foi a escola onde andei, mas nem falávamos sobre isso. Era assim.

E na família?
A família era mais velha, mas muito presente. Porque os meus irmãos estavam todos à volta. A minha mãe controlava todos como uma leoa. Queria garantir a sobrevivência dela e do meu pai, que era difícil para caramba. Não podia deixar os filhos ir embora. E me chantageou muito quando fui para São Paulo. Mas eu tinha de ir para São Paulo para estudar arte dramática.

“O sonho de todos os atores era ir para a Globo. Eu nunca sonhei com isso”

Como começou a representar?
Com uma professora de português. Você podia tirar uma nota mais baixa a gramática desde que declamasse um texto na frente da sala. E depois teve um projeto social dos padres salesianos que incentivava muito o teatro.

Como se diz a uma mãe que apostou tudo na educação do filho que ele não vai ser doutor?
Minha mãe não tinha essa compreensão, digamos assim, pequeno-burguesa. Para ela, o facto de eu estar estudando já era bom. Minha mãe e meu pai tiveram a felicidade de testemunharem o facto de me ter tornado famoso. Quando fazia o [personagem] Timóteo, na novela “Tieta”, minha mãe era reverenciada.

Em Portugal, é a sua personagem mais marcante. Na sua opinião, o que tinha de extraordinário?
A energia com que estava era muito forte. Nem nunca vi a novela. Estava na campanha política tentando eleger Lula [derrotado à segunda volta por Collor de Mello] no que foi talvez uma das campanhas políticas mais interessantes dos últimos tempos no Brasil. Essa energia de querer transformar o mundo faz com que você faça alguma coisa que rompe a barreira eletrónica da comunicação e chega no telespectador.

[imagens de Paulo Betti como “Timóteo”:]

Sentia-se isso nas gravações?
Era gostoso de fazer. Os colegas, os companheiros, as divisões que havia lá dentro. Alguns torciam pelo Collor, outros pelo Lula. A gente tinha aquela energia. E ao mesmo tempo estava fazendo teatro. E o teatro bota os pés no chão. Acha que eu sei se vou ter público aqui? Não tenho a menor ideia. No teatro não tem jogo ganho.

Sempre foi muito engajado?
Sim. A consciência de classe é muito forte. Um certo compromisso com a minha história. Eram todos operários, camponeses. Tive muitas oportunidades por causa do ensino público. Os meus amigos negros tinham sido excluídos. Só comecei a ter noção disso quando voltava de São Paulo, onde estudava teatro à noite e trabalhava de dia como escriturário, e os meus amigos bebiam, pediam-me dinheiro…

Mas a novela “Tieta” também tinha um grande texto.
Um grande texto, de Aguinaldo Silva, que também vive em Portugal.

Acha que hoje seria possível fazer “Tieta” hoje, com aquele genérico, com aqueles temas?
Hoje não seria possível. Há uma mudança muito grande nos comportamentos e na mentalidade. Esperamos estar mais evoluídos também. Aquilo era aquilo. A novela é um formato muito interessante porque é muito dinâmica. E o Brasil tem a tradição da cultura folhetinesca. Quase toda a obra do grande escritor brasileiro Machado de Assis era publicada semanalmente nos jornais. Depois, tivemos as novelas cubanas na rádio. E depois a telenovela. As pessoas têm necessidade de histórias vivenciadas sem que elas as vivenciem: “Se fosse eu, o que faria?”

Há uma identificação.
E um jogo moral de atitudes que retratam às vezes mais até do que aquelas pessoas gostariam de ver.

Como estamos de liberdade de criação no Brasil, hoje?
Sempre houve muita liberdade na criação da novela. O primeiro momento acho que foi do ator. Depois foi o diretor [realizador]. Atualmente é o autor. Como ator sempre tive uma relação muito reverencial com o autor, porque é de onde tiro o material para o meu trabalho. Se você tem um bom texto, tem meio caminho andado.

E agora nesta peça é o autor. Qual foi a sua intenção com esta peça?
De certa maneira, o desejo de me entender melhor. Sempre achei, como os japoneses, que das fraquezas se retira a força. Depois percebi que o facto de contar a minha história estimula as pessoas a contarem as suas histórias. As pessoas pedem-me conselhos. E eu digo, “toma notas”. Não vamos nos esquecer dos nossos antepassados, da nossa história.

"O candidato [Fernando Haddad] que apoiei, era um educador, professor da universidade de São Paulo, formado em economia. Foi ministro da Educação durante oito anos. O outro era um ex-militar expulso do exército que apontava uma arma. O Brasil hoje está na mão da bala, do boi e da bíblia."

Porquê?
Porque é a único coisa que temos. Talvez [essa ideia venha] até dessa minha ligação aos orixás, aos cultos africanos. Acredito no crescimento individual, na possibilidade do conhecimento, a partir da nossa própria formação.

Este processo mudou a forma como olha para a sua própria história?
Muita coisa. Por exemplo, a sensação de que é importante viver o momento presente. Também me apercebi que durante toda essa trajetória nunca sonhei nada.

Como assim?
Como em: “Você deve perseguir os seus sonhos”. Nunca pensei assim. Tinha de ajudar a minha mãe a pagar as contas e não perturbar. Tinha de os ajudar a levantar a viga.

E só agora percebeu isso, que nunca teve sonhos, ambições?
Nunca tive ambição nenhuma. Vivia para o dia-a-dia. Quando comecei a fazer teatro, o sonho de todos os atores era ir para a Globo. Eu nunca sonhei com isso.

O psiquiatra português Coimbra de Matos diz que a psicanálise é a passagem da saudade para a imaginação. Agora tem sonhos? Consegue imaginar-se no futuro?
Olha que lindo. Eu não quero ter sonhos. No sono, sonho que voo. E parece real. Agora: “Paulo sonha em fazer uma novela em Portugal”? Nada. Não tenho isso. Tenho dois ou três projetos e já chega.

De onde lhe vem esta paz?
Não tem a ver com paz. Para que serve ficar querendo outras coisas? Agora estou tentando resolver a minha temporada em Portugal. Meu sonho agora é não ser chamado para fazer uma novela de urgência no Brasil.

Essa forma de estar vem da sua história?
É isso aí. É o dia-a-dia, é o agora.

“Temos de esperar que os brasileiros digam que não querem mais isso”

Disse que esteve envolvido na campanha do Lula. Falando em política, no Brasil, como é o agora?
É um momento muito grave.

Um dos perigos quando se olha para o passado é a tendência para idealizar…
Não. Hoje, no Brasil, se você for de carro, alguém se atravessar e você falar alguma coisa, essa pessoa pode te matar. Por isso é que todo o mundo está vindo para cá.

Nunca tinha sido assim?
Assim, não. A campanha [de Bolsonaro] foi assim [faz o gesto de uma arma com a mão]. O candidato [Fernando Haddad] que apoiei, era um educador, professor da universidade de São Paulo, formado em economia. Foi ministro da Educação durante oito anos. O outro era um ex-militar expulso do exército que apontava uma arma. O Brasil hoje está na mão da bala, do boi e da bíblia. Não da Bíblia; da “bíblia”. Estou muito apreensivo, mas acredito que as pessoas se vão apercebendo das coisas: posso não ter a certeza de quem tem a verdade, mas sei que a Terra é redonda.

Embora haja quem diga o contrário.
Ministros. Nós estamos passando vergonha, queimando nossa floresta, matando nossos índios, dizendo aos nossos cidadãos que não existe segurança: “Compre a sua arma”.

Qual é a saída?
Não sei. Temos de ter paciência. Porque se formos agressivos vamos levar tiros. Temos de esperar que os brasileiros digam que não querem mais isso. Espero que o país exista daqui a três anos. Aí, então, através de eleições…

Paulo Betti em palco, numa apresentação de "Autobiografia Autorizada", espectáculo que o ator estreou em 2015 no Brasil

Com o Lula?
Não sei. As pessoas acham que sou mais próximo do Lula do que realmente sou. O ingrediente Lula também é um complicante. Se ele não tivesse estreitado tanto as relações com os empresários, talvez a gente não estivesse nessa cilada, nessa “sinuca de bico” [situação complicada]. Não sei o que vai acontecer – não sou bom nisso. Sou bom a distribuir panfletos na rua.

Ainda faz isso?
Ainda. Moro [no Rio de Janeiro] ao lado de uma favela e gosto de entrar para saber o que as pessoas estão achando.

Entra sem medo?
Entro sem medo. Até hoje não tive momentos para ter medo.

Não tem medo ali ou em geral?
Não tenho muito medo, não. Talvez de forma inconsequente. Faço ginástica na academia dentro da comunidade.

Dentro da favela?
Dentro da favela. Acho que nunca consegui sair do lugar onde cresci. Acho ótimo estar no Sheraton, é uma delícia, mas tem outros lugares. O mínimo, o básico, já está bom. Às vezes falta essa noção. A gente fica…

Deslumbrado?
Alguns amigos me dizem que não me deslumbrei.

Alguns.
É. Mas alguns dizem que sou um falso modesto! (ri-se)

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